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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Estados Unidos: singular ou plural?

É uma velha dúvida que nos atormenta na hora de escrever sobre a Grande República do Norte: “Estados Unidos é um país” ou “Estados Unidos são um país”? Aparentemente, a dúvida também tem atormentado os estado-unidenses ao longo de sua História. 

Na redação dos primeiros documentos após a Independência, os Pais Fundadores tendiam a usar o plural. Em 1783, por exemplo, John Adams escreveu: “The United States are another object of debate” [“Os Estados Unidos são outro assunto de debate”]. Mais de meio século mais tarde, a 13ª. Emenda proclamava que a escravidão não existirá “no interior dos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito às suas jurisdições.” Ou, no original: “within the United States, or any place subject to their jurisdiction.”

Apesar da tradição histórica do plural, muitos argumentam que o resultado da Guerra Civil — iniciada, ironicamente, pela 13ª. Emenda — estabeleceu uma unificação em sentido moderno nos Estados Unidos. Isto é, na denominação da república norte-americana, a ênfase passou a ser mais a União (com sua singularidade) do que os Estados (com sua pluralidade). 

Como não há nada equivalente a uma Academia Americana de Letras, a questão nunca foi oficialmente resolvida (Até há uma American Academy of Arts and Letters. Entretanto, tal academia é muito mais um clube honorário do que uma autoridade normativa). Vários escritores consagrados e jornalistas já usavam o singular antes da guerra ou continuaram usando o plural após o conflito. O poeta e jornalista William Cullen Bryan (1794-1878), por exemplo, baniu o uso do singular no New York Evening Post em 1870. Ambrose Bierce (1842-1913?) ainda pressionava pelo uso do plural em 1909.

Lentamente, porém, a imprensa foi se fechando em torno do singular. Isso se deu tanto pela ausência de flexão de artigos na língua inglesa — especialmente do artigo definido, the — quanto por razões políticas. Em 1887, um escritor declarou ao Washington Post que “a guerra havia resolvido para sempre a questão gramatical. [...] A rendição de Mr. Davis e do Gen. Lee significou uma transição do plural para o singular.” Oito anos mais tarde, o New York Times observava que “A rebelião tornou as ideias de direito e de soberania dos Estados bastante desagradável às pessoas leais e resultou na correspondente proeminência e popularidade da ideia de nacionalidade.” O diplomata John W. Foster (1836-1917), em artigo numa edição do NYT de 1901, confirmou que “desde a guerra civil, a tendência tem se inclinado para esse uso”, isto é, o singular.

Em português, ambas as formas são aceitas, mas em diferentes contextos. Quando há artigo, usa-se o plural: “Os Estados Unidos são um país da América do Norte.” Sem artigo, usa-se o singular: “Estados Unidos é um país da América do Norte.”

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Como tomar banho, em oito lições (1931)

Não é de hoje que acidentes no banheiro são comuns. Também não é de hoje que se tenta preveni-los com algumas regras para a hora do banho:
Oito regras para tomar banhos

Para ajudar a diminuir o crescente número de acidentes no banheiro, a New Health Society of England apresentou recentemente oito regras.
A primeira regra é sempre manter a janela um pouco aberta para prevenir o envenenamento através de um aquecedor com defeito. A segunda e a terceira regras são nunca tomar um banho quente após uma refeição pesada nem um banho frio se você tem coração fraco. A quarta é ter todos os aquecedores equipados com dispositivos de segurança, para que os tubos cheios de vapor não explodam. As outras regras lidam com as instalações elétricas no banheiro, sendo consenso que choques elétricos são tão comuns quanto fatais quando a pele está molhada ou quando o banhista está numa banheira de metal eletricamente ligada ao solo pelos encanamentos de água. — Modern Mechanix, Maio de 1931

Atentem para um potencial conflito entre as regras 2 e 3 — se você tem coração fraco (e não pode tomar banho frio) e acabou de tomar uma refeição pesada (e não pode tomar banho quente), você não precisa tomar banho de maneira nenhuma porque não lhe sobra nenhuma escolha. Boa desculpa, hein!

