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sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Quando uma ilha não é uma ilha?

Você já deu uma olhada por baixo de uma ilha? E que tal visitar a casa de máquinas de uma ilha?

Por fora, a Ilha Forbes pode parecer como qualquer outra: tem areia, algumas pedras, um farol, umas palmeiras, um restaurante e um bar. Entretanto, o fundo da Ilha Forbes tem a aparência suspeitamente plana de uma barcaça. O que nos leva à pergunta: quando uma ilha não é uma ilha?

Quando é feita pelo homem, evidentemente. Em 1980, a Ilha Forbes, uma barcaça modificada para se parecer com uma ilha foi lançada na Baía de São Francisco, perto do píer dos leões-marinhos. Formada por 280 toneladas de concreto, 120t de rochas e 90t de areia, Forbes é uma massiva criação humana.

Embora esteja equipada com um motor da Segunda Guerra usado em barcaças igualmente grandes, a ilha moveu-se muito pouco desde então. Mesmo parada, tornou-se uma atração turística: pouco depois de sua criação, apareceu até no Lifestyles of the Rich and Famous.

Apesar de sua natureza artificial, a Ilha Forbes acabou se tornando um pequeno ecossistema. Uma de suas atrações é a sua fauna. Ali, é possível jantar no restaurante ao som de vozes dos leões marinhos ou tomar um coquetel debaixo das palmeiras que foram escolhidas como lar pelos melros. Além disso, os visitantes podem admirar vistas fantásticas da Baía de São Francisco, da cidade e da famosa prisão de Alcatraz — ou apenas se maravilhar com o contraste entre a vida e uma maravilha do engenho humano.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

“Os combustíveis do futuro” (1889)

Com a perspectiva de o carvão se tornar tão raro quanto o próprio dodô, o mundo, dizem-nos os cientistas, poderá vir a olhar com complacência a falha de nossas reservas de carbono ordinário. Os gases e óleos naturais [petróleos] do mundo irão abastecer a raça humana com material combustível por incontáveis eras — esta é, pelo menos, a opinião daqueles que estão mais bem-informados sobre o assunto. — Glasgow Herald, citado no suplemento nº. 717 da Scientific American, 28 de setembro de 1889
E, como sempre, os otimistas “mais bem-informados” se mostraram errados. O então recém-inventado automóvel e o aeroplano então em gestação devorariam (quase) todas aquelas reservas de petróleo e gás suficientes para “incontáveis eras” em pouco mais de um século.  O carvão, porém, continua firme e forte — e, embora não seja muito ecológica, a versão vegetal é renovável.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tretretretre

Em 1658, o almirante francês Etienne de Flacourt (1607-1660) relatou uma curiosa lenda que descobrira entre os nativos de Madagascar. Eles contavam histórias sobre uma criatura estranha, do tamanho de um bezerro de dois anos, com uma cabeça redonda, pés de macaco, uma cauda curta, muito peluda e orelhas e face que pareciam humanas. Os madagascarenhos malgaxes a chamavam tretretretre.

Como o animal descrito nos contos dos nativos não se parecia com nada existente na fauna de Madagascar, os europeus consideraram o tretretretre como mais uma exótica crendice local. Porém, muito tempo depois, foram descobertos diversos fósseis do que seria uma explicação para o mito. 

Megaladapis m., em uma reconstituição de 1902:
um lêmure de 1,5m e 50kg
Palaeopropithecus ingens: menor, mas com uma face
 mais “humana”
Com um nome científico bem mais fácil de pronunciar, o Megaladapis madagascariensis foi descoberto em 1894. Era uma espécie de lêmure gigante que estaria extinto há milhares de anos. Mas agora os zoologistas pensam que o megalêmure teria vivido pelo menos até meados do século VI, quando os humanos ocuparam a ilha e extinguiram sua megafauna.

Outros, porém, afirmam que o Palaeopropithecus ingens, descoberto em 1899, seria a inspiração por trás da lenda. O Palaeopropithecus era um lêmure um pouco menor que o Megaladapis e com uma face mais “humana”.

Seja como for, tanto o Megaladapis quanto o Palaeopropithecus ainda existiam quando um deles ou ambos passaram ao folclore malgaxe como tretretretre. Há até quem diga que alguns poucos desses animais teriam sobrevivido até meados do século XVI ou XVII, o que faria de Flacourt testemunha (involuntária) do fim de uma espécie e do início de uma lenda.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Em uma palavra [59]

exparadisação
s.f., mitolog., relig. 1. a expulsação de Adão e Eva do Paraíso, na mitologia judaico-cristã. 2. por extensão, expulsão de qualquer ambiente considerado paradisíaco por seus habitantes. “A ação do homem sobre o meio-ambiente tem causado a exparadisação de animais silvestres e de povos nativos.”  [neologismo formado por comparação com expatriação, a partir de ex- = prefixo com sentido de exterioridade + paradiso = paraíso + -ação] Exparadisar, v. expulsar do paraíso.
Ufa! Pelo que eu me lembre, esse é — até agora — o verbete mais longo da série Em uma palavra

quinta-feira, 26 de maio de 2011

segunda-feira, 7 de março de 2011

Um burro no tribunal

Richard Martin (1754-1834) foi um parlamentar irlandês que tornou-se famoso não só por ser um protestante filho de católicos que defendia o fim da segregação religiosa na Irlanda e por seus discursos irreverentes, mas também (e principalmente) por sua defesa dos animais no começo do século XIX. 

