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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Radical Chic

Se você se acha o fodão só porque sabe fazer alguns truques com a sua bicicleta, lembre-se que esse esporte radical foi inventado no tempo do seu bisavô (ou tri, dependendo da tua idade). Se você não acredita, o tio Edison registrou alguns dos primeiros truques ciclísticos com seu kinetoscópio na virada do século XIX para XX — uma época em que tanto cinema quanto bicicletas eram o máximo da tecnologia em termos de entretenimento. 

Os truques em si são um tanto toscos, mas é bom lembrar que aqueles ciclistas foram os pioneiros na arte de manobrar as magrelas. Ninguém sabia ainda muito bem o que fazer ou como fazer — afinal não havia nem rampas nem algo que se assemelhasse ao YouTube, onde é possível aprender alguns truques com gente que se dispõe a ensiná-los.

Destaque para o cavalheiro mané que tenta passar por um looping nos 30 segundos finais. O resultado é cômico e parece coisa de comédia pastelão, mas deve ter sido um tanto sério. É uma pena que, apesar do zumbido típico de um velho projetor, não haja nenhuma trilha sonora engraçadinha.




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[vi no bookofjoe, que viu no excelente Open Culture]

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Vai, Jorginho!


sábado, 6 de agosto de 2011

Patentes Patéticas (nº. 19)

Em 1925, William Huffman patenteou um “balão para saltos” que poderia elevar seu usuário por alguns poucos metros. Na patente, Huffman profetizou o surgimento de um admirável mundo novo com sua invenção:

O balão é particularmente útil para pular sobre obstáculos naturais ou artificiais, como edifícios, árvores, rios, precipícios, e coisas assim; é um conveniente meio de obter rapidamente uma altitude considerável para fotografias e observações; é um meio conveniente e seguro para treinar aterissagens de pára-quedas e dar lições preliminares para estudantes de balonismo; é um modo conveniente de subir ágil e facilmente ao topo de árvores ou casas para inspecioná-los.

Usos não faltavam, mas o balão de Huffman acabou sendo usado em algo que seu inventor não havia planejado. Sem querer forçar o trocadilho, mas já forçando, essa patente patética literalmente decolou: houve uma verdadeira modinha de saltos com balões nos Estados Unidos do fim dos anos 1920. Até a revista Time dava instruções sobre o novo esporte aéreo: “Ande sobre o solo com o vento a seu favor, aproxime-se de uma cerca, dobre seus joelhos e pule levemente para o alto quando sentir o empuxo do balão. Você velejará sobre a cerca tão facilmente e aterrissará tão gentilmente que irá ficar surpreso.”

Alguns fãs parecem ter mesmo ficado com a cabeça nas nuvens. “Todas as casas legislativas” — alertava Frederick S. Hoppin, um entusiasta do invento de Huffman — “ficarão bastante ocupadas tentando aprovar leis proibindo as pessoas de deixar a terra tão facilmente ou regras para o lado certo de subir ou descer nas calçadas. E depois teremos toda uma nova etiqueta: você deveria ultrapassar uma dama por baixo ou pelo lado?”

sexta-feira, 8 de julho de 2011

[Enigma] Yacht Point

Henrietta tem 17 anos e quer um iate, mas seus pais acham que ela é muito jovem. Como todas as pessoas rycas e phinas, sua família resolve suas desavenças jogando uma competição de tênis.

O desafio é simples: Henrietta deve jogar uma melhor-de-três com seus pais. Se ela ganhar dois jogos, poderá ter o seu iate. Só que a mãe dela joga melhor que o pai. E muito melhor que Henrietta também.

Assim, como ela deveria jogar? Ela deve escolher a série mãe-pai-mãe ou pai-mãe-pai?

sábado, 30 de abril de 2011

Patentes Patéticas (nº 05)


Aloha! Quer surfar em terra firme, mas acha skate too mainstream? O “aparato gerador de ondas” patenteado por Rick Hilgert em 1995 é a solução dos seus problemas, brother

Uma centrífuga horizontal gigante — oito metros de diâmetro — cria “uma simulação contínua de onda do tipo oceânico que permitirá a prática de body-surfing, boogie-boarding e/ou surfboarding.” É issaí: tu literalmente entra num tubo perfeito a qualquer hora do dia e sem sair do quarto! (tubarões não inclusos)

Depois que tu enjoar do teu secret point — como aconteceu com aquela bicicleta ergonômica aí do lado —, sua mãe ainda pode usar o mesmo equipamento para ganhar uma grana lavando a roupa da vizinhança inteira... Não é um barato?

