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quarta-feira, 30 de março de 2011

Elefante Branco

Já que a França do Ancien Regime era uma verdadeira selva de estravagâncias, por que não decorá-la com um elefante?


Esse projeto de uma casa paquidérmica foi apresentado para decorar os Champs-Élysées em 1758. Bizarrices à parte, era bastante moderno para a época: além de uma grande escada em espiral, havia um sistema de condicionamento de ar. A drenagem, obviamente, era feita pela tromba.

Em meio à Guerra dos Sete Anos — que arruinaria o Império Francês —, Luís XV (1710-1774) teve que vetar o projeto.

terça-feira, 29 de março de 2011

Em uma palavra [46]

Bibliobúlico 
adj. a pessoa que lê tanto a ponto de se esquecer do mundo à sua volta (neologismo criado por H. L. Mencken)

segunda-feira, 28 de março de 2011

Hélène Smith, a médium marciana

Hélène Smith (1861-1929), evidentemente, não era uma vidente de verdade. Mas sua farsa era notavelmente ambiciosa. Ela dizia ser uma reencarnação de uma princesa hindu e de Maria Antonieta. 

Mas Mademoiselle Hélène Smith foi também um ícaro espiritualista. Não se contentando em ser uma reencarnação única de duas princesas de épocas e lugares distintos, ela decidiu voar mais alto. Hélène afirmava ser capaz de visitar Marte:

Paisagem de Marte (pintada pela própria Hélène Smith): eram os marcianos hindus?

domingo, 27 de março de 2011

sábado, 26 de março de 2011

Jovens Ainda

Menos pessoas vivem até a velhice

A surpreendente ideia de que a vida humana está se tornando mais curta e não mais longa foi recentemente sugerida pelo Professor C. H. Forsyth, do Darthmouth College. A teoria recebeu uma corroboração inesperada das estatísticas sobre pessoas com mais de 100 anos que vivem nas Ilhas Britânicas — recém-compiladas pelo Dr. Maurice Ernest, do Centenarian Club de Londres. Em 1881, segundo o Dr. Ernest, a Inglaterra possuía 141 centenários, a Escócia tinha 57 e os atuais territórios do Estado Livre Irlandês relatavam 566. Em 1921, ano com o mais recente censo completo, as respectivas quantias eram de 110 na Inglaterra, 35 na Escócia e aproximadamente 120 no Estado Livre Irlandês. Ressalta o Dr. Ernest que “possivelmente o grande número de centenários relatado nos anos anteriores pode ser devido a falsas alegações de longevidade extrema, feitas pelas próprias pessoas e que não eram verificadas tão cuidadosamente quanto agora.” Mulheres que passam dos cem parecem ser o dobro dos homens. — Modern Mechanix, Janeiro de 1930

sexta-feira, 25 de março de 2011

Senhor Tripé

Não, não é apenas um apelido para um sujeito com algo mais entre as pernas. Francesco Lentini realmente tinha três pernas. Mais bizarro ainda, ele tinha quatro pés — um pé rudimentar saía do joelho da terceira perna  — e dois genitais.
Francesco “Frank” Lentini (1889-1966)
com cerca de 30 anos.

Os médicos afirmaram que não poderiam remover com segurança os membros que sobravam, pois eles estavam ligados à espinha.  Não eram apenas membros parasitas, mas partes de um irmão siamês que não se desenvolveu totalmente.

O menino de três pernas teve uma infância obviamente difícil: seus pais o abandonaram; uma tia tentou criá-lo, mas ele acabou abandonado de novo, desta vez em um abrigo para crianças deficientes. Mais tarde, o jovem Lentini decidiu partir para os Estados Unidos, onde fez carreira em chutando bolas de futebol em números de circo. 

