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quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Porra, New York Times!!! [4]

Segundo — e último — lançamento do Large Aerodrome.

Em um editorial publicado em 10 de dezembro de 1903, um dia após um dos maiores fracassos da tentativa de conquista do ar — o segundo lançamento do Large Aerodrome A, que quase matou o piloto — o New York Times aconselhava o físico, astrônomo e inventor Samuel Langley (1834-1906) a desistir de suas experiências com máquinas voadoras:

Nós esperamos que o Professor Langley não deve colocar em perigo sua substancial grandeza como cientista continuando a perder seu tempo, e o dinheiro envolvido, em mais experimentos aeronáuticos. A vida é curta e ele é capaz de serviços incomparavelmente maiores para a humanidade do que os resultados que se pode esperar das tentativas de voo. [...] Pois para estudantes e investigadores do tipo de Langley há trabalhos mais úteis.

Esse excesso de pragmatismo, revelado claramente na última frase — que hoje em dia, por exemplo, pareceria perfeita em um jornal de Pequim —, choca-se frontalmente com o conceito de inovador que os americanos têm de si mesmos. 

Com o tempo, seria esse mesmo pragmatismo imediatista, aliado a uma educação científica em declínio e a uma grave acomodação econômica (além dos cortes de investimentos), que afogaria a verdadeira inventividade americana. Não surpreende que mesmo com o maior número de universitários formados do mundo, os EUA estejam patinando e que nenhum “Edison” ou mesmo uns “irmãos Wright” tenham surgido no último meio século.

Ironicamente, uma semana depois da publicação desse editorial, os irmãos Wright — em um episódio que será eternamente disputável por não ter sido público nem ter tido testemunhas — levantaram (ou catapultaram) voo pela primeira vez em Kitty Hawk, na Carolina do Norte. O NYT não publicou qualquer retratação pelo imenso equívoco tecnológico que acabara de cometer.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dead-line (literalmente)


Em seus primeiros dias como repórter no Columbus Dispatch, onde trabalhou entre 1921 e 1924, o futuro escritor e cartunista americano James Thurber (1894-1961) recebeu um importante conselho de seu editor: “escreva leads dramáticos para suas matérias.”

Com o conselho em mente, Thurber escreveu a seguinte introdução para um caso de assassinato: “Morto. Assim estava o homem quando o encontraram com uma faca nas costas às 4 da tarde em frente ao Riley’s Saloon na esquina das ruas 52 e 12.”

Jornalismo literário é para os fracos.

domingo, 10 de julho de 2011

O Conselho dos Deuses de Seattle

Em 1962, o Hospital Sueco de Seattle começou a abrir seu programa de diálise para pacientes. Como havia apenas 17 vagas para um programa pioneiro, o hospital montou um “comitê de políticas de admissão” formado por pessoas bastante comuns: um pastor, um advogado, uma dona-de-casa, um líder sindicalista, um funcionário público, um banqueiro e um cirurgião.

Na peneira para escolher os candidatos, o comitê considerava se o paciente: (a) era empregado; (b) tinha filhos; (c) era educado; (d) tinha um histórico de realizações pessoais e (e) tinha potencial para ajudar outras pessoas. Em suas deliberações, o conselho ainda avaliava a personalidade do candidato, seus méritos pessoais e as forças e fraquezas de sua família. 

“O candidato preferido” — relataram os sociologistas Renée Fox e Judith Swazey — “era uma pessoa que havia demonstrado realizações através de trabalho duro e sucesso profissional, alguém que ia para a igreja, participava de grupos e estava ativamente envolvida em assuntos da comunidade.” Pode parecer um processo seletivo bastante isento e objetivo vindo de pessoas tão comuns.

No entanto, quando a atuação do “comitê de políticas de admissão” foi divulgada pela imprensa, observadores passaram a questionar a ética de sua atuação e a qualificação de seus membros, majoritariamente leigos em questões médicas. Nenhum dos critérios usados levava em conta o estado da doença ou a expectativa de vida do paciente durante o tratamento.

Na primavera de 1963, o Seattle Times apresentou uma foto de nove candidatos à diálise em sua capa e perguntava: “Essas pessoas vão ter que morrer?” Um membro da comissão se defendeu: “Nós estamos escolhendo cobaias para fins experimentais. Não estamos negando a cura aos outros.” Hoje a ”Experiência de Seattle” é lembrada como um marco na formação da bioética.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Manual de Redação de Hemingway

O jovem Hemingway em 1916, pouco antes de entrar
pra essa vida perdida de jornalista-escritor-lobo-do-mar.

