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quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Festinha Intertemporal

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Se por acaso você for o feliz inventor de uma máquina do tempo, mas não sabe como (ou quando) testá-la, uma boa ideia seria voltar no (ou a) tempo para participar da Convenção de Viajantes do Tempo do MIT. As coordenadas do evento são as seguintes: sábado, 7 de maio de 2005, em 42.360007° N, 71.087870° W.

Não se esqueça de provar que você é alguém vindo do futuro. Apareça com algo que ainda não existia naquela época, como a cura para a Aids, a solução para a pobreza global ou um reator de fusão a frio.

Se isso tudo for muito complicado para você ou se não houver muito espaço na sua máquina do tempo, leve algo pequeno e até então impensável, como um iPhone com músicas da Lady Gaga.

Segundo o site do evento,
a convenção foi um meio sucesso. Infelizmente, não tivemos viajantes temporais confirmados entre nós. Mas muitos viajantes do tempo podem ter comparecido incógnitos para evitar as intermináveis perguntas sobre o futuro. Tivemos grandes palestras, bandas incríveis e até um DeLorean. Sentimos muito ter que recusar visitantes, mas havia restrições de capacidade no Morss Hall. Agradecemos às dezenas de pessoas que nos auxiliaram.
Espere! E se o(s) viajante(s) temporal(is) estivesse(m) entre aquelas pessoas que não puderam entrar por falta de espaço??

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Uma injeção de esperança

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Novamente, surge uma esperança. Na sua edição de hoje, a revista Science publica dois artigos sobre a identificação de anticorpos que combatem o HIV. Os artigos são assinados por cientistas do Centro de Pesquisas de Vacinas (VRC) do NIH (National Institute of Health; Instituto Nacional de Saúde do Governo americano). Essas proteínas são raríssimas e complexas, mas podem ser base para a criação de uma vacina terapêutica nos próximos anos.

Há dois tipos de sistemas imunológicos no corpo humano: o inato e o adaptativo. O inato é natural da pessoa e reage de forma genérica a antígenos muito comuns, como proteínas e açúcares estranhos ao corpo. O sistema adaptativo, como o próprio nome indica, pode se adaptar para reconhecer novos agentes estranhos. Geralmente, as vacinas trabalham no sistema adaptativo, que é "treinado" com elementos atenuados.

domingo, 4 de julho de 2010

Contos Traduzidos — "O Dólar de John Jones"


Já faz um bom tempo que eu falei por aqui sobre um estranho escritor chamado Harry Stephen Keeler. Na ocasião, eu havia prometido traduzir e publicar um dos contos dele. Pois bem, como o conto já estava traduzido há um bom tempo, agora é hora de publicá-lo.

Um dos primeiros trabalhos de Keeler, O dólar de John Jones foi publicado originalmente na Amazing Stories em abril de 1927, o que também o torna um dos mais antigos contos de Ficção Científica moderna. O conto começa com um simples depósito de um dólar em uma conta poupança — mas as consequências desse modesto investimento acabam mudando completamente o rumo da história humana. A seguir, o texto completo do conto, enriquecido com notas de tradução.

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Ninguém deu ouvidos ao Bismarck

Pior é que ele acertou duas vezes: uma na Primeira Guerra Mundial (1914-18); outra na Guerra da Iugoslávia (1991-99). Não duvidem se ele acertar de novo...

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Tacada Certeira

Em 1892, J. McCullough escreveu um pequeno livro chamado Golf in the Year 2000 [Golfe no Ano 2000]. No livro — que tem um quê de ficção científica da Era Vitoriana — um homem adormece profundamente e acorda num futuro tecnologicamente avançado. A obra de McCullough foi largamente ignorada em sua época e só foi redescoberta às vésperas da virada do Milênio, quando aquele mundo do futuro havia chegado.

Em relação ao próprio golfe, McCollough errou bem feio — ele pensava que teríamos clubes de golfe com placares automáticos, carrinhos sem motorista e jaquetas que gritam "Fore!". Mas o mundo extra-golfe teve uma previsão surpreendentemente precisa:

  • Liberação feminina;
  • Conversão do sistema monetário britânico para a base decimal;
  • Relógios digitais;
  • Trens-bala;
  • Televisão.

Essas previsões não foram feitas literalmente; não havia palavra para “televisão” ou “relógios digitais” numa época em que nem o rádio existia. E a liberação feminina, longe de ser sinal de tendências liberais, é motivada por machismo: só é permitida para que as mulheres trabalhem enquanto os homens jogam (cada vez mais) golfe.

Mais irônico ainda é que ele só tenha “acertado” previsões secundárias. Isso nos faz pensar: Quantos livros ignorados pela crítica e pelo público e despretensiosos em relação ao futuro não estarão certos?

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Sempre cabe mais um?

Anotem em suas agendas mais uma data para o fim do mundo (já que 2012 deve falhar mesmo). O último dia será 13 de novembro de 2026. Pelo menos essa é a previsão que foi feita pelo austríaco Heinz von Förster, um dos pioneiros da ciência cibernética.

A previsão foi publicada numa edição de 1960 da conceituada revista Science. Segundo os cálculos, naquela data a população humana alcançaria o infinito.

Ele podia estar brincando, mas...

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Próximas Atrações

O século 21 será bastante agitado e de grande importância histórica se os autores de ficcção científica se mostrarem corretos. Eis algumas previsões:

2015 - Marty McFly e Doc Brown chegam de uma viagem no tempo após terem partido de 1985. (De Volta para o Futuro II).