Fora isso, o Homem-Tripé teve uma vida normal: casou-se e teve quatro filhos. Ao morrer, em 1966, aos 77 anos, ele marcou um recorde tão incomum quanto sua condição física. Ainda hoje Francesco Lentini mantém-se como o caso mais longevo de tripedalismo humano.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Cosplay sobre Rodas: Modelo 313

Você já deve ter ouvido falar em cosplay. Mas não são apenas os personagens que são homenageados por seus fãs. Porém, quando se fala em cosplay automotivo, o que geralmente aparece são réplicas de carros de super-heróis como o do Batman ou de veículos famosos do cinema, como o simpático Herbie de Se Meu Fusca Falasse. Mas e quanto aos veículos que aparecem nos quadrinhos ou nas animações?

terça-feira, 22 de março de 2011

Quando o relógio te pressiona, você pressiona o relógio!

Pressionado pelo relógio? Que tal dar o troco? O Vague Clock, criado pelo designer sul-coreano Sejoon Kim só funciona sob pressão — ou quase isso. 


À primeira vista os ponteiros são invisíveis, mas na verdade eles estão lá, funcionando normalmente debaixo do tecido elástico que faz as vezes de mostrador. Para ver — ou melhor, tocar — as horas, basta pressionar o tecido.


Além do design clean, você não precisa se preocupar em acertar os ponteiros (até por que isso seria um tanto complicado). O relógio se ajusta sozinho, sincronizando-se via GPS. 


“Informação demais pode por as pessoas sob pressão”, explica Sejoon Kim. “O Vague Clock dificulta a leitura dos ponteiros de minutos e horas para libertar a pessoa da corrida contra o tempo.”


[via bookofjoe]

Em uma palavra [45]

ferroequinologista
s. c. 2 g. entusiasta de ferrovias ou aquele que se diverte com ferromodelos; estudioso da ferroequinologia, ciência dedicada às ferrovias; ferromodelista.  [da fusão de ferroequino, latim para “cavalo de ferro” (forma poética de se referir às marias-fumaça) e -logia, estudo, ciência]

segunda-feira, 21 de março de 2011

Aniversariantes Mentirosos

Então, quando é o aniversário de cada irmão? O Patola já inutilizou este post com um comentário. Mas se você ainda não entendeu:

domingo, 20 de março de 2011

O Caso Coca-Cola (parte 2)


O processo aberto por Wiley contra a Coca-Cola considerava o produto “adulterado e com anúncio inadequado”. A adulteração, é claro, estaria no uso de cafeína, que “poderia causar danos à saúde”. Baseado em análises químicas, o Químico-Chefe da América também alegava que a Coca-Cola enganava seus consumidores, já que quase não havia traços de coca e “pouco ou talvez nenhuma cola”. Entre os ingredientes, segundo os autos do processo, havia açúcar, água, cafeína, glicerina, suco de lima “e outras matérias flavorizantes.” (evidentemente, a fórmula completa não foi revelada por se tratar de propriedade industrial da Coca-Cola).

A companhia respondeu às acusações de Wiley reiterando que Coca-Cola era uma marca registrada e que a fórmula estava em uso há mais de 20 anos sem qualquer problema. Quanto à adulteração, era mais difícil provar que a cafeína não era totalmente danosa.

“Uma Noite em Atlanta”

Em pleno século XXI, há gente que ainda não leva a Ficção Científica a sério. Em 2004, a pequena editora PublishAmerica desdenhou abertamente da FC, afirmando que jamais publicaria uma obra do gênero por ser uma “editora tradicional” e de alto padrão (o site informava que eram recebidos mais 70 originais por dia, a maioria dos quais era rejeitada). 

Irritada e imbuída do mais puro espírito de trollagem, a “família sci-fi” decidiu dar uma lição na PublishAmerica. Dezenas de autores do gênero colaboraram para criar o pior romance possível apenas para testar o suposto alto padrão editorial da empresa. O resultado foi Atlanta Nights:

sábado, 19 de março de 2011

O Caso Coca-Cola (parte 1)


Harvey Washington Wiley tinha uma missão a cumprir. Ou pelo menos era o que ele acreditava.