Em 1822, ele levou um burro ao tribunal para mostrar as marcas de espancamento do animal como evidência. Com isso, ele ganhou o caso, que foi a primeira condenação do mundo por tratamento cruel de um animal. No mesmo ano, Martin propôs um projeto de lei na Câmara dos Comuns, que foi aprovado e se tornou a Ill Treatment of Cattle Bill [Lei dos Maus Tratos do Gado].

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Dois palitos

Pintura de Márcio Camargo

Se você precisa parar de fumar ou de fazer queimadas, é melhor ler essa história. Uma bituca de cigarro ou fósforo pode fazer toda a diferença, mesmo que mentalmente:
Um dia, um mercador estava nas florestas da Califórnia, na estação seca, quando o Comércio estava em alta. Ele havia percorrido um longo caminho, estava cansado e faminto, e desmontou do seu cavalo para fumar um cachimbo. Mas quando ele procurou em seu bolso, encontrou nada além de dois fósforos. Ele riscou o primeiro, mas não acendeu.

"Que belo estado de coisas temos aqui!", disse o mercador. "Morrendo de vontade de fumar, só me resta um fósforo e ele certamente não vai pegar fogo! Poderia haver uma criatura tão desafortunada? E mesmo assim", pensou o viajante, "suponha que eu risque esse fósforo, acenda meu cachimbo e jogue o palito aqui na grama — a grama poderia pegar fogo feito um pavio. E enquanto eu controlo as chamas em frente, elas poderiam evadir-se e correr por trás, até tomar aquele arbusto de carvalho-veneno. Antes que eu o alcançasse, ele estaria em queimado. Além do arbusto, vejo um pinheiro cheio de musgos e aquilo também se incendiaria instantaneamente até o mais alto galho. E a chama daquela enorme tocha — como o vento alísio a tomaria e a brandaria através da floresta inflamável! Eu ouço o troar dessa corredeira junto com as vozes do vento e do fogo, e vejo-me a galopar pela minha alma. E a conflagração, voando, persegue-me e ultrapassa-me através das colinas. Eu vejo esta pobre floresta a queimar por dias, o gado torrado, e as nascentes ressecadas; os fazendeiros arruinados e seus filhos abandonados pelo mundo. Que mundo está em suspense nesse momento!"

Então, ele riscou o fósforo, que não se acendeu.

"Graças a Deus!", disse o mercador e guardou o cachimbo em seu bolso.

— Robert Louis Stevenson, Fables [Fábulas], Longman's Magazine (Agosto de 1895)
Moral da história: não existem queimadas controladas nem cacimbos da paz. É melhor parar de fumar já, por que o mundo já está mais quente do que no tempo do Stevenson.

sábado, 8 de maio de 2010

Prendam a respiração!

Na tentativa de combater o aquecimento global, Obama propõe medidas drásticas:
gas carbonico
Parece que o Lula já tá fazendo a parte dele… emitindo mais gases!

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Como surgiram as ervas medicinais

(conto folclórico dos índios norte-americanos)

Há muito, muito tempo atrás, homens e animais viviam juntos em paz e harmonia. Mas as coisas começaram a mudar quando algumas pessoas gananciosas passaram a caçar apenas para vender a carne e as peles. Isto levou a população animal a diminuir e trouxe grande preocupação aos bichos.

O grande urso branco decidiu, então, formar um conselho com os animais para que decidissem como deveriam se defender e se vingar. Houve muita discussão, mas nenhum consenso. Então, a mais velha e sábia mosca ofereceu uma proposta: "Deixe-nos chamar os espíritos" — disse ela — "Nós pediremos a eles que mandem grandes dores às pessoas e nós vamos carregar as doenças".

Não demorou muito e uma grande epidemia se espalhou por todas as aldeias dos povos nativos, atacando tanto os homens bons quanto os maus. Mas os animais queriam punir apenas as pessoas más e ficaram muito tristes ao saber que as pessoas boas também estavam sofrendo. Então, se reuniram em outro conselho para decidir o que deveria ser feito.

