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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Infância Traumática

O conceito de infância — e de proteção às crianças — é uma ideia bastante recente. Prova disso é esse pequeno, porém convincente relato para endireitar os garotos da Era Vitoriana:

Para que todos os bons garotos saibam o quão sortudos são por serem garotos agora, e não nos tempos antigos, informo a maneira cruel pela qual mesmo os bons garotos eram tratados pelas leis dos Ripuários [tribo franco-germânica]. Quando havia uma venda de terra, era necessário que houvessem doze testemunhas, e com estas o mesmo número de meninos. Em sua presença o preço da terra deveria ser pago e a posse deveria ser formalmente passada. Em seguida, os garotos eram espancados, e suas orelhas eram puxadas, para que a dor infligida sobre eles marcasse uma impressão em suas memórias. Assim, se necessário, eles agiriam como testemunhas da venda e da entrega da terra.
— Robert Conger Pell, Milledulcia, 1857

domingo, 29 de maio de 2011

Correio Aéreo Subterrâneo


Quando um jovem de Manhattan escreve uma carta para sua garota, que mora no Brooklyn, ele manda a carta para ela através de um tubo pneumático — pffft. — E.B. White, Here Is New York [Nova York é Aqui], 1949

O sistema de tubos pneumáticos já foi uma parte essencial da vida de Nova York. Cilindros contendo cartas, pacotes — e, em pelo menos uma oportunidade, um gatinho vivo — eram transportados através de tubos de ar comprimido, a uma velocidade de até 35 milhas [56km] por hora. Esses tubos cruzavam toda a cidade, do Harlem ao Lower East Side; da Canal Street ao Planetarium e até mesmo de Manhattan para o Brooklyn.

sábado, 28 de maio de 2011

Patentes Patéticas (nº 09)

William Steiger era um pé-frio — literalmente. Mas ele tinha um funil, um elástico e uns pedaços de mangueira sobrando. Juntando tudo, ele percebeu que poderia simplesmente aquecer os próprios pés com o calor de sua expiração.

Antes de patentear seu “pedal calorificator” (#tabajarafeelings) em 1877, Steiger testou a gambiarra durante o inverno em Maryland. Os resultados não poderiam ser melhores: ele descobriu que o ar não apenas chegava quente aos seus pés como também era aquecido pelo calor do próprio corpo durante o transporte. 

O improvisado aquecedor mantinha os pés frios de Mr. Steiger a uma agradável e constante temperatura de 84°F (29ºC). Segundo a patente, era necessário apenas exalar no bocal do funil, “um processo simples, que eu comprovei praticamente que pode ser mantido por um longo tempo (...) sem muita inconveniência pessoal”. 

quinta-feira, 26 de maio de 2011

terça-feira, 24 de maio de 2011

Em uma palavra [54]

epireuma

s.m. cheiro de matéria orgânica queimada [do grego epyreúma]. Epireumático, adj.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Bigode Não Pode

Mr. Tegg, em seu curioso e interessante volume, Wills of Their Own [Vontades Próprias], cita dois testmenteiros cuja aversão aos bigodes continuou mesmo após a morte. O testamento de Mr. Henry Budd, que passou a vigorar em 1862, determinava a oposição ao uso de bigodes pelos filhos nos seguintes termos: “Caso meu filho Edward venha a usar bigodes, então será nula a parte aqui apresentada, em favor dele, de seus indicados e herdeiros, de minha dita propriedade chamada Pepper Park. E eu determino o mesmo para meu filho William, seus indicados e herdeiros. E caso o dito filho William use bigodes, então a parte da propriedade chamada Twickenham Park,  que caberia a ele, seus herdeiros e indicados, será anulada. O mesmo se determina para meu referido filho Edward, sues herdeiros e indicados.”

