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sábado, 20 de agosto de 2011

TrES-2b, o Planeta Negão

Concepção artística de TrES-2b, o planeta mais rubro-negro conhecido

Tente imaginar alguma coisa mais preta (ou negra ou afro-descendente) que carvão. Agora tente imaginar um planeta inteiro dessa cor. Foi exatamente isso que o telescópio espacial Kepler descobriu na semana passada.

Distante apenas 5 milhões de quilômetros de sua estrela-mãe, TrES-2 — e a 750 anos-luz da Terra —, o gigante gasoso chamado TrES-2b arde a cerca de 980ºC. Apesar disso, aquele mundo imenso e infernal aparentemente não reflete quase nenhuma luz que recebe.

David Kipping, líder da equipe que descobriu o planeta negão confirma: “é menos refetivo que o carvão ou mesmo a mais negra tinta acrílica — de longe o planeta mais obscuro já descoberto”. Kipping, astrônomo do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, em Cambridge, Massachussets dá uma ideia da aparência do TrES-2b: “Se pudéssemos vê-lo de perto, ele pareceria uma bola de gás quase preta, com uma tênue faixa vermelha brilhante — um verdadeiro exotismo entre os exoplanetas.”

quinta-feira, 5 de maio de 2011

“Leve-me ao seu líder”


Quando John Glenn, um dos primeiros astronautas norte-americanos, entrou em órbita a bordo da Friendship 7 em 1962, ninguém na NASA sabia ao certo se ele voltaria. Se ele retornasse, também não sabiam com certeza onde seria o pouso. Os lugares mais prováveis ficavam entre a Austrália e a Nova Guiné — mas a margem de erro era tão larga, que ele poderia cair até mesmo no Oceano Atlântico! Por causa disso, o resgate só chegaria 72 horas após o pouso.

Glenn não temia a missão no espaço. Ele tinha medo de passar até três dias entre aborígenes que jamais haviam visto um avião e, de repente, veriam “um homem de prata emergir de uma cápsula com um grande pára-quedas.” Precavido, o homem-de-prata-que-veio-do-céu levou consigo um pequeno discurso transcrito foneticamente em diversas línguas.

A mensagem era simples e direta: “Eu sou um estrangeiro. Eu venho em paz. Leve-me ao seu líder e haverá uma imensa recompensa para você na eternidade.” 

Felizmente, para Glenn, ele não precisou “fazer contato imediato” com nenhuma tribo primitiva. O pioneiro americano caiu no Oceano Atlântico e foi resgatado rapidamente. Embora não tenham sido usadas suas palavras tornaram-se icônicas.

domingo, 17 de abril de 2011

50 Anos-Lesma

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A ausência do homem no espaço é sinal de que desperdiçamos uma chance enorme de evoluir. Garantir a autodestruição é sempre mais fácil, seguro e barato do que adaptar-se aos novos tempos.
Há meio século, Yuri Gagarin foi o primeiro a chegar aonde nenhum homem jamais estivera — o Espaço Sideral. Parecia ser o início de uma nova era, há muito imaginada pelos autores de ficção científica. Essa seria a nova Era das Grandes Navegações, que agora se desenrolariam no vasto profundo Oceano Cósmico. Mas ao contrário do louvor camoniano, “se mais espaço houvera, lá não chegara.”

Pois cinquenta anos depois do primeiro homem no espaço, colônias de férias na Lua, cidades em Marte e mineradores no Cinturão de Asteróides ainda são fantasias distantes da realidade. Viagens espaciais são hoje algo tão excepcional que ainda nos lembramos do nome do primeiro viajante (compare com as viagens de trem, por exemplo. Alguém ainda se lembra do primeiro passageiro?)

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

2010? No meu tempo...