As pequenas ervas trouxeram uma solução: elas prometeram curar os doentes. Então, os espíritos dos sonhos foram enviados aos xamãs para guiá-los até as ervas medicinais. E assim surgiu a medicina e a cura para os nativos norte-americanos.

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quem Chega Lá?

Se você não curte o verão que se aproxima cada vez mais ou tem medo do aquecimento global, pode tentar alcançar o ponto mais inacessível da Antártica — e que não é exatamente o Polo Sul. Situado em 82º06'S 54º58'E, é o ponto distante do mar no continente austral e o lugar mais gelado da Terra.

Como saber se você chegou lá, se tudo não passa de neve, vento, e mais neve? Bem, a primeira coisa que você vai encontrar por lá é um velho busto de Lenin olhando solenemente na direção de Moscou através da imensidão branca.

Faça um buraco de uns seis metros de profundidade e você vai encontrar abrigo — uma velha cabana de pesquisas levantada pelos soviéticos e soterrada (ou seria sonevada?) pela neve.

Dentro da cabana há um livro de visitas dourado para que aqueles que conseguem chegar lá possam registrar o fato. Não se esqueça de assiná-lo. Se puder, mande uns cartões postais também.

domingo, 29 de novembro de 2009

É Agora ou Nunca

No início de dezembro, líderes de todo o mundo se encontram em Copenhague para buscar ações conjuntas e evitar o pior das mudanças climáticas. Mas o choque de interesses pode ser fatal para o encontro.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Meteoro-loser-gista

O meteorologista Robert H. Stanley, de Greenfield, New Hampshire, deve ter deixado os deuses da chuva irados. Ele foi para a cama durante um terrível aguaceiro na noite de 2 de agosto de 1966 e na manhã seguinte decobriu que apenas a sua casa fora atingida:
"Após encontrar 146 milímetros de chuva no pluviômetro, ele verificou esse dado com um vizinho situado a meio quilômetro de distância, no sentido leste. Ele soube que o vizinho tinha apenas 12,5 milímetros em seu pluviômetro. Ele, então, examinou a área externa para encontrar os efeitos visíveis. O rastro da exurrada na estrada estendia-se apenas por uns 30 metros. Ao sul da casa, por trás do pluviômetro, bem distante das árvores ou das estruturas, estende-se um campo de 4 hectares. A grama dele foi aplainada. À tarde, ela começou a revigorar e, no meio-dia seguinte, já estava ereta novamente. A oeste da casa, um riacho que corria vigorosamente ao amanhecer já estava vazio às 8 da manhã. Ao desenhar as linhas de direção dos traços de erosão, descobriu-se uma área oval com mais ou menos 1,6 quilômetro no sentido Norte-Sul e 1,1 km no sentido Leste-Oeste. Dentro dessa área, a intensidade da chuva variou de 10mm em suas bordas até cerca de 150mm no seu centro. Fora dessa área, a chuva foi tão fina que acumulou menos de 0,5mm."
- Monthly Weather Review [Revista Mensal de Clima], 93:164-68, 1970

Obs: todas as medidas foram convertidas para o sistema métrico decimal com aproximações.

sábado, 17 de outubro de 2009

Um Preço Alto Demais a Pagar

Lembranças de um tempo em que a Natureza ainda dominava o homem:

Em 1774, um navio perdido foi descoberto na região ártica coberto de gelo e neve. O descobridor foi o capitão de um navio baleeiro da Groenlândia chamado Warrens. Ele, ao subir a bordo do navio encontrado achou, em uma das cabines, o corpo de um homem perfeitamente preservado pelo frio glacial, com exceção de uma mancha de mofo esverdeado que apareceu em volta dos olhos e na testa. O cadáver estava sentado numa cadeira e ligeiramente afastado da mesa. Na mão direita, ainda havia uma caneta e em diante dela estava o diário de bordo. O morto estava escrevendo no momento em que faleceu. A última sentença completa do diário inacabado era a seguinte:

domingo, 27 de setembro de 2009

Geração Noé

A atual geração de jovens, formada principalmente pelos nascidos nas décadas de 1980 e 1990 vai ter um papel fundamental e importantíssimo no futuro e na História da Humanidade. Alguém poderia dizer que toda geração jovem pensa em mudar o mundo. Mas, no caso da atual geração, se isso não acontecer, a Humanidade como um todo correrá sérios riscos. Eis por que ela devia ser chamada de Geração Noé.

Não é apenas pela mudança climática. A Humanidade passa por um período crítico que vem se acumulando já há alguns séculos, desde o surgimento da industrialização e do pensamento racionalista-materialista. Ocorre que passamos milênios seguindo basicamente um modelo de sociedade patriarcal, agrário, nacionalista, provinciano, religioso e moralista.

domingo, 13 de setembro de 2009

De Quinto Império a Quinta Potência?