Outro exemplo é o testamento de Mr. Fleming, um tapeceiro de Pimlico, executado [o testamento, não o velho] em 1869. Ele deixou £10 para cada um dos seus empregados que não tinha bigodes. Para aqueles que usavam bigodes, ele legou apenas £5 cada. – Jacob Larwood, Forensic Anecdotes [Anedotas Forenses], 1882

domingo, 22 de maio de 2011

Patentes Patéticas (nº 08)


Bicicletas são ótimas para exercitar o corpo — ou pelo menos a parte inferior do corpo. Pensando nessa pequena limitação técnica, Louis S. Burbank teve uma ideia loucamente genial em 1900: substituir o guidão por um par de remos articulados. O cruzamento entre bicicleta e canoa (bicirreme? ciclorreme? remociclo?) é totalmente controlado pelos remos, que servem para pedalar e guiar ao mesmo tempo. 

Seria a salvação para os Clubes de Regatas, mas a patente não diz nada sobre o sistema de freios. 

sábado, 21 de maio de 2011

10 Dimensões: Apocalipses FAIL!


Hoje o mundo acabou. Mais uma vez. Não foi a primeira e provavelmente não será a última — ainda falta 21 de dezembro de 2012. Por enquanto, pois ao longo dos séculos diversas foram as previsões. Evidentemente, todas falharam. A razão por trás disso é que a humanidade teima em projetar no planeta seu próprio ciclo de vida e de morte — até mesmo cientificamente, conforme a Hipótese Gaia. Somos tão antropocêntricos que não admitimos ser extintos sem levar o planeta inteiro junto (isso também explica o atual cenário ambiental). Mesmo que toda a vida desapareça de uma vez, a Terra vai continuar firme e forte. Mas como nada é eterno ela vai acabar sendo engolida por um Sol vermelho, inchado e moribundo dentro de sete bilhões de anos. Ou não.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Fotógrafo-fantasma

Esta é Mary Todd Lincoln, viúva de Abraham Lincoln, com o fantasma de seu marido, em uma foto do “fotógrafo de espíritos”, Willianm H. Mumler.

Diz a história que Mary sentou-se para a foto no começo dos anos 1870, quando já havia se casado novamente e adotado o sobrenome Lindall. O fotógrafo não a conhecia até que a revelação mostrou o presidente-mártir.

É o que se diz por aí. Os céticos imediatamente acusaram Mumler de falsificação e ele não ganhou muitos amigos com sua carreira de “revelador” de fantasmas dos mortos da Guerra Civil para as famílias enlutadas.

Tal prática era de um nível tão baixo que até P.T. Barnum, dono de circo famoso por sua credulidade, testemunhou contra Mumler num julgamento de fraude em 1869. Ele foi inocentado, mas morreu miserável em 1884.

Talvez Mumler tenha realmente descoberto uma incrível e inovadora técnica... mas parece que seu próprio fantasma jamais foi fotografado.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

O verdadeiro apart-hotel


Olhar para cima pode ser uma experiência aterradora. Especialmente se você estiver no pátio interno da Ponte Tower, em Johanesburgo. Se você levantar a cabeça lá, tudo o que vai encontrar é um pequeno pedaço do céu cercado por um enorme cilindro de 173 metros de altura coberto com janelas idênticas. É um exemplo brutal de arquitetura brutalista.

Também conhecido como Ponte City Apartaments, o edifício Ponte foi construído em 1975 e ainda é o mais alto prédio residencial da África. O tubo de 54 andares foi projetado por Manfred Hermer.


Ponte Tower foi um edifício exemplar do ponto de vista da arquitetura do apartheid. Os apartamentos externos, sempre bem arejados e bem iluminados, eram projetados para as famílias ricas e brancas. Já os obscuros apartamentos internos eram exclusividade dos empregados negros daquelas famílias.

Ironicamente, a situação ficou brutal mesmo após o fim do apartheid. O bairro de Hillbrow, outrora de alto padrão, entrou em rápido declínio. Graças à sua estrutura imponente, Ponte Tower tornou-se a verdadeira sede do crime organizado da cidade. Os pobres senhores brancos nada puderam fazer a não ser abandonar o espigão. A quebrada se tornou tão sinistra que nem os lixeiros entravam — houve épocas em que o lixo formava uma montanha de cinco andares no pátio central.

