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sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Menor Encaixotado


É um triste fato que bebês mortos apareçam frequentemente entre os conteúdos dos Departamentos de Achados e Perdidos das ferrovias. Quando isso acontece, eles são geralmente entregues à polícia e um inquérito formal é aberto. Há pouco tempo, conta-me Mr. Groom, uma criança viva foi encontrada em uma pequena caixa na plataforma de embarque, perto do trem escocês das oito horas. O pequenino estava comodamente colocado sobre palha e estava acompanhado de uma mamadeira. Uns poucos buracos haviam sido feitos na caixa — a qual, aliás, estava revestida com papel de parede e endereçada para uma residência em Kilburn. As autoridades daquela casa, porém, recusaram-se a receber a criança, já que nenhum dinheiro havia sido enviado com ela. Assim, o pobre e perdido infante foi entregue à polícia que, por sua vez, repassou-a a um hospício, onde foi batizado “Willie Euston” e viveu por quatro anos. Consegui obter uma fotografia do achado dessa criança e o incidente é mostrado na ilustração que segue. O oficial à direita deu seu próprio nome de batismo ao pobre menor abandonado. — William G. FitzGerald, “The Lost Property Office” [“O Departamento de Achados e Perdidos”] Strand, dezembro de 1895

É difícil apontar quem é mais pobre — materialmente ou de espírito — nessa história: a mãe (ou pai) que abandonou o menino; a família que se recusou a recebê-lo sem dinheiro ou o policial que, mesmo tendo batizado o pequeno, relegou-o aos cuidados de um hospício. Quanto ao destino de “Willie Euston”, não está muito claro se ele foi finalmente adotado ou morreu ainda na infância. A segunda hipótese me parece mais provável.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Apetite Paleontológico

“William Buckland segurando o crânio de uma hiena das cavernas” (1833)


Pioneiro da ciência paleontológica, William Buckland (1784-1856) era um cara no mínimo estranho. Entre outras esquisitices, Mr. Buckland fez a primeira descrição completa de um fóssil de dinossauro, cunhou o termo que designa as fezes fósseis [coprólito, lit. “cocô empedrado”], e não raro fazia seu trabalho de campo usando uma beca — aquela roupa ridícula que só se usa na formatura.

Além de paleontólogo, geologista e doido varrido professor universitário — de Oxford —, o Dr. Buckland também era um exímio caçador. Durante uma de suas caçadas, ele teve a brilhante ideia de comer todos os animais que que conhecia (ou que viesse a conhecer). Quando recebia visitas, o paleontólogo servia panteras, crocodilos, hienas (o que daria outro sentido ao retrato acima) ou até mesmo ratos em seu jantar. Ele dizia que os piores pratos que havia provado foram os feitos com toupeira e mosca-azul (Calliphoria vomitoria). Com esse nome científico, a mosca deve ter sido bem indigesta mesmo.

sábado, 22 de outubro de 2011

Patentes patéticas (nº. 30)

Não é raro que algumas das maiores criações da mente humana sejam feitas sob efeitos de substâncias (lícitas ou não). Mas inventar sob efeito do álcool, por exemplo, pode ter resultados patéticos em vez de geniais.

O “cubo de gelo iluminado a bateria” do chinês Cheng Feng Liu é um desses casos. À primeira vista, um cubo de gelo brilhante deve parecer uma ideia genial para uns bons drink. Antes de fazer um brinde a Liu, veja a descrição:
Um iluminável (sic) cubo de gelo eletrônico, contendo um invólucro externo, uma unidade interna, LED, placa de circuito, bateria, tampa superior e cobertura da bateria. O invólucro externo tem uma forma natural de cubo de gelo, com lados ondulados. A unidade interna está ajustada com o invólucro e contém uma base, um suporte elevado e um iluminável cilindro translúcido fixado no suporte elevado. Uma câmara na unidade interna atravessa a base, o suporte elevado e o cilindro translúcido. O LED é ajustado ao cilindro translúcido e a placa de circuito fica debaixo do LED e a bateria debaixo da placa.

Até aí, Liu parece bastante sóbrio. Mais adiante, na explicação do conceito, essa sobriedade cai por terra: “[o] propósito dessa invenção é prover um cubo de gelo eletrônico e luminoso que é um substituto do cubo de gelo natural com [a] bateria substituível.” Bem, até onde se sabe, o gelo comum não necessita de pilhas, muito menos de troca de pilhas. No entanto, indo além da ambiguidade da frase anterior, Mr. Liu continua demonstrando seu alto teor alcoólico no texto da patente nº 6.966.666 (atentem para a infelicidade do número), emitida em 22 de novembro de 2005:
Frequentemente, em uma festa ou festival, uma atmosfera festiva é desejável, como o acendimento de velas ou lâmpadas de cor iluminadas. Ou às vezes as pessoas põem cubos de gelo em copos de vinho (WTF???), com o que obtêm um efeito decorativo bem como mantêm o vinho gelado. Mas o uso do cubo de gelo natural não é de baixo custo e o efeito decorativo é limitado.

Apesar da falta de sobriedade, Mr. Liu tem razão em um ponto: o uso de gelo comum não custa pouco. Afinal, antes de fazer gelo, é preciso comprar uma geladeira inteira, o que é uma ideia absurda! Mas se a beleza do gelo cinzento — mesmo quando ondulado — parece limitada, sempre há a opção de usar corantes (Tang, por exemplo).

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