Portugal já foi uma potência, caiu sobre o próprio peso e sonhou em voltar a ser um Império. Herdeiro das tradições portuguesas, o Brasil terá o mesmo destino?

O Brasil foi descoberto e ocupado – invadido – pela maior potência econômica e marítima do século XVI: Portugal. O antigo Condado Portucalense tinha um histórico de pioneirismo e liderança no continente europeu. Como a Espanha, foi dominado por séculos pelos mouros muçulmanos vindos do norte da África. Mas a nação lusitana foi a primeira a se libertar do domínio árabe, já no século XII.

Em seguida, Portugal foi o primeiro país europeu a se formar e a ter unidade administrativa, durante o século XIII. Nos séculos seguintes, o Império Português aproveitou-se de sua posição geográfica e floresceu com o empreendedorismo das Grandes Navegações. Rapidamente, Lisboa tornou-se uma capital cosmopolita, habitada por banqueiros judeus, mercadores descendentes de árabes, administradores latinos e católicos, artistas italianos, saltimbancos franceses, aventureiros espanhóis e – como o mundo não era perfeito – alguns escravos negros. A língua portuguesa, embora muito diferente da atual, era praticamente a segunda língua franca da Europa depois do latim.

Infelizmente, porém, os católicos latinos se deslumbraram com as riquezas acumuladas e cometeram muitos erros. O primeiro grande erro, talvez, foi ignorar Cristóvão Colombo e sua ambiciosa e inovadora proposta de navegar ao Oriente pelo Ocidente (1492). O fôlego empreendedorista português começava a ser sufocado pelo acúmulo de tradições e fantasmagóricas superstições e crendices. Logo em seguida, em 1497, estimulados por Roma e sob as bênçãos papais, os líderes católicos perseguiram e expulsaram os judeus de seu país. Portugal foi o centro anti-semita da Europa do século XVI. Os nobres católicos asseguraram seu poder, mas a riqueza duraria pouco diante do deslumbramento, da má administração e de uma mentalidade cada vez mais retrógada e conservadora.

Mais ou menos por essa época, o Brasil foi “achado”, mas não se deu muita importância àquelas terras de aparência paradisíaca (seria realidade?) situadas no Novo Mundo recém-descoberto por Colombo (a serviço dos espanhóis, que só agora haviam acabado de se libertar dos mouros). Apenas três décadas mais tarde, a nova terra passou a ser ocupada, mas apenas por que o poderoso Império Português corria o risco de perdê-la para retardatários como os franceses e os ingleses, que eram tão amadores que só contavam com piratas nessa época.

O INÍCIO DA ETERNA PROMESSA DE “PAÍS DO FUTURO”

Meio século depois, o então Rei de Portugal, o jovem D. Sebastião I, o menino-rei, morreu em circunstâncias misteriosas durante uma frustrada tentativa de conquistar o que hoje é o Marrocos.

Em vez de explorar a exuberante  — porém distante  — colônia americana em busca de recursos mais valiosos que o pau-brasil (ou as especiarias indianas), os lusos, pregiçosamente, preferiram reinventar as Cruzadas medievais no norte da África, logo ao sul da “Terrinha”, num território desértico e povoado pela mesma civilização que tomara a Península Ibérica, o sul da Itália e fechara o Mediterrâneo ao comércio europeu.

Os portugueses acharam que, só porque foram os primeiros a expulsar os muçulmanos da Europa, poderiam acabar com o imenso Império Islâmico e conquistar o Mediterrâneo. Desculpem-me os lusos (ou os seus descendentes), mas a fama de burrice portuguesa não é à-toa.

Rei morto, rei posto. Bem, se houvesse um príncipe… Por que D. Sebastião não deixou herdeiros pois não tinha uma rainha. Os candidatos ao trono português eram, segundo a linha de sucessão: 1) D. Henrique (cardeal e filho de D. Manuel I); 2) D. Rainúncio Farnese, Duque de Parma (também filho de D. Manuel I); 3) Catarina, Duquesa de Bragança (filha mais nova de D. Duarte); 4)Filipe II de Espanha ( filho de D. Isabel e neto de D. Manuel I); 5) Emanuel Filiberto, Duque de Sabóia (filho de D. Beatriz e neto de D. Manuel I); 6) João I, Duque de Bragança (marido de D. Catarina) e 7) o pobre D. Antônio (considerado ilegítimo, mas se não o fosse seria o primeiro da linha de sucessão).

Alternativas não faltavam para resolver a crise sucessória. O que faltou foi faro político, capacidade de inovação e  até honestidade. Para começar, mulheres estavam legalmente excluídas do processo: nação católica que era, Portugal não poderia ter uma rainha. Mais absurda era a restrição dos descendentes por via materna, que, mesmo se fossem mais próximos, não tinham vantagem. Por razões óbvias, os nobres que viviam no estrangeiro também não poderiam ser aceitos, mas na prática foi isso o que aconteceu.