Harvey W. Wiley: sem saco para um cafezinho.
Harvey Wiley (1844-1930) era Químico-Chefe da Divisão de Química do Departamento [Ministério] da Agricultura dos Estados Unidos. Ele também foi um dos fundadores da Association of Official Analytical Chemists [Associação Oficial de Químicos Analíticos]. Com essas credenciais, Wiley estava determinado a lançar uma cruzada contra o uso de aditivos químicos em alimentos e medicamentos.

Com o apoio de um seleto “esquadrão do veneno” (doze voluntários que ele usava para testar a segurança alimentar), a luta de Wiley por comidas e bebidas mais puras se tornaria legendária. Embora a Divisão de Química não tivesse, inicialmente, qualquer poder regulatório, Wiley e seus colaboradores publicaram suas descobertas em uma série de dez artigos durante o ano de 1902. Depois, ele procurou vários médicos e grupos de interesse especiais para fazer lobby por uma reforma no setor.

Todos os triângulos são iguais


Ou, pelo menos, todos os triângulos são isósceles. A seguinte prova é de ninguém menos que Lewis Carroll:

Seja ABC qualquer triângulo. Seccione BC em D e a partir de D trace DE em ângulo reto com BC. Seccione o ângulo BAC.

(I) Se a bissetriz não se encontrar com DE, [as linhas] são paralelas. Portanto, a bissetriz está em ângulo reto com BC. Logo AB = BC, i.e., ABC é isósceles.

(II) Se a bissetriz encontra DE, ela o faz no ponto F. Ligue FB, FC e a partir de F trace FG e FH em ângulos retos com AC e AB.

Logo, os triângulos AFG e AFH são iguais, pois eles têm o lado AF em comum e os ângulos FAG e AGF são iguais aos ângulos FAH e AHF. Portanto, AH = AG e FH = FG.

Similarmente, os triângulos BDF e CDF são iguais pois BD = BC, com DF em comum e os ângulos em D são iguais.

Similarmente, os triângulos FHB e FGC são retângulos. Logo, o quadrado de FB = a [soma dos] quadrados de FH e HB; e o quadrado de FC = a [soma dos] quadrados de FG e GC. Assim, FB = FC e FH = FG.

Portanto, o quadrado em HB = o quadrado em GC. Logo, HB = GC. Também se prova que AH é igual a AG. Portanto, AB = AC, i.e., ABC é isósceles.

Portanto o triângulo ABC é sempre isósceles. Q.E.D.

sexta-feira, 18 de março de 2011

Um homem que valia por sete

Quando o padeiro Edward Bright, de Essex, morreu em 1750, ele pesava mais de 600 libras [c. 300kg]. Ele faleceu aos 29 anos e era considerado o “homem mais gordo da Inglaterra”. Foram necessários doze homens para levar seu caixão de sua casa em Maldon's High Street até a Igreja de Todos os Santos — que, felizmente, ficava na mesma rua...
Edward Bright (1721-1750): quantos pãezinhos
esse cara comia por dia?

Um mês depois, para fechar uma aposta feita num pub, sete homens foram colocados dentro do colete de Mr. Bright. O colete fechou com alguma sobra. 


À parte a história da aposta — que alguns mal-humorados do politicamente correto vêem como um terrível freak-show póstumo —, a curta vida de Edward Bright prova duas coisas: 1) Obesidade mórbida não é uma doença moderna; é algo que tornou-se mais frequente por causa do crescimento (sem trocadilho) da população. Quanto mais gente, mais obesos. 2) Derruba o mito de que no passado, na era pré-industrial, a alimentação era mais saudável.

[Enigma] Aniversariantes Mentirosos

Dois irmãos são honestos e não mentem nunca. Mas há um pequeno detalhe: cada um mente sobre o respectivo aniversário quando faz aniversário.

Na véspera do ano-novo, você pergunta quando é o aniversário de cada um. O primeiro diz “Foi ontem.” e o segundo responde “É amanhã.”

No dia seguinte, 1º. de janeiro, você quer saber novamente quando eles fazem anos. Novamente, o primeiro diz que foi ontem e o segundo diz que será amanhã.