2022 - Nova York torna-se hiperpovoada, com 40 milhões de habitantes (Soylent Green)

2035 - A Humanidade vive em grandes cidades subterrâneas (Shape of Things to Come, de H. G. Wells)

domingo, 29 de novembro de 2009

É Agora ou Nunca

No início de dezembro, líderes de todo o mundo se encontram em Copenhague para buscar ações conjuntas e evitar o pior das mudanças climáticas. Mas o choque de interesses pode ser fatal para o encontro.

domingo, 15 de novembro de 2009

1907: O Crime não existirá em 2007

Como se sabe, uma das melhores coisas de viver no futuro é não ter que se preocupar com nenhum tipo de crime.

Na edição de 17 de março de 1907, o Washington Post republicou um artigo do Chicago Tribune entitulado "How Our Progeny Will Live One Hundred Years From Now" [Como nossa progênie viverá daqui a cem anos]. Um trecho, onde se imagina um mundo onde o crime é extremamente raro, é apresentado a seguir.

domingo, 27 de setembro de 2009

Geração Noé

A atual geração de jovens, formada principalmente pelos nascidos nas décadas de 1980 e 1990 vai ter um papel fundamental e importantíssimo no futuro e na História da Humanidade. Alguém poderia dizer que toda geração jovem pensa em mudar o mundo. Mas, no caso da atual geração, se isso não acontecer, a Humanidade como um todo correrá sérios riscos. Eis por que ela devia ser chamada de Geração Noé.

Não é apenas pela mudança climática. A Humanidade passa por um período crítico que vem se acumulando já há alguns séculos, desde o surgimento da industrialização e do pensamento racionalista-materialista. Ocorre que passamos milênios seguindo basicamente um modelo de sociedade patriarcal, agrário, nacionalista, provinciano, religioso e moralista.

domingo, 13 de setembro de 2009

De Quinto Império a Quinta Potência?

Portugal já foi uma potência, caiu sobre o próprio peso e sonhou em voltar a ser um Império. Herdeiro das tradições portuguesas, o Brasil terá o mesmo destino?

O Brasil foi descoberto e ocupado – invadido – pela maior potência econômica e marítima do século XVI: Portugal. O antigo Condado Portucalense tinha um histórico de pioneirismo e liderança no continente europeu. Como a Espanha, foi dominado por séculos pelos mouros muçulmanos vindos do norte da África. Mas a nação lusitana foi a primeira a se libertar do domínio árabe, já no século XII.

Em seguida, Portugal foi o primeiro país europeu a se formar e a ter unidade administrativa, durante o século XIII. Nos séculos seguintes, o Império Português aproveitou-se de sua posição geográfica e floresceu com o empreendedorismo das Grandes Navegações. Rapidamente, Lisboa tornou-se uma capital cosmopolita, habitada por banqueiros judeus, mercadores descendentes de árabes, administradores latinos e católicos, artistas italianos, saltimbancos franceses, aventureiros espanhóis e – como o mundo não era perfeito – alguns escravos negros. A língua portuguesa, embora muito diferente da atual, era praticamente a segunda língua franca da Europa depois do latim.

Infelizmente, porém, os católicos latinos se deslumbraram com as riquezas acumuladas e cometeram muitos erros. O primeiro grande erro, talvez, foi ignorar Cristóvão Colombo e sua ambiciosa e inovadora proposta de navegar ao Oriente pelo Ocidente (1492). O fôlego empreendedorista português começava a ser sufocado pelo acúmulo de tradições e fantasmagóricas superstições e crendices. Logo em seguida, em 1497, estimulados por Roma e sob as bênçãos papais, os líderes católicos perseguiram e expulsaram os judeus de seu país. Portugal foi o centro anti-semita da Europa do século XVI. Os nobres católicos asseguraram seu poder, mas a riqueza duraria pouco diante do deslumbramento, da má administração e de uma mentalidade cada vez mais retrógada e conservadora.

Mais ou menos por essa época, o Brasil foi “achado”, mas não se deu muita importância àquelas terras de aparência paradisíaca (seria realidade?) situadas no Novo Mundo recém-descoberto por Colombo (a serviço dos espanhóis, que só agora haviam acabado de se libertar dos mouros). Apenas três décadas mais tarde, a nova terra passou a ser ocupada, mas apenas por que o poderoso Império Português corria o risco de perdê-la para retardatários como os franceses e os ingleses, que eram tão amadores que só contavam com piratas nessa época.

O INÍCIO DA ETERNA PROMESSA DE “PAÍS DO FUTURO”

Meio século depois, o então Rei de Portugal, o jovem D. Sebastião I, o menino-rei, morreu em circunstâncias misteriosas durante uma frustrada tentativa de conquistar o que hoje é o Marrocos.

Em vez de explorar a exuberante  — porém distante  — colônia americana em busca de recursos mais valiosos que o pau-brasil (ou as especiarias indianas), os lusos, pregiçosamente, preferiram reinventar as Cruzadas medievais no norte da África, logo ao sul da “Terrinha”, num território desértico e povoado pela mesma civilização que tomara a Península Ibérica, o sul da Itália e fechara o Mediterrâneo ao comércio europeu.

Os portugueses acharam que, só porque foram os primeiros a expulsar os muçulmanos da Europa, poderiam acabar com o imenso Império Islâmico e conquistar o Mediterrâneo. Desculpem-me os lusos (ou os seus descendentes), mas a fama de burrice portuguesa não é à-toa.