Para muitas pessoas, a primeira década do século XXI, apesar de todos os seus avanços tecnológicos, não teve a menor graça, por que foi uma sombra do que esperavam que fosse:


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 Mas mesmo assim, nós conseguimos superpoderes incríveis.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Nem tão solitário planeta

Atendendo a pedidos do ilustre Kentaro Mori, autor dos blogs 100 nexos, Ceticismo Aberto e  da coluna Dúvida Razoável, traduzi integralmente o ensaio "Not-So-Lonely Planet", publicado pelo Oliver Morton, editor-chefe da revista Nature na edição de 24 de dezembro último do New York Times. O ensaio baseia-se na famosa foto do "nascer da Terra" sobre a Lua, feita em 1968 pelo astronauta Bill Ander, durante a missão Apollo 8. Eis a minha versão para o português:  


 "O Nascer da Terra"



Nem tão solitário planeta

Oliver Morton


Eles foram à Lua e, durante as primeiras três órbitas em torno dela, foi para a Lua que a sua atenção esteve voltada. Somente na quarta volta eles levantaram seus olhos para ver seu lar planetário, levantando-se silenciosamente sobre as planícies desérticas da Lua, em maravilhosos tons de azul e branco. Quando, mais tarde, na véspera do Natal de 1968 eles leram as primeiras linhas do Gênesis ao vivo na televisão, eles deram sentido aos céus e à Terra, à forma e ao vazio, com aquela maravilha que eles tinham visto nascer sobre o céu negro da Lua.
A fotografia do “Nascer da Terra” feita pelo astronauta Bill Anders é parte do legado duradouro do Programa Apolo – que eclipsa, em muitas memórias, quaisquer novas descobertas sobre a Lua ou um sentido renovado de orgulho nacionalista. Esta e outras fotografias que retratam a Terra trouxeram uma nova perspectiva a tudo aquilo que os humanos compartilham. Como Robert Poole apontou em “Earthrise: How Man First Saw the Earth” (“Nascer da Terra: Como a humanidade viu a Terra pela primeira vez”), essa perspectiva tem profundos efeitos culturais, notáveis na ressonância emocional adquirida através do nascente movimento ambientalista. Vista da Lua, a Terra parecia tão minúscula, tão isolada, terrivelmente frágil.
A imagem não perde beleza nem poder se nos lembrarmos, porém, que era o fotógrafo, muito mais que o planeta, quem estava isolado e que a fragilidade é uma ilusão. O planeta Terra é excepcionalmente robusto e sua força provém de suas antigas e íntimas conexões com o Cosmos ao fundo. Ver a foto dessa maneira não destrói a sua relevância ambiental – antes reforça-a.
É inegável que a Terra seja pequena. Se o sistema solar interno fosse do tamanho dos Estados Unidos, a Terra teria o tamanho de um campo de futebol; se a distância até o centro da galáxia fosse de uma milha, a Terra seria menor que um átomo. Mas se a foto do Nascer da Terra tivesse capturado a Terra na dimensão do tempo em vez do espaço, as coisas seriam diferentes. Em sua duração, ao contrário de seu diâmetro, a Terra precisa ser medida em uma escala cósmica. Em mais de quatro bilhões de anos, ela se estende por um terço da história do universo, ocupa um terço do caminho de volta ao próprio Big Bang. Muitas das estrelas que você pode ver numa noite clara de inverno são mais jovens que o planeta debaixo dos seus pés.
Mera persistência não é, por si só, um grande feito. As rochas estéreis da Lua têm persistido por quase tanto tempo quanto as da Terra. Mas a Terra não tem sido apenas duradoura; tem sido viva. Por quase 90 por cento de sua história, o planeta tem sido habitado e moldado pela vida. Os mecanismos biológicos que operaram na aurora da vida animam as criaturas da Terra até hoje, formando uma corrente contínua durante pelo menos 3,8 bilhões de anos.