Então, quando é o aniversário de cada irmão?

quinta-feira, 17 de março de 2011

De Profundis

Quidquid latine dictum sit, altum viditur.

“Qualquer coisa dita em latim parece profunda.”

D. Branca Neves


O clichê que acompanha mostra o que pode ser feito com neve, por quem se esmera em exercitar suas habilidades de modelagem. O resultado é mais natural em aparência do que o velho e conhecido “Snow Man”. Durante uma calmaria em meio às severas nevascas do último inverno, duas ladies (amadoras que nunca tiveram uma aula de escultura) erigiram e modelaram a “Snow Lady” em um jardim perto de Pangbourne. Elas utilizaram apenas uma pá e um par de tesouras. Nenhuma fundação de qualquer tipo foi feita, nem galhos ou fios foram colocados internamente para sustento da cabeça, dos braços ou do corpo da escultura. Uma ampliação da fotografia original foi exibida durante a Exposição Fotográfica do último outono, com diversas reações. Um grande número de espectadores diziam “Não há dúvida de que foi muito bem-feita — mas é tudo falso.” ou “Neve de verdade? Nem um floco! Bastante improvável!”
Strand, Janeiro de 1892

terça-feira, 15 de março de 2011

Evidência Espectral

Não foi a primeira vez, nem a última, que fantasmas se metem na justiça americana. Mas dessa vez, um espectro apareceu na vara criminal.

Em 1897, o testemunho de um fantasma ajudou a condenar um assassino. A morte de Zona Heaster Shue havia sido por causas naturais — até onde se sabia. A (com o perdão da expressão) mãe da Zona afirmava que o fantasma da filha havia lhe visitado durante quatro noites consecutivas. A sombra da moça morta voltara apenas para descrever como ela havia sido assassinada pelo marido dela, Edward. Quando o corpo de Zona foi exumado, percebeu-se que o pescoço havia sido quebrado — como teria sido descrito pela falecida após a morte — e o júri condenou Edward por homicídio.

Em uma palavra [44]

fatífero
adj. que ou aquele que traz o destino; destrutivo, fatal. [do latim fatum, fado, destino e ferum, portador.] Cp. com lucífero ou luminífero, aquele que porta a luz.

segunda-feira, 14 de março de 2011

Big Brother Rodoviário


Aquele carro vermelho virando à esquerda é muito suspeito! (esta legenda vermelha alinhada à esquerda também!)


Durante a caça às bruxas do começo dos anos 1950, a paranóia anticomunista dos americanos chegou até mesmo às ruas e às estradas. Segundo J. Edgar Hoover, então chefe do FBI, estes seriam os hábitos de motoristas comunistas ao volante [e estes são os sintomas da paranoia]:

  • Dirigir alternadamente em altas e baixas velocidades [claro que é suspeito: não faz o menor sentido diminuir de velocidade se as condições da pista ou o trânsito mudam...];
  • Passar num cruzamento movimentado durante a luz amarela intencionalmente, para desorientar ou causar um acidente fatal [também muito suspeito: o camarada pode ser daltônico ou estar a caminho de um hospital. E fugir de um assalto sempre levanta suspeitas];
  • Dobrar a esquina em alta velocidade e parar repentinamente logo em seguida [evitar um atropelamento não é algo muito americano];
  • Sair do carro e soltá-lo na contramão de uma ladeira de mão única [abandonar um carro sem freios é coisa de comuna!];
  • Entrar em uma rua residencial escura, à noite, com as luzes apagadas [o cúmulo da suspeita! É um comportamento totalmente anti-americano. Mas a rua escura não é culpa nossa, pois o governo não pode forçar a companhia elétrica — um empreendimento particular — a manter a rede em ordem];
  • Dirigir até uma área rural, atravessar campos por um longo tempo e se encontrar com outro carro [também muito suspeito: se perder é coisa de forasteiro];
  • Esperar até o último minuto no sinal e depois cortar à esquerda do tráfego [mas cortar à direita é um ato de amor à pátria!];
  • Parar em todos os postos de gasolina, sair, andar em volta do carro, sempre olhando e depois ir embora [camarada, esse seu disfarce de motorista cansado para deixar de consumir não nos convence. Estamos de olho!].