D. Henrique, aos 80 anos de idade, foi coroado rei, mas pela velhice e posição religiosa não poderia se casar muito menos ter filhos. Ele poderia ter saído da Igreja Católica, mas o Papa Gregório XIII não deixou. Para piorar, o velho clérigo aceitou a ordem papal e nem tentou se casar. No ano seguinte, cardeal-rei já estava morto.

Com todas as restrições do processo sucessório, D. Filipe II, rei da Espanha, e o Duque de Sabóia eram os candidatos mais prováveis e poderosos. Com a ameaça de dominação espanhola, D. Antônio, mesmo ilegítimo, obteve grande apoio popular e chegou a reinar por 20 dias antes de ser deposto com apoio militar e financiamento filipino.

Mas a nobreza e o clero decidiram os rumos do país e praticamente venderam-no ao monarca espanhol em troca de garantias de manutenção de privilégios econõmicos e sociais – tentaram até convencê-lo a transferir a capital do Império Espanhol para Lisboa, mas isso já era absurdo. Como se vê, a elite portuguesa estava mais interessada em si do que no futuro e agiu de forma corrupta, dando um exemplo à nação lusitana. O pior é que o exemplo foi seguido, nos séculos seguintes, tanto em Portugal quanto no Brasil.

Religioso como era, Portugal viu nascer um fenômeno messiânico e milenarista: o Sebastianismo. Era popular a crença de que D. Sebastião não morrera e cedo ou tarde voltaria, libertaria Portugal dos espanhóis e construiria o Quinto Império. Os quatro primeiros teriam sido os velhos e já inexistentes Impérios Assírio, Persa, Grego e Romano. Segundo a crença, Portugal superaria a Roma Antiga.

O Sebastianismo se espalhou por todo o Império e alcançou os sertões do Brasil, onde subsistiu por um bom tempo. Eis aí as raízes da nossa velha crença de que, um dia, seremos o “País do Futuro”. É uma nefasta herança cultural legada pelos portugueses.

A QUINTA POTÊNCIA.

Em meio às revoluções científicas, religiosas e ao Renascimento cultural, Lisboa busca manter tudo com um clima nostálgico e conservador. Portugal declina cada vez mais apesar das imensas riquezas provenientes da América Portuguesa.

Séculos se passam. O Brasil se liberta de Portugal, mas não deixa de ser pobre, atrasado e conservador. Esse país pobre, atrasado e conservador continua a sonhar com o Quinto Império. Agora, não seria o Império Português, seria o Império Brasileiro. Afinal, nós temos muitas riquezas, apesar de toda a exploração colonial. Nós somos o celeiro do mundo. E nós mantivemos o cosmopolitismo que Portugal abandonou – somos índios, somos negros, somos europeus e ainda seríamos até asiáticos e, de novo, árabes e judeus.

Sim, mas também mantivemos um príncipe que Portugal abandonou e que nos abandonou por Portugal. Mantivemos a escravidão que Portugal deixou para trás. E junto com a escravidão, ficamos com os preconceitos contra os negros e contra o trabalho. Conservadores que somos, jamais nos rebelamos. A Independência foi feita num grito “mágico”, a escravidão foi abolida com uma canetada e a República veio de cima para baixo, sem que ninguém notasse a diferença. Enquanto contratávamos europeus empobrecidos e esfomeados, que nos pareciam melhores, abandonávamos ex-escravos ainda mais empobrecidos e esfomeados.

Mas não deixamos jamais de sonhar com a “esperança de um novo porvir” e a ter “visões de triunfos [que] embale/Quem por ele lutando surgir”. Reinventamos o Sebastianismo em Canudos. Avançamos sobre o Acre e finalmente tomamos posse das riquezas amazônicas. O Eldorado foi encontrado no meio da floresta e se chama látex. Mas o Eldorado Branco é destruído pela concorrência externa e pelas inovações científicas e tecnológicas.

Mais recentemente, usamos as inovações científicas e tecnológicas para nos virar num momento de crise energética: criamos o carro a álcool. Fomos pioneiros, fomos empreendedores, fomos visionários. Encontramos mais um Eldorado, dessa vez Verde.

Agora, porém, às vésperas do fim de um reinado “popular” e de uma possível “crise sucessória”, encontra-se um novo Eldorado, dessa vez no litoral, abaixo do mar e nas profundezas depois da camada de sal. O Eldorado  é Negro e chama-se pré-sal. E, com ele, seremos a Quinta Potência em uma década. É o Sebastianismo 2.0.

Não dá pra acreditar nisso, ainda mais sabendo que o petróleo está acabando e deixará de ser consumido ao longo deste século. Mesmo que peguemos uma carona na inevitável alta dos preços de um produto insubstituível em fim de estoque, isso não é garantia nenhuma do tão falado desenvolvimento sustentado.