Em 2007, o edifício foi comprado por uma empresa que pretendia revitalizar a área até a Copa de 2010. Um ano depois, a crise bateu em cheio no setor imobiliário, o projeto não saiu do papel e hoje Ponte Tower está abandonado. Até o tráfico de drogas saiu de lá. Mas não pense que a área é segura: os traficantes apenas se mudaram para o antigo Sands Hotel, a poucas quadras da  Torre Ponte.

terça-feira, 17 de maio de 2011

Em uma palavra [53]

Algumas palavras são tão antigas que, ao mudar de gênero, revelam os preconceitos de sua época:
herbolário
adj. e s.m. 1. que ou aquele que faz coleção de plantas; 2. aquele que conhece plantas medicinais. [derivado do latim herbula = ervinha] sin. hortelão

Curiosamente, herbolária era “3. a mulher que fazia feitiços ou preparava venenos com plantas.” Ou seja, uma bruxa.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Passa por Cima!



As ilustrações que acompanham dão ao leitor uma boa ideia dos resultados de um peculiar acidente ocorrido na Divisão Norte da N.Y., N.H. and H. Railroad [Ferrovia Nova York, New Haven e Hartford] perto de Worcester, Mass[achussets]. em 2 de fevereiro. A Máquina 823, uma locomotiva de carga com 50 toneladas estava empurrando um limpa-trilhos em alta velocidade quando colidiu com a Máquina 684, uma locomotiva leve de oito rodas, que puxava uma carga de leite e também transitava em alta velocidade.

Cinco homens que estavam no limpa-trilhos pularam em um banco de neve e não se feriram (...) O acidente foi causado por um operador de telégrafo que estava indo dormir e autorizou o limpa-trilhos a passar por sua estação quando a ordem eram para detê-lo. — Locomotive Firemen’s Magazine [Revista dos Bombeiros Ferroviários], Março de 1898


domingo, 15 de maio de 2011

Sex and the Vatican

Denúncia de pedofilia: você está fazendo isso errado


O papa pode não ser mais italiano há um bom tempo, mas mesmo assim, parece que o Vaticano acha que suas fronteiras vão além dos muros que o separam de Roma. Em meio aos escândalos político-sexuais de seu primeiro-ministro fanfarrão, a Itália está calada. Vergonhosamente, também está calada com o lançamento do livro Sex and the Vatican, do jornalista Carmelo Abbate. Não que se esperassem louvores à obra que devassa a vida dupla que padres, freiras, monges e bispos italianos levam. Surpreendentemente, também não houve críticas generalizadas. Nem um escândalo sequer.

sábado, 14 de maio de 2011

A indústria ‘brasileira’ está com medinho

Durante sua breve presidência, Fernando Collor declarou que nossos automóveis eram “umas carroças” e, com o objetivo de estimular o desenvolvimento e a queda nos preços, acabou com o protecionismo dado à “nossa” indústria automobilística e abriu as portas para a importação. Duas décadas se passaram. Apesar de alguns avanços — mais estéticos do que mecânicos —, nossos carros continuam defasados. Mesmo assim, as montadoras reclamam dos importados. Entre proteger uma indústria defasada e apoiar a concorrência do Mercosul e a pesquisa e o desenvolvimento, Dilma escolheu proteger os fabricantes estrangeiros de carroças.

Patentes Patéticas (nº 07)

Pelo visto Kate Perry foi modelo para desenhos de patentes antes da fama...

Deloris Gray Wood nunca deve ter sido beijada. Essa é a melhor explicação que eu tenho para a invenção que ela registrou em 1998, o “escudo para beijar” (patente nº. 5727565, de 17 de março de 1998):

É um costume quando beijamos entrar em contato com os lábios de outra pessoa e, em certas culturas, beijar também as bochechas. Dessa forma, os germes podem ser transmitidos de uma pessoa a outra. Um dos aspectos dessa invenção é que, caso um beijo seja necessário ou apropriado, a pessoa possa se proteger dos germes presentes na saliva ou outras secreções que possam ser transmitidas pelo beijo.