Esta vida infalível e ininterrupta demonstra que o planeta está muito longe da fragilidade. A Terra viva é imbatível em escalas difíceis de acreditar. A vida assistiu aos continentes que se chocaram e se despedaçaram, céus brilhando feito carvão em brasa, mares tropicais congelados e imobilizados: ela sobreviveu. Atingida pela radiação de uma supernova próxima, por asteróides, ela pode ter balançado, mas nunca caiu.  Nossa civilização pode estar – ou está – fora de equilíbrio com seu ambiente, os modos de vida humanos atuais podem ser assustadoramente precários. Mas aplicar a fragilidade de nosso modo de vida à própria vida é tolice.
Humanos podem extinguir espécies e diminuir ecossistemas. Tal vandalismo traz riscos reais aos seus perpetradores, uma vez que a civilização humana depende dos serviços prestados por alguns desses ecossistemas. Mas quando se leva em conta a escala planetária da vida, nossa situação é trivial. Humanos não trazem nenhum risco existencial à vida na Terra e nada a ameaçará por centenas de milhões de anos. Rica, variada, sempre mudando – a Terra é tudo isso. Frágil é que não é.
Por que tão robusta? A razão está no segundo grande erro conceitual: que a Terra é isolada. Isso apenas é verdade se o seu sentido de contato depende de matéria física passando de um lugar para outro. A poeira e as rochas que caem do céu vindas do espaço são como pedrinhas lançadas num oceano, ainda que algumas rochas maiores causem um pequeno desconforto ao matar dinossauros. Os traços de gás varridos da alta atmosfera são verdadeiramente desprezíveis. A matéria é depositada a conta-gotas e é levada por um suspiro. Mas a matéria não é tudo.
Uma enxurrada de pura energia luminosa sai do Sol em todas as direções. Oito minutos depois, numa viagem à velocidade da luz, parte desse extraordinário fluxo de energia cai sobre a Terra, inundando-a com uma torrente de 170 mil trilhões de watts. Parte disso é refletida de volta ao espaço; o “Nascer da Terra” do Major Anders capturou aquela luz refletida pelo branco das nuvens e do gelo polar. A maior parte, porém, é absorvida; esta é a energia que move os ventos, faz as ondas e as correntes marinhas fluírem, esquenta as rochas e aquece o céu. O fluxo de energia solar flui para o sistema terrestre e reflui para fora, para o espaço frio e escuro como uma onda de radiação infravermelha.
Uma minúscula fração dessa energia é captada, não pelas rochas, pelos ventos ou pelas águas, mas pela vida. Aquela fração de um por cento da energia capturada pelas plantas e por outros organismos fotossintéticos é distribuída através das cadeias alimentares do mundo. É esta luz solar, infinitamente fresca, que faz a grama crescer, o pássaro cantar – e você, viver. A energia do Sol flui, através do seu cereal matinal no seu café da manhã, para as suas veias e para seu cérebro. Ela te anima como tem animado quase toda a vida da Terra durante bilhões de anos. 
A ciência da termodinâmica nos diz que um sistema fechado tende ao equilíbrio, à indiferença, ao aumento da entropia. Se a Terra fosse um sistema isolado como parece, a tendência inevitável seria a perda, o fim da vida. Mas a Terra é tão aberta quanto o céu. Energia de toda a parte passa por ela, criando infindáveis chances para a complexidade e a improbabilidade, levando a entropia do mundo de volta ao espaço. O fluxo de energia que une quase todos os seres vivos do planeta é o mesmo que liga nosso ambiente ao universo lá fora.
Para que esse fluxo funcione de forma adequada, a energia deve sair da mesma forma que entra. Se o Major Anders estivesse equipado com uma câmera de infravermelho, a energia que sai teria nos mostrado um brilho aquecido no lado noturno do planeta. Quarenta anos depois, aquele brilho pareceria um pouco enfraquecido por que menos energia está saindo daqui. Ao cobrirmos os céus com dióxido de carbono, nós estamos bloqueando esse fluxo energético, aumentando o calor aqui na superfície da Terra. Este aquecimento global por efeito estufa é “café pequeno” em qualquer sentido cósmico. Ele não traz nenhuma ameaça à continuidade da vida na Terra, mas é uma ameaça a dezenas de milhões de pessoas e continuará a ser por gerações.
Felizmente, ver o problema do aquecimento global em termos de fluxo de energia é enxergar sua solução. Ao colocar um pouco da energia cósmica em uso – ao desenvolvermos a energia eólica em verdadeiras fazendas energéticas, a hidroeletricidade, e, a mais promissora de todas, a energia solar – nós poderíamos acabar com a necessidade daquele gás carbônico que está sobrando nos céus. Outros fluxos de energia poderiam ajudar também. Fluxos de calor das profundezas da Terra ou da radiação que herdamos com o urânio das estrelas mortas. Mas é a energia solar que, direta ou indiretamente, irá dominar esse panorama, simplesmente por que é abundante. O Sol entrega mais energia à Terra em uma hora do que a humanidade consome em um ano.
Substituir os combustíveis fósseis, despoluir o nosso planeta e ainda evitar a nossa ruína – o pior de dois mundos – é um desafio épico. Mas a mensagem que emoldura todas as mensagens do “Nascer da Terra” é que nós somos capazes de desafios épicos. Veja só onde a foto foi tirada. Mas “Se nós colocamos um homem na Lua então por que não acabar com a pobreza?...” Isso pode nos mostrar as falhas da sociedade em alcançar metas que eram muito mais simples. Mas lembre-se: nós colocamos um homem na Lua e isso não foi pouca coisa. Esforços numa escala similar no sentido de colher esse fluxo de energia que passa por nós seriam inteiramente apropriados e tornariam as coisas mais fáceis.  Nós não poderemos resolver todos os problemas; algumas mudanças climáticas serão inevitáveis. Mas não a catástrofe.
O “Nascer da Terra” nos mostrou onde estamos, o que podemos fazer e o que temos em comum. Mostrou-nos quem somos nós, em conjunto: o povo de um mundo forte, durável, tocado pela luz da criação contínua.
Oliver Morton é autor de “Mapping Mars: Science, Imagination and the Birth of a World”(“Mapeando Marte: Ciência, Imaginação e o Nascimento de um Mundo”) e, mais recentemente, escreveu “Eating the Sun: How Plants Power the Planet” (“Comendo o Sol: Como as Plantas Alimentam o Planeta”); é editor-chefe da revista Nature.