Até agora era o etanol que nos levaria ao topo do mundo e faria de nós uma Arábia Saudita verde. Uma previsão exagerada talvez, mas mais plausível dado o cenário energético mundial. Mas, como somos conservadores, nós queremos ser uma Arábia Saudita petrolífera mesmo. Parece mais fácil. Talvez sejamos tão bem-sucedidos quanto uma velha cruzada no norte da África.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O Paradoxo dos Futuros Indivíduos

Qualquer mudança em larga escala no comportamento humano vai, literalmente, mudar a raça humana: as mudanças são  tão profundas e abrangentes que alteram também as condições sob as quais os indivíduos são concebidos e criados. É aquilo que já se conhece popularmente como “Efeito Borboleta”.

Assim, por exemplo, nossos netos num cenário otimista serão pessoas diferentes do que seriam sob outras circunstâncias mais difíceis. Isso tudo, além de parecer um tanto óbvio, é particularmente verdadeiro quando se fala em assuntos que exigem grandes e rápidas mudanças no comportamento social  e econômico dos homens, tais como meio ambiente, aquecimento global, renovação energética, etc..

Portanto, não deveríamos nos culpar por nossa – com todo o respeito devido aos suínos – porca administração dos recursos naturais. Afinal, nossos descendentes que serão beneficiados por nossas reformas serão pessoas completamente diferentes daquelas que sofrerão com nossas negligências – e nós só deixaríamos uma dívida para os últimos.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Nem tão solitário planeta

Atendendo a pedidos do ilustre Kentaro Mori, autor dos blogs 100 nexos, Ceticismo Aberto e  da coluna Dúvida Razoável, traduzi integralmente o ensaio "Not-So-Lonely Planet", publicado pelo Oliver Morton, editor-chefe da revista Nature na edição de 24 de dezembro último do New York Times. O ensaio baseia-se na famosa foto do "nascer da Terra" sobre a Lua, feita em 1968 pelo astronauta Bill Ander, durante a missão Apollo 8. Eis a minha versão para o português:  


 "O Nascer da Terra"



Nem tão solitário planeta

Oliver Morton


Eles foram à Lua e, durante as primeiras três órbitas em torno dela, foi para a Lua que a sua atenção esteve voltada. Somente na quarta volta eles levantaram seus olhos para ver seu lar planetário, levantando-se silenciosamente sobre as planícies desérticas da Lua, em maravilhosos tons de azul e branco. Quando, mais tarde, na véspera do Natal de 1968 eles leram as primeiras linhas do Gênesis ao vivo na televisão, eles deram sentido aos céus e à Terra, à forma e ao vazio, com aquela maravilha que eles tinham visto nascer sobre o céu negro da Lua.
A fotografia do “Nascer da Terra” feita pelo astronauta Bill Anders é parte do legado duradouro do Programa Apolo – que eclipsa, em muitas memórias, quaisquer novas descobertas sobre a Lua ou um sentido renovado de orgulho nacionalista. Esta e outras fotografias que retratam a Terra trouxeram uma nova perspectiva a tudo aquilo que os humanos compartilham. Como Robert Poole apontou em “Earthrise: How Man First Saw the Earth” (“Nascer da Terra: Como a humanidade viu a Terra pela primeira vez”), essa perspectiva tem profundos efeitos culturais, notáveis na ressonância emocional adquirida através do nascente movimento ambientalista. Vista da Lua, a Terra parecia tão minúscula, tão isolada, terrivelmente frágil.
A imagem não perde beleza nem poder se nos lembrarmos, porém, que era o fotógrafo, muito mais que o planeta, quem estava isolado e que a fragilidade é uma ilusão. O planeta Terra é excepcionalmente robusto e sua força provém de suas antigas e íntimas conexões com o Cosmos ao fundo. Ver a foto dessa maneira não destrói a sua relevância ambiental – antes reforça-a.
É inegável que a Terra seja pequena. Se o sistema solar interno fosse do tamanho dos Estados Unidos, a Terra teria o tamanho de um campo de futebol; se a distância até o centro da galáxia fosse de uma milha, a Terra seria menor que um átomo. Mas se a foto do Nascer da Terra tivesse capturado a Terra na dimensão do tempo em vez do espaço, as coisas seriam diferentes. Em sua duração, ao contrário de seu diâmetro, a Terra precisa ser medida em uma escala cósmica. Em mais de quatro bilhões de anos, ela se estende por um terço da história do universo, ocupa um terço do caminho de volta ao próprio Big Bang. Muitas das estrelas que você pode ver numa noite clara de inverno são mais jovens que o planeta debaixo dos seus pés.
Mera persistência não é, por si só, um grande feito. As rochas estéreis da Lua têm persistido por quase tanto tempo quanto as da Terra. Mas a Terra não tem sido apenas duradoura; tem sido viva. Por quase 90 por cento de sua história, o planeta tem sido habitado e moldado pela vida. Os mecanismos biológicos que operaram na aurora da vida animam as criaturas da Terra até hoje, formando uma corrente contínua durante pelo menos 3,8 bilhões de anos.