Ou talvez Ms. Gray Wood seja extremamente feia paranóica. Independente disso, ela foi bastante visionária: também há uma versão com “um pequeno bolso para acomodar a língua de uma das pessoas e permitir o beijo de língua.” (fig. 3, abaixo). A invenção de Wood ainda pode ser usada, segundo a patente, por “um político que beija bebês”. Não sabemos se a proteção é politicamente correta ou não — até agora, nem o político mais “Caco Antibes” adotou a geringonça.


sexta-feira, 13 de maio de 2011

Janeiro é o mês do desgosto

Ou pelo menos é o que afirma um almanaque inglês do século XVI, que apresenta um verdadeiro horóscopo maldito:
Os dias agourentos de acordo com as opiniões dos astrônomos [sic] são os seguintes: — Janeiro: 1, 2, 4, 5, 10, 15, 17 e 29 são muito agourentos. Fevereiro: 27, 27 e 28, agourentos; 8, 10 e 17, muito agourentos. Março: 16, 17 e 20, muito agourentos. Abril: 7, 8, 10 e 20, agourentos; 16 e 21, muito agourentos. Maio: 3 e 6, agourentos; 7, 15 e 20, muito agourentos. Junho: 10 e 22, agourentos; 4 e 8, muito agourentos. Julho: 15 e 21, muito agourentos. Agosto: 1, 29 e 30, agourentos; 19 e 20, muito agourentos. Setembro: 3, 4, 21 e 23, agourentos; 6 e 7, muito agourentos. Outubro: 4, 16 e 24, agourentos e 6, muito agourento. Novembro: 5, 6, 29 e 30, agourentos; 15 e 20, muito agourentos. Dezembro: 15 e 22, agourentos; 6, 7 e 9, muito agourentos. — Grafton’s Manual, 1565, apud The Origins of Popular Superstitions and Customs, 1890.

Interessante notar que não há nenhum dia 13 — nenhuma sexta-feira como a de hoje entra nessa lista nefasta. Talvez com exceção dos dias malditos do mês de janeiro, os demais talvez se expliquem pela TPM da mulher de Mr. Grafton (ou mulheres, já que os períodos não são os mesmos).

quarta-feira, 11 de maio de 2011

Twaintadas #04: Bons Livros

É impressão minha ou impressão sua?

William West
Em 1903, um cara chamado Will West foi detido em Leavenworth, Kansas. Conduzido à penitenciária da cidade, a maior dos Estados Unidos, West foi fichado, medido e fotografado. Entretanto, o delegado teve a impressão de que já conhecia aquele sujeito de algum lugar e perguntou-lhe se ele já estivera preso. A resposta foi negativa.

Quando o delegado foi arquivar a ficha criminal recém-lavrada, deu de cara com outro William West:

terça-feira, 10 de maio de 2011

Em uma palavra [52]

monopsônia
subst. fem. uma situação de mercado na qual há apenas um comprador e diversos fornecedores; o oposto de monopólio. [do grego mono = um, único + opsonia = compra de comida]

segunda-feira, 9 de maio de 2011

De Antroponomia

O costume de pessoas que Latinizam seu nome era outrora bastante comum. Dos homens de Oxford, que frequentemente escreviam seus nomes em Latim, os seguintes me vêm à lembrança: Andrew Borde, Andreas Perforatus; Nightgale, Philomelus; Bridgewater, Aquapontanus; Gayton, De Speciosa Villa; Turberville, De Turbida Villa; Flood, De Fluctibus; Holyoke, De Sacra Quercu; Payne Fisher, Paganus Piscator; e John Aubrey, Joannes Albericus
— William Keddie [editor], Cyclopaedia of Literary and Scientific Anecdote, 1854

domingo, 8 de maio de 2011

Gênesis, cap. 51

Esta “parábola contra a perseguição” era a favorita de Benjamin Franklin (1706-1790), que muitas vezes apresentava-a como um texto bíblico, “o capítulo 51 de Gênesis”. Os fiéis mais fervorosos vão afirmar que tal capítulo inexiste. Mas eles não sabem a grande lição que perdem e que está fora de suas bíblias:

sábado, 7 de maio de 2011

Patentes Patéticas (nº 06)


Em 1949 — muito antes de se falar em economia de energia, energias alternativas ou carros híbridos —, J. D. Stokes teve uma ideia sensacional: por que desperdiçar energia com um carro e uma máquina de lavar quando é possível acoplar uma lavadora em uma das rodas?