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Em uma palavra [36]

Opíteto
subs. masc. epíteto ofensivo ou depreciativo que acaba sendo adotado por um grupo. Por exemplo, no Brasil, pode-se citar a adoção de “Porco” pelos palmeirenses [formado por fusão de oposto com epíteto]

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Problema de base

Em 1996, o matemático do Merrimack College, Machael J. Bradley, estava treinando o time de baseball do seu caçula quando reparou em algo estranho no livro de regras:
A base principal (home base) deverá ser marcada por uma laje de borracha branca de cinco lados. Ela deverá ser um quadrado de 12 polegadas com dois cantos preenchidos, de modo que um dos lados tenha 17 polegadas de comprimento, dois tenham 8 1/2 polegadas e dois de 12 polegadas.
Como a bagunça do sistema de medidas imperial (que ironicamente continua a ser usado na maior “democracia” do mundo) não é o bastante, a linguagem do manual ainda é confusa. Felizmente, não era preciso pedir para desenhar, pois havia uma ilustração:
base

Mesmo assim, Bradley notou, a figura é impossível: “A figura implica a existência de um triângulo retângulo isósceles com lados 12, 12 e 17. Mas (12, 12, 17) não é (bem) uma tríade pitagórica: 122 + 122 = 288; 172 = 289.”

Isso talvez explique a aparente falta de lógica do baseball. É um problema de base.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A mulher que quebrou o gelo entre EUA e URSS

diomedes

Situadas no estreito de Bering, as Ilhas Diomedes são mundos distantes — ainda que estejam a apenas 4 quilômetros uma da outra. A Pequena Diomede pertence aos Estados Unidos e a Grande Diomede é parte da Rússia. Além disso, a Linha Internacional da Data passa entre as ilhas.

Até bem pouco tempo atrás, aliás, as Diomedes realmente estavam em mundos distintos e não apenas distantes: a americana estava no Primeiro Mundo, a russa, então soviética, estava no Segundo. Os habitantes de uma ilha eram até proibidos de olhar para a outra, mesmo que tivessem parentes lá.
lynnecox 
Em 1987, no fim daquela era de polarização geopolítica, a nadadora norte-americana Lynne Cox marcou um recorde de resistência bastante peculiar. Embora as águas — que ali não passam de 4ºC — fossem frias o bastante para matar qualquer um em meia hora, ela partiu da Ilha de "Ontem" às 13h de uma sexta e... chegou sã e salva na Ilha do "Amanhã" no Sábado. Reagan e Gorbachev elogiaram o sucesso de Cox.

Em tempo: anos mais tarde, ela foi a primeira pessoa a nadar mais de uma milha (1,6km) nas águas da Antártica (o continente, não a cerveja). Cox conseguiu resistir por 25 minutos nadando num ambiente onde se morre após 5 minutos na água. Ela superou a meta em cem metros.

domingo, 27 de junho de 2010

Nos mííííínimos detalhes…

Outro dia, na capa do MSN Hoje, uma chamada muito detalhada sobre a Copa do Mundo:

detalhes nos mínimos detalhes
O MSN Notícias contratou um jornalista com larga experiência na Praça é Nossa.

Uma chamada com tantos detalhes só pode ser Jornalismo em HD – High Detalhation.

domingo, 13 de junho de 2010

Cala a boca, Galvão!

by Mola

Os jogos do Brasil na Copa do Mundo ainda nem começaram, mas ele já está enchendo o saco. E o pessoal do twitter já está xingando. Muito. #CALA A BOCA GALVAO é o tópico mais comentado do momento no microblog. Felizmente, ninguém sabe quem (ou o quê) é Galvão lá fora. Então surgiram as mais incríveis explicaçãos pra inglês ver.