sábado, 25 de setembro de 2010

Fulanos

Diversas línguas usam nomes inventados (ou muito comuns) para se referir a alguém cujo nome ou é desconhecido ou não pode ser citado. Eis os parentes estrangeiros de Fulano de Tal:
  • África do Sul: Koos van der Merwe
  • Austrália: Fred Nurk
  • Áustria: Hans Meier
  • Bélgica: Jan Janssen
  • Croácia: Ivan Horvat
  • Estados Unidos: John Doe
  • Eslovênia: Janez Novak
  • Estônia: Jaan Tamm
  • Filipinas: Juan dela Cruz
  • França: Jean Dupont
  • Guatemala: Juan Perez
  • Itália: Mario Rossi
  • Lituânia: Vardenis Pavardenis
  • Malta: Joe Borg
  • Nova Zelândia: Joe Bloggs
  • Rep. Checa: Josef Novák
  • Polônia: Jan Kowalski
  • Romênia: Ion Popescu
Notem que com exceção da África do Sul, da Austrália e da Itália, todos os pseudônimos populares usam equivalentes locais (ou apelidos) de João ou José. O mesmo se dá em português: além de Fulano, nós também usamos Zé-Ninguém.

sábado, 3 de julho de 2010

Fica a Dica (6) — Como abrir uma garrafa de vinho com um sapato

Un vidéo tutoriel en français. Pourquoi est tellement plus chic!



Tire-bouchon est pour les mauviettes!

sábado, 26 de junho de 2010

Cartas na manga

cartas na mesa
Uma pequena fortuna para os canadenses do séc. XVIII

Cartas de baralho eram usadas como papel-moeda nos primórdios do Canadá. Em 1685, o intendente da feitoria francesa em Quebec percebeu que não tinha dinheiro para pagar suas tropas e "sem saber para que santo fazer as minhas preces, ocorreu-me a ideia de pôr em circulação notas feitas de cartas, cada uma cortada em quatro pedaços; e eu lancei uma ordem comandando todos os habitantes a recebê-las em pagamento."

Surpreendentemente, o plano funcionou muito bem e com uma nova falta fundos no ano seguinte, as cartas de baralho voltaram a circular como dinheiro. O sistema monetário improvisado com baralho continuou em uso de forma intermitente durante mais de 70 anos. Apenas o caos da Guerra dos Sete Anos (quando a França perdeu o domínio dobre o Canadá) foi capaz de embaralhar as coisas e tirar as cartas de circulação.

Faculdade de economia é para os fracos!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Etiqueta para incêndios

fire
Você é um verdadeiro gentleman, daqueles que se dispõem até a ajudar as pessoas num prédio incendiado? Mas você também se preocupa com a etiqueta? A lista abaixo, elaborada por Mark Twain, pode lhe ser útil. São 27 itens que devem ser removidos na seguinte ordem de uma pensão (ou de um hotel) em chamas: 

terça-feira, 4 de maio de 2010

Meses Irmãos

Eis algumas coincidências de datas que podem ser úteis, desde que o ano não seja bissexual bissexto:
  • Janeiro começa no mesmo dia da semana que Outubro;
  • Fevereiro começa no mesmo dia da semana que Março e Novembro;
  • O 1º. de Abril cai no mesmo dia de semana que o 1º. de Julho;
  • Dezembro começa "junto" com Setembro;
  • Nenhum mês começa no mesmo dia da semana que Maio ou Junho (tadinhos…).

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Fica a Dica (4) — Converta Km para Milhas e vice-versa

Já tentou imaginar quantos quilômetros há em 5 milhas? Ou quantas milhas são 100 km? Já tentou ter uma ideia de qual seria a milhagem que o odômetro do seu carro marcaria se usasse milhas?

Não é uma conta difícil de fazer. E nem precisa usar o Google!

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Em uma palavra (com números!)

HENDECADIVISIBILIDADE
subst. fem. qualidade de um número que é divisível por 11. Adj: Hendecadivisível. Etim.: do grego en- ou hen- para um e deca, dez. Hendeca portanto, é onze.

Para descobrir se um dado número é divisível por onze — se ele é Hendecadivisível —, basta somar os dígitos que aparecem nas casa pares (primeira, terceira, quinta...) e em seguida somar os dígitos das casas ímpares (segunda, quarta, etc). Se a diferença entre as duas somas for igual a zero ou a um múltiplo de 11, o número original também é um múltiplo de 11.