domingo, 13 de março de 2011

Black Bart, o assaltante-poeta

Para um fora-da-lei do Velho Oeste, Black Bart era um bocado sensível. Bart, também conhecido como Charles Bolton, foi veterano da Guerra Civil (1861-1865). Seu verdadeiro nome era Charles Earl Bowles (1829-1888?); ele nasceu em Norfolk, na Inglaterra e aos dois anos migrou para os Estados Unidos com a família (os pais e mais 3 irmãs e 7 irmãos).

Depois de se casar, ter quatro filhos, abandonar a família e tentar a vida como minerador durante a Febre do Ouro e participar da Guerra Civil, Bart passou a roubar milhares de dólares das diligências nos anos 1870 e 1880. Suas primeiras vítimas o descreviam por sua polidez — ele evitava palavras de baixo calão e pedia tranquilamente ao cocheiro: “Por favor, desça da boléia.” 

sábado, 12 de março de 2011

Você está dentro da Matrix?

matrix tanque

Embora se diga muitas vezes que Matrix é apenas uma releitura high-tech de um antigo pensamento de Platão — o mito da caverna —, a inspiração pode ter sido bem mais recente. Nos anos 70 do século passado, o filósofo libertário Robert Nozick (1938-2002) propôs uma “máquina de experiências”:
Suponha que houvesse uma máquina de experiências que lhe daria qualquer experiência que você desejasse. Superduper neuropsicólogos poderiam estimular seu cérebro de tal forma que você pensaria e se sentiria escrevendo um grande romance, ou fazendo amigos ou lendo um livro interessante. Durante todo aquele tempo, você estaria flutuando em um tanque, com eletrodos ligados ao seu cérebro. Você deveria se plugar nessa máquina pelo resto da vida, reprogramando constantemente suas experiências? Se você teme perder experiências igualmente desejáveis, nós supomos que as empresas desse ramo pesquisaram exaustivamente a vida de muitos indivíduos [antes de fazer suas ofertas]. Você pode apontar e escolher diante de uma ampla biblioteca ou bufê de tais experiências, selecionando suas experiências para, digamos, seus próximos dois anos de vida. Depois de dois anos você terá de dez minutos a dez horas fora do tanque, para selecionar as experiências para os dois anos seguintes. É claro que, enquanto você está dentro do tanque, você não sabe que está lá. Você vai pensar que está realmente acontecendo. [...] Você se plugaria?
— Robert Nozick, Anarchy, State and Utopia [Anarquia, Estado e Utopia], 1974
É incrivelmente semelhante ao filme e talvez até mais assustador, já que sugere, implicitamente, que você pagaria para entrar na máquina e ter suas experiências. Quando Matrix chegou às telonas, surgiram questionamentos bastante fortes contra a recém-criada “realidade virtual”. Havia temores de controle mental do tipo sugerido por Nozick e de que isso arruinaria completamente nossa liberdade, anulando nosso poder de escolha.

Mas me parece que esse tipo de máquina de experiências não precisa ser necessariamente uma tecnologia super-avançada. Na verdade, talvez não precise ser nem uma máquina. A própria vida é bastante parecida: você vive fazendo escolhas e depois passa a se questionar se não está perdendo outras experiências ou oportunidades igualmente interessantes. Então você sempre acaba caindo sob controle de suas relações sociais (primeiro são os seus pais e os seus parentes; depois vêm os seus amigos e os seus amores), as quais te convencem de que você deve fazer algo por que outros já o fazem ou fizeram. Em última instância, você não escolhe nada sozinho, embora goste de acreditar nisso.

Tuitermoto

#correnegadis!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Lição do dia #03: Como ser um grande escritor

O Paradoxo da Lealdade

Tal como a modéstia, a lealdade pode ser um comportamento paradoxal.