Aproveitando-se da ingenuidade (e ignorância) dos gringos, Cala-a-boca-galvão é, ao mesmo tempo, o próximo single da Lady Gaga — deixando os fãs perdidos — e campanha ecológica para salvar um raríssimo pássaro amazônico, o Silentium Galvanus. Veja:

sábado, 10 de abril de 2010

O português voador

Pouca gente sabe no Brasil, mas Portugal estreou nas Olimpíadas antes de nós. Os lusos debutaram nos Jogos Olímpicos de Estocolmo em 1912, com uma grande “equipa” de seis atletas: os lutadores Joaquim Vidal e António Pereira; os atletas António Stromp, Armando Cortesão e Francisco Lázaro e o esgrimista Fernando Correia, que também era o chefe da delegação.

Destes, a estrela era o maratonista Francisco Lázaro. Lázaro era a grande esperança de medalha dos portugueses; na Maratona Portuguesa daquele ano, ele fez um tempo menor que o do vencedor da maratona olímpica de Londres-1908. Mas Lázaro, como muitos atletas olímpicos de seu tempo, não era um profissional. Ele era um simples carpinteiro e a corrida de longa distância era para ele uma atividade secundária. Ele sequer tinha um técnico e treinava sozinho: todo dia, após trabalhar na carpintaria, corria de Benfica até São Sebastião da Pedreira e voltava — um total de cerca de 10km. Nas Olimpíadas de Estocolmo, Lázaro foi o porta-bandeira da delegação portuguesa.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tacada Certeira

Em 1892, J. McCullough escreveu um pequeno livro chamado Golf in the Year 2000 [Golfe no Ano 2000]. No livro — que tem um quê de ficção científica da Era Vitoriana — um homem adormece profundamente e acorda num futuro tecnologicamente avançado. A obra de McCullough foi largamente ignorada em sua época e só foi redescoberta às vésperas da virada do Milênio, quando aquele mundo do futuro havia chegado.

Em relação ao próprio golfe, McCollough errou bem feio — ele pensava que teríamos clubes de golfe com placares automáticos, carrinhos sem motorista e jaquetas que gritam "Fore!". Mas o mundo extra-golfe teve uma previsão surpreendentemente precisa:

  • Liberação feminina;
  • Conversão do sistema monetário britânico para a base decimal;
  • Relógios digitais;
  • Trens-bala;
  • Televisão.

Essas previsões não foram feitas literalmente; não havia palavra para “televisão” ou “relógios digitais” numa época em que nem o rádio existia. E a liberação feminina, longe de ser sinal de tendências liberais, é motivada por machismo: só é permitida para que as mulheres trabalhem enquanto os homens jogam (cada vez mais) golfe.

Mais irônico ainda é que ele só tenha “acertado” previsões secundárias. Isso nos faz pensar: Quantos livros ignorados pela crítica e pelo público e despretensiosos em relação ao futuro não estarão certos?

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Sacanagem

Sempre tem alguém pra te atrapalhar:
sacanagem

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Um recorde imbatível

Shizo Kanakuri (à esq.) sumiu enquanto corria a maratona nas Olimpíadas de 1912, em Estocolmo, na Suécia. Ele foi considerado como pessoa desaparecida na Suécia durante 50 anos. Até que um dia, um jornalista descobriu seu paradeiro: ele vivia tranquilamente no sul do Japão.

Derrotado pelo calor durante a corrida, ele parou num jardim, tomou um suco de laranja e descansou por uma hora. Depois, Kanakuri tomou um trem até o hotel, arrumou as malas e, na manhã seguinte embarcou de volta pra casa. Ele estava envergonhado demais — ou talvez fosse orgulhoso demais — para dizer que tinha desistido.

Mas há um final feliz: Em 1966, Kanakuri-san aceitou um convite de uma TV sueca para voltar a Estocolmo e terminar sua maratona. Ele alcançou a linha de chegada depois de 54 anos, 8 meses, 6 dias, 8 horas, 32 minutos e 20.3 segundos. Um recorde que certamente não será quebrado.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Jogar no sábado e acertar na sexta

A escola pública da cidadezinha de College Corner, Indiana, fica bem na divisa com o Estado de Ohio — tão na divisa, que a fronteira linear típica dos Estados norte-americanos atravessa o ginásio local. Assim, quando a bola de basquete é lançada para o alto no começo do jogo, os jogadores de cada time pulam em Estados diferentes: um em Ohio e outro em Indiana.

