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quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Decoro parlamentar

Thomas Coke, 2º. conde de
Leicester e recordista mundial
 de decoro parlamentar
Thomas Coke (1822-1909), segundo conde de Leicester foi membro do parlamento britânico por 67 anos, de 1842 a 1909 — sem dizer uma única palavra.

Seu filho, Thomas William Coke (1848-1941), o terceiro conde, manteve-se em silêncio por 32 anos. O quarto conde, também chamado Thomas William Coke (1880-1949) e também não disse nada durante 23 anos.

Por fim, o quinto conde de Leicester, Thomas William Edward Coke (1908-1976) ficou quieto no parlamento por 22 anos. Só se manifestou em 1972, quando disse: “Eu espero que nós iremos usar [substâncias] químicas mais seguras no lugar daquelas que tem devastado o campo.”

Mais tarde ele declarou que seu “recorde de silêncio não é de modo algum notável, pois sei que minha família não tem sido muito barulhenta nesta Casa.”

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Antimétrica


A aritmética decimal é uma invenção dos homens para a contagem dos números e não uma propriedade do tempo, do espaço ou da matéria. Ela pertence essencialmente à manutenção da contabilidade, mas é um mero acidente das transções do comércio. A natureza não tem parcialidade pelo número 10. A tentativa de agrilhoar sua liberdade com eles [os decimais] sempre se provará abortiva. — John Quincy Adams, Secretário de Estado dos Estados Unidos, em recomendação contrária ao sistema métrico decimal, em 1821; citado em Chambers’ Edinburgh Journal, 15 de maio de 1852
Outra pérola do então secretário de Estado foi a chamada Doutrina Monroe. Filho do ex-presidente John Adams, Quincy Adams (1767-1848) foi  eleito presidente dos Estados Unidos em 1824. A eleição de Adams em 1824 foi, a seu modo, a versão oitocentista da polêmica eleição de George W. Bush (outro filho de um ex-presidente) em 2000. O vencedor, tanto no voto popular quanto no colégio eleitoral foi Andrew Jackson (1767-1845). Mas a vantagem de Jackson foi considerada insuficiente para elegê-lo e Adams foi eleito de forma indireta, pelo Congresso, no que foi considerado uma “barganha corrupta”. Porém, sem um ataque terrorista em solo americano para ajudá-lo, Quincy Adams perdeu a eleição seguinte para o próprio Andrew Jackson.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Confirmado: deus está em baixa

Deus: um declínio
Uma agência de pesquisas americana, a Public Policy Polling cansou-se de fazer sondagens populares sobre os políticos e, durante uma enquete sobre diversas figuras em evidência na mídia, finalmente fez a grande pergunta: “Se Deus existe, você aprova ou desaprova sua atuação?” Realizada entre 15 e 17 de julho, a pesquisa revelou que 52% dos 928 entrevistados aprovam a atuação de Deus. 40% estão indecisos e 8% o desaprovam. A margem de erro é 3,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Alguns aspectos do divino governo também foram pesquisados. Questionados sobre a performance de Deus na criação do Universo, 71% aprovam; 5% desaprovam e 24% não souberam opinar. Entretanto, quanto mais se aproximam do mundo humano, mais cai a aprovação para as ações de Deus: só 56% aprovam o modo como o Todo-Poderoso cuida do reino animal e apenas metade do público aprova a atuação do Criador quanto aos desastres naturais. Infelizmente, porém, não foram feitas perguntas sobre as ações de Deus diante de problemas que afetam diretamente os humanos, como fome, miséria, violência, guerras (inclusive as santas) e segunda-feiras. Sem surpresa, os jovens entre 18 e 29 anos são mais críticos com relação a Deus; os maiores de 65 são os que mais o aprovam.