Você tem lealdade por alguém quando está ligado a essa pessoa por algum laço: de família, de amor, de amizade, de trabalho, ou de propósito. Lealdade é um ideal e, idealisticamente, você sente que tem um dever com essa pessoa. Mas ao apoiá-la incondicionalmente, você se submete ao bem-estar de outro indivíduo — e isso é o oposto do idealismo, é um anti-ideal.

“À primeira vista, apresentamos o agente leal como alguém louvável de um ponto de vista imparcial.”, escreve o filósofo cientista político irlandês Philip Pettit. “Um olhar mais apurado pode ver motivo para preocupação. [...] Ser leal é ser dedicado ao bem-estar de um indivíduo em particular e isso parece conflitar com a noção de que o leal é um idealista.”

Pettit não deixa de estar certo, mas só até certo ponto. Ser leal não significa, necessariamente, perder inteiramente a própria liberdade, tornando-se submisso. Como há várias camadas de lealdade, você pode, por exemplo, se considerar leal ao seu país, mas não ao seu governo. É esse tipo de lealdade que geralmente move revolucionários — como a juventude árabe dos dias atuais.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Propina.exe

Philosoraptor geekii
Se a extensão do arquivo for igual à sigla de qualquer partido político brasileiro (.pmdb, .pt, .dem, etc), esse hack funciona.

Sr. 1069

O que é um nome? Ou, o que pode ser um nome? Em 1976, o cozinheiro Michael Herbert Dengler entrou na justiça de Dakota do Norte para mudar de nome. Até aí tudo normal: mudar de nome até que é fácil nos Estados Unidos (basta cumprir certas exigências, como ter bons antecedentes, morar no Estado por certo tempo, apresentar uma justificativa e um novo nome). 

O porém é que Dengler queria ser chamado de 1069. Além de dizer que havia sido adotado, ele alegava que cada dígito refletia um aspecto de sua personalidade, em uma numerologia bastante idiossincrática. Segundo o cozinheiro, 6, por exemplo, representava a relação com o universo em minha compreensão de minha ocupação espacial através desta vida. Como se vê, não faz muito sentido. Mas Michael Dengler insitiu: a única maneira que essa identidade pode ser expressada é 1069.

terça-feira, 8 de março de 2011

Aposta contra a morte

Numa noite de 1771, Mr. Pigot e Mr. Codrington decidiram apostar sobre qual de seus pais morreria primeiro. Um amigo fez os cálculos baseado na idade de cada pai. Mas Cordington discordou, considerando injustos os cálculos apresentados. Então o Conde de March (1735-1806) decidiu mediar a macabra disputa. No final, ficou combinado que Pigot pagaria 500 guinéus se seu próprio pai morresse primeiro. Mas se o pai de Cordignton batesse as botas antes, este pagaria 1.600 guinéus ao rival.

Incrivelmente, quando o acordo foi fechado, o velho Pigot já estava morto — ele falecera às duas da manhã, enquanto as condições da aposta ainda eram discutidas. Ao saber disso, o jovem Pigot resolveu desfazer o trato, considerando-o nulo. 

O mediador (e amigo-da-onça), o Conde de March, levou o insólito caso aos tribunais. Em sua defesa, Pigot argumentou que “como não havia qualquer possibilidade de que o acusado ganhasse, já que seu pai estava realmente morto, ele deveria, portanto, não perder.”

Mas Pigot acabou duplamente derrotado: o tribunal não aceitou suas explicações e ele teve de pagar a aposta mesmo assim.

Em uma palavra [43]

superpolicar
v. mostrar o polegar para cima em sinal de aprovação; o ato conhecido como “positivo”. O oposto é dessuperpolicar. [provavelmente formado a partir do latim super, superior, para cima e pollex, polegar].

Superpolique nossa página no Facebook (Y).

segunda-feira, 7 de março de 2011

E deus viu que era absurdo


Que isso? Todo mundo sabe que o JC não salva...

