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domingo, 30 de outubro de 2011

As Torres do Silêncio

A Torre do Silêncio de Yazd, no Irã (imagem: indigoprime)

Na tradição zoroastriana, assim que um corpo deixa de viver, ele pode ser imediatamente invadido por demônios e tornado impuro. Para prevenir essa possessão póstuma, os seguidores de Zoroastro purificavam os corpos de seus mortos expondo-os aos elementos no topo das dakhmas, torres construídas sobre os platôs do deserto.

Segundo a tradição — que remonta a mais de 3000 anos — os corpos dos falecidos, devidamente despidos, eram abandonados no topo das torres formando três círculos concêntricos. Os homens ficavam na circunferência mais externa; as mulheres no círculo intermediário e as crianças formavam o anel interno. Os cadáveres eram abandonados até serem desintegrados naturalmente ou despedaçados pelas aves de rapina do deserto.

Após esse processo de purificação, os ossos eram retirados e guardados em ossuários localizados no interior das torres ou dentro delas. Monumentos fúnebres dos zoroastrianos, essas torres-ossuários existiam em grande parte do sul da Ásia — foram descobertas dakhmas dos séculos IV e V antes da era comum nas proximidades de Mumbai, na Índia.

Mas as mais famosas dessas torres eram conhecidas como Torres do Silêncio. Situadas em Yazd,  no Irã, elas continuaram a ser usadas até o começo dos anos 1970. Mas a crescente urbanização deixou as dakhmas incomodamente próximas dos limites urbanos de muitas cidades, obrigando o governo iraniano a proibir o milenar ritual fúnebre. 

Aos poucos mazdeístas que ainda restam no mundo (cerca de 120 mil), sobrou apenas a opção de cremar seus mortos. Embora não sejam mais usadas cerimonialmente, as Torres do Silêncio continuam a ser uma grande atração do deserto iraniano.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Twaintadas #05: Medo da morte


“...bilhões e bilhões de anos...” #saganfeelings

sábado, 23 de julho de 2011

Patentes Patéticas (nº. 17)


Cuidado! Frágil!
Mumificação é algo tão 4.000 a.C., tão mainstream... Mas graças a Joseph Karwowski, agora você pode morrer de modo muito mais moderno, com estilo e, diferentemente das múmias, ficar lindo por toda a eternidade*. Em 1903, Karwowski patenteou um “método de preservação dos mortos” brilhante. Como a criogenia, o método é caro e lento, mas indolor. Trata-se de revestir e isolar hermeticamente o falecido em um bloco de vidro transparente. 

Perfeito para quem tem medo não apenas de morrer, mas de ser enterrado, cremado (e ter suas cinzas cheiradas por alguém) ou congelado num caixão criogênico. Não tem muito espaço para dividir com um cadáver envidraçado? Sem problemas, segundo a patente: “Na Fig. 3, eu apresentei apenas a cabeça do corpo inserida no interior do bloco de vidro transparente. É evidente que apenas a cabeça pode ser preservada dessa maneira, se assim for preferido.” 

Pelo menos serve como um bom peso de papel. Pois crânios são tão mainstream como pesos de papel...


________________________
*A eternidade do produto/serviço só é garantida até aquele seu distante e desastrado descendente de 10 anos encontrar alguma forma de quebrar seu sarcófago cristalino. Não se esqueça de deserdá-lo por isso.

sexta-feira, 10 de junho de 2011

“A mais beijada de todos os tempos”

No fim da década de 1880, o corpo de uma garota de 16 anos foi encontrado no Rio Sena, em Paris. Sem sinais de violência, o cadáver seria de uma jovem suicida. Mas ela era tão bela e tinha um sorriso tão enigmático que depois da autópsia, um legista fez uma máscara mortuária do rosto dela.

Na romântica atmosfera da Europa da belle époque, a face da anônima moça suicida — que passou a ser chamada de L'Inconnue de la Seine, a Desconhecida do Sena — se tornou um ideal de beleza feminina. Em Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge [Os Cadernos de Malte Laurids Brigge], o protagonista do único romance de Rainier Maria Rilke (1875-1926) escreve: “O mouleur [modelador], em cuja loja passo todo dia, tem um busto de gesso em cada lado de sua porta. [Um é] a face da jovem mulher afogada, da qual tiraram um molde no necrotério, pois era bela e sorria, sorria tão misteriosamente...”