Por exemplo:

2180743199019


  • Soma dos dígitos nas casa ímpares = 2 + 8 + 7 + 3 + 9 + 0 + 9 = 38
  • Soma dos dígitos nas casas pares = 1 + 0 + 4 + 1 + 9 + 1 = 16
  • Diferença: 38-16 = 22

Como 22 é um múltiplo de 11 (= 11x2), 2180743199019 também é Hendecadivisível.

sábado, 7 de novembro de 2009

O Canivete Suíço de Ockham

A “Navalha de Ockham” (ou Occam) [Ockham’s Razor, ou Occam’s Razor em inglês] é um princípio lógico criado pelo monge franciscano e filósofo inglês William de Ockham, que viveu no século XIV. Ockham era a cidade do condado de Surrey onde o monge nasceu. O princípio afirma que “Entidades não devem ser multiplicadas sem necessidade”. Ou, nos originais em latim deixados por Ockham:
"Pluralitas non est ponenda sine neccesitate"
"Frustra fit per plura quod potest fieri per pauciora"

William usava seu princípio para justificar muitas conclusões, inclusive aquela em que afirma que “A existência de Deus não pode ser deduzida pela razão pura”. Obviamente, seus pensamentos o tornaram muito impopular diante dos outros religiosos de seu tempo, a começar pelo próprio Papa.

OUTRAS LÂMINAS

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Erro 691

Apesar do feriadão, eu sumi misteriosamente. Bem, nem tanto. Eu não fui abduzido por incas venusianos nem fulminado por deuses irados. Como já podem notar pelo título, a culpa não foi minha, mas dessa coisa vaga e sempre (in)definida como "sistema".

Minha internet (by Speedy/Telefonica) simplesmente me deixou na mão, dando-me como justificativa um irritante e incontornável erro 691 — o não reconhecimento da combinação usuário-senha (que estava correto) ou um protocolo irreconhecível enviado pelo provedor. Uma definição tão vaga quanto a solução que me seria dada. Após três longas chamadas para o serviço de atendimento ao cliente, o famigerado SAC, que me encheu o saco por horas e horas e parece não ter se adaptado às novas exigências legais sobre o atendimento ao consumidor. Foram três chamadas por que duas caíram logo após eu conseguir os tais "números de protocolo" que não me ajudaram em nada e sequer foram registrados pelos "sistemas" da Telefonica. Na terceira chamada, após uma eternidade de 40 minutos, disseram-me que o problema estava no modem (fornecido por quem mesmo? ah, pela Telefonica!) e que um técnico seria enviado em até 72 horas (esse prazo ainda não se esgotou, mas o problema e a enrolação do provedor se arrastam desde a manhã de sexta).

Na hora de cobrar, porém, a Telefonica apresenta uma eficiência e uma fome incríveis: R$ 99,90 (sem qualquer opção de mudança de data de vencimento!) e o que eu recebo em troca é um atendimento miserável e antiprofissional - para não dizer ilegal. Isso sem falar que o Speedy é o único serviço de banda — ou seria bunda — larga do país que já passou por um apagão!

Evidentemente, já tentei contratar um serviço mais barato, mas por incrível que pareça, a maior companhia telefonica do Estado de São Paulo — a única, num monopólio vergonhoso — não parece ser capaz de manter a qualidade de suas próprias linhas telefônicas, por que a ligação para o SAC sempre cai.

A Telefonica, enfim, só está "em ação" na mente imaginativa e nas imagens ilusórias criadas pelos grandes marqueteiros desse país. Afinal, é muito mais fácil investir em publicidade barata do que em grandes mudanças de infra-estrutura e aprimoramento humano.

[Update (05/11): o problema foi resolvido após a visita de um técnico. Mas o prazo previsto, de 72 horas, não foi respeitado]

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

O Grande Reino do Petabyte e o Twitter

Clique para ampliar: o que é  quanto é  um petabyte?

Como se vê, espaço é o que não vai faltar, mas tem gente que prefere usar só 140 caracteres (minúsculos 20 KB). Perdoem-me os twitteiros, mas isso, pra mim, é de um pão-durismo mesquinho. Além, é claro, de ser sinal de preguiça de ler e escrever.