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Veja também:
Pálido ponto azul, em vídeo, pelo grande Carl Sagan
Salvem o planeta, em vídeo, pelo impagável e inesquecível George Carlin
Not-so-lonely planet, versão original no site do New York Times

quinta-feira, 28 de agosto de 2008

Cectic 11 - Já chegou o disco voador!


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Um wormhole (ou buraco de verme ou buraco de minhoca), é uma característica topológica hipotética do continuum espaço-tempo, a qual é em essência um "atalho" através do espaço e do tempo. Um buraco de verme possui ao menos duas "bocas" as quais são conectadas a uma única "garganta" ou tubo. Se o buraco de verme é transponível, a matéria pode "viajar" de uma boca para outra passando através da garganta. Embora não exista evidência direta da existência de buracos de verme, um contínuum espaço-temporal contendo tais entidades costuma ser considerado válido pela relatividade geral.

O termo buraco de verme (wormhole em inglês) foi criado pelo físico teórico estadunidense John Wheeler em 1957. Todavia, a idéia dos buracos de verme já havia sido inventada em 1921 pelo matemático alemão Hermann Weyl em conexão com sua análise da massa em termos da energia do campo eletromagnético.

Analogia de um wormhole num espaço 2D curvado.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Cectic 3 - Quase Quarenta Anos Depois....


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quarta-feira, 9 de julho de 2008

"Ao infinito e além"?

Já faz quase 50 anos que chegamos ao espaço e vimos que a Terra é um pálido ponto azul, mas a exploração espacial é só isso?


Em 1961, o cosmonauta soviético Iuri Gagarin foi o primeiro homem a ver a Terra tal como ela é: azul, cheia de nuvens e sem fronteiras. Oito anos depois, em 20 de julho de 1969, o astronauta norte-americano Neil Armstrong, o primeiro homem a por os pés na Lua disse: “É um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”. Não demorou para começarmos a sonhar com visitas a Marte e, talvez, a Vênus, nossos vizinhos mais próximos. Nos anos 70, porém, confirmou-se a hipótese de que Vênus possuía uma atmosfera densa e ácida e que a temperatura na superfície superava os 400ºC. Riscamos Vênus de nosso itinerário. Voltamos nossos olhos para o planeta vermelho, e vimos que os marcianos não existem – a não ser que sejam micróbios ainda desconhecidos.