Ironicamente, as feições da garota desconhecida foram usadas em 1958 para modelar a boneca usada no treinamento de primeiros-socorros, conhecida como Rescue Anne. Embora a identidade da moça e os motivos que a levaram ao suicídio ainda sejam um mistério, diz-se que ela se tornou “a mais beijada de todos os tempos” pois milhares de estudantes já treinaram a respiração boca-a-boca em seus lábios.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Morte Eterna


Aparentemente, um escritor e psicólogo alemão descobriu o caminho para a vida eterna há quase um século:
Leinbach descobriu uma prova de que, na realidade, a morte não existe. Está além de questionamento, diz ele, que não apenas no momento do afogamento, mas em todos os momentos de morte de qualquer natureza, o sujeito vive novamente toda a sua vida com uma rapidez inconcebível. Essa vida relembrada também deve ter um último momento, e esse último momento também deve ter o seu, e assim por diante. Portanto, o próprio ato de morrer é uma eternidade e, de acordo com a teoria dos limites, pode-se aproximar da morte, mas nunca pode-se alcançá-la.
— Arthur Schnitzler, Flucht in die Finsternis [Fuga na Escuridão], 1931
Então será que Arthur Schnitzler não é o verdadeiro Dom Cobb?

“Uma morte, dentro de uma morte, dentro de uma morte...”

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Sarah Bernhardt como Funérea


Sarah Bernhardt dorme em um caixão. Não, não é onde ela está agora. Ela fazia isso antes mesmo de morrer. “Eu acho bastante natural” — disse ela, conhecida pela protagonista de A Dama das Camélias — “dormir toda noite nessa pequena cama de seda branca que será meu último leito.” Quando uma irmã de Sarah morreu, houve um caso irônico de humor negro:

Quando os homens da funerária entraram no quarto para levar o corpo dela [da irmã], eles se depararam com dois caixões. Perplexo, o mestre de cerimônias chamou um segundo rabecão. Naquele momento, eu estava na casa de minha mãe, que havia desmaiado, mas consegui voltar a tempo de impedir que os homens de preto levassem meu caixão.

sábado, 26 de março de 2011

Jovens Ainda

Menos pessoas vivem até a velhice

A surpreendente ideia de que a vida humana está se tornando mais curta e não mais longa foi recentemente sugerida pelo Professor C. H. Forsyth, do Darthmouth College. A teoria recebeu uma corroboração inesperada das estatísticas sobre pessoas com mais de 100 anos que vivem nas Ilhas Britânicas — recém-compiladas pelo Dr. Maurice Ernest, do Centenarian Club de Londres. Em 1881, segundo o Dr. Ernest, a Inglaterra possuía 141 centenários, a Escócia tinha 57 e os atuais territórios do Estado Livre Irlandês relatavam 566. Em 1921, ano com o mais recente censo completo, as respectivas quantias eram de 110 na Inglaterra, 35 na Escócia e aproximadamente 120 no Estado Livre Irlandês. Ressalta o Dr. Ernest que “possivelmente o grande número de centenários relatado nos anos anteriores pode ser devido a falsas alegações de longevidade extrema, feitas pelas próprias pessoas e que não eram verificadas tão cuidadosamente quanto agora.” Mulheres que passam dos cem parecem ser o dobro dos homens. — Modern Mechanix, Janeiro de 1930

terça-feira, 8 de março de 2011

Aposta contra a morte

Numa noite de 1771, Mr. Pigot e Mr. Codrington decidiram apostar sobre qual de seus pais morreria primeiro. Um amigo fez os cálculos baseado na idade de cada pai. Mas Cordington discordou, considerando injustos os cálculos apresentados. Então o Conde de March (1735-1806) decidiu mediar a macabra disputa. No final, ficou combinado que Pigot pagaria 500 guinéus se seu próprio pai morresse primeiro. Mas se o pai de Cordignton batesse as botas antes, este pagaria 1.600 guinéus ao rival.