Para os twitteiros, vou tentar dar uma idéia de quanto é 1 Terabyte em termos de tuitadas.

Quem quiser, pode acompanhar as contas com uma calculadora simples. Como cada mensagem de 140 caracteres tem 20 KB, umas 50 tuitadas ainda somariam apenas 1 Megabyte (MB) – caberiam num disquete. Para acumular 1 Giga de mensagens no twitter, seriam necessários 50 000 tweets. Multiplique isso por 1000 – 50 000 000 – e ainda dá apenas1 Terabyte. Estima-se que a quantidade de informação processada pelo cérebro de uma pessoa que morre após 80 anos de vida é da ordem de 80 Terabytes. Ou 4 bilhões de tuitadas.  Para alcançar um Petabyte, seria necessário tuitar…. 50 000 000 000 (50 BILHÕES) de vezes. É humanamente impossível tuitar tanto – a não ser que você tenha vida eterna.

Supondo uma média de 4 tuitadas por dia (podem ser mais, dependendo do vício), seriam necessários 12,5 bilhões de dias para acumular tamanha quantidade de informação. Isso equivale a pouco menos de 34,25 milhões anos. Só para se ter uma idéia, os mais antigos ancestrais dos seres humanos apareceram há uns 6 milhões de anos.

Assim, a estimativa de armazenar toda a história escrita da humanidade –  acumulada em meros 6.000 anos de trabalho – em “apenas” 50 Terabytes não parece tão absurda. Mas para armazenar todos os conhecimentos humanos, deveríamos considerar também todas as pinturas, todas as músicas, todas as fotografias, todos os filmes e todas as animações feitas em todas as culturas de todas as épocas. E, se não nos autodestruirmos em breve, numa guerra nuclear, numa catástrofe climática ou num desastroso choque com um asteróide de grandes proporções, ainda teremos centenas de milhões (bilhões?) de anos pela frente para criar e produzir. Qual será o tamanho da herança cultural humana? Impossível estimar, mas o cofre, possivelmente, parecerá pequeno.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Pandemia de Pânico

Tá todo mundo em pânico! E só por causa de uma gripe. Uma gripe nova, claro, mas nada além de uma gripe. A gripe comum já mata cerca de meio milhão de pessoas por ano e niguérm se desespera por isso. Talvez por que já haja vacinas prontas. Ou talvez por que a maior parte dos mortos pela “velha” gripe sejam pessoas idosas que ainda se recusam a se vacinar.

A taxa de letalidade da Gripe H1N1 é apenas um pouco maior que a comum. E ela é capaz de afetar – e matar - pessoas jovens por que ainda se trata de um vírus (quase) desconhecido, contra o qual as gerações mais jovens não têm defesa. O H1N1 é basicamente o mesmo vírus que causou a maior epidemia desde a Peste Negra: a Gripe Espanhola, que matou 50 milhões de pessoas em 1918-1919.

h1n1-1918 Gripe Espanhola: Condições precárias foram a causa de tantas mortes.

RELATO DOS FATOS ANTECEDENTES

Porém, é preciso levar em conta o contexto histórico daquela época, pois essa é a verdadeira explicação para tantos mortos. A Europa estava arrasada pelo Primeira Guerra Mundial – cada vez menos lembrada que a Segunda. Os europeus já tinham que lidar com sérios problemas, como o grande número de mortos, o declínio econômico, a agitação social e a consequente instabilidade política. Dentro desse contexto, embora já fosse possível produzir vacinas, isso era ainda mais complicado. Até porque, obviamente,  se sabia muito menos sobre gripe e outras doencças virais do que sabemos hoje. Os vírus estavam sendo descobertos e começavam a ser estudados mais ou menos nessa época. Como é que, então, iam diferenciar o vírus mais comum da nova variante letal, se nem existiam microscópios eletrônicos ou exames genéticos? O DNA só foi descoberto 44 anos depois.

Portanto, a Gripe Espanhola só foi assim tão mortífera porque aconteceu no momento errado e começou a se manifestar no lugar errado. Outras epidemias de gripe do século passado foram bem mais amenas, como a Gripe de Hong Kong em 1968 e a Gripe Russa de 1976-77. Ao contrário do que aconteceu com a economia, que sempre se esquece de suas crises, os epidemiologistas puderam evitar o pior nas epidemias mais recentes por que já sabiam o que tinha dado errado com a Gripe Espanhola. Há, ainda o fator evolutivo por trás de cada epidemia de gripe.