sábado, 14 de maio de 2011

A indústria ‘brasileira’ está com medinho

Durante sua breve presidência, Fernando Collor declarou que nossos automóveis eram “umas carroças” e, com o objetivo de estimular o desenvolvimento e a queda nos preços, acabou com o protecionismo dado à “nossa” indústria automobilística e abriu as portas para a importação. Duas décadas se passaram. Apesar de alguns avanços — mais estéticos do que mecânicos —, nossos carros continuam defasados. Mesmo assim, as montadoras reclamam dos importados. Entre proteger uma indústria defasada e apoiar a concorrência do Mercosul e a pesquisa e o desenvolvimento, Dilma escolheu proteger os fabricantes estrangeiros de carroças.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Vista Grossa


Não é de hoje que o governo norte-americano faz vista grossa a uma ameaça de ataque em seu próprio território para entrar em uma guerra. Em 7 de janeiro de 1941, exatos 11 meses antes do ataque japonês a Pearl Harbor, o embaixador Joseph Clark, mandou o seguinte telegrama para o Departamento de Estado:

Um membro da Embaixada foi informado por ----- meu colega que em muitos quartéis, inclusive em um japonês, ele ouviu que um massivo ataque-surpresa em Pearl Harbor estaria sendo planejado pelas forças militares japonesas em caso de “problema” entre o Japão e os Estados Unidos. Tal ataque envolveria o uso de todas as instalações militares japonesas.

Washington não fez nada, pois o governo de Franklin Roosevelt sabia que somente um ataque direto convenceria a opinião pública norte-americana a se envolver na II Guerra Mundial. Ironicamente, sessenta anos depois os Republicanos — que faziam oposição a Roosevelt e defendiam a postura isolacionista — usaram do mesmo artifício diante das crescentes ameaças de ataques terroristas islâmicos nos EUA. Em 2001, eram os Republicanos que queriam uma guerra.

Uma guerra errada, como se viu (duas, na verdade). Bin Laden pode ter sido extremamente estúpido em abandonar a vida de playboy de petrodólares por um fundamentalismo religioso odiento. Mas ele não se tornou um simples guerrilheiro; foi um gênio por se esconder no Paquistão. Por outra ironia do destino, os militares americanos caíram na própria armadilha que criaram na Guerra Fria. Eles jamais ousaram atacar o Paquistão, por que ainda acreditavam em um antigo aliado na luta contra o comunismo seria confiável. Ainda mais um aliado com um arsenal nuclear. Assim, se Washington tivesse lutado pelo desmantelamento completo do arsenal nuclear em todo o mundo — Israel inclusive — nos anos 90, pegar o terrorista número 1 teria sido bem mais fácil (e barato, pois dez anos de uma guerra infrutífera ajudaram e muito a botar a economia americana de joelhos).

Ficou bem claro agora que os Estados Unidos desmantelaram o sistema errado quando Moscou caiu. A CIA pós-soviética já não era a mesma: acomodou-se com a suposta postura de única superpotência e abriu mão de infiltrados e clássicas estratégias de espionagem em favor de equipamento high tech. Quando os alertas sobre o 11 de setembro surgiram já era tarde e, como se viu, foram ignorados por uma mistura estúpida de conservadorismo político-econômico e fundamentalismo religioso.

domingo, 17 de abril de 2011

50 Anos-Lesma

yuriearth_iss_900
A ausência do homem no espaço é sinal de que desperdiçamos uma chance enorme de evoluir. Garantir a autodestruição é sempre mais fácil, seguro e barato do que adaptar-se aos novos tempos.
Há meio século, Yuri Gagarin foi o primeiro a chegar aonde nenhum homem jamais estivera — o Espaço Sideral. Parecia ser o início de uma nova era, há muito imaginada pelos autores de ficção científica. Essa seria a nova Era das Grandes Navegações, que agora se desenrolariam no vasto profundo Oceano Cósmico. Mas ao contrário do louvor camoniano, “se mais espaço houvera, lá não chegara.”