Incrivelmente, quando o acordo foi fechado, o velho Pigot já estava morto — ele falecera às duas da manhã, enquanto as condições da aposta ainda eram discutidas. Ao saber disso, o jovem Pigot resolveu desfazer o trato, considerando-o nulo. 

O mediador (e amigo-da-onça), o Conde de March, levou o insólito caso aos tribunais. Em sua defesa, Pigot argumentou que “como não havia qualquer possibilidade de que o acusado ganhasse, já que seu pai estava realmente morto, ele deveria, portanto, não perder.”

Mas Pigot acabou duplamente derrotado: o tribunal não aceitou suas explicações e ele teve de pagar a aposta mesmo assim.

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cruz na Porta da Tabacaria


Não posso dizer se é verdade ou não (não encontrei nada sobre o tal Tom Klaes), mas assim que eu encontrei a estória a seguir, me lembrei imediatamente do poema de Álvaro de Campos:

O maior fumante da Europa morreu em Roterdã e deixou um testamento dos mais curiosos. Ele deixou expresso seu desejo de que todos os fumantes do país deveriam ser convidados para suas exéquias, e que eles fumariam durante todo o cortejo fúnebre. Ele pede que seu corpo seja posto em um caixão montado com madeira tirada de velhas caixas de charutos Havana. Aos seus pés, devem ser depositados tabaco, cigarro e fósforos. E o epitáfio que ele escolheu para ser posto sobre seu túmulo é o seguinte:

Aqui Jaz
TOM KLAES,
O Maior Fumante da Europa
Ele bateu seu cachimbo
4 de julho de 1872
Chorado por sua família e
todos os mercadores de tabaco
ESTRANHO, FUMAI POR ELE!
– Charles Bombaugh, Facts and Fancies for the Curious From the Harvest-Fields of Literature [Fatos e Firulas para os Curiosos, dos Campos Cultivados da Literatura], 1905

domingo, 31 de outubro de 2010

A última ficha

No funeral de Frank Sinatra, seus amigos e parentes foram convidados a deixar objetos de significado especial no caixão dele. Entre esses objetos, estariam:
  • diversos caramelos Tootsie Rolls 
  • um pacote de chiclete Black Jack 
  • um anel com a palavra Dream gravada 
  • uma mini-garrafa de Jack Daniel's 
  • um maço de Camel e um isqueiro Zippo 
  • e... 10 centavos.
Só 10 centavos?? Pra quê?? 

Tina, filha de Sinatra, explicou: "Ele nunca quis ser pego sem poder fazer uma chamada de telefone." Ah, tá. Agora caiu a ficha.

sábado, 31 de julho de 2010

Perde-se a vida, mas não se perde a piada

Nos Estados Unidos, ainda persiste a pena de morte — pelo menos em alguns Estados. Os métodos mudaram ao longo do tempo — forca, fuzilamento, cadeira elétrica, injeção letal — sempre no sentido de "minimizar" o sofrimento do condenado. Ou não.

Mas os condenados, mesmo os piores deles, são seres humanos. E na hora final alguns apresentam um senso de humor incrível, revelado em suas últimas palavras:

  • George Appel (?-1928), condenado à cadeira elétrica por matar um policial em Nova York: "Bem, pessoal, logo vocês vão ver um Appel cozido". Appel aproveitou-se da semelhança fonética entre seu sobrenome e Apple [maçã] para fazer um trocadilho.
  • James W. Rodgers (?-1960) bancou o espertinho quando lhe perguntaram qual seu último desejo antes de ser fuzilado: "Por que? Sim... um colete à prova de balas.". Infelizmente, o último desejo de Rodgers não foi atendido.
  • Frederick Wood (?-1963) deu uma de Appel: "Senhores, vocês estão prestes a ver os efeitos de eletricidade sobre Wood [madeira]"
  • James French (1936?-1966) dirigiu-se aos jornalistas em seus últimos momentos: "Eu tenho uma manchete terrível para vocês nesta manhã: 'French Fries'". French¹ frito ou Batatas fritas? Aqui a gente faz do seu jeito!
  • Jimmy Glass² (1962?-1987) estava mais preocupado: "Eu podia estar pescando". Porra, Glass! Você poderia ter dito "Glass will blow up" [Glass/vidro vai estourar].