Rei morto, rei posto. Bem, se houvesse um príncipe… Por que D. Sebastião não deixou herdeiros pois não tinha uma rainha. Os candidatos ao trono português eram, segundo a linha de sucessão: 1) D. Henrique (cardeal e filho de D. Manuel I); 2) D. Rainúncio Farnese, Duque de Parma (também filho de D. Manuel I); 3) Catarina, Duquesa de Bragança (filha mais nova de D. Duarte); 4)Filipe II de Espanha ( filho de D. Isabel e neto de D. Manuel I); 5) Emanuel Filiberto, Duque de Sabóia (filho de D. Beatriz e neto de D. Manuel I); 6) João I, Duque de Bragança (marido de D. Catarina) e 7) o pobre D. Antônio (considerado ilegítimo, mas se não o fosse seria o primeiro da linha de sucessão).

Alternativas não faltavam para resolver a crise sucessória. O que faltou foi faro político, capacidade de inovação e  até honestidade. Para começar, mulheres estavam legalmente excluídas do processo: nação católica que era, Portugal não poderia ter uma rainha. Mais absurda era a restrição dos descendentes por via materna, que, mesmo se fossem mais próximos, não tinham vantagem. Por razões óbvias, os nobres que viviam no estrangeiro também não poderiam ser aceitos, mas na prática foi isso o que aconteceu.

D. Henrique, aos 80 anos de idade, foi coroado rei, mas pela velhice e posição religiosa não poderia se casar muito menos ter filhos. Ele poderia ter saído da Igreja Católica, mas o Papa Gregório XIII não deixou. Para piorar, o velho clérigo aceitou a ordem papal e nem tentou se casar. No ano seguinte, cardeal-rei já estava morto.

Com todas as restrições do processo sucessório, D. Filipe II, rei da Espanha, e o Duque de Sabóia eram os candidatos mais prováveis e poderosos. Com a ameaça de dominação espanhola, D. Antônio, mesmo ilegítimo, obteve grande apoio popular e chegou a reinar por 20 dias antes de ser deposto com apoio militar e financiamento filipino.

Mas a nobreza e o clero decidiram os rumos do país e praticamente venderam-no ao monarca espanhol em troca de garantias de manutenção de privilégios econõmicos e sociais – tentaram até convencê-lo a transferir a capital do Império Espanhol para Lisboa, mas isso já era absurdo. Como se vê, a elite portuguesa estava mais interessada em si do que no futuro e agiu de forma corrupta, dando um exemplo à nação lusitana. O pior é que o exemplo foi seguido, nos séculos seguintes, tanto em Portugal quanto no Brasil.

Religioso como era, Portugal viu nascer um fenômeno messiânico e milenarista: o Sebastianismo. Era popular a crença de que D. Sebastião não morrera e cedo ou tarde voltaria, libertaria Portugal dos espanhóis e construiria o Quinto Império. Os quatro primeiros teriam sido os velhos e já inexistentes Impérios Assírio, Persa, Grego e Romano. Segundo a crença, Portugal superaria a Roma Antiga.

O Sebastianismo se espalhou por todo o Império e alcançou os sertões do Brasil, onde subsistiu por um bom tempo. Eis aí as raízes da nossa velha crença de que, um dia, seremos o “País do Futuro”. É uma nefasta herança cultural legada pelos portugueses.

A QUINTA POTÊNCIA.

Em meio às revoluções científicas, religiosas e ao Renascimento cultural, Lisboa busca manter tudo com um clima nostálgico e conservador. Portugal declina cada vez mais apesar das imensas riquezas provenientes da América Portuguesa.

Séculos se passam. O Brasil se liberta de Portugal, mas não deixa de ser pobre, atrasado e conservador. Esse país pobre, atrasado e conservador continua a sonhar com o Quinto Império. Agora, não seria o Império Português, seria o Império Brasileiro. Afinal, nós temos muitas riquezas, apesar de toda a exploração colonial. Nós somos o celeiro do mundo. E nós mantivemos o cosmopolitismo que Portugal abandonou – somos índios, somos negros, somos europeus e ainda seríamos até asiáticos e, de novo, árabes e judeus.

Sim, mas também mantivemos um príncipe que Portugal abandonou e que nos abandonou por Portugal. Mantivemos a escravidão que Portugal deixou para trás. E junto com a escravidão, ficamos com os preconceitos contra os negros e contra o trabalho. Conservadores que somos, jamais nos rebelamos. A Independência foi feita num grito “mágico”, a escravidão foi abolida com uma canetada e a República veio de cima para baixo, sem que ninguém notasse a diferença. Enquanto contratávamos europeus empobrecidos e esfomeados, que nos pareciam melhores, abandonávamos ex-escravos ainda mais empobrecidos e esfomeados.

Mas não deixamos jamais de sonhar com a “esperança de um novo porvir” e a ter “visões de triunfos [que] embale/Quem por ele lutando surgir”. Reinventamos o Sebastianismo em Canudos. Avançamos sobre o Acre e finalmente tomamos posse das riquezas amazônicas. O Eldorado foi encontrado no meio da floresta e se chama látex. Mas o Eldorado Branco é destruído pela concorrência externa e pelas inovações científicas e tecnológicas.

Mais recentemente, usamos as inovações científicas e tecnológicas para nos virar num momento de crise energética: criamos o carro a álcool. Fomos pioneiros, fomos empreendedores, fomos visionários. Encontramos mais um Eldorado, dessa vez Verde.