Excertos do Star Copy Style, o manual de redação do Kansas City Star, onde Ernest Hemingway começou sua breve carreira jornalística em 1917 (evidentemente, algumas dicas fazem mais sentido em inglês):


  • Use frases curtas. Use parágrafos de abertura curtos. Use Inglês vigoroso. Seja positivo, não negativo.
  • Elimine toda palavra supérflua: escreva “Velório será Terça, às 2 horas” e não “O velório será realizado às 2 horas na Terça”. “Ele disse” é melhor que “No curso da conversação, ele disse”.
  • Evite o uso de adjetivos, especialmente os extravagantes, como “esplêndido”, “deslumbrante”, “grandioso”, “magnífico”, etc.
  • Tenha cuidado com a palavra “also” [também; além disso]. Ela geralmente modifica a palavra mais próxima. “He, also, went” significa “He, too, went” [Ele, também, foi.] “He went also” significa que ele foi, além de tomar alguma outra atitude.
  • Tenha cuidado com a palavra “only” [só; apenas; somente]. “He only had $10” [Só ele tinha $10] significa que ele era o único dono de tal quantia; “He had only $10” significa que dez era todo o dinheiro que ele possuía.
  • Uma citação longa antes de introduzir o autor pode ser confusa e é ruim em qualquer situação. Interrompa a citação tão cedo quanto puder: “‘Eu gostaria’, disse o orador, ‘de informar o leitor que serei tão breve quanto possível.’”


“Aquelas”, lembrou Hemingway a um repórter em 1940, “foram as melhores regras que eu aprendi para o negócio de escrever. Eu nunca as esqueci. Nenhum homem com qualquer talento, que sente e escreve verdadeiramente sobre o que está tentando dizer, pode deixar de escrever bem se sergui-las.”

domingo, 15 de maio de 2011

Sex and the Vatican

Denúncia de pedofilia: você está fazendo isso errado


O papa pode não ser mais italiano há um bom tempo, mas mesmo assim, parece que o Vaticano acha que suas fronteiras vão além dos muros que o separam de Roma. Em meio aos escândalos político-sexuais de seu primeiro-ministro fanfarrão, a Itália está calada. Vergonhosamente, também está calada com o lançamento do livro Sex and the Vatican, do jornalista Carmelo Abbate. Não que se esperassem louvores à obra que devassa a vida dupla que padres, freiras, monges e bispos italianos levam. Surpreendentemente, também não houve críticas generalizadas. Nem um escândalo sequer.

sábado, 30 de abril de 2011

On-Board Empire

No início de setembro de 1924, no auge da Lei Seca norte-americana, houve rumores de que pessoas ricas estariam bebendo e se divertindo. Onde? Em um vapor de 17.000 toneladas ancorado a 15 milhas náuticas [27km] da costa de Nova York, literalmente fora dos limites da lei. “Uma orquestra de Jazz fornece a música para que milionários e melindrosas dancem em um piso encerado com o aroma da maresia em suas narinas”, escreveu Sanford Jarrell no New York Herald Tribune. Para escrever a matéria — sob a enorme manchete “New Yorkers Drink Sumptuously on 17,000-Ton Floating Cafe at Anchor Fifteen Miles off Fire Island” —, o repórter teria conseguido passar uma noite a bordo do misterioso navio.

"Eu vou acabar com esse jornalista filho-da-puta!" — Nucky Thompson, ao saber da notícia
Foi um verdadeiro furo. Outros jornais acreditaram na história, reproduziram-na e deram os devidos créditos a Jarrell e ao Herald Tribune. Tudo muito bom, tudo muito bem, mas a concorrência também foi buscar suas versões dos fatos. Agentes da Alfândega começaram suas investigações quando perceberam o súbito interesse dos nova-iorquinos pela Fire Island. Até o governo federal acreditou e a Marinha mandou um cúter da Guarda Costeira para caçar o suposto navio-cabaré. Surpreendentemente, ninguém conseguiu confirmar o caso. Todos ficaram a ver navios.

