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sábado, 30 de outubro de 2010

Isso é escolha?

Nunca antes na história deste país tivemos uma eleição tão baixa. Ambos os lados acusam-se mutuamente, culpando um ao outro pela baixaria. Parecem incapazes de raciocinar e perceber que isso é que é baixaria. Muito se tem escrito, dentro e até fora do país, sobre o amadurecimento da democracia brasileira. Eu já disse antes do primeiro turno que discordo disso. A voracidade e a pseudo-polarização desta campanha demonstram justamente o contrário. Pois a oposição nunca soube se comportar como tal e o governo nunca deixou de ser politicamente violento, mesmo diante de uma oposição dúbia.

Quando PT e PSDB tiveram que assumir os papéis que lhes cabiam nesse pleito, ambos exageraram na dose, como um ator que não é capaz de mergulhar no personagem. Petistas e tucanos só fizeram mímicas e agiram literalmente como palhaços.

De um lado, volta o discurso da “herança maldita”, da História ignorada e reescrita a cada discurso: “Nunca antes na história deste país...”; que fala dos milhões que tirou da pobreza, mas nada diz sobre os milhões desviados para acabar com a própria pobreza e ainda comprar apoio — tudo em nome da “governabilidade”, coisa que nem os militares inventaram. De outro, uma oposição sempre indecisa e dividida, que ora tenta colar sua imagem na de Lulla, ora parte para o ataque que nunca fez à corrupção institucionalizada desde 2005; que cometeu erros políticos claros ao se fechar em si mesma e ao conduzir um duvidoso processo de escolha dos candidatos à presidência e, principalmente, à vice-presidência.

No meio de tudo isso, surge do nada a questão do aborto, tratada da mesma forma que as demais pelos dois candidatos (que de cândidos não têm nada). Em vez de assumir suas verdadeiras posturas — ambos foram, em diferentes momentos e em maior ou menor grau, favoráveis ao aborto do ponto de vista da saúde pública — e apresentar seus verdadeiros programas de governo, Serra e Dilma passaram a se acusar mutuamente e a correr atrás das bênçãos (e dos votos) de bispos evangélicos e/ou católicos. E quando até o papa se mete na marmelada, eles dizem cinicamente que cada um pensa o que quer, que os bispos não podem se meter na política por que o Brasil é um Estado laico...

Serra e Dilma são tão iguais que precisam insuflar a velha militância violenta e intolerante para se diferenciar. Felizmente, a artilharia não passou de rolos de fita adesiva e balões de água. Mas não seria difícil armar uma guerra civil num país que tem MST, tráfico-Estado e milícias para-militares. Se eles compram até parlamentares, como é que não podem comprar esses criminosos?

Novamente, a democracia brasileira não está amadurecida; está em plena adolescência traumática, ameaçada pelos hormônios do radicalismo e da ignorância política (e até religiosa). Os dois presidenciáveis querem apenas gerenciar por que acham difícil ser estadista e se colocar acima dos próprios partidos e ouvir críticas da oposição. Seja Serra ou Dilma, teremos um Lulla III. Isso é escolha?

domingo, 8 de março de 2009

Sem camisinha, sem pecado

no confessionário

Tirinha adaptada de atheistcartoons.com.

Por que, para a Igreja Católica, estuprar e engravidar uma criança de nove anos sem camisinha PODE! Se os padres podem fazer o mesmo com meninos, por que um “bom cristão” não poderia fazer com uma menina, desde que fosse sem camisinha? O arcebispo de Olinda e Recife – um título tão pomposo quanto inútil –  só excomungou aqueles que salvaram a vida da pobre menina grávida por que ele não gosta de meninas e o que mais queria era um par de gêmeos bem novinhos e inocentes. Essa era a única fantasia pedófila que dom José Cardoso Sobrinho ainda não realizou. A posição oficial do Vaticano é a seguinte:

motivacionalvaticano

sábado, 27 de setembro de 2008

As verdadeiras vítimas do aborto

A polêmica em torno do aborto no Brasil é grande. A oposição à descriminalização do aborto é baseada, principalmente em questões puramente religiosas e machistas. O clero católico, principal voz contra o aborto é formado exclusivamente por homens que nunca saberão o que é ter um filho nem o que é ter que sustentar uma família em condições precárias. Esses mesmos homens, porém, não oferecem uma alternativa segura às mulheres, uma vez que a Igreja Católica condena o uso de qualquer método contraceptivo, seja ele físico (camisinhas) ou químico (anticoncepcionais). Muitos homens, infelizmente ainda vêem as mulheres como seres inferiores destinados exclusivamente à geração de herdeiros. Esses homens, independentemente de suas crenças religiosas, também são contra o aborto.