E tem mais: até 2006, quando Indiana adotou o horário de verão, era possível jogar uma bola do lado de Ohio e fazer uma cesta uma hora mais cedo em Indiana.

Pra quem duvida, tá no Google:

Exibir mapa ampliado

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Nelsinho continua a correr



O Piquet-pai já se adiantou a dizer que o seu filho não é nenhum Dick Vigarista e que foi tudo culpa do Mutley, quer dizer, do Flávio Briatore. O Piquet-pai também disse que jamais agiria daquela forma, mas ele tem sim, sua parcela de culpa por ter criado o Piquetzinho sempre protegido debaixo de suas asas.  Ele sempre montou equipes próprias nas categorias de base. Assim, ele sempre soube obedecer seu patrão, que sempre foi seu papai. Mas como não dava pra fazer isso na F-1, deu no que deu. O moleque não teve coragem de enfrentar o chefe-de-equipe nem seu companheiro bicampeão, o Alonso, outro carinha mimado.  Mas teve a coragem — ou, melhor, a covardia — de fazer aquela vigarice sem tamanho.

Nelsinho, esquece teu pai e vai tentar ser modelo-e-manequim! Se joga, moleque!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Precisa-se de Cidadãos-Torcedores

Até agora, em 14 rodadas do Campeonato Brasileiro de Futebol, 11 técnicos — um time inteiro de treinadores — foram demitidos; quase 1 a cada rodada. Os motivos são quase sempre os mesmos: uma série de derrotas, a “pressão” dos torcedores, além de diversas razões de ordem “política”: incompatibilidade de egos, exigências de salários elevados e caros reforços por parte dos treinadores; divergências  entre cartolas e técnicos sobre a escalação do time e o tratamento diferenciado  — protecionismo mesmo — recebido por certos jogadores, principalmente os grandes astros ou as revelações do clube. Daí para um quadro de desunião do time e tensões entre os futebolistas, o técnico e a diretoria é um pulo.

Tudo isso independe do clube; é parte de uma “cultura” existente na gestão do velho esporte bretão. O técnico é sempre o único culpado de tudo e sua cabeça é pedida pelos torcedores mais fanáticos e impacientes que se esquecem logo dos bons trabalhos e resultados alcançados pelo time sob o comando do técnico — mesmo que o treinador esteja entre os melhores do país ou até do mundo.

O que mais surpreende, porém, é ver muita gente se engajando e pressionando os seus clubes quando estes apresentam maus resultados. Muitas vezes, é verdade, as ações de protesto beiram a violência. Mas é essa agressividade toda — e não necessariamente o número de torcedores protestantes — que leva os cartolas dos clubes a degolar o cabeça da equipe de futebol. Toda essa mobilização rápida e (quase) espontânea dos torcedores contrasta fortemente com a apatia e a indiferença do cidadão comum em relação aos sucessivos (e aparentemente infindáveis) escândalos políticos em todas as esferas da administração pública.

vasco2(1)Ao menor sinal de crise num clube, os torcedores protestam, chamam a atenção da imprensa e conseguem o que querem: um novo técnico ou mais reforços. Por que não fazemos o mesmo em relação ao governo, que pode nos prejudicar muito mais do que um time de futebol perdedor?

É patente a falta de indignação da sociedade brasileira diante de suas mazelas e dos desmandos de seus líderes. Em caso de escândalo, os políticos parecem seguir uma cartilha básica diante do público: (1) declaram apenas que não sabem de nada ou que não se deve fazer acusações precipitadas, mesmo diante de provas contundentes e amplamente divulgadas pela imprensa. Eles — que foram eleitos pelo povo para trabalhar para o povo — chegam  (2)até ao disparate de declarar que estão se lixando para a opinião pública. Depois, buscam (3) pôr a culpa pelos próprios crimes na imprensa — que apenas cumpre seu papel indispensável ao sistema democrático —, e, por fim, (4) criam fantasiosos cenários de perseguição política, como se não pudesse haver debate político ou ações de oposição ao governo. É a clássica técnica de dizer que “é tudo intriga da oposição”, uma frase tão batida que já saiu do jargão político e virou até bordão popular.

