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sexta-feira, 29 de julho de 2011

A anomalia da foto C-S11-32W071-03


Em 1976, uma foto de satélite da NASA, de número C-S11-32W071-03, revelou algo bastante incomum na densa floresta do sudeste do Peru: objetos piramidescos, alinhados em duas fileiras quase perfeitas. Seria aquele o esconderijo de incas-venusianos?

Aquilo, fosse o que fosse, tinha que ser nomeado. Afinal, não seria muito prático ficar usando “anomalia da foto C-S11-32W071-03” nas discussões.  Os entusiastas dos mistérios sul-americanos chamaram-nas de pirâmides de Paratoari (ou pirâmides de Pantiacolla; os crentes, para variar, discordavam sobre os detalhes). Os céticos simplesmente se referiam àquilo como os “pontos”. Entretanto, como quase todas as febres dos anos 1970, esse mistério da selva peruana acabou esquecido por um bom tempo.

Foi somente em 1996 que Gregory Deyermenjian, explorador e psicólogo norte-americano decidiu montar uma expedição e descobrir de uma vez por todas o que eram (ou não eram) as “pirâmides”. Acompanhado dos peruanos Paulino Mamani, Dante Núñez del Prado, Fernando Neuenschwander, Ignacio Mamani e dois índios, Deyermenjian se embrenhou na selva peruana. Foram os primeiros a chegar naquele local. O americano já era um experiente explorador e encontrou diversas evidências de ocupação inca na área: petroglifos, estradas pavimentadas (a.k.a. peabirus) e plataformas. Mas nada das “pirâmides”.

Porém, em uma investigação mais minuciosa, Deyermenjian encontrou algo e percebeu que aquilo não poderia ter sido feito por mãos humanas (muito menos incas-venusianas). O que ele encontrou era nada menos que uma formação geológica natural, as serras de cume truncado de arenito (em inglês, sandstone truncated spur). São apenas falhas de origem glacial ou tectônica com a surpreendente e ilusória forma de uma pirâmide.

Mesmo com o mito das pirâmides de Paratoari detonado, o interesse sobre a área e uma possível cidade perdida ressurgiu em 2001. Naquele ano, o arqueólogo italiano Mario Polia alegou ter encontrado documentos nos arquivos dos jesuítas em Roma. Segundo Polia, um missionário relatava a existência de uma cidade inca conhecida como Paititi naquela área. Faltava apenas descobrir as evidências físicas. Um “forte” chegou a ser descoberto em 2007 mas, como as pirâmides, também não passava de uma extravagância geológica feita de arenito.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Fontana dei Matti

Em todo o mundo, muitos foram os que buscaram a Fonte da Juventude. Mas em Gubbio, uma pequena cidade medieval da Itália, não é difícil encontrar a Fonte da Loucura. Construída no século XVI, a Fontana de Bargello logo passou a ser chamada pelo povo de Fontana dei Matti [Fonte dos Malucos].


Até a fotografia enlouquece perto da Fontana dei Matti! (crédito: lucamoglia.it)

Situada na região da Úmbria, Gubbio sempre teve fama de ser um lugar de gente excêntrica. A Fonte dos Loucos fica no centro velho da cidade e ainda é um ponto de encontro para moradores além de ter se tornado uma atração turística.

De acordo com a tradição local, é possível conseguir uma licença de “matto di Gubbio” [louco de Gubbio] após dar três voltas em redor da fonte e ser batizado com suas águas — mas o batismo só vale se for feito por um cidadão nativo. Com uma grana dá até para conseguir um título de cidadão honorário e, como bônus, um certificado de maluquice legítima.

O folclore por trás (ou em em torno) da fonte pode não ser tão maluco (ou turístico) quanto parece à primeira vista. Estudos geológicos da área de Gubbio mostraram que o solo da cidadezinha italiana é rico em irídio, metal altamente tóxico — o que poderia explicar a secular fama de loucura de seus habitantes.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Em uma palavra [19]

litóclase 
s.f. [do grego lithos, pedra e clastos, quebra] fratura que se forma naturalmente em rochas pela variação térmica; rachadura, fresta. "E mesmo ali, naquela litóclase árida, a vida brotava insistentemente."

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O cão mais azarado de todos os tempos

Em 28 de junho de 1911 um aerolito meteorito caiu na Terra, mais precisamente em Nakhla, no Egito. Um fazendeiro local chamado Mohammed Ali Effendi Hakim afirmou que um dos fragmentos da rocha espacial caiu sobre seu cachorro (o dele, não o seu). 

nakhla500
Cuidado com seus pesos de papel. Eles podem ter sido aerolitos assassinos!

Se isso for verdade, seria o primeiro caso de um animal morto por um aerolito meteorito. Mas é difícil comprovar a história. Não foi possível fazer uma autópsia — o cão, se é que existiu, foi vaporizado.

terça-feira, 15 de junho de 2010

Salvo por uma briga de bar

Em 8 de maio de 1902, Louis-August Cyparis foi preso após uma briga de bar. Por falta de vagas, o operário de 27 anos foi detido numa cela solitária e blindada no subsolo da cadeia de Saint Pierre, na Martinica. Ao chegar à cela, Cyparis percebeu um súbito escurecimento do céu — mas não por falta de iluminação na prisão.

Pelee_1902_1
Foi culpa do Pelé, e não do Edson, entende?
Pouco depois, a cadeia foi varrida por um vento fervente e carregado de cinzas. Cyparis sofreu profundas queimaduras nas mãos, braços, pernas e costas. Ele passou quatro dias cuidando das feridas como pôde, até ser encontrado por uma equipe de resgate. 

Naquela dia de maio de 1902, o Monte Pelée havia entrado em erupção, na maior tragédia vulcânica do século XX. Dos 28.000 habitantes de Saint Pierre, apenas três sobreviveram — e Louis-August Cyparis foi um deles.

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Mais um passo sobre o Oceano Pacífico

O grande terremoto que atingiu hoje o Chile e pôs o litoral do Pacífico em alerta para possíveis tsunamis foi mais um passo do continente sul-americano sobre o Oceano Pacífico. Como já deve ter sido amplamente explicado na mídia, terremotos são causados por choques de grandes placas rochosas chamadas placas tectônicas. No caso do terremoto chileno foi um choque submarino entre a Placa de Nazca e a Placa Sul-americana.

Na verdade as coisas não são tão simples assim. As placas não se chocam repentinamente, como se antes estivessem afastadas. As placas tectônicas, estão, na verdade em constante contato e sempre se movimentam. Tais movimentos são lentos, coisa da ordem de alguns centímetros por ano. Apesar de as placas serem muito grandes e pesadas, mesmo esses pequenos movimentos geram grandes tensões.

Embora sejam resistentes, as rochas não podem armazenar tais tensões além de certo ponto. Assim, depois de vários anos (ou séculos) de acúmulo, a tensão é liberada na forma de ondas sísmicas — e um terremoto acontece. Se a tensão é liberada sob o mar e tiver energia suficiente para deslocar grandes volumes de água, pode haver um maremoto (tsunami).

SE SABEMOS AS CAUSAS, POR QUE NÃO DÁ PARA PREVER UM TERREMOTO?
Um dos motivos é que o estudo dos terremotos é ainda uma ciência muito recente. Apenas no início do século 20 a teoria de tectônica de placas foi proposta. Mesmo assim, como a Geologia é uma das ciências mais conservadoras de todas, a teoria tectônica só veio a ser aceita consensualmente nos anos 70 — depois do último grande terremoto chileno, que atingiu Valparaíso em 1960 com estimados 9,5 graus de intensidade.

Temos, portanto, muito pouco estudo sobre as causas exatas dos terremotos. Não sabemos dizer qual é o limite de acúmulo da tensão tectônica. Mesmo que soubéssemos, seria muito difícil medi-lo e por dois motivos. Primeiro, as áreas de encontro de placas são, naturalmente, lugares de difícil acesso, ainda mais se estiverem debaixo d’água. Segundo, os movimentos diários são tão lentos e profundos que precisaríamos de sensores muito mais precisos do que os que já temos.

Outro motivo é que esses sensores teriam de ser capazes de lançar sinais rápidos e precisos mesmo nas condições extremas que há dezenas de quilômetros abaixo do solo ou do mar — altas temperaturas e grandes pressões. E nós ainda não temos condições tecnológicas de levar tais sensores a tamanhas profundidades. A maior profundidade alcançada pelo homem é um buraco de cerca de 10km situado na Rússia. Só que, dependendo da área, isso pode ser apenas 10% da espessura da crosta terrestre. Nós sequer arranhamos a superfície terrestre.

Enquanto não conhecermos exatamente o que se passa lá em baixo, nós não seremos capazes de fazer previsões precisas, mesmo que tenhamos explicações para as causas.

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