A lei que proíbe o aborto no Brasil é o Código Penal de 1940, em seus artigos 124, 125, 126, 127 e 128. Entretanto, mesmo com essa lei, os abortos clandestinos são comuns e põem em risco a vida de milhões de mulheres – adultas, já com uma vida formada e não apenas fetos com uma vida “em potencial”. Segundo dados da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher, publicados pelo Ministério da Saúde em março de 2004, 31% de gestações terminam em aborto. Isso representa aproximadamente 1,4 milhão de abortamentos, entre espontâneos e inseguros, com uma taxa de 3,7 abortos para 100 mulheres de 15 a 49 anos. Segundo a fonte já citada, em 2002 foi registrado o alto – e ignorado – índice de 53,77 óbitos maternos por 100 mil nascidos vivos, devido a complicações na gestação, no parto ou no puerpério (período de 42 dias após o parto). As principais causas mortes maternas são a hipertensão, a hemorragia, a infecção puerperal e o aborto. Entretanto, a própria Área Técnica de Saúde da Mulher faz uma importante ressalva: os casos de mortes por abortamento podem ter sido maiores, já que muitas vezes as complicações decorrentes do aborto são registradas como hemorragias e infecções, o que pode camuflar as estatísticas de mortes maternas por abortamentos realizados de maneira precária, sem as menores condições de higiene.

Dados do SUS indicam que em 2004 foram realizados 1.600 abortos legais em 51 serviços especializados do SUS ao custo de R$ 232 mil. No mesmo ano, ocorreram no SUS 244 mil internações motivadas por curetagens pós-aborto - entre estes abortamentos espontâneos ou voluntários e feitos na clandestinidade - orçadas em R$ 35 milhões. Se fizermos os cálculos veremos que cada aborto legalizado (aqueles realizados após estupros ou em casos em que a mãe corre risco de vida) custa R$ 145,00. Os custos com cada internação pós-aborto clandestino são de R$ 143,44. Se o aborto fosse legalizado não haveria grande aumento dos gastos públicos com saúde e centenas, talvez milhares de mulheres seriam salvas.


A proposta de legalização do aborto, ao contrário do que afirmam alguns reacionários, não é irrestrita. Ninguém quer um genocídio de bebês praticamente formados, aos nove meses de gestação. A grande divergência se dá quando quer fixar um início para a vida humana. A maioria da comunidade científica, por exemplo, afirma que a vida humana só começa na 10ª. Semana de gestação (mais ou menos na metade do segundo mês), quando começa a se formar o sistema nervoso central (o cérebro e a medula espinhal). Só a partir de tal estágio é que há (algum nível de) consciência e, portanto, só após esse estágio o embrião sentiria as dores do aborto. Um aborto após as 10 semanas seria realmente inaceitável e, a meu ver, aí sim seria um assasinato, pois antes desse período o embrião humano é completamente indistinto do de qualquer outro animal. Aqueles que afirmam que a Constituição Federal garante o direito à vida esquecem-se que a Carta Magna não afirma quando a vida começa. Quem afirma que o início na vida se dá na concepção são os líderes religiosos, por razões puramente religiosas, e, portanto, de cunho estritamente pessoal. Entretanto, nenhum desses líderes religiosos comemora o aniversário na data de concepção e isso deve significar alguma coisa.


As mulheres devem sim ter direito de escolha. Descriminalizar o aborto não quer dizer que todas as mulheres que engravidarem vão resolver abortar. Somente aquelas em condições socioeconômicas precárias, que não apresentam condições financeiras nem psicológicas de se tornarem mães recorrem ao aborto e põem em risco a própria vida também. É um ato de desespero num momento difícil. Muitas dessas mães abrem mão do sonho da maternidade por complexas questões sociais e econômicas. Nenhuma delas acorda alegremente num dia e diz: “Oba, hoje é dia do meu aborto!”. Essas mães desamparadas enfrentam opressões psicológicas diante de tão dolorosa decisão. Se o aborto fosse legal e pudesse ser praticado livremente em hospitais, tais mulheres, antes de abortar, poderiam receber um importante apoio psicológico que lhes aliviaria o sofrimento e poderia fazê-las mudar de idéia. Dentro de um hospital as mulheres que desejassem abortar por que não têm condições financeiras poderiam ser encaminhadas ao serviço de assistência social e receber algum apoio em troca do aborto evitado.


O aborto, até as 10 semanas de gestação, seria mais uma opção num país onde o sistema educacional é ineficiente e a educação sexual é falha – e que ainda é atrapalhada pela visão de mundo equivocada da Igreja Católica. Os homens machões do Brasil muitas vezes recusam-se a usar camisinha. Depois que a mulher engravida, ela é abandonada pelo parceiro e a culpa é apenas dela. Muitas vezes até mesmo a própria família abandona a jovem que engravida precocemente por que isso “mancha” a honra da família. Como vimos, as mulheres são as verdadeiras vítimas na complexa questão do aborto. Elas também morrem ao se arriscar num procedimento abortivo clandestino. Nós só queremos defendê-las e apoiá-las.

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