Agora, porém, às vésperas do fim de um reinado “popular” e de uma possível “crise sucessória”, encontra-se um novo Eldorado, dessa vez no litoral, abaixo do mar e nas profundezas depois da camada de sal. O Eldorado  é Negro e chama-se pré-sal. E, com ele, seremos a Quinta Potência em uma década. É o Sebastianismo 2.0.

Não dá pra acreditar nisso, ainda mais sabendo que o petróleo está acabando e deixará de ser consumido ao longo deste século. Mesmo que peguemos uma carona na inevitável alta dos preços de um produto insubstituível em fim de estoque, isso não é garantia nenhuma do tão falado desenvolvimento sustentado.

Até agora era o etanol que nos levaria ao topo do mundo e faria de nós uma Arábia Saudita verde. Uma previsão exagerada talvez, mas mais plausível dado o cenário energético mundial. Mas, como somos conservadores, nós queremos ser uma Arábia Saudita petrolífera mesmo. Parece mais fácil. Talvez sejamos tão bem-sucedidos quanto uma velha cruzada no norte da África.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O Paradoxo dos Futuros Indivíduos

Qualquer mudança em larga escala no comportamento humano vai, literalmente, mudar a raça humana: as mudanças são  tão profundas e abrangentes que alteram também as condições sob as quais os indivíduos são concebidos e criados. É aquilo que já se conhece popularmente como “Efeito Borboleta”.

Assim, por exemplo, nossos netos num cenário otimista serão pessoas diferentes do que seriam sob outras circunstâncias mais difíceis. Isso tudo, além de parecer um tanto óbvio, é particularmente verdadeiro quando se fala em assuntos que exigem grandes e rápidas mudanças no comportamento social  e econômico dos homens, tais como meio ambiente, aquecimento global, renovação energética, etc..

Portanto, não deveríamos nos culpar por nossa – com todo o respeito devido aos suínos – porca administração dos recursos naturais. Afinal, nossos descendentes que serão beneficiados por nossas reformas serão pessoas completamente diferentes daquelas que sofrerão com nossas negligências – e nós só deixaríamos uma dívida para os últimos.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Grande Reino do Petabyte e o Twitter

Clique para ampliar: o que é  quanto é  um petabyte?

Como se vê, espaço é o que não vai faltar, mas tem gente que prefere usar só 140 caracteres (minúsculos 20 KB). Perdoem-me os twitteiros, mas isso, pra mim, é de um pão-durismo mesquinho. Além, é claro, de ser sinal de preguiça de ler e escrever.

Para os twitteiros, vou tentar dar uma idéia de quanto é 1 Terabyte em termos de tuitadas.

Quem quiser, pode acompanhar as contas com uma calculadora simples. Como cada mensagem de 140 caracteres tem 20 KB, umas 50 tuitadas ainda somariam apenas 1 Megabyte (MB) – caberiam num disquete. Para acumular 1 Giga de mensagens no twitter, seriam necessários 50 000 tweets. Multiplique isso por 1000 – 50 000 000 – e ainda dá apenas1 Terabyte. Estima-se que a quantidade de informação processada pelo cérebro de uma pessoa que morre após 80 anos de vida é da ordem de 80 Terabytes. Ou 4 bilhões de tuitadas.  Para alcançar um Petabyte, seria necessário tuitar…. 50 000 000 000 (50 BILHÕES) de vezes. É humanamente impossível tuitar tanto – a não ser que você tenha vida eterna.

Supondo uma média de 4 tuitadas por dia (podem ser mais, dependendo do vício), seriam necessários 12,5 bilhões de dias para acumular tamanha quantidade de informação. Isso equivale a pouco menos de 34,25 milhões anos. Só para se ter uma idéia, os mais antigos ancestrais dos seres humanos apareceram há uns 6 milhões de anos.

Assim, a estimativa de armazenar toda a história escrita da humanidade –  acumulada em meros 6.000 anos de trabalho – em “apenas” 50 Terabytes não parece tão absurda. Mas para armazenar todos os conhecimentos humanos, deveríamos considerar também todas as pinturas, todas as músicas, todas as fotografias, todos os filmes e todas as animações feitas em todas as culturas de todas as épocas. E, se não nos autodestruirmos em breve, numa guerra nuclear, numa catástrofe climática ou num desastroso choque com um asteróide de grandes proporções, ainda teremos centenas de milhões (bilhões?) de anos pela frente para criar e produzir. Qual será o tamanho da herança cultural humana? Impossível estimar, mas o cofre, possivelmente, parecerá pequeno.

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Entre a Eternidade e a Infinidade

Qual seria a sua escolha entre viver uma “vida longa e próspera”, com uma carreira brilhante numa organização política importantíssima e alcançar grande poder sobre a Humanidade ou viver o grande e único amor de sua vida?

Este é o dilema vivido por Andrew Harlan, personagem principal de O Fim da Eternidade (e-book disponível em pdf ou doc), obra clássica do mais prolífico autor do século 20, Isaac Asimov. Como a vasta maioria das obras de Asimov, O Fim da Eternidade é ficção científica, mas também é uma verdadeira novela, cheia de suspense, mistério, intrigas, inveja e muitas reviravoltas, capaz de fazer inveja a muitos romancistas “de verdade”.

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Capa da 1ª. Edição, lançada nos Estados Unidos em 1955.

Essa obra é única na bibliografia asimoviana, pois, em outros livros, os personagens femininos são secundários ou mesmo inexistentes. Aliás, esse padrão de ausência feminina se mantém durante boa parte do Fim da Eternidade. Considerada uma das melhores obras do autor, o Fim da Eternidade é uma ficção científica de boa qualidade e o assunto principal são as sempre fascinantes viagens no tempo – e os estranhos e surpreendentes paradoxos que elas podem criar.