Pois cinquenta anos depois do primeiro homem no espaço, colônias de férias na Lua, cidades em Marte e mineradores no Cinturão de Asteróides ainda são fantasias distantes da realidade. Viagens espaciais são hoje algo tão excepcional que ainda nos lembramos do nome do primeiro viajante (compare com as viagens de trem, por exemplo. Alguém ainda se lembra do primeiro passageiro?)

quinta-feira, 10 de março de 2011

O Paradoxo da Lealdade

Tal como a modéstia, a lealdade pode ser um comportamento paradoxal.

Você tem lealdade por alguém quando está ligado a essa pessoa por algum laço: de família, de amor, de amizade, de trabalho, ou de propósito. Lealdade é um ideal e, idealisticamente, você sente que tem um dever com essa pessoa. Mas ao apoiá-la incondicionalmente, você se submete ao bem-estar de outro indivíduo — e isso é o oposto do idealismo, é um anti-ideal.

“À primeira vista, apresentamos o agente leal como alguém louvável de um ponto de vista imparcial.”, escreve o filósofo cientista político irlandês Philip Pettit. “Um olhar mais apurado pode ver motivo para preocupação. [...] Ser leal é ser dedicado ao bem-estar de um indivíduo em particular e isso parece conflitar com a noção de que o leal é um idealista.”

Pettit não deixa de estar certo, mas só até certo ponto. Ser leal não significa, necessariamente, perder inteiramente a própria liberdade, tornando-se submisso. Como há várias camadas de lealdade, você pode, por exemplo, se considerar leal ao seu país, mas não ao seu governo. É esse tipo de lealdade que geralmente move revolucionários — como a juventude árabe dos dias atuais.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Propina.exe

Philosoraptor geekii
Se a extensão do arquivo for igual à sigla de qualquer partido político brasileiro (.pmdb, .pt, .dem, etc), esse hack funciona.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Voto de Pobreza

Por que a população do Vaticano não derruba o papa? Porque o "povo" vaticano
 vive rica e fartamente com a renda de suas ovelhinhas.

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Próximo!

Na China, os professores de religião precisam agora pedir uma autorização antes de serem reincarnados.

O decreto, em vigor desde 2007, especifica que os pedidos devem ser submetidos a quatro repartições públicas distintas. Segundo a lei, “A seleção de reincarnados deve preservar a unidade nacional e a solidariedade de todos os grupos étnicos. O processo de seleção não pode ser influenciado por qualquer grupo ou indivíduo de fora do país.”

Por bizarro que seja, o Estado chinês, oficialmente ateu, reconhece a reincarnação. Mais que criar escritórios ociosos cargos burocráticos, a medida é política. Como apenas reincarnações “nacionais” e certificadas pelo governo chinês são válidas, isso significa que caberá a Pequim decidir quem será o próximo Dalai Lama. O governo chinês acredita que com um líder escolhido, criado e doutrinado pelos comunistas, o movimento separatista do Tibete deve enfraquecer.

Moral da história: embora não admita, a China está aprendendo muito com os norte-americanos. A começar pelas leis bizarras e pelas fronteiras nebulosas entre Estado e Religião.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

O nome do gato é PMDB

negociata
E o dono dele é a família Sarney

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Mundo Multipolar


O pólo norte não é o único. Tampouco o pólo sul. O planeta Terra tem, na verdade, quatro pólos em cada hemisfério. E causa uma bagunça...