Mas não foram essas descobertas que acabaram com as viagens espaciais tripuladas. Na verdade a conquista do espaço só ocorreu ainda nos anos 60 por uma série de fatores não apenas científicos ou técnicos, mas também – e infelizmente – políticos. O mundo estava no auge da Guerra Fria – a polarização político-econômica que surgiu no pós-guerra. Na verdade, a noção de que não houve conflitos armados na Guerra Fria é um erro. As Guerras da Coréia e do Vietnã foram puramente ideológicas e, ainda assim, foram os piores conflitos do pós-guerra. Em suma, o que não houve foi uma guerra nuclear e era essa a maior tensão daquele período.


Os foguetes, porém, começaram a ser pesquisados bem antes da II Guerra. Em 1926, o cientista americano Jean-Luc Goddard começou a pesquisá-los com o intuito de mandar uma expedição à Lua. A sociedade científica da época desacreditou os trabalhos de Goddard, e ele morreu antes do início da era espacial. Hoje, Goddard é reconhecido como pioneiro. Mais tarde, já durante a II Guerra, o engenheiro alemão Werner von Braun desenvolveu a bomba-voadora V-2, usada para bombardear a Inglaterra. A mecânica por trás da bomba era essencialmente a mesma por trás dos foguetes espaciais – exceto pelo fato de que foguetes espaciais úteis não explodem. Após a guerra von Braun migrou para os Estados Unidos e foi um dos primeiros engenheiros da Nasa.


Mas quem deu o pontapé na corrida espacial foi a URSS com o satélite Sputinik, em 1957. A Nasa foi fundada em 1958, com apoio dos militares americanos. Alguns anos depois já tínhamos homens no espaço – ou melhor, nas vizinhanças da Terra.


Nas vizinhanças da Terra

Com exceção das missões tripuladas à Lua – todas missões americanas, realizadas entre 1969 e 1972 – nenhum astronauta ou cosmonauta foi além de algumas centenas de quilômetros de distância da órbita da Terra. Em média, a distância alcançada é de 300 km. Em comparação, a Lua está a 400.000 km de distância e Marte, por exemplo, a cerca de 50 milhões de km da Terra. O Universo como um todo, tem uns 13 bilhões de anos-luz (cada ano-luz vale 9,5 trilhões de quilômetros). Não se pode dizer, portanto, que estamos explorando o espaço. Estamos, no máximo, sobrevoando a Terra de um modo muito mais caro e fazendo descobertas relativamente óbvias. Por exemplo: ausência de gravidade não faz bem aos sistemas ósseo e muscular. Por outro lado, as plantas também crescem sem gravidade.


Alguns podem argumentar que a exploração espacial nos trouxe alguns benefícios, como relógios digitais, laseres, telas de LCD, uso de energia solar, computadores e mesmo a internet. Mas será que precisávamos ir “lá fora” a um custo de bilhões de dólares, durante décadas, para ter tudo isso? É claro que não. É por isso mesmo que os americanos desistiram de continuar a explorar a Lua e mandar homens a Marte. É muito mais barato – e seguro – mandar sondas-robôs.


Por outro lado, o custo de missões espaciais, tripuladas ou não, continua alto mesmo após décadas de desenvolvimento por um motivo simples: poucos paises se arriscam nesse negócio e os poucos que o fazem, fazem sozinhos. Não agências espaciais associadas. Os EUA têm a Nasa, o Japão tem a Jaxa, a China, a CNSA, Índia, a ISRO, e a Rússia, a RKA. O que mais se aproxima de uma associação espacial supra-nacional é a ESA, a agência espacial européia. A ONU, por sua vez, não tem agência, e sim uma espécie de “departamento jurídico” dedicado a assuntos relativos ao espaço (OOSA). Os países do mundo ainda não perceberam que a cooperação internacional reduziria os custos. Além disso, a exploração nacional do espaço exterior não tem sentido, pois a ONU afirma que nenhuma nação tem direito a territórios extraterrestres.


Agora, volta-se a falar de “exploração espacial”. Estados Unidos e China prometem homens na Lua, de novo, na década de 2020 e, talvez, até, Marte, na década seguinte. Mas não será o começo definitivo da era da exploração espacial. Será fogo de palha mesmo, por que, infelizmente, ainda não estamos prontos a cooperar.

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