Segundo notícias de abril deste ano, a obra estaria sendo adaptada para o cinema pelo diretor Kevin Macdonald.

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As edições mais recentes do livro: em inglês (esq.) e português (dir.). Preços variam de 29 a 38 reais na Internet.

A Eternidade

A Eternidade é uma espécie de organização política e comercial, um misto de império  e empresa transtemporal, situada fora dos limites  do tempo. Dentro da Eternidade vivem e trabalham os Eternos, que se consideram verdadeiros guardiões da raça humana. Os Eternos trabalham de acordo com uma rígida hierarquia, muito semelhante a um sistema de castas. Esses guardiões formados por homens jovens (de até 16 anos) recrutados através das mais diversas eras. Eles são treinados para viver de forma extremamente racional e não podem demonstrar emoções.

Os seres humanos comuns, que vivem fora da Eternidade, na Terra, dentro dos limites do Tempo são chamados de Tempistas e não têm ideia do que é a verdadeira Eternidade. Os Tempistas acreditam que os Eternos são apenas seres humanos superiores, quase divinos, capazes de viver eternamente – o que não é verdade. Os Eternos vivem mais, mas também acabam morrendo porque o tempo biológico, medido em fisioanos, continua a passar dentro da Eternidade.

As raízes da Eternidade estão no início do século 23 [1] (2201-2300), quando um cientista  que vive nas montanhas da Califórnia –  e que aparentemente é sueco; Asimov sempre se esforça para criar nomes que pareçam neutros ou exóticos, mas isso nem sempre acontece –, Vikkor Malansohn descobre os mecanismos para enviar objetos para o futuro. A primeira experiência parece simples: enviar a cabeça de um palito de fósforo para dois segundos no futuro. Parece pouco, mas demandou 24h de toda a produção energética de uma usina nuclear. Durante os três séculos seguintes, a invenção de Malansohn é aperfeiçoada e surgem fórmulas matemáticas que explicam seu funcionamento. Durante o século 27 (2601-2700), é inventada  a Caldeira[2], capaz de enviar homens e grandes objetos através do tempo. É o início da Eternidade.

Em seus primeiros anos de existência, ainda na História Primitiva [3], a Eternidade apenas tratou de se expandir rapidamente em direção ao futuro e de começar a realizar comércio entre os séculos. A Eternidade estabeleceu entrepostos chamados setores ao longo dos séculos. Isso mesmo, comércio intertemporal. Se há excedentes de madeira (ou vacinas para o câncer) num determinado século e falta em outro, a Eternidade funcionava mais ou menos como uma transportadora, muitas vezes buscando matérias-primas no futuro e vendendo no passado – ou vice-versa.

Entretanto, os Eternos logo perceberam que, pelo bem da Humanidade – que, afinal, era seu mercado consumidor – era preciso retardar, evitar ou mesmo destruir novas tecnologias, especialmente as armas atômicas e os mais diversos sistemas que permitiriam as viagens espaciais. Para isso, a Eternidade passa a usar de seus poderes de viajar através do tempo para criar as Mínimas Mudanças Necessárias (MMN’s) para os Máximos Resultados Desejáveis (MRD’s). Essas mudanças são verdadeiros trabalhos de Engenharia Social e são feitas com o objetivo de manter as sociedades humanas sob uma relativa estabilidade social e política (ou para minimizar o sofrimento humano e garantir felicidade a toda a Humanidade, segundo a Eternidade).

As Mudanças de Realidade começam com observações feitas num determinado Tempo [4] pelos Observadores. Em seguida, Sociólogos  e Esboçadores de Vidas [5] planejam as Mudanças de Realidade necessárias de acordo com as observações feitas. Após isso, as Mudanças de Realidades são implementadas por Técnicos. Técnicos muito experientes podem ascender à posição de Computador Júnior. Os Computadores Sêniores são os Eternos mais experientes e são os detentores do poder político, pois formam um Conselho. Entretanto, alguns membros da Eternidade também podem ser rebaixados para funções de Manutenção: Recepcionistas, Secretários, Mecânicos de Caldeiras, etc.

Resumo da Ópera

Andrew Harlan é um homem de cerca de trinta anos nativo do século 95 (9401-9500). Sua nacionalidade e seu passado em seu século natal são totalmente desconhecidos. Durante seu treinamento, os Eternos perdem quase todas as suas memórias pessoais e jamais podem retornar ao século de que vieram – não podem nem mesmo passar muito tempo num século com características similares às de sua época na Terra.

Harlan começa sua carreira na Eternidade como Observador do setor da Eternidade no século 575 (57.401-57.500), mas acaba se revelando tão hábil que logo chama a atenção do poderoso Computador Sênior Twissel - um homem idoso, de aparência gnômica, quase mágica – e acaba sendo promovido ao posto de Técnico. Harlan passa a ser protegido por Twissel e dele recebe a importante missão de ensinar História Primitiva a um jovem recém-recrutado do século 78 (7701-7800), Brinsley Sheridan Cooper.

A promoção desperta a ira do Computador Júnior que era o chefe de Harlan no século 575  e rival político de Twissel dentro da Eternidade. O Computador Júnior sabe que Harlan tem uma fraqueza: ele é emotivo demais para os padrões da Eternidade. Uma armadilha é armada para o Técnico Harlan durante uma missão para implementar uma Mudança de Realidade no século 482 (48.101-48.200). Esse século apresenta características curiosas: sua sociedade é martriacal, sua cultura é muito similar ao Barroco, mas os costumes são bastante liberais.

