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segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Língua presa

O antropólogo Daniel Suslak, da Indiana University, está compilando um dicionário de Ayapaneco, uma das 68 línguas indígenas do México. Isso não seria incomum, não fossem dois grandes problemas que Suslak encontrou em seu trabalho: 1) há apenas duas pessoas ainda falam Ayapaneco e 2) essas pessoas não se falam entre si.

Os últimos ayapanecófonos são Manuel Segovia, de 75 anos e Isidro Velazquez, 69. Os dois vivem no Estado de Tabasco — e a apenas 500 metros de distância. Infelizmente, como contou Suslak ao Guardian em abril, “eles não têm muito em comum.” Segovia é “um pouco espinhoso” enquanto Velazquez é “mais estóico” e raramente sai de casa.

Sem a cooperação dos dois velhinhos ranzinzas, a língua Ayapaneco (que era chamada por seus falantes de Nuumte Oote, “voz de verdade”) pode morrer com eles. “Quando eu era um garoto”, reconhece Segovia, “todo mundo a falava. Pouco a pouco ela foi desaparecendo e agora eu suponho que pode morrer junto comigo.” Velazquez, seis anos mais jovem, talvez discorde.

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Em uma palavra [68]

deltiologia
s.f. ramo da filatelia dedicado ao estudo e à coleção de cartões-postais.  “A popularização do correio eletrônico e das fotomensagens levou a deltiologia à beira da extinção.” Deltiologista (ou Deltiólogo), adj. é o colecionador de cartões-postais. “Ao se aposentar, ele pretendia realizar dois velhos sonhos: ser um turista profissional e um deltiologista dedicado.” [derivado do grego δελτίον, deltion, diminutivo de δέλτος, déltos, carta].

Os filatelistas mais tradicionalistas usam o termo cartofilia (e cartófilo). Telecartofilia é o hábito de colecionar cartões telefônicos; telecartófilo é o colecionador.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

O Admirável Carteiro das Neves

John Albert Thompson levava uma vida tranquila cuidando de um rancho no Vale do Sacramento. Foi assim até 1856, quando ele soube que perto dali, os colonos de Placerville estavam tendo grande dificuldade para enviar e receber cartas para Nevada durante os meses de inverno. Se durante o resto do ano a viagem já era difícil pelo relevo acidentado, no inverno a Sierra Nevada ficava tão coberta de neve que parecia impossível manter o contato postal.

Mas não para Albert Thompson. Antes de emigrar para os Estados Unidos, ele aprendeu a particar esqui cross-coutry em sua Noruega natal. Quando soube do problema, disse que poderia fazer a jornada e atuar como carteiro durante o inverno. Carregando um malote postal de 40 kg nas costas e equilibrando-se com um grande bastão, Thompson normalmente fazia a viagem de 180 km em apenas três dias na ida e voltava em dois — no caminho ele comia apenas biscoitos, carne seca e bebia neve derretida. Ele se mostrou tão hábil que continuou no serviço durante vinte anos e se tornou conhecido como “Snowshoe Thompson” [algo como “Thompson Pé-de-Neve”]


“Se eu estou com meu mackinaw,” — disse Pé-de-Neve — “eu nunca congelo. O exercício me mantém aquecido. Na verdade, meu problema durante as nevascas, não é evitar o frio mas é que eu suo muito facilmente. Eu nunca passei frio nas montanhas”. O senso de orientação de Thompsom era infalível e ele salvou a vida de algumas pessoas que se perderam nas áreas montanhosas por onde ele passava. 

John Albert Thompson morreu em 1876, após prestar um serviço duro e arriscado por duas décadas — e pelo qual nunca recebeu.

domingo, 29 de maio de 2011

Correio Aéreo Subterrâneo


Quando um jovem de Manhattan escreve uma carta para sua garota, que mora no Brooklyn, ele manda a carta para ela através de um tubo pneumático — pffft. — E.B. White, Here Is New York [Nova York é Aqui], 1949

O sistema de tubos pneumáticos já foi uma parte essencial da vida de Nova York. Cilindros contendo cartas, pacotes — e, em pelo menos uma oportunidade, um gatinho vivo — eram transportados através de tubos de ar comprimido, a uma velocidade de até 35 milhas [56km] por hora. Esses tubos cruzavam toda a cidade, do Harlem ao Lower East Side; da Canal Street ao Planetarium e até mesmo de Manhattan para o Brooklyn.

quinta-feira, 5 de maio de 2011

“Leve-me ao seu líder”


Quando John Glenn, um dos primeiros astronautas norte-americanos, entrou em órbita a bordo da Friendship 7 em 1962, ninguém na NASA sabia ao certo se ele voltaria. Se ele retornasse, também não sabiam com certeza onde seria o pouso. Os lugares mais prováveis ficavam entre a Austrália e a Nova Guiné — mas a margem de erro era tão larga, que ele poderia cair até mesmo no Oceano Atlântico! Por causa disso, o resgate só chegaria 72 horas após o pouso.