Ah, e em 1856, o assassino inglês William Palmer hesitou ao subir no patíbulo e saiu da vida com uma ironia involuntária: "Tem certeza que isso é seguro?"
________________________________
¹ French realmente queria aparecer. Ele já estava em prisão perpétua quando matou um companheiro de cela. Há quem diga que ele queria se matar, mas como não tinha coragem, matou para ser morto pelo Estado. Ou talvez para fazer o trocadilho infame mais caro da história. 

² Glass foi condenado por assassinar um casal após fugir de uma prisão da Louisiana em 1982. Depois de ser condenado à cadeira elétrica, ele ainda tentou recorrer, alegando que a eletrocussão seria inconstitucional por ser uma punição cruel. A Suprema Corte decidiu, por 5 votos a 4, que o método era constitucionalmente válido. Jimmy foi executado após o Governador da Louisiana negar a comutação de pena.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Torre de Londres

torrelondres 
A Torre de Londres, que já foi a mais importante prisão e palco de torturas da Inglaterra, está sempre lotada. Mesmo quando está vazia. Há quem diga que ela é habitada pelos fantasmas das seguintes personalidades:
  • Thomas Becket
  • Rei Eduardo V
  • Ricardo, Duque de York
  • Ana Bolena (decapitada)
  • Lady Jane Grey
  • Sir Walter Raleigh
Também haveria uma tropa fantasmagórica que vive a reencenar a execução de Margaret Pole, oitava Condessa de Salisbury e ainda a alma penada de uma senhora de luto que não tem rosto. Parece um lugar bastante agitado.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Salvo por uma briga de bar

Em 8 de maio de 1902, Louis-August Cyparis foi preso após uma briga de bar. Por falta de vagas, o operário de 27 anos foi detido numa cela solitária e blindada no subsolo da cadeia de Saint Pierre, na Martinica. Ao chegar à cela, Cyparis percebeu um súbito escurecimento do céu — mas não por falta de iluminação na prisão.

Pelee_1902_1
Foi culpa do Pelé, e não do Edson, entende?
Pouco depois, a cadeia foi varrida por um vento fervente e carregado de cinzas. Cyparis sofreu profundas queimaduras nas mãos, braços, pernas e costas. Ele passou quatro dias cuidando das feridas como pôde, até ser encontrado por uma equipe de resgate. 

Naquela dia de maio de 1902, o Monte Pelée havia entrado em erupção, na maior tragédia vulcânica do século XX. Dos 28.000 habitantes de Saint Pierre, apenas três sobreviveram — e Louis-August Cyparis foi um deles.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Em uma palavra [11] (macabra)

vivissepultar
verb. enterrar alguém vivo. Da aglutinação de vivo e sepultar. “Com dificuldade, eles vivissepultaram a sogra desesperada senhora.” Vivissepultamento, ato ou ação de vivissepultar. Vivissepultado, vítima do ato.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Saída pela Direita

Num cemitério tranquilo perto da cidadezinha de Attica [no Kansas], jaz o corpo de Nathanael Grigsby e um observador curioso poderá ler as seguintes palavras em sua lápide:

"N. Grigsby, 2º. Ten.-Cel. do 10º. [batalhão de] voluntários de Indiana. Morto em 16 de abril de 1890, aos 78 anos, 6 meses e 5 dias.

"Através desta inscrição, eu desejo expor meu protesto mortal contra o chamado Partido Democrata. Eu o acompanhei de perto desde os dias de Jackson e sei que todos os infortúnios de nossa nação vieram através desse tão-chamado partido da traição."
 Abaixo dessa inscrição foi adicionado um pós-escrito que diz: "Esta inscrição foi gravada aqui por desejo do falecido."
 – Thomas Allen McNeal, When Kansas Was Young [Quando o Kansas era Jovem], 1922

Isso é que é ser conservador até a morte (ou mesmo após a morte)!

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