É durante essa missão como Técnico que Andrew Harlan conhece a bela, rica e misteriosa Noys Lambert. Ao conhecer Noys no século 482, ele se apaoixona intensamente por ela e comete vários “crimes”: ele se relaciona intimamente com ela, e depois tenta evitar a que ela seja afetada pela Mudança de Realidade que vai implementar. Após consultar, secretamente, um Esboçador de Vida, Harlan descobre que Noys simplesmente não vai existir na Nova Realidade. Ele corre para salvá-la e a esconde  numa seção vazia do século 111.273 (11.127.201-11.127.300)  – um dos quase inacessíveis Séculos Obscuros, situados num futuro (muito) distante, além dos séculos 70.000.

Após seus crimes, Harlan passa a considerar a Eternidade nociva à Humanidade e vai tentar destruí-la. Antes disso, porém, ele precisa resgatar Noys Lambert  do futuro longínquo que ainda é desconhecido pela própria Eternidade.

Twissell sabia desde o começo que a Eternidade corria risco e por isso tenta enviar  Sheridan Cooper para o primitivo século 23.

Mas então tudo dá errado e somente Andrew Harlan tem em suas mãos o destino da Eternidade e de sua própria vida. É preciso escolher entre um dos dois: eis o dilema entre a Eternidade e a Infinidade.

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NOTAS:

[1] Para dar uma noção dos largos intervalos de tempo do livro e para situar o leitor, vamos indicar todos os séculos entre parênteses. Para determinar qualquer século, basta fazer alguns truques simples com uma calculadora (ou mesmo usar a cabeça): multiplique o número do século por 100. Por exemplo: 15x100 = 1500. Esse será o último ano do século 15. O primeiro ano será formado por dígitos que somam 15: 1401, pois 14 + 01 = 15. Em séculos mais distantes, é melhor usar uma calculadora mesmo, pois as coisas se complicam.

[2] Uma Caldeira (Kettle, no original em inglês) se parece muito com uma bolha, de acordo com a descrição do livro. Pode ser uma espécie de campo energético capaz de subir e descer pela escala temporal como um elevador. No livro, os séculos são comparáveis aos andares de um imenso prédio.

[3] História Primitiva é todo o período anteríor ao século 27, época da descoberta da energia nuclear e do surgimento da Eternidade. A realidade da História Primitiva é estática e só muda com a ocorrência de grandes fatos com profundas repercurssões, como guerras e revoluções. Após o surgimento da Eternidade a realidade e a própria História se tornam muito instáveis e maleáveis devido às Mudanças de Realidade implantadas pelos Eternos.

[4] As escalas de tempo da trama são tão longas que só se fala em séculos. Quando é necessário determinar um ano, fala-se em centiséculo. Assim, 2009 seria o centiséculo 20,09, situado dentro do século 21 (2001-2100).

[5] Sociólogos e Esboçadores de Vida são técnicos da hierarquia da Eternidade que estudam as sociedades e os indivíduos de forma racional e sistemática. A Sociologia da Eternidade é praticamente uma ciência exata, pois lida com equações aparentemente complexas para prever ou explicar o comportamento de determinada sociedade (ou de um indivíduo) numa dada época.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Nem tão solitário planeta

Atendendo a pedidos do ilustre Kentaro Mori, autor dos blogs 100 nexos, Ceticismo Aberto e  da coluna Dúvida Razoável, traduzi integralmente o ensaio "Not-So-Lonely Planet", publicado pelo Oliver Morton, editor-chefe da revista Nature na edição de 24 de dezembro último do New York Times. O ensaio baseia-se na famosa foto do "nascer da Terra" sobre a Lua, feita em 1968 pelo astronauta Bill Ander, durante a missão Apollo 8. Eis a minha versão para o português:  


 "O Nascer da Terra"



Nem tão solitário planeta

Oliver Morton


Eles foram à Lua e, durante as primeiras três órbitas em torno dela, foi para a Lua que a sua atenção esteve voltada. Somente na quarta volta eles levantaram seus olhos para ver seu lar planetário, levantando-se silenciosamente sobre as planícies desérticas da Lua, em maravilhosos tons de azul e branco. Quando, mais tarde, na véspera do Natal de 1968 eles leram as primeiras linhas do Gênesis ao vivo na televisão, eles deram sentido aos céus e à Terra, à forma e ao vazio, com aquela maravilha que eles tinham visto nascer sobre o céu negro da Lua.
A fotografia do “Nascer da Terra” feita pelo astronauta Bill Anders é parte do legado duradouro do Programa Apolo – que eclipsa, em muitas memórias, quaisquer novas descobertas sobre a Lua ou um sentido renovado de orgulho nacionalista. Esta e outras fotografias que retratam a Terra trouxeram uma nova perspectiva a tudo aquilo que os humanos compartilham. Como Robert Poole apontou em “Earthrise: How Man First Saw the Earth” (“Nascer da Terra: Como a humanidade viu a Terra pela primeira vez”), essa perspectiva tem profundos efeitos culturais, notáveis na ressonância emocional adquirida através do nascente movimento ambientalista. Vista da Lua, a Terra parecia tão minúscula, tão isolada, terrivelmente frágil.
A imagem não perde beleza nem poder se nos lembrarmos, porém, que era o fotógrafo, muito mais que o planeta, quem estava isolado e que a fragilidade é uma ilusão. O planeta Terra é excepcionalmente robusto e sua força provém de suas antigas e íntimas conexões com o Cosmos ao fundo. Ver a foto dessa maneira não destrói a sua relevância ambiental – antes reforça-a.
É inegável que a Terra seja pequena. Se o sistema solar interno fosse do tamanho dos Estados Unidos, a Terra teria o tamanho de um campo de futebol; se a distância até o centro da galáxia fosse de uma milha, a Terra seria menor que um átomo. Mas se a foto do Nascer da Terra tivesse capturado a Terra na dimensão do tempo em vez do espaço, as coisas seriam diferentes. Em sua duração, ao contrário de seu diâmetro, a Terra precisa ser medida em uma escala cósmica. Em mais de quatro bilhões de anos, ela se estende por um terço da história do universo, ocupa um terço do caminho de volta ao próprio Big Bang. Muitas das estrelas que você pode ver numa noite clara de inverno são mais jovens que o planeta debaixo dos seus pés.
Mera persistência não é, por si só, um grande feito. As rochas estéreis da Lua têm persistido por quase tanto tempo quanto as da Terra. Mas a Terra não tem sido apenas duradoura; tem sido viva. Por quase 90 por cento de sua história, o planeta tem sido habitado e moldado pela vida. Os mecanismos biológicos que operaram na aurora da vida animam as criaturas da Terra até hoje, formando uma corrente contínua durante pelo menos 3,8 bilhões de anos.