Esta vida infalível e ininterrupta demonstra que o planeta está muito longe da fragilidade. A Terra viva é imbatível em escalas difíceis de acreditar. A vida assistiu aos continentes que se chocaram e se despedaçaram, céus brilhando feito carvão em brasa, mares tropicais congelados e imobilizados: ela sobreviveu. Atingida pela radiação de uma supernova próxima, por asteróides, ela pode ter balançado, mas nunca caiu.  Nossa civilização pode estar – ou está – fora de equilíbrio com seu ambiente, os modos de vida humanos atuais podem ser assustadoramente precários. Mas aplicar a fragilidade de nosso modo de vida à própria vida é tolice.
Humanos podem extinguir espécies e diminuir ecossistemas. Tal vandalismo traz riscos reais aos seus perpetradores, uma vez que a civilização humana depende dos serviços prestados por alguns desses ecossistemas. Mas quando se leva em conta a escala planetária da vida, nossa situação é trivial. Humanos não trazem nenhum risco existencial à vida na Terra e nada a ameaçará por centenas de milhões de anos. Rica, variada, sempre mudando – a Terra é tudo isso. Frágil é que não é.
Por que tão robusta? A razão está no segundo grande erro conceitual: que a Terra é isolada. Isso apenas é verdade se o seu sentido de contato depende de matéria física passando de um lugar para outro. A poeira e as rochas que caem do céu vindas do espaço são como pedrinhas lançadas num oceano, ainda que algumas rochas maiores causem um pequeno desconforto ao matar dinossauros. Os traços de gás varridos da alta atmosfera são verdadeiramente desprezíveis. A matéria é depositada a conta-gotas e é levada por um suspiro. Mas a matéria não é tudo.
Uma enxurrada de pura energia luminosa sai do Sol em todas as direções. Oito minutos depois, numa viagem à velocidade da luz, parte desse extraordinário fluxo de energia cai sobre a Terra, inundando-a com uma torrente de 170 mil trilhões de watts. Parte disso é refletida de volta ao espaço; o “Nascer da Terra” do Major Anders capturou aquela luz refletida pelo branco das nuvens e do gelo polar. A maior parte, porém, é absorvida; esta é a energia que move os ventos, faz as ondas e as correntes marinhas fluírem, esquenta as rochas e aquece o céu. O fluxo de energia solar flui para o sistema terrestre e reflui para fora, para o espaço frio e escuro como uma onda de radiação infravermelha.
Uma minúscula fração dessa energia é captada, não pelas rochas, pelos ventos ou pelas águas, mas pela vida. Aquela fração de um por cento da energia capturada pelas plantas e por outros organismos fotossintéticos é distribuída através das cadeias alimentares do mundo. É esta luz solar, infinitamente fresca, que faz a grama crescer, o pássaro cantar – e você, viver. A energia do Sol flui, através do seu cereal matinal no seu café da manhã, para as suas veias e para seu cérebro. Ela te anima como tem animado quase toda a vida da Terra durante bilhões de anos. 
A ciência da termodinâmica nos diz que um sistema fechado tende ao equilíbrio, à indiferença, ao aumento da entropia. Se a Terra fosse um sistema isolado como parece, a tendência inevitável seria a perda, o fim da vida. Mas a Terra é tão aberta quanto o céu. Energia de toda a parte passa por ela, criando infindáveis chances para a complexidade e a improbabilidade, levando a entropia do mundo de volta ao espaço. O fluxo de energia que une quase todos os seres vivos do planeta é o mesmo que liga nosso ambiente ao universo lá fora.
Para que esse fluxo funcione de forma adequada, a energia deve sair da mesma forma que entra. Se o Major Anders estivesse equipado com uma câmera de infravermelho, a energia que sai teria nos mostrado um brilho aquecido no lado noturno do planeta. Quarenta anos depois, aquele brilho pareceria um pouco enfraquecido por que menos energia está saindo daqui. Ao cobrirmos os céus com dióxido de carbono, nós estamos bloqueando esse fluxo energético, aumentando o calor aqui na superfície da Terra. Este aquecimento global por efeito estufa é “café pequeno” em qualquer sentido cósmico. Ele não traz nenhuma ameaça à continuidade da vida na Terra, mas é uma ameaça a dezenas de milhões de pessoas e continuará a ser por gerações.
Felizmente, ver o problema do aquecimento global em termos de fluxo de energia é enxergar sua solução. Ao colocar um pouco da energia cósmica em uso – ao desenvolvermos a energia eólica em verdadeiras fazendas energéticas, a hidroeletricidade, e, a mais promissora de todas, a energia solar – nós poderíamos acabar com a necessidade daquele gás carbônico que está sobrando nos céus. Outros fluxos de energia poderiam ajudar também. Fluxos de calor das profundezas da Terra ou da radiação que herdamos com o urânio das estrelas mortas. Mas é a energia solar que, direta ou indiretamente, irá dominar esse panorama, simplesmente por que é abundante. O Sol entrega mais energia à Terra em uma hora do que a humanidade consome em um ano.
Substituir os combustíveis fósseis, despoluir o nosso planeta e ainda evitar a nossa ruína – o pior de dois mundos – é um desafio épico. Mas a mensagem que emoldura todas as mensagens do “Nascer da Terra” é que nós somos capazes de desafios épicos. Veja só onde a foto foi tirada. Mas “Se nós colocamos um homem na Lua então por que não acabar com a pobreza?...” Isso pode nos mostrar as falhas da sociedade em alcançar metas que eram muito mais simples. Mas lembre-se: nós colocamos um homem na Lua e isso não foi pouca coisa. Esforços numa escala similar no sentido de colher esse fluxo de energia que passa por nós seriam inteiramente apropriados e tornariam as coisas mais fáceis.  Nós não poderemos resolver todos os problemas; algumas mudanças climáticas serão inevitáveis. Mas não a catástrofe.
O “Nascer da Terra” nos mostrou onde estamos, o que podemos fazer e o que temos em comum. Mostrou-nos quem somos nós, em conjunto: o povo de um mundo forte, durável, tocado pela luz da criação contínua.
Oliver Morton é autor de “Mapping Mars: Science, Imagination and the Birth of a World”(“Mapeando Marte: Ciência, Imaginação e o Nascimento de um Mundo”) e, mais recentemente, escreveu “Eating the Sun: How Plants Power the Planet” (“Comendo o Sol: Como as Plantas Alimentam o Planeta”); é editor-chefe da revista Nature.


