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quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Conforme a música

A música tem sido usada com sucesso para aumentar a produtividade industrial em quase tudo, da montagem de rádios à enrolação de cigarros e fogos de artifício. De fato, estima-se que a produtividade cresce em até 17%. Não há receita exata para qual melodia deve ser usada para acelerar as tarefas, mas geralmente são aquelas com tons definidos, como canções patrióticas, marchas, foxtrotes e polcas, são mais efetivas. [...] Mas talvez a mais imprevisível reação ocorreu quando uma fábrica, em uma febre de eficiência, tocou “Deep in the heart of Texas”, uma canção com um balanço bem próprio. Tudo correu bem na linha de montagem, até a entrada do refrão. O que se seguiu foi um pandemônio. Os trabalhadores estavam tão cheios do espírito da música que, no ponto em que o refrão pede por aplausos, eles automaticamente largaram suas ferramentas para aplaudir. — Women’s Day, novembro de 1963

domingo, 17 de julho de 2011

A última canção

Enquanto está sendo desativado (ou morto) em 2001: Uma Odisseia no Espaço, o computador HAL começa a cantar “Daisy Bell”. É uma cena clássica:


A letra da música é singela:
Daisy, Daisy, give me your answer do,
I’m half crazy, all for the love of you.
It won’t be a stylish marriage–
I can’t afford a carriage–
But you’ll look sweet upon the seat
Of a bicycle built for two.

De certo modo, isso é uma ironia poética. Durante uma visita ao Bell Labs em 1961, o autor de ficção científica Arthur C. Clarke (1917-2008) havia testemunhado uma apresentação do primeiro computador a cantar. O físico John Kelly (1923-1965) havia programado um IBM 704 para cantar através de um sintetizador de voz. O nome da canção era “Daisy Bell”.

domingo, 10 de abril de 2011

Patentes Patéticas (nº. 02)

musiquinha

Muito se fala sobre o controle de natalidade, mas pouco tem sido feito. Talvez tenha sido pensando nisso que Paul Lyons apresentou a camisinha musical em 1991. No texto da patente, Lyons afirma que ela é divertida, incomum e “capaz de produzir um efeito surpreendente”. Quanto à parte musical:
A música ou mensagem de voz pode ser tocada apenas uma vez (por exemplo, a abertura de uma melodia pode ser executada por cerca de 20 segundos) ou pode ser repetida continuamente por vários minutos para coincidir com a duração do coito.
O que tocar em um momento tão íntimo? O próprio inventor recomenda um repertório clássico: Abertura de 1812, “Ode à Alegria” da Nona Sinfonia de Beethoven, “The Aniversary Waltz” e até mesmo “Happy Birthday to You”.

Vinte anos depois, os dispositivos de memória cresceram tanto em armazenamento quanto diminuíram em tamanho. Qual seria o seu repertório?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Hino Multiuso


Os americanos pensam que a tradicional canção My Country, 'Tis of Thee, a.k.a. America, é um hino patriótico (embora não seja o oficial). Ironicamente, diversos países pensam da mesma forma. A mesma melodia serve como hino nacional (e oficial) da Dinamarca, Suécia, Suíça, Noruega, Liechtenstein — e até para a Rússia! Todos esses países "roubaram" a melodia que os britânicos conhecem como God save the Queen. Para piorar, diversas ex-colônias britânicas mantém a melodia como hino real: Belize, Bahamas, Barbados, Canadá (onde também tem versos em francês), Nova Zelândia, Jamaica...

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Os músicos do futuro (1906)

Depois de tentar, com algum sucesso, imaginar o teatro do futuro, T. Baron Russell escreveu — num estilo bastante tortuoso — o seguinte sobre como seria a música de nossa época:
[O] próprio músico profissional, como o ator, vai deixar de ser considerado como um tipo de arlequim superior ou um animal performático, exibindo suas forças para a diversão de um público reunido. O que ele pôde um dia tocar poderá, se ele quiser, ser constantemente repetido. [...] Em vez do intérprete ou cantor ser julgado por seu desempenho em uma ocasião na qual o cansaço, a fadiga, a doença ou condições desfavoráveis atuem contra seu perfeito sucesso; quando as condições esmagadoras de nervos dos palcos podem em qualquer caso ofender suas suscetibilidades e distraí-lo da perfeição de seu empenho, ele [o cantor] será capaz de encontrar sua reputação na melhor performance que ele é capaz de fazer. [O músico] será capaz de tentar e tentar, vez após vez, em seu estúdio privado. Quando ele se satisfizer, ainda sozinho, ele irá publicar se esforço artístico para o mundo. Ele pode destruir tantas gravações insatisfatórias quanto quiser — da mesma forma como o escultor quebra o molde que não o agrada e da mesma forma que o pintor cobre parte de sua pintura — e ser julgado apenas pelo seu melhor.
— T. Baron Russell, A Hundred Years Hence [Daqui a cem anos], 1906
Em resumo, Russell acreditava que as gravações libertariam cantores e intérpretes de maus bocados. Na prática, ele prevê o uso do que se chama hoje de playback [dublagem de gravação].