Esta vida infalível e ininterrupta demonstra que o planeta está muito longe da fragilidade. A Terra viva é imbatível em escalas difíceis de acreditar. A vida assistiu aos continentes que se chocaram e se despedaçaram, céus brilhando feito carvão em brasa, mares tropicais congelados e imobilizados: ela sobreviveu. Atingida pela radiação de uma supernova próxima, por asteróides, ela pode ter balançado, mas nunca caiu.  Nossa civilização pode estar – ou está – fora de equilíbrio com seu ambiente, os modos de vida humanos atuais podem ser assustadoramente precários. Mas aplicar a fragilidade de nosso modo de vida à própria vida é tolice.
Humanos podem extinguir espécies e diminuir ecossistemas. Tal vandalismo traz riscos reais aos seus perpetradores, uma vez que a civilização humana depende dos serviços prestados por alguns desses ecossistemas. Mas quando se leva em conta a escala planetária da vida, nossa situação é trivial. Humanos não trazem nenhum risco existencial à vida na Terra e nada a ameaçará por centenas de milhões de anos. Rica, variada, sempre mudando – a Terra é tudo isso. Frágil é que não é.
Por que tão robusta? A razão está no segundo grande erro conceitual: que a Terra é isolada. Isso apenas é verdade se o seu sentido de contato depende de matéria física passando de um lugar para outro. A poeira e as rochas que caem do céu vindas do espaço são como pedrinhas lançadas num oceano, ainda que algumas rochas maiores causem um pequeno desconforto ao matar dinossauros. Os traços de gás varridos da alta atmosfera são verdadeiramente desprezíveis. A matéria é depositada a conta-gotas e é levada por um suspiro. Mas a matéria não é tudo.
Uma enxurrada de pura energia luminosa sai do Sol em todas as direções. Oito minutos depois, numa viagem à velocidade da luz, parte desse extraordinário fluxo de energia cai sobre a Terra, inundando-a com uma torrente de 170 mil trilhões de watts. Parte disso é refletida de volta ao espaço; o “Nascer da Terra” do Major Anders capturou aquela luz refletida pelo branco das nuvens e do gelo polar. A maior parte, porém, é absorvida; esta é a energia que move os ventos, faz as ondas e as correntes marinhas fluírem, esquenta as rochas e aquece o céu. O fluxo de energia solar flui para o sistema terrestre e reflui para fora, para o espaço frio e escuro como uma onda de radiação infravermelha.
Uma minúscula fração dessa energia é captada, não pelas rochas, pelos ventos ou pelas águas, mas pela vida. Aquela fração de um por cento da energia capturada pelas plantas e por outros organismos fotossintéticos é distribuída através das cadeias alimentares do mundo. É esta luz solar, infinitamente fresca, que faz a grama crescer, o pássaro cantar – e você, viver. A energia do Sol flui, através do seu cereal matinal no seu café da manhã, para as suas veias e para seu cérebro. Ela te anima como tem animado quase toda a vida da Terra durante bilhões de anos. 
A ciência da termodinâmica nos diz que um sistema fechado tende ao equilíbrio, à indiferença, ao aumento da entropia. Se a Terra fosse um sistema isolado como parece, a tendência inevitável seria a perda, o fim da vida. Mas a Terra é tão aberta quanto o céu. Energia de toda a parte passa por ela, criando infindáveis chances para a complexidade e a improbabilidade, levando a entropia do mundo de volta ao espaço. O fluxo de energia que une quase todos os seres vivos do planeta é o mesmo que liga nosso ambiente ao universo lá fora.
Para que esse fluxo funcione de forma adequada, a energia deve sair da mesma forma que entra. Se o Major Anders estivesse equipado com uma câmera de infravermelho, a energia que sai teria nos mostrado um brilho aquecido no lado noturno do planeta. Quarenta anos depois, aquele brilho pareceria um pouco enfraquecido por que menos energia está saindo daqui. Ao cobrirmos os céus com dióxido de carbono, nós estamos bloqueando esse fluxo energético, aumentando o calor aqui na superfície da Terra. Este aquecimento global por efeito estufa é “café pequeno” em qualquer sentido cósmico. Ele não traz nenhuma ameaça à continuidade da vida na Terra, mas é uma ameaça a dezenas de milhões de pessoas e continuará a ser por gerações.
Felizmente, ver o problema do aquecimento global em termos de fluxo de energia é enxergar sua solução. Ao colocar um pouco da energia cósmica em uso – ao desenvolvermos a energia eólica em verdadeiras fazendas energéticas, a hidroeletricidade, e, a mais promissora de todas, a energia solar – nós poderíamos acabar com a necessidade daquele gás carbônico que está sobrando nos céus. Outros fluxos de energia poderiam ajudar também. Fluxos de calor das profundezas da Terra ou da radiação que herdamos com o urânio das estrelas mortas. Mas é a energia solar que, direta ou indiretamente, irá dominar esse panorama, simplesmente por que é abundante. O Sol entrega mais energia à Terra em uma hora do que a humanidade consome em um ano.
Substituir os combustíveis fósseis, despoluir o nosso planeta e ainda evitar a nossa ruína – o pior de dois mundos – é um desafio épico. Mas a mensagem que emoldura todas as mensagens do “Nascer da Terra” é que nós somos capazes de desafios épicos. Veja só onde a foto foi tirada. Mas “Se nós colocamos um homem na Lua então por que não acabar com a pobreza?...” Isso pode nos mostrar as falhas da sociedade em alcançar metas que eram muito mais simples. Mas lembre-se: nós colocamos um homem na Lua e isso não foi pouca coisa. Esforços numa escala similar no sentido de colher esse fluxo de energia que passa por nós seriam inteiramente apropriados e tornariam as coisas mais fáceis.  Nós não poderemos resolver todos os problemas; algumas mudanças climáticas serão inevitáveis. Mas não a catástrofe.
O “Nascer da Terra” nos mostrou onde estamos, o que podemos fazer e o que temos em comum. Mostrou-nos quem somos nós, em conjunto: o povo de um mundo forte, durável, tocado pela luz da criação contínua.
Oliver Morton é autor de “Mapping Mars: Science, Imagination and the Birth of a World”(“Mapeando Marte: Ciência, Imaginação e o Nascimento de um Mundo”) e, mais recentemente, escreveu “Eating the Sun: How Plants Power the Planet” (“Comendo o Sol: Como as Plantas Alimentam o Planeta”); é editor-chefe da revista Nature.