Para lavar roupas em suas calotas, adicione água e sabão por uma abertura (nº. 48, segundo a figura) e dirija em baixa velocidade. Para secar, basta repetir o ciclo (ou o percurso), preferencialmente em velocidade maior. Se a capacidade da calota-lavadora lhe parece pequena, lembre-se de que você pode multiplicá-la por quatro e lavar as roupas da família inteira.

Na patente, Stokes afirmava que sua invenção seria útil para “campistas, aqueles que vivem em trailers e outros viajantes.” Também poderia ser altamente recomendável para quem não tem espaço em casa para um varal ou uma máquina de lavar — ou então para assassinos, que podem fugir rapidamente e livrar-se das roupas ensanguentadas en route.

A não ser, é claro, que as calotas sejam roubadas. Afinal, uma peça multiuso certamente valeria muito mais que um disco de plástico.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Morte Eterna


Aparentemente, um escritor e psicólogo alemão descobriu o caminho para a vida eterna há quase um século:
Leinbach descobriu uma prova de que, na realidade, a morte não existe. Está além de questionamento, diz ele, que não apenas no momento do afogamento, mas em todos os momentos de morte de qualquer natureza, o sujeito vive novamente toda a sua vida com uma rapidez inconcebível. Essa vida relembrada também deve ter um último momento, e esse último momento também deve ter o seu, e assim por diante. Portanto, o próprio ato de morrer é uma eternidade e, de acordo com a teoria dos limites, pode-se aproximar da morte, mas nunca pode-se alcançá-la.
— Arthur Schnitzler, Flucht in die Finsternis [Fuga na Escuridão], 1931
Então será que Arthur Schnitzler não é o verdadeiro Dom Cobb?

“Uma morte, dentro de uma morte, dentro de uma morte...”

quinta-feira, 5 de maio de 2011

“Leve-me ao seu líder”


Quando John Glenn, um dos primeiros astronautas norte-americanos, entrou em órbita a bordo da Friendship 7 em 1962, ninguém na NASA sabia ao certo se ele voltaria. Se ele retornasse, também não sabiam com certeza onde seria o pouso. Os lugares mais prováveis ficavam entre a Austrália e a Nova Guiné — mas a margem de erro era tão larga, que ele poderia cair até mesmo no Oceano Atlântico! Por causa disso, o resgate só chegaria 72 horas após o pouso.

Glenn não temia a missão no espaço. Ele tinha medo de passar até três dias entre aborígenes que jamais haviam visto um avião e, de repente, veriam “um homem de prata emergir de uma cápsula com um grande pára-quedas.” Precavido, o homem-de-prata-que-veio-do-céu levou consigo um pequeno discurso transcrito foneticamente em diversas línguas.

A mensagem era simples e direta: “Eu sou um estrangeiro. Eu venho em paz. Leve-me ao seu líder e haverá uma imensa recompensa para você na eternidade.” 

Felizmente, para Glenn, ele não precisou “fazer contato imediato” com nenhuma tribo primitiva. O pioneiro americano caiu no Oceano Atlântico e foi resgatado rapidamente. Embora não tenham sido usadas suas palavras tornaram-se icônicas.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O século XIX inteiro. E ponto final.