Um burro no tribunal

Richard Martin (1754-1834) foi um parlamentar irlandês que tornou-se famoso não só por ser um protestante filho de católicos que defendia o fim da segregação religiosa na Irlanda e por seus discursos irreverentes, mas também (e principalmente) por sua defesa dos animais no começo do século XIX. 

Em 1822, ele levou um burro ao tribunal para mostrar as marcas de espancamento do animal como evidência. Com isso, ele ganhou o caso, que foi a primeira condenação do mundo por tratamento cruel de um animal. No mesmo ano, Martin propôs um projeto de lei na Câmara dos Comuns, que foi aprovado e se tornou a Ill Treatment of Cattle Bill [Lei dos Maus Tratos do Gado].

domingo, 6 de março de 2011

Os Gigantes de Cardiff


Durante a escavação de um poço em Cardiff, no interior de Nova York, em 1869, os operários fizeram uma descoberta sensacional: um homem de pedra com 10 pés [3 metros] de altura.

Era uma estátua antiga? Um gigante petrificado? A verdadeira origem era bastante mundana. O chamado “Gigante de Cardiff” havia sido esculpido em gesso e enterrado deliberadamente por um comerciante de Nova York, George Hull. Ele realmente fez um bom negócio: gastou 2.600 dólares para esculpir e enterrar a peça, que foi vendida por US$ 37.500 após ser “descoberta”.

Mas a histeria do mercado não parava. P.T. Barnum, dono do então maior circo do mundo, ofereceu US$ 60.000 para alugar o gigante por três meses. Para ganhar ainda mais, Hull fez uma réplica, que apresentou como autêntica, declarando a peça original como o que era: falsa. Ao saber do caso, o expositor David Hannum teria dito a frase “A cada minuto nasce um otário.” Ironicamente, hoje a frase é creditada a P.T. Barnum, mas ele é que era o otário nessa história toda.

Apesar do hype (ou como todo hype), o truque não durou muito. Um ano mais tarde, as duas estátuas foram consideradas falsas após um exame. Mas a primeira delas ainda vive: está até hoje exposta em um museu de Cooperstown, NY.

sábado, 5 de março de 2011

Hamlet: Uma comédia de erros?

ham

Em 1889, Fredericka Raymond Beardsley Gilchrist propôs a teoria de que todo o sentido de Hamlet havia sido confundido por causa de um mero erro tipográfico. Na Cena V do Ato I, a sombra revela a Hamlet o adultério de sua mãe e o assassinato de seu pai. Então, Hamlet responde:
O all you host of heaven! O earth! what else?
And shall I couple hell? O fie!
[Ó legiões do céu! Ó terra! Que mais, ainda?
Invocarei o inferno?]
Mas Mrs. Gilchrist afirmava que o segundo verso deveria ser lido assim:

Antimanual: Como NÃO resgatar uma picape

O que fazer quando sua querida picape cabine-dupla te trai e capota logo em um lago congelado? Bem, primeiro o veículo não deve afundar. Caso contrário você morre e aí não dá pra salvar nada mesmo.

Se você sobreviver, seria melhor não se preocupar com mais nada: é melhor deixar estar até que as condições favoreçam um resgate (ou até que você consiga entender o que aconteceu). Mas se você for impaciente ou desesperado; se estiver com pressa ou não tiver seguro, tente ao menos procurar um operador de guincho que tenha um mínimo de bom-senso (ou não esteja bêbado). Caso contrário, quem morre é a picape:

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Papagaio dos Atures

Em 1800, o naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769-1859) explorava o Alto Orinoco na Amazônia venezuelana. Foi quando ouviu falar de uma tribo extinta recentemente, os Atures. A língua morrera com o último falante, mas Humboldt ainda pôde ouvi-la: “Naquela parte de nossa viagem, um velho papagaio nos foi apresentado em Maypures [...] e um fato digno de nota é que ‘eles não conseguiam entender o que ele dizia, por que ele falava a língua dos Atures.’”