Inicialmente, o NYHT defendeu Jarrell contra os que duvidavam da história. Mas diante da falta de provas, o jornal acabou admitindo que a história não era verdadeira. O episódio começou com uma dica de uma fonte respeitável. Jarrell investigou a história e, como todo mundo depois dele, não encontrou nada que pudesse ser confirmado e publicado. Ele só publicou sua matéria sobre o “sin ship” como uma brincadeira, mas a história era tão boa que acabou ganhando vida própria. Apesar de convincente e extremamente provável, tudo não passava de uma farsa.

"Nada como mandar algumas garrafas de uísque para todas as redações"

Sabendo que isso bastava para acabar com a carreira de qualquer jornalista (ao menos em um país civilizado) e que seria punido, Sanford Jarrell escreveu uma carta ao editor do jornal um dia depois de o jornal admitir que estava errado. Na carta o jornalista, além de confessar seu crime, pedia demissão: “Em antecipação à pena natural pela minha contravenção, e reafirmando meu mais sincero arrependimento por todo esse caso, eu venho por meio desta pedir meu imediato desligamento como membro da equipe do Herald Tribune.”

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Albert Herpin, o homem que nunca dormiu

Albert Herpin, nascido na França em 1862 e há quinze anos cocheiro nesta cidade, declara que ele não pregou os olhos nos últimos dez anos. Apesar disso, ele está em perfeita saúde e não parace sofrer qualquer desconforto por sua notável condição. Ele vai para a cama regularmente, mas diz que nunca fecha seus olhos ou nem por um instante perde consciência sobre tudo o que acontece à sua volta. Ao amanhecer, ele levanta-se renovado e pronto para outro dia de trabalho entre os cavalos. Ele diz que a mudança de posição e a escuridão do quarto parecem dar-lhe todo o descanso que ele quer.
— “Hasn't Slept in Ten Years” [“Não Durmo há Dez Anos”], New York Times, 29 de fevereiro de 1904
A matéria dizia que Herpin sofria de insônia desde o nascimento de seu primeiro filho, vinte anos antes. Pouco tempo depois, Mrs. Herpin morreu e o cocheiro passou a dormir cada vez menos, até ser incapaz de “pregar os olhos” durante a noite. Ele, diz-se, não tinha sequer uma cama. O cocheiro descansava em uma cadeira de balanço onde, não raro, ele varava a noite lendo jornais.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Controle de Qualidade

A Guerra Fria teve notáveis efeitos na indústria automobilística. O mais visível foram os grandes  carros com inspiração aeroespacial produzidos pelos Estados Unidos nos anos 1950.

Mas a indústria automotiva soviética queria mostrar que tudo não passava de aparências. Então,  durante a Feira Mundial de 1958, em Bruxelas, na Bélgica, os fabricantes soviéticos desafiaram os norte-americanos.

Um engenheiro suíço foi escolhido de comum acordo e fez uma comparação exaustiva entre um modelo ianque e um bolchevique. O resultado não foi surpresa: o carro americano era melhor.

Mas nem todo mundo ficou sabendo, é claro. O Pravda, principal jornal soviético, relatou apenas que “em uma recente competição automotiva internacional, o carro russo foi o segundo melhor e o americano foi o penúltimo.”

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Faster-than-light

A pressa é inimiga da perfeição. O entusiasmo, também. Quando a velocidade da luz começou a ser medida, no fim do século XIX, não faltavam comentários entusiásticos nas jovens revistas de divulgação científica, como a francesa La Science Populaire:
A luz cruza o espaço com a prodigiosa velocidade de 6.000 léguas por segundo. (La Science Populaire, Abril de 1881)
Seis mil léguas luminosas? Isso dá cerca de 33.336 km/s, o que é pouco mais de 10% do valor atualmente aceito para a velocidade da luz (299.792 km/s). Obviamente, o erro não estava na velha légua e foi corrigido de maneira mais ou menos poética:
Um erro tipográfico caiu em nosso último número e é importante corrigi-lo: a velocidade da luz é de 76.000 léguas por hora — não 6.000. (LSP, Maio de 1881)
Opa! 76.000 léguas dá 422.256 quilômetros. Não, esse valor 40% acima do que conhecemos hoje não é um erro, por causa da falta de precisão dos equipamentos da época. Além disso, previa-se um valor de c maior do que se foi verificado realmente. Mas há outro erro na errata acima: dessa vez o valor foi apresentado corretamente, mas em léguas por hora!