A inércia política do brasileiro também é creditada à nossa formação cultural e política. Sempre houve pouca ou nenhuma participação popular nos momentos decisivos da nossa História. A Independência foi proclamada por um Príncipe-regente que tratou logo de clamar para si o trono de um Império inventado por ele mesmo. Em seguida, a República foi proclamada pelos um general monarquista que recebeu apoio dos grandes latifundiários insatisfeitos com a Abolição. O movimento abolicionista, aliás, foi um dos poucos exemplos de mobilização política da população brasileira. Outras exceções notáveis são as várias correntes de oposição ao Regime Militar instalado em 1964. Fomos das pequenas guerrilhas infrutíferas no meio da Floresta Amazônica para um movimento mais unificado, urbano e pacífico, intenso e nem um pouco desprezível: as greves industriais do fim dos anos ’70 e as Diretas Já! do começo da década seguinte mobilizaram milhões de brasileiros por todo o país. Pouco depois, parecia que nós tínhamos aprendido a lição quando pintamos a cara para pedir a saída do presidente Collor – exatamente como se ele fosse o técnico de um país que vivia perdendo para os times da inflação e da corrupção.

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Onde foi parar a geração Cara-Pintada? Porque nos calamos depois de duras lutas para conquistar a liberdade de expressão?

 

 

Parecia, porque, dois anos depois do Movimento Cara-Pintada, não houve qualquer reação popular ao escândalo dos “Anões do Orçamento” (alguém se lembra disso?). A mesma falta de ação popular caracterizou todos os escândalos que se seguiram: a nebulosa aprovação da reeleição, a violação do painel do Senado, as diversas CPIs, entre as quais até mesmo uma que apurou a corrupção no futebol (mas, como a maioria das outras Comissões, não resolveu nada e não puniu ninguém).

Houve muita esperança quando da eleição de Luís Inácio Lula da Silva, mas nada além disso. Os escândalos não acabaram com a chegada ao poder de um partido que sempre fez forte defesa da ética na política quando era líder de uma oposição mais atuante, embora mais radical. Quem antes estava no poder e passou a ser oposição ou calou-se ou vendeu-se.

E aí veio o mais grave escândalo político desde do governo Collor: o mensalão. Mobilização popular? Nenhuma! Punição aos envolvidos? Nenhuma também. Apesar de tudo isso, um presidente que se opunha à reeleição foi alegremente reeleito. E os escândalos continuam, com as velhas raposas de sempre, por que renovação política também não existe. Nem dentro dos partidos nem entre os eleitores, que acabam sempre com as mesmas escolhas e com a mesma justificativa: “os políticos são todos iguais e nós não podemos mudar nada.”

Uma observação interessante que podemos fazer é que, nos períodos em que o nosso futebol está em alta, a mobilização popular desaparece completamente. Os indignados protestantes políticos convertem-se, como que por mágica, em torcedores ufanistas (“Eu sou brasileirooo, com muito orgulhoooo, com muito amooor!…”). Foi assim em 1970, para a alegria dos militares, que fizeram de tudo para exaltar a Seleção tricampeã e ressaltar a ideia de que a vitória era de todos os brasileiros (“90 milhões em ação….”).

Pouco tempo depois, as greves no ABC paulista e o movimento das Diretas Já! ocorreram num período bastante difícil e conturbado para o futebol nacional. Os torcedores de outrora – infelizes, porém mais atentos à realidade nacional – voltaram a ser cidadãos e tomaram as ruas para fazer protestos e não para festejar vitórias que, no mínimo, eram ilusórias e passageiras. Nossos jovens pintaram a cara contra Collor um ano após o fiasco da Copa de 1990.