Dentre os muitos livros de história do cristianismo publicados no século XIX, History of the Church of God: from Creation to A.D. 1885 [História da Igreja de Deus: da Criação a 1885 A.D.] é notável por seu estilo prolixo. Publicado em 1886, o livro de Cushing Biggs Hassell não é apenas um calhamaço com umas mil páginas. Ele contém o que se considera a mais longa sentença já escrita em um livro. É simplesmente o quinto parágrafo do capítulo XIX, que trata, justamente, do século XIX.
The nineteenth is the century of the rise and fall of Napoleon Bonaparte, in a long series of bloody and demoralizing European wars; the […]

terça-feira, 3 de maio de 2011

Em uma palavra [51]

Embora eu não seja um purista da língua, um xenófobo linguístico, eu acho que este pode ser um bom equivalente para designar essa coisa idiota e doentia chamada stalking

criptoscopofilia

s.f. necessidade maníaca de olhar através das janelas desconhecidas. Por extensão, necessidade de invadir a privacidade alheia como forma de intimidação. [do grego cripto = obscuro, desconhecido + scopes = janela + filia = amor, afeto.] criptoscopófilo; criptoscopofílico, adj.
Também pensei em um equivalente de raízes latinas (mas que aparentemente seria menos doentio). Seria videofenestração [video = eu vejo + fenestra = janela + actio = ação] e videofenestrador.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Vista Grossa


Não é de hoje que o governo norte-americano faz vista grossa a uma ameaça de ataque em seu próprio território para entrar em uma guerra. Em 7 de janeiro de 1941, exatos 11 meses antes do ataque japonês a Pearl Harbor, o embaixador Joseph Clark, mandou o seguinte telegrama para o Departamento de Estado:

Um membro da Embaixada foi informado por ----- meu colega que em muitos quartéis, inclusive em um japonês, ele ouviu que um massivo ataque-surpresa em Pearl Harbor estaria sendo planejado pelas forças militares japonesas em caso de “problema” entre o Japão e os Estados Unidos. Tal ataque envolveria o uso de todas as instalações militares japonesas.

Washington não fez nada, pois o governo de Franklin Roosevelt sabia que somente um ataque direto convenceria a opinião pública norte-americana a se envolver na II Guerra Mundial. Ironicamente, sessenta anos depois os Republicanos — que faziam oposição a Roosevelt e defendiam a postura isolacionista — usaram do mesmo artifício diante das crescentes ameaças de ataques terroristas islâmicos nos EUA. Em 2001, eram os Republicanos que queriam uma guerra.

Uma guerra errada, como se viu (duas, na verdade). Bin Laden pode ter sido extremamente estúpido em abandonar a vida de playboy de petrodólares por um fundamentalismo religioso odiento. Mas ele não se tornou um simples guerrilheiro; foi um gênio por se esconder no Paquistão. Por outra ironia do destino, os militares americanos caíram na própria armadilha que criaram na Guerra Fria. Eles jamais ousaram atacar o Paquistão, por que ainda acreditavam em um antigo aliado na luta contra o comunismo seria confiável. Ainda mais um aliado com um arsenal nuclear. Assim, se Washington tivesse lutado pelo desmantelamento completo do arsenal nuclear em todo o mundo — Israel inclusive — nos anos 90, pegar o terrorista número 1 teria sido bem mais fácil (e barato, pois dez anos de uma guerra infrutífera ajudaram e muito a botar a economia americana de joelhos).

Ficou bem claro agora que os Estados Unidos desmantelaram o sistema errado quando Moscou caiu. A CIA pós-soviética já não era a mesma: acomodou-se com a suposta postura de única superpotência e abriu mão de infiltrados e clássicas estratégias de espionagem em favor de equipamento high tech. Quando os alertas sobre o 11 de setembro surgiram já era tarde e, como se viu, foram ignorados por uma mistura estúpida de conservadorismo político-econômico e fundamentalismo religioso.

domingo, 1 de maio de 2011

O exorcismo de Amora Carson

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Uma jovem de vinte anos, moradora de Lake Cherokee, Texas, foi condenada a prisão perpétua por sua participação em um crime que chocou o Estado, famoso por seu fervor cristão: o assassinato de sua própria filha de treze meses de idade. Jesseca Carson foi condenada por unanimidade pelo júri que a julgou pelo assassinato de Amora Carson. O companheiro de Jesseca, Blaine Milam também já foi condenado à pena capital por espancar Amora com um martelo até matá-la. Embora Blaine tenha perpetrado os golpes de martelo, Jesseca foi condenada como mentora intelectual do assassinato da filha. O casal afirmava que aquilo era um “exorcismo”.

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