Isso não passou despercebido e três meses depois, sem muito entusiasmo, a Le Science Populaire finalmente informou o valor correto da velocidade da luz:
Uma nota corrigindo um erro apareceu em nosso número 68 indicava que a velocidade da luz é de 76.000 léguas por hora. Nossos leitores corrigiram esse novo erro: a velocidade da luz é aproximadamente 76.000 léguas por segundo. (LSP, Junho de 1881)

sábado, 18 de setembro de 2010

Arte Crítica e os Críticos de Arte

Será que um artista pode fundar uma escola de arte mesmo sem querer? Em 1924, irritado com a falta de discernimento dos críticos de arte diante de todo aquele hype modernista, o escritor e jornalista norte-americano Paul Jordan-Smith (1885-1971) convenceu-se de que "os críticos louvariam qualquer coisa ininteligível."

Para provar que estava certo, ele criou o que poderia ser chamado de uma meta-obra-de-arte-crítica. Paul, que jamais havia pintado na vida, pegou umas tintas velhas, uma brocha, uma tela com defeito e, "em poucos minutos espalhei os traços crus de uma selvagem assimétrica segurando o que deveria ser uma estrela-do-mar, mas que saiu como uma casca de banana." Depois, ele mudou seu penteado, apresentou-se como Pavel Jerdanowitch e mostrou a obra "Exaltation" a um grupo de artistas de Nova York. Pavel dizia fazer parte de uma nova escola, chamada Dessombracionismo.

"Exaltation" (1924): Estrela-do-mar FAIL é hype WIN.

Os críticos adoraram o estilo de Jerdanowitch e acabaram fazendo o que Jordan-Smith menos queria: criaram um hype em cima dele.  O pintor polonês (ou checo? ninguém nem se importou em saber quem era o cara) foi considerado um visionário e o dessombracionismo era uma revolução.

"Jerdanowitch", ou melhor, Jordan-Smith, expôs a pintura na galeria do Waldorf Astoria. Durante os dois anos seguintes, ele apareceu com pinturas cada vez mais fora do comum, exibidas em Chicago, Boston e Buffalo (a cidade, não o animal), comentadas e elogiadas até nos jornais de arte de Paris:
Um explorador de espírito inquieto, ele [Jerdanowitch] não se contenta com os caminhos pisados. Ele fez alguns belos retratos, depois alguns trabalhos muito estranhos, simbólicos e originais: Exaltation, Illumination, Admiration. Suas composições bastante pessoais, onde o artista representa coisas pela simbolização de sentimentos de seu próprio ponto de vista, o que o põe entre os melhores artistas do avant-garde com uma fórmula que exclui qualquer banalidade.

— L'Art Contemporain: Livre d'Or [A Arte Contemporânea: O Livro de Ouro] (Éditions De La Revue du Vrai et du Beau, Paris, 1927), pp 85-86

Ele acabou confessando a verdade em uma entrevista para o Los Angeles Times em 1927. E parece que o autor estava certo em sua crítica aos críticos. Mesmo depois de revelar a identidade de Jerdanowtch, Paul Jordan-Smith disse que "a maioria dos críticos da América insistia que, como eu já era um escritor e tinha noção de organização, eu tinha uma habilidade artística, mas era ou ignorante ou arrogante demais para admitir". Depois de enganados, os críticos é que foram ignorantes e arrogantes demais para admitir.
_____________________________
Em tempo: desde 2006, o Dessombracionismo (ou seria neodissombracionismo?) voltou às telas de pintura em um concurso anual que leva o nome de Pavel Jerdanowitch, mas homenageia Paul Jordan-Smith. Ele deve estar se revirando no túmulo com uma homenagem tão hype.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

Coletivo de Imprensa

 coleguinhas

Na manhã de quarta-feira, 19 de setembro de 1923, os nova-iorquinos acordaram com uma notícia chocante: dez diários da cidade — New York American, The New York Herald, The Journal of Commerce, Daily News, The New York Times, New York Tribune, The World, New Yorker Staats-Zeitung e Il Progresso Italo-Americano — estavam à venda em um número coletivo.

Não, nenhum milionário havia comprado todos os matutinos nova-iorquinos durante a noite, colocando todos sob o mesmo guarda-chuva (e sob o mesmo cabeçalho) enquanto pensava num único nome fácil de lembrar (“New York American Herald Commerce Daily Tribune Times & World Progresso Zeitung”?).