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Veja também:
Pálido ponto azul, em vídeo, pelo grande Carl Sagan
Salvem o planeta, em vídeo, pelo impagável e inesquecível George Carlin
Not-so-lonely planet, versão original no site do New York Times

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Construindo o Futuro

Eis o pior pesadelo dos peões de obra: robôs na construção civil!!!


Basicamente, é um sistema robotizado de injeção e modelagem (extrusão) de concreto. Tal máquina tem sua ideia baseada no mesmo princípio da impressora de jato de tinta - só que em três dimensões. O processo é chamado de "modelagem de contorno" e é capaz de criar um edifício em questão de horas.

Tal invenção ainda está sendo projetada e testada em escala por Behrokh Koshnevis e equipe, na University of Southern California (Universidade do Sul da Califórnia). Os equipamentos já existentes são capazes de criar, automaticamente, paredes de até 1,82 m. de altura. O projeto conta com apoio e finaciamento da gigante Carterpillar, que atua no ramo de máquinas pesadas.

Nas palavras do próprio Koshnevis:
"O grande desafio em nosso centro tecnológico é construir uma casa com projeto customizado em um dia, reduzindo drasticamente os custos, os ferimentos, o desperdício e o impacto ambiental associados à construção tradicional. Poderíamos prover moradias mais acessíveis e até mesmo construir edificações extraterrenas com materiais disponíveis no local..."
Não é de se surpreender que até a Nasa esteja interessada no projeto. Com ele seria possível construir bases na Lua sem a necessidade de levar astronautas até lá. Uma possível missão tripulada do futuro poderia encontrar abrigos prontos. Obviamente, os custos também seriam mais baixos.

O vídeo a seguir apresenta o trabalho das máquinas em escala e em seguida, animações de computação gráfica mostram como seria o trabalho de verdade, usando dois sistemas diferentes: um fixo (grande e sobre trilhos) e outro móvel (pequeno e sobre rodas).



Eis algumas das minhas conclusões (ou dúvidas) pessoais:
  1. Será que tal equipamento seria economicamente viável, com produção em larga escala?
  2. Se uma impressora comum pode travar, quem garante que isso não pode acontecer com esse sistema? Imaginem se um troço desses "pega" um vírus? Teria de ser um vírus especializado, porém. Coisa feita especialmente para sabotar. Algo com espírito ludista.
  3. Consequências sócio-econômicas: A construção civil é um ramo da indústria que emprega muito. Se sistemas robotizados, como esse, chegarem ao setor, o que será dos peões-de-obra?
  4. Tal sistema, por outro lado, parece ser ideal para a construção de casas populares - projetos que exigem simplicidade e rapidez na execução.
  5. As animações não mostram, mas tais edificações devem ser dotadas de fundações se quiserem ser tecnicamente viáveis. As fundações também seriam feitas de modo automático?
  6. Os terrenos teriam que ser necessáriamente planos? Robôs com rodas não lidam muito bem com terrenos irregulares - os trilhos do sistema "fixo" também não.
  7. E quanto às paredes? Seriam inteiriças, certo? Como se comportariam tais paredes durante longos períodos de tensão causada pelo peso e variações térmicas, além da trepidação causada pelo tráfego? Uma parede comum, de tijolos, é relativamente flexível e, por isso, me parece mais durável.

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