Quando se fala em Pólo Norte, a primeira coisa em que você pensa é no lugar onde, segundo a tradição, mora o Papai Noel. Felizmente, para ele, e infelizmente para nós, não existe apenas um único lugar, um único ponto da Terra que possa ser chamado de Pólo Norte.

domingo, 23 de janeiro de 2011

10 Dimensões: os piores impostos da História

Começo de ano é sempre a mesma coisa: janeiro é o mês dos impostos. O Brasil sempre foi famoso pela voracidade tributária de seus governos (e pelos jeitinhos de seus contribuintes). Do quinto da Era da Mineração aos quase 40% de carga tributária dos dias atuais, pouca coisa mudou. No entanto, por incrível que pareça, existe algo pior do que pagar muitos impostos e não ter retorno: é pagar impostos não apenas arbitrários mas até mesmo ridículos. Dando início à nossa série de 10 Dimensões, eis os piores impostos já criados:

sábado, 15 de janeiro de 2011

Oposição Esmagadora

BurmaEle
Você vai agradecer por eu só ter encontrado um inocente selo para ilustrar isso...
Reis da antiga Birmânia que sucumbiram ante (ou sob) uma oposição paquidérmica:
  • Uzana – Fundador do Primeiro Império Birmanês. Morto em 1254. Pisoteado por um elefante.
  • Minrekyawswa – Morto em 1417. Esmagado por um elefante.
  • Razadarit – Morto em 1422. Tentava laçar (?!?) um elefante.
  • Tabinshwenti – Unificou a Alta e a Baixa Birmânia. Fundador do Segundo Império Birmanês. Morto em 1550. Decapitado por um elefante.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Em uma palavra [31]

E após um considerável interregno, a série mais (in)útil deste blog (e a favorita deste que vos escreve) está de volta! Com mais uma da série: tipos de falantes.

Mendaciloquente
adj. Aquele que conta mentiras, que é habilidoso em mentir. sin. Falsário, cascateiro, patranheiro, ardiloso, trapaceiro, embusteiro. "Votem no Maluf e se ele não for um bom mendaciloquente nunca mais votem em mim!" [do latim mendacium, mentira e -loquente, que fala]

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

sábado, 30 de outubro de 2010

Isso é escolha?

Nunca antes na história deste país tivemos uma eleição tão baixa. Ambos os lados acusam-se mutuamente, culpando um ao outro pela baixaria. Parecem incapazes de raciocinar e perceber que isso é que é baixaria. Muito se tem escrito, dentro e até fora do país, sobre o amadurecimento da democracia brasileira. Eu já disse antes do primeiro turno que discordo disso. A voracidade e a pseudo-polarização desta campanha demonstram justamente o contrário. Pois a oposição nunca soube se comportar como tal e o governo nunca deixou de ser politicamente violento, mesmo diante de uma oposição dúbia.

Quando PT e PSDB tiveram que assumir os papéis que lhes cabiam nesse pleito, ambos exageraram na dose, como um ator que não é capaz de mergulhar no personagem. Petistas e tucanos só fizeram mímicas e agiram literalmente como palhaços.

De um lado, volta o discurso da “herança maldita”, da História ignorada e reescrita a cada discurso: “Nunca antes na história deste país...”; que fala dos milhões que tirou da pobreza, mas nada diz sobre os milhões desviados para acabar com a própria pobreza e ainda comprar apoio — tudo em nome da “governabilidade”, coisa que nem os militares inventaram. De outro, uma oposição sempre indecisa e dividida, que ora tenta colar sua imagem na de Lulla, ora parte para o ataque que nunca fez à corrupção institucionalizada desde 2005; que cometeu erros políticos claros ao se fechar em si mesma e ao conduzir um duvidoso processo de escolha dos candidatos à presidência e, principalmente, à vice-presidência.

No meio de tudo isso, surge do nada a questão do aborto, tratada da mesma forma que as demais pelos dois candidatos (que de cândidos não têm nada). Em vez de assumir suas verdadeiras posturas — ambos foram, em diferentes momentos e em maior ou menor grau, favoráveis ao aborto do ponto de vista da saúde pública — e apresentar seus verdadeiros programas de governo, Serra e Dilma passaram a se acusar mutuamente e a correr atrás das bênçãos (e dos votos) de bispos evangélicos e/ou católicos. E quando até o papa se mete na marmelada, eles dizem cinicamente que cada um pensa o que quer, que os bispos não podem se meter na política por que o Brasil é um Estado laico...