Naquela época, notícia ainda não era um produto (tão) à venda (ou era?). Mas isso não significa que os jornais já não se comportassem como empresas.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Lógica de gato e rato

Em 1875, a Associated Press deu destaque a um novo empreendimento que estava sendo aberto perto de Lacon, Illinois. Um prospecto convidava entusiasticamente sócios para novo negócio:
Gloriosa Oportunidade para Ficar Rico!!! - Estamos a iniciar um rancho de gatos em Lacon com 100.000 gatos. Cada gato vai dar uma média de 12 gatinhos por ano. A pele dos gatos serão vendidas a 30 centavos cada. Cem homens podem esfolar 5.000 gatos por dia. Nós aguardamos um lucro líquido diário de mais de $ 10.000,00. Agora, como vamos alimentar os gatos? Vamos abrir uma fazenda de ratos ao lado, com 1.000.000 de ratos. Os ratos se reproduzem 12 vezes mais rápido que os gatos, portanto vamos ter quatro ratos por dia para alimentar cada gato. Mas como vamos alimentar os ratos? Vamos alimentá-los com as carcaças dos gatos que foram esfolados. Agora vejam só! Vamos dar os ratos aos gatos e os gatos aos ratos e teremos peles de gato a troco de nada!
Embora seja um pouco cruel para os nossos padrões, realmente era muito tentador. Tanto que a AP não percebeu que se tratava de um trote criado por Willis Powell, o (entediado) correspondente local. Tratada como fato verídico, a história acabou repetida e republicada dezenas de vezes em toda a América durante mais de 65 anos — até que o National Press Club derrubou o mito em 1940.

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Porra, New York Times!!! [2]

Mais algumas pérolas notáveis que vieram da seção de erratas do New York Times:

Mudando o rumo da história (de novo): 
"Uma reportagem identificou erroneamente o documento no qual John Hancock colocou sua proeminente assinatura. Foi a Declaração de Independência, não a Constituição." (14 de julho de 1985)
Um pequeno erro de cálculo na coluna social: 
"Um artigo sobre Ivana Trump e seus hábitos de consumo errou o número de sutiãs que ela compra. São duas dúzias [de sutiãs] pretos, duas dúzias beges e duas dúzias brancos e não dois milhares de cada." (22 de outubro de 2000)
E outro no caderno de culinária: 
"A receita para o petisco de salmão zimbrado errou na quantidade de sal kosher. É metade de um copo, e não quatro copos." (26 de novembro de 2000)
Botando a culpa na fonte: 
"Uma reportagem no caderno 'Sunday' incluiu dados errôneos do Farmer's Almanac sobre a ocorrência de luas cheias. O último mês sem lua cheia foi fevereiro de 1980, não fevereiro de 1866. O próximo mês sem lua cheia será fevereiro de 1999 e não o mesmo mês daqui a 2,5 milhões de anos." (25 de fevereiro de 1996)
E alguém da editoria de cinema fez James Dean se revirar no túmulo: 
"Um artigo errou o título do filme de 1955 que fez de James Dean uma estrela. É 'Rebelde sem Causa', não 'Rebelde com Causa.'" (8 de maio de 2000)

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Critérios de Noticiabilidade na prática

Ou: como transformar uma má notícia em algo bom.

noticiabilidade

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Porra, New York Times!!!!

Depois de uma errata histórica, mais correções memoráveis no New York Times: 
  • "Um artigo sobre cozinha decorativa descreveu incorretamente a apresentação do Pato Selvagem, de Michel Fitoussi, um chef de Nova York. Ao prepará-lo, Mr. Fitoussi usou um pato que já estava morto." (5 de abr., 1981) — Ah vahhh!
  • "Um artigo sobre a queda na colheita de ostras em Long Island informou mal a tradicional regra sobre consumo de ostras. Em qualquer mês sem um 'r' no nome, as ostras devem evitadas, não comidas." (20 de dez., 1998) — Tão relevante quanto evitar o consumo de manga com leite… ¬¬
  • "A legenda de uma foto sobre uma mostra da Star Trek Federation Science errou na identificação de uma figura em uma tela. Era um Klingon, não um Ferengi." (25 de jul., 1993) — Espero que o NYT tenha contratado consultores nerds depois dessa.
  • "Uma matéria sobre primatas e videogames descreveu incorretamente um aspecto da anatomia símia. Macacos não têm polegares opositores." (4 de ago., 1999) — Parece que alguns editores também não têm esse detalhe anatômico.