Glenn não temia a missão no espaço. Ele tinha medo de passar até três dias entre aborígenes que jamais haviam visto um avião e, de repente, veriam “um homem de prata emergir de uma cápsula com um grande pára-quedas.” Precavido, o homem-de-prata-que-veio-do-céu levou consigo um pequeno discurso transcrito foneticamente em diversas línguas.

A mensagem era simples e direta: “Eu sou um estrangeiro. Eu venho em paz. Leve-me ao seu líder e haverá uma imensa recompensa para você na eternidade.” 

Felizmente, para Glenn, ele não precisou “fazer contato imediato” com nenhuma tribo primitiva. O pioneiro americano caiu no Oceano Atlântico e foi resgatado rapidamente. Embora não tenham sido usadas suas palavras tornaram-se icônicas.

sábado, 23 de abril de 2011

Pegue o pombo! Pegue o Pombo!



Em 17 de agosto de 1921, um pombo-correio pousou aos pés de um policial no Columbus Circle em Nova York. Presa à sua pata, vinha a seguinte mensagem:

Notificar Dan Singer, no Belleclaire Hotel. Estou perdido nas Montanhas Hoodoo, Parque de Yellowstone. Mande socorro, provisões e mulas para transporte. HELLER. 8-13-21.

Ao chegar ao Belleclaire Hotel, o policial não tardou a encontrar Daniel J. Singer, um corretor de seguros. Singer reconheceu o pombo e identificou o tal HELLER como Edmund H. Heller, um naturalista veterano que, junto com Theodore Rooselvelt, o havia acompanhado em uma viagem à África em 1909. Heller havia viajado recentemente para Yellowstone a fim de reunir material para uma série de palestras que apresentaria.

A história parecia tão dramática quanto piscosa (de pescador). Se o pássaro partiu do Wyoming no dia 13, então ele voou 3.000 quilômetros em cinco dias, o que seria extraordinário. Quando os repórteres souberam do caso e contataram o superintendente do Parque de Yellowstone, ele declarou: “Edmund Heller está aqui. Mas não há qualquer fundamento na afirmação de que ele está ou estaria perdido.”

Aparentemente, alguém falsificou a assinatura de Heller na nota, montando uma farsa para atrair publicidade para as palestras do naturalista. Uma investigação foi aberta por um mal-humorado delegado do distrito, que não viu graça nenhuma no caso. Ninguém foi preso, porém. O New York Times também fez suas investigações, mas divulgou que “No Belleclaire fomos informados de que Singer estava fora da cidade, mas havia negado qualquer responsabilidade e insistia que alguma pessoa do hotel perpetrou o golpe.”

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Humilde Requisição de Dispensa Temporária

Se você acha difícil pedir uma folga ao chefe, lembre-se de que você poderia ter sido um indiano empregado de um inglês há pouco mais de um século. Aí sim seria difícil:

Ao Mais Excelso Sir,

É com a mais habitual expressão devota de meu sensível respeito que eu dirijo-me à clemência de Vossa Senhoria. Imbuído da mais profunda auto-depreciação e ainda esquecido de minha própria segurança presumo que estaria pedindo imperdoáveis doações se eu afirmasse que desejo um breve retiro de minhas obrigações. Trata-se apenas de uma noite de folga, pois estou sofrendo de três freimões. Com o honorável prazer de servir à sua elevada veneração, subscrevo-me,

— Jonabol Panjamjaub
(Citado por William Shepard Walsh em Handy-Book of Literary Curiosities [Manual de Curiosidades Literárias], 1892) 

Walsh ainda acrescenta o seguinte comentário: “Em adição ao regalamento auditivo provocado pelo estilo charmoso de sua comunicação, a visão é gratificada por uma tosca porém intensa ilustração dos três freimões [furúnculos].”

O que não deixa de ser uma ofensa sutil ao Sir. É como se depois de tudo aquilo o pobre indiano dissesse: “se não entendeu, eu desenho.”

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Isso vive acontecendo comigo

o-quê
Na faculdade dizem que o nome disso é ruído. Eu acho que é inteligência humana em ação mesmo.

Eu já disse que sou um mutante? Sim, graças a um sistema imunológico rebelde eu já perdi o ouvido direito. =/

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