Serra e Dilma são tão iguais que precisam insuflar a velha militância violenta e intolerante para se diferenciar. Felizmente, a artilharia não passou de rolos de fita adesiva e balões de água. Mas não seria difícil armar uma guerra civil num país que tem MST, tráfico-Estado e milícias para-militares. Se eles compram até parlamentares, como é que não podem comprar esses criminosos?

Novamente, a democracia brasileira não está amadurecida; está em plena adolescência traumática, ameaçada pelos hormônios do radicalismo e da ignorância política (e até religiosa). Os dois presidenciáveis querem apenas gerenciar por que acham difícil ser estadista e se colocar acima dos próprios partidos e ouvir críticas da oposição. Seja Serra ou Dilma, teremos um Lulla III. Isso é escolha?

sábado, 9 de outubro de 2010

Blasfêmias?

Convenção do PCC e Concílio Católico (abaixo):
semelhanças vão além dos cerimoniais...
...Ambas as instituições se consideram
poderosas, mas adoram se vitimizar ao menor sinal de oposição.

Esta semana foi marcada por assim chamadas "blasfêmias" cometidas pela Comissão do Prêmio Nobel. Na segunda, a Igreja Católica — que tanto diz defender a vida — protestou contra a indicação de Robert Edwards, criador do método de fertilização in-vitro para o Nobel de Medicina/Fisiologia. Em seguida, foi o governo chinês, outra organização obscura, retrógrada (e revelando seu lado religioso) protestou — dessa vez contra a premiação do dissidente pró-democracia, Liu Xiaobo com o Nobel da Paz.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Coletivo de Imprensa

 coleguinhas

Na manhã de quarta-feira, 19 de setembro de 1923, os nova-iorquinos acordaram com uma notícia chocante: dez diários da cidade — New York American, The New York Herald, The Journal of Commerce, Daily News, The New York Times, New York Tribune, The World, New Yorker Staats-Zeitung e Il Progresso Italo-Americano — estavam à venda em um número coletivo.

Não, nenhum milionário havia comprado todos os matutinos nova-iorquinos durante a noite, colocando todos sob o mesmo guarda-chuva (e sob o mesmo cabeçalho) enquanto pensava num único nome fácil de lembrar (“New York American Herald Commerce Daily Tribune Times & World Progresso Zeitung”?).

Naquela época, notícia ainda não era um produto (tão) à venda (ou era?). Mas isso não significa que os jornais já não se comportassem como empresas.

domingo, 12 de setembro de 2010

O Paradoxo da Chantagem

Chantagem emocional com as memória da sua infância

Todo mundo sabe que chantagem é crime — legalmente, a chantagem é chamada de extorsão indireta. De acordo com o Código Penal:
     Extorsão indireta
    Art. 160 – Exigir ou receber, como garantia de dívida, abusando da situação de alguém, documento que pode dar causa a procedimento criminal contra a vítima ou contra terceiro:
    Pena – reclusão, de um a três anos, e multa.
Mas pense no seguinte: a chantagem pode ser decomposta em dois atos totalmente legais.

  1. Falar mal dos outros não é ilegal. Nada impede que eu revele, por exemplo, a sua infidelidade conjugal diante de outras pessoas. “Sim, você mesmo, seu safadinho…” Isso, aliás, pode não passar de uma simples fofoca. Se eu não tiver provas, aí sim, poderia ser uma difamação — que é crime; e
  2. Pedir dinheiro em troca de algo, seja um produto ou serviço. Isso também não constitui crime. Pelo contrário, pedir dinheiro em troca de algo se chama comércio. Agora, e quanto a pedir dinheiro em troca de silêncio? “…mas se você me der 10.000 euros eu não conto nada para o seu amor.” Manter um segredo pode ser um serviço, que, por sua vez, pode ser livremente vendido. E comprado, se você aceitar.
Então a pergunta que fica é: por que a chantagem é crime?

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