Por fim, a correção de uma notícia que mudou a vida da Big Apple: "uma legenda, mostrando um palhaço sentado em um vagão de metrô, errou a localidade. Ele estava em um trem E na Estação Lexington Avenue em Manhattan, e não em um trem G na Estação Bergen Street no Brooklin." (20 de fev., 2000).

sexta-feira, 23 de julho de 2010

O Paredão do ‘The Times’ funciona

times on
Capa do Times On-Line: jeitão de jornal impresso com links. Vamos clicar para ver se funciona...

No começo deste mês o Times, jornal mais importante de Londres, decidiu que a internet já estava bastante grandinha e que já era hora de começar a cobrar por conteúdos on-line. Para isso, o principal diário londrino decidiu levantar um verdadeiro paredão virtual — o Times+. Poucas semanas se passaram e os resultados já apareceram. O paredão funcionou, mas teve efeito contrário ao que qualquer empresa esperaria.

Durante os primeiros dias, o Times+ foi oferecido em um sistema de free trial (experimente grátis) com 30 dias de duração. Para isso, bastava criar uma conta no Times+. Agora, quando a amostra grátis está acabando, apenas 1,2% dos assinantes on-line continua disposto a pagar para ler notícias na web. Ou, se você preferir, 98,8% dos web-leitores desistiram ou recusaram esse duvidoso privilégio — por que afinal se deram conta de que já pagam pelo acesso à internet ou que a versão on-line não tem muito mais a oferecer. Em muitos casos, tem até menos.

sexta-feira, 2 de julho de 2010

De volta para o passado

ny_times_olds

Cumprir o papel de "testemunha ocular da história" pode levar a um tipo meticulosamente estranho de responsabilidade. Em 10 de março de 1975, o New York Times saiu com a data errada após um pequeno erro tipográfico. No cabeçalho, lia-se: "10 de Março, 1075".

Qualquer leitor comum teria entendido que foi apenas um erro tipográfico — um typo —, mas os editores do jornal começaram a ficar preocupados. Eles temiam que historiadores do futuro ficassem confusos ao encontrar uma edição do Times aparentemente lançada em plena Idade Média. Portanto, no dia seguinte, o NYT saiu com uma errata histórica (em todos os sentidos):
Na edição de ontem, o New York Times não relatou as revoltas em Milão e o subsequente assassinato do reformista religioso Erlembaldo. Esses eventos ocorreram em 1075, o ano que aparece na linha de data da 1ª. Página. O Times pede desculpas por ambos os incidentes.
Os editores do maior jornal do mundo podem parecer espertos. Mas não foram. E se a edição que contém a errata desaparecer?

Não tem problema: os historiadores do futuro ainda poderiam usar testes de carbono-14 — ou até técnicas mais sofisticadas — para determinar a autenticidade do suposto Times medieval.

domingo, 27 de junho de 2010

Nos mííííínimos detalhes…

Outro dia, na capa do MSN Hoje, uma chamada muito detalhada sobre a Copa do Mundo:

detalhes nos mínimos detalhes
O MSN Notícias contratou um jornalista com larga experiência na Praça é Nossa.

Uma chamada com tantos detalhes só pode ser Jornalismo em HD – High Detalhation.

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Jornalismo-Preguiça

Em 25 de junho de 1899 todos os grandes jornais de Denver, nos Estados Unidos — o Times, o Post, o Republican e o Rocky Montain News —, apresentaram uma matéria de capa sobre o mesmo assunto. Todos os jornais afirmavam que os chineses estavam planejando a demolição da Grande Muralha para construir uma rodovia no lugar.  great_wall_of_china
Obviamente, isso não era verdade. As matérias foram fruto da imaginação de um bando de jornalistas entediados. Só que o trote foi levado a sério e a história se espalhou. Duas semanas depois de publicada em Denver, a notícia apareceu em um grande jornal do Extremo Oriente, dessa vez enriquecida com a confirmação de fontes chinesas e diversas ilustrações e comentários. Pouco depois, a história atravessou a Europa e voltou aos Estados Unidos.

A verdade é que o trote só foi explicado pelo último jornalista sobrevivente do grupo — em pleno leito de morte.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Pseudo-Poe

whitcomb-poe

Convencido de que o público aceitaria qualquer coisa de um autor famoso, James Whitcomb Riley (1849-1916, à esquerda) apostou com seus amigos que poderia provar sua teoria. Ele compôs um poema no estilo de Edgard Allan Poe (1809-1849) chamado "Leonanie" e publicou-o no jornal Despatch, da cidade de Kokono, Indiana, em 2 de agosto de 1877:

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