Mais tarde, Fernando Henrique Cardoso foi reeleito sem muito questionamento popular – mesmo depois da trágica Copa da França. O choque parece ter sido tão grande que não fomos capazes de reagir em pouco tempo. Em 2002, ganhamos mais uma Copa do Mundo às vésperas da eleição de Lula — eis mais um motivo para a onda de otimismo e esperança que varreu o país. A onda passou, e a maré baixa foi atenuada com uma felicidade vendida (a.k.a. Bolsa-Família) pelo então novo governo, sob o pretexto de redistribuir renda. Agora, quem fica insatisfeito com um governo que, mesmo com impostos maiores e com os buracos-negros da corrupção ainda dá dinheiro pro “povão”? O resultado: um ano após comprar até parlamentares, o governo Lula foi reeleito mesmo após uma derrota retumbante na Copa do Mundo de 2006.

Os protestos de hoje, quando acontecem, são muito esporádicos e fracos, para se dizer o mínimo. No fim do ano passado, por exemplo, foi organizado um protesto no Rio de Janeiro no dia nacional de combate à corrupção. Segundo o blog do roqueiro Tico Santa Cruz, que participou do ato, dos

quinze mil usuários de Orkut presentes na comunidade do Movimento Pró-Democracia, apenas cinqüenta apareceram para o protesto no dia nacional de combate a corrupção.”

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É lamentável ver que nem mesmo a internet consegue mobilizar nossa população, ou pelo menos, nossa juventude. Quando muito, faz-se um confortável protesto dentro de casa, através do Twitter, com a tag #forasarney. A iniciativa seria louvável se, além de discutir a corrupção e criticar os políticos, incentivasse as mobilizações nas ruas, que teriam muito mais visibilidade e seriam mais efetivas. Foi isso o que os iranianos, mesmo sob uma ditadura fechada — que tem até controle sobre a internet do país —, foram capazes de fazer. E ainda usaram a internet para mostrar os protestos ao mundo quando os jornalistas estrangeiros foram expulsos do país. Até os argentinos protestam quando se sentem ofendidos pelo governo — e fazem muito barulho.

iran_protest Enquanto poucos brasileiros protestam mesmo vivendo num sistema livre e democrático, os iranianos, que vivem sob uma ditadura teocrática, usam a internet para coordenar um grande movimento e exibir ao mundo a indignação de milhares de pessoas com uma eleição fraudulenta.

Mas há um ditado no Brasil que diz que “política, futebol e religião não se discutem”. Essa opinião popular é muito útil a quem está no poder, seja ele político, esportivo ou religioso. Se somos capazes de nos indignar e questionar futebol de nossos clubes e seus dirigentes, de não seguir e não apoiar o retrógrado posicionamento da Igreja (como nos casos de divórcio, uso de camisinha ou até mesmo aborto), então por que ainda não reagimos diante dos desvios de verbas que matam crianças de fome no Nordeste e dificultam a preservação da Amazônia? Por que ficamos de braços cruzados diante de nomeações de parentes e apadrinhados políticos para cargos que deveriam recompensar os melhores brasileiros num concurso público? Por que ainda torcemos para um governo que nos enganou, que prometeu um futuro brilhante mas só nos trouxe decepções? Por que não pedimos a cabeça de um técnico que sempre usa metáforas ligadas ao futebol, mas que admite que “não sabe de nada” quando o time joga mal e em momentos de crise corre para socorrer ex-adversários e desafetos políticos, como Sarney e Collor?

Precisamos de cidadãos que tenham a mesma atitude crítica e a postura ativa dos torcedores. Se todos os cidadãos de todas as nossas torcidas se unissem e se organizassem em torno da melhoria política e social do nosso país (será assim tão utópico?), poderíamos — de forma pacífica, é claro — mostrar aos nossos líderes quem é que manda no sistema democrático. Temos que nos unir porque, independentemente do clube para o qual torcemos, todos nós temos sido desprezados por nossos líderes e oprimidos por impostos injustos e pelo desemprego. Não há por que temer o governo, assim como não temos medo dos poderosos cartolas. Se somos capazes de mudar o técnico de nosso clube sem ter representação na diretoria, imaginem o que poderíamos fazer em relação ao governo, com o apoio dos parlamentares que realmente nos representam – sim, existem políticos honestos por aí!. Se tomássemos mais atitudes políticas quando necessário, aí sim nós poderíamos cantar para dizer ao mundo que somos verdadei-ramente “brasileiros, com muito orgulho e com muito amor”.

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