Maipures, Venezuela

Humboldt tentou, na medida do possível, registrar foneticamente o que pareciam ser 40 palavras faladas pelo papagaio. Quase dois séculos mais tarde, em 1997, a língua Ature teria sido ouvida novamente. A artista Rachel Berwick alega ter ensinado dois papagaios da Amazônia a falar o que Humboldt havia registrado.

Mas há vários motivos para duvidar dessa história. Quando o naturalista alemão fez seu registro, não havia um alfabeto fonético internacional. Mesmo que os papagaios tenham sido treinados de acordo com os escritos de Humboldt, o “vocabulário” que ele registrou pode não ser muito fiel à suposta língua Ature.

Digo suposta língua por que o papagaio apresentado ao cientista alemão pode ter sido simplesmente um truque, uma forma de chamar a atenção e talvez até de obter dinheiro de forasteiros. Humboldt era um grande cientista, mas como ninguém é perfeito, ele pode ter sido enganado.

Para quem quer tirar as próprias conclusões, há uma gravação dos papagaios de Rachel Berwick aqui, mas não me parece muito convincente. 

Estado do oeste norte-americano (quatro letras)



Em maio de 1944, enquanto os Comando Aliado preparava a invasão da Europa, a palavra UTAH apareceu em um jogo de palavras-cruzadas publicado no Daily Telegraph. Os militares acharam aquilo um pouco aborrecedor: Utah era o codinome de uma das praias do desembarque na Normandia.

O aborrecimento tornou-se alarme quando OMAHA e MULBERRY, outros dois codinomes, apareceram em jogos publicados poucos dias depois. O alarme foi promovido a pânico quando NEPTUNE e OVERLORD apareceram quatro dias antes da invasão plenejada. No jargão Aliado, Neptune era o codinome da operação de desembarque e Overlord era o nome em código de toda a operação na Normandia. Imediatamente, o governo britânico descobriu e prendeu o cruciverbalista responsável, o professor Leonard Dawe.

Um longo e tenso interrogatório se seguiu, mas Dawe foi considerado inocente e acabou liberado. Aparentemente, seus alunos ouviram alguns militares usando tais palavras e, por brincadeira, começaram a repeti-las. Se foi assim, não houve risco de vazamento. As palavras publicadas continuaram secretas e ninguém soube exatamente a quê elas se referiam.

quinta-feira, 3 de março de 2011

H. G. Wells é um fanfarrão


Ao sair de uma festa em Cambridge, H.G. Wells percebeu que havia levado o chapéu errado. O nome do proprietário estava dentro da borda. Mas o chapéu servia tão bem e Wells gostou tanto dele que decidiu devolver não o chapéu, mas um bilhete:

“Eu roubei seu chapéu; gosto do seu chapéu; vou ficar com seu chapéu. Sempre que eu olhar para dentro dele, lembrar-me-ei de você, do seu excelente Xerez e da cidade de Cambridge. Eu tiro seu chapéu para você.”

terça-feira, 1 de março de 2011

Créditos Finais Sem Fim

Certa vez, o matemático inglês John Edensor Littlewood (1885-1977) escreveu um artigo para o Comptes rendus de l'Académie des sciences, da França. Noves fora a matemática, a tradução do texto foi feita pelo Prof. Marcel Riesz (1886-1969). O trabalho nem era muito importante e passaria despercebido, não fossem essas três notas de rodapé no fim do artigo:
Devo muito ao Prof. Riesz pela tradução do presente trabalho.
Ainda devo ao Prof. Riesz pela tradução da nota anterior.
Ainda devo ao Prof. Riesz pela tradução da nota anterior.

A coisa poderia ter continuado indefinidamente (exceto talvez pela limitação de espaço). Mas não foi a isso que Littlewood se prendeu: “Eu parei legitimamente no número 3: não importa quão pouco eu saiba de Francês, eu sei que sou capaz de copiar uma sentença em Francês.”

Em uma palavra [42]

Alamodalidade
subst. fem. A qualidade de estar à la mode, ou seja, de seguir a moda de determinada época; o estar-na-moda; fashionableness. [decalque do francês à la mode + o sufixo -alidade]

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