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Veja também:
Pálido ponto azul, em vídeo, pelo grande Carl Sagan
Salvem o planeta, em vídeo, pelo impagável e inesquecível George Carlin
Not-so-lonely planet, versão original no site do New York Times

sábado, 30 de agosto de 2008

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Transposição de Dinheiro Público

Sim, é isso mesmo: o STF aprovou hoje a retomada das obras de transposição do rio São Francisco. Quanta ingenuidade! É de uma igonorância continental achar que dois canais com centenas de quilômetros vão resolver um problema que é puramente climático. E, apesar disso, o STF, o Supremo Tribunal Brasileiro, com os mais altos magistrados da República, acreditou nessa mentira... É, a Justiça é cega, surda, muda e ignorante também.

Ora, o Sertão Nordestino é o berço do latifúndio brasileiro, e esses imensos canais não vão ajudar em nada as (quase inexistentes) pequenas propriedades. É gritantemente óbvio o fato de que só os grandes proprietários terão acesso à água.

Isso, claro, se houver água. Afinal, o calor sertanejo é implacável. Não importa quanta água seja bombeada, uma grande parte vai se evaporar rapidamente. E, além disso, o desvio tanta água assim vai, inegavelmente, afetar a qualidade de vida daqueles que moram após as estações de bombeamento. O impacto ambiental, então, seria incalculável.

E pode ser que a água nem chegue mesmo. Quem garante que essa obra não vai ser mais uma superfaturada daquelas, para fazer a festa das grandes empreiteiras? Quem garante que não teremos canais totalmente fora das especificações, para "reduções de custo"? Se a empreiteira reduzir o custo, ela devolve dinheiro para o governo? Aliás, o governo pagaria antes ou depois?

Sim, é preciso fazer todas essas perguntas. Mas o governo não está disposto a discutir. Quer que as obras comecem rápido. Por quê? Por que como sempre, essa é mais uma obra eleitoreira. Vão ser "torrados" 9 bilhões de reais... Bilhões vindos de impostos que sufocam o trabalhador (eu, você, cada um dos 180 milhões de brasileiros) durante meses... E tudo para construir uma imagem falsa, para que depois se possa falar "do governo que acabou com a seca".

Além do mais, se a construção de canais fosse realmente a solução para ambientes áridos, por que não há uma "transposição do Rio Nilo" para fertilizar o oeste do Egito? O Iraque tem dois grandes rios - o Tigre e o Eufrates - e mesmo assim é uma grande região árida. Afinal...

"Para dar ordens à natureza é preciso saber obedecer-lhe." (Francis Bacon)

E, assim, o problema não está no solo árido, está no homem que não sabe se adaptar ao ambiente que escolheu.

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