Por outro lado, ao falar em músicos que trabalham “sozinhos” em estúdios “privado[s]”, o autor adiantou também o surgimento de músicos (e músicas) independentes, que não dependem de um “público reunido”. Em tempos de myspace, tramas e youtube nada poderia ser mais verdadeiro.

Mas, assim como achava que o cinema acabaria com atores medíocres, Russell também pensava que a música gravada jamais seria capaz de resultar em música ruim. Ele acreditava piamente que a evolução técnica nas artes resultaria em artistas irretocáveis, perfeitos, incapazes de ter um dia ruim (ou de, considerando-se bons o bastante, escolherem justamente as suas piores gravações). Ele ignorou, enfim, que a música, como qualquer arte, é feita por seres humanos, seres que podem compor grandes obras num dia e músicas péssimas em outro.

sábado, 22 de maio de 2010

Sulzbach, o artilheiro

Um episódio ocorrido nas trincheiras alemãs em agosto de 1915 foi recordado pelo artilheiro Herbert Sulzbach vinte anos depois em suas memórias, With the German Guns: Four Years on the Western Front 1914-1918 [Com as Armas Alemãs: Quatro Anos no Front Ocidental]:
Numa das noites de verão seguintes, de céu estrelado, um chapa Landwehr [gíria para Guarda Austríaco], decente, subiu de repente e disse ao 2º. Ten[ente]. Reinhardt: “Sir, é só aquele francezinho que está lá, cantando de novo, maravilhosamente.” Nós nos colocamos para fora de nossa esburacada trincheira e, incrivelmente, havia uma maravilhosa voz de tenor cantando noite afora uma ária do Rigoletto. A companhia inteira estava parada na trincheira, ouvindo o “inimigo”. Quando ele acabou, aplaudimos tão alto que o bom francês deve certamente ter ouvido e tenho certeza de que ele deve ter sido tocado da mesma maneira que nós fomos por sua maravilhosa canção.
Não se sabe quem era o francês que cantava o Rigoletto em plena trincheira nem qual fim ele teve.

Herbert Sulzbach nasceu em Frankfurt, na Alemanha, em 1894. Serviu no exército alemão durante toda a Primeira Guerra Mundial. Incrivelmente, nunca se feriu e foi condecorado com duas "Cruz de Ferro". Apesar de sua bravura e do sucesso de seu livro de memórias, foi obrigado a fugir da Alemanha em 1937, após ter sua cidadania cassada por ser judeu. 

Herbert passou a viver na Inglaterra. Após escapar ileso aos bombardeios de Londres, alistou-se no Exército Britânico e foi responsável por reeducar prisioneiros de guerra alemães. Foi trambém condecorado com medalhas pelos ingleses. Após a Guerra, Sulzbach naturalizou-se inglês em 1947. Em 1952, sua cidadania original foi restituída e ele voltou a ser cidadão alemão, mas continuou a viver em Londres, onde trabalhou como intérprete na Embaixada Alemã. Herbert Sulzabach morreu aos 91 anos de idade em 1985.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Fora do Tom

Trechos de resenhas da obra de Beethoven feitas pela revista oitocentista inglesa Harmonicon:

Junho de 1823:
"As opiniões obre a sinfonia Pastoral de Beethoven estão muito divididas, mas poucos negam que ela é longa demais"
Abril de 1825:
"Nós sabemos agora que [a duração da Nona Sinfonia] é de precisamente uma hora e cinco minutos, um período assustador, que põe os músculos e pulmões dos músicos e a paciência do público sob severa prova."
Julho de 1825:
"[A Sétima Sinfonia] é uma composição na qual o autor dá-se ao luxo de uma considerável excentricidade desagradável. Sempre que nós ouvimos sua execução, não podemos descobrir qualquer propósito nela, nem se pode traçar qualquer conexão entre suas partes. Parece, enfim, ter sido feita como um tipo de enigma — nós diríamos que é quase uma farsa."
Junho de 1827:
"[A Oitava Sinfonia] depende completamente do seu último movimento para conseguir arrancar aplausos; o resto é excêntrico sem ser divertido e trabalhoso sem ter efeitos."
É, parece que Beethoven foi mais um gênio incompreendido.

sábado, 26 de setembro de 2009

Pagode tipo Exportação

Eis mais uma amostra de nossa mentalidade agrário-exportadora. Pagode Made in Brazil (onde mais?). Para quem suportar, the english version of “Eu me apaixonei pela pessoa errada”:

Nem mudando de língua essa porra de música melhora. E ainda é uma língua com uma musicalidade totalmente diferente. Conclusão: o pagode não se salva de jeito nenhum! FAIL! FAIL! FAIL!

E agora os gringos vão ter que aturá-lo também… Poor guys!


PS: Se alguém foi capaz de gostar disso, pode ver mais versões no pagodeversions. Mas eu não me responsabilizo.

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