Embora não sejam propriamente seres vivos, os vírus estão sujeitos aos mecanismos da evolução. Afinal, são apenas fragmentos replicantes de código genético. Assim, podem passar por mutações que favoreçam ou dificultem sua reprodução. No começo desta década, tivemos o surto de Gripe Aviária, causada pelo vírus H5N1. Muitos analistas – ou seriam sensaciolistas – previram uma nova catástrofe comparável à Gripe Espanhola.

Talvez fosse até pior. A Gripe das aves surgira no continente asiático, o mais populoso do mundo. Aves migratórias poderiam levar a doença para a América e a Europa. E os novos meios de transporte poderiam atuar como eficientes vetores da nova doença para o mundo todo.

Só que se esqueceram de algo muito simples: aquela gripe tinha um ciclo de infecção sustentável e alta taxa de letalidade apenas entre as aves. Foram registrados poucos casos de contágio de pessoa para pessoa. Menos casos ainda foram registrados fora da Ásia. Pouco mais de 250 pessoas morreram. O cenário apocalíptico foi uma grande decepção para os crentes na proximidade do fim do mundo.

A Gripe Asiática foi um tremendo fiasco justamente por ser muito letal. Tão letal que o H5N1 não teve tempo de “aprender” a se espalhar de pessoa pra pessoa e acabou morrendo junto com seus infectados. É, até os vírus podem agir de forma idiota – aparentemente idiota,  pois não contam com qualquer tipo de consciência.

swineflu “Olá, eu sou o H1N1!”

APOCALIPSE NOW!

Mas tanto os “cavaleiros do apocalipse” quanto os sensacionalistas – boa parte da mídia incluída – se animam quando uma nova epidemia de uma gripe totalmente nova surge no México. Quando a doença cruza a fronteira com os EUA, parece que o fim do mundo está próximo! Os antiamericanistas se rejubilam – silenciosamente, é claro.

Cerca de 2.000 pessoas morrem, e a chamada gripe suína chega ao Brasil via Argentina. Aqui, são cerca de 1.586 infectados e apenas 192 mortes. [fonte]. Mas os constantes esclarecimentos e os dados divulgados pelo governo não podem ser verdade. Eles devem estar escondendo alguma coisa além dos atos secretos. E começam a surgir e a circular e-mails e videos conspiracionistas que prestam um verdadeiro desserviço ao divulgar infomações falsas com o simples propósito de espalhar pânico e medo. 

Com que resultado? Aulas são suspensas, festas são evitadas, viagens são canceladas. Máscaras cirúrgicas –que deveriam ser utilizadas apenas pelos portadores de casos confirmados – se tornam item obrigatório na coleção outono-inverno. Lavar as mãos se torna uma rotina paranóica. As pessoas correm às farmácias em busca de antivirais. Onde foi parar a nossa racionalidade? Por que é tão difícil parar e pensar um pouco durante uma epidemia, seja ela qual for?

A AIDS tem 25 milhões de contaminados e milhões de mortos em 25 anos e as pessoas, principalmente os homens, ainda se recusam a usar preservativo. Mas quando surge uma gripe desconhecida ninguém recusa uma máscara, né? Ano após ano a dengue , doença incurável e sem vacina, que afeta a vida de milhões de brasileiros e até mata alguns milhares, mas ninguém quer se responsabilizar por previni-la, apesar das insistentes campanhas educativas em todas as mídias e nas escolas. Mas é só aparecer uma doença nova – porém facilmente curável – que todo mundo se recobre com os maiores cuidados.

HIGIENE MA NON TROPPO

Não se pode reclamar da higiene do mundo moderno. Felizmente, até as pessoas mais humildes e menos instruídas sabem que sujeira é fonte de doenças. Mas será assim tão seguro lavar as mãos o tempo todo. Se não tivermos contato com um vírus ou um pedaço de vírus que seja, mesmo morto, como vamos desenvolver resistência a eles? Vamos esperar as vacinas ficar prontas? Vamos correr às farmácias ao menor sinal de gripe? E depois, quando surgirem vírus resistentes, o que faremos?

Nova Gripe, Gripe A(H1N1), Gripe Suína, Gripe Mexicana. Qualquer que seja o nome, ela não é nada mais que uma gripe. E como toda a gripe, não vai causar o fim do mundo, vai simplesmente passar. Mantenha as mãos limpas, mas nem tanto. Porque se sujar faz bem. Mantenha-se hidratado, mas nem tanto. Espirre à vontade (Aaaaatchooôuuumm!!!), mas nem tanto. Por que o que mata mesmo são os excessos. E vivemos num mundo cheio de excessos – a começar pelo excesso de pânico.

LEITURAS RECOMENDADAS

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Fica a Dica (1) - Dicas para aprender inglês (quase) sozinho

Falar – e escrever –, comunicar-se em inglês hoje é quase fundamental. Entretanto aprender uma segunda língua não é fácil. Mas é uma experiência útil que pode se tornar até mesmo um prazer. Tudo depende, é claro, da maneira como se aprende e do interesse que se tem.

Antes de começar a passar as minhas dicas, vou escrever um pouco sobre minhas experiências com o aprendizado de inglês.

Se você quer aprender inglês só para conseguir boas notas no colégio, provavelmente jamais vai compreender bem as estruturas e os meandros da lingua franca do mundo contemporâneo. Não importa se você estuda em escola pública ou privada.

Em ambos os casos, o ensino de inglês é, no mínimo, deficiente – e por diversos motivos. Digo isso por que conheci os dois sistemas. Em escolas públicas são comuns os casos de professores com formação deficiente ou inadequada.

Não é raro encontrar por aí professores que dão aula de inglês mas são formados apenas em pedagogia, letras (apenas “letras portuguesas”) ou até mesmo cursos totalmente distintos  como artes, por exemplo. Tais professores tendem a ser extremamente ruins pois lidam com algo que claramente não conhecem bem e podem até ser profissionais infelizes. Isso, por si só, já pode desanimar a maioria dos alunos.

Em escolas particulares, é muito comum encontrar professores com boa formação, que fizeram até intercâmbio e falam inglês for sure. O problema, entretanto, pode estar em métodos de ensino ineficientes e pouco estimulantes, além do perigo de se prender apenas àquilo que as apostilas tratam.

Em ambos os sistemas de ensino há um erro em comum: procura-se ensinar a ler, tenta-se ensinar a escrever, mas raramente há esforços no sentido de ensinar e praticar o inglês falado (e ouvido). Foi após uma aula inteiramente dada em inglês que eu me dei conta que não poderia mais resistir ao aprendizado daquela língua estrangeira.

Até então eu odiava o inglês,  por razões ideológicas e por pura ignorância, além de um certo desprezo. Mas eu percebi que se as aulas inteiramente dadas em inglês se repetissem – e se repetiram, às vezes – eu acabaria perdido se não me interessasse de verdade. Assim, deixo desde já uma dica a quem ensina inglês: tentem praticar e estimular a conversação desde o começo. Isso é bom por dois motivos:

  1. estimula a curiosidade e chama a atenção dos alunos ao mostrar que o inglês não é uma língua apenas praticável, mas extremamente prática e mais simples do que pode parecer; e como todos sabem, a prática leva à perfeição.
  2. o que o mercado de trabalho exige de verdade é o inglês falado – fluentemente falado; as entrevistas em inglês não são feitas por escrito.

As dicas que vou passar abaixo são frutos de minhas próprias experiências e reflexões como um estudante autodidata que odiava a língua inglesa, mas se apaixonou pela língua de Shakespeare à medida que a compreendia.

Ressalto que não sou um professor – muito menos um profissional - e que as técnicas que eu adotei podem ter resultados muito variáveis, pois dependem muito do esforço próprio, do interesse pessoal e da dedicação.

1) Conheça a sua Própria Língua

Se você já não fala português corretamente, não escreve direito e não gosta de ler, dificilmente vai ser capaz de aprender uma segunda língua, qualquer que seja ela. Isso pode ser corrigido com boas e múltiplas leituras, para ampliar o vocabulário, aprender a escrever e a falar em bom português.

Se você não gosta de ler, o ideal é começar lendo algo que te interesse. Se não tem um interesse definido, defina-se! Se não conhecer nenhum livro ou revista interessante, peça dicas a amigos ou professores que gostem de ler.

Mas é preciso ter cuidado para não prender a leitura a apenas um assunto ou a um tipo de mídia. Leia de tudo um muito, de enciclopédias a bulas de remédio e rótulos de shampoo, passando por gibis, jornais, livros e revistas, além de sites e blogs (orkut e fotologs não valem).

Se você não tem condição de comprar livros novos, leia o que estiver à mão, mesmo que sejam poucos livros. Com o tempo, você vai ter que ler tudo de novo por falta de material. Isso pode parecer chato e até mesmo idiota, mas depois de algumas releituras você acaba, pelo menos, desenvolvendo uma boa memória, pois vai se lembrar das histórias.

Outra opção é comprar livros e revistas usados em sebos ou baixar e-books na internet. Os e-books, porém, ainda apresentam o sério desconforto da falta de portabilidade, pois você precisa de um computador (e eletricidade) para lê-los.

2) Aprofunde-se

Não se contente com o que aprendeu na escola. Tome por base o que aprendeu na sala-de-aula para mergulhar de cabeça na cultura inglesa (ou de qualquer outro idioma). Procure aprender expressões idiomáticas, provérbios e ditados populares, gírias e até mesmo palavrões. Tudo isso é muito útil, mas raramente é ensinado nas escolas por um certo “pundonor excessivo” ou por pura falta de tempo.

Para aprofundar-se, vai ser preciso, pelo menos, saber ler e compreender o inglês escrito, pois é recomendável o acesso a sites gringos. Mas tudo fica mais fácil – e mais agradável - se você usar músicas e/ou filmes para começar a aprender.

Procure conhecer as letras das suas músicas estrangeiras preferidas. Diversifique o seu repertório: quanto mais diverso forem os sons que você ouve, mais você vai aprender a notar diferentes rimas e pronúncias – o inglês, como todas as línguas, também tem seus sotaques.

Uma dica que recebi de um professor de química (!!) foi assistir a filmes legendados várias vezes. Na primeira vez, você pode se concentrar nas legendas para acompanhar a história. Na segunda, pode tentar ouvir as falas e, só em caso de dúvida, recorrer à legenda. Se for um DVD e tiver opções de legendas e áudio, pode-se assistir o filme mais uma vez, agora com legendas e áudio em inglês. É sempre interessante descobrir a verdadeira voz dos atores – às vezes é até desanimador comparar as vozes originais com versões dubladas totalmente diferentes.

3) Leia, Traduza e Escreva

Não se desanime diante de um texto em inglês, qualquer que seja o tipo de texto. Leia-o quantas vezes for necessário para entendê-lo. Se for preciso, tenha um dicionário à mão. Leia os dicionários também. Tal como em português, mantenha a leitura diversificada. Leia sobre tudo o que puder. Explore a internet. A imensa maioria dos sites e blogs é escrita em inglês. Tente também aprender algo útil com instruções em inglês – de programar o DVD até desenhar.

Após estar familiarizado com o inglês escrito, comece a traduzir. Mas não seja preguiçoso. Não use tradutores eletrônicos como o Google ou o Babylon. Eles ainda são muito ineficientes pois se baseiam em poucas definições entre línguas diferentes, o que resulta em traduções muito pobres que acabam ficando sem sentido.

O ideal é começar a treinar a tradução pelas letras de música, que normalmente são curtas e têm vocabulário bastante diversificado (afinal, músicas repetitivas são um saco). Mas tenha o cuidado de não tentar forçar a tradução de músicas (ou poesias). As rimas inevitavelmente se perderão e o ritmo acabará sendo diferente, mesmo que você já tenha um amplo vocabulário tanto em português quanto em inglês.

Você também pode encontrar muitas surpresas. Músicas que parecem alegres podem ter letras tristes ou músicas que soam inofensivas podem ter letras pesadas. Procure ouvir não só o ritmo que você gosta, preste a atenção às letras, especialmente às que trazem mensagens positivas ou que sejam divertidas. Da próxima vez que tentar cantar, você vai saber o que a música quer dizer – além, é claro, de aprender a cantar sem embromation.

Procure escrever algo em inglês. No começo é difícil, especialmente quando ainda não se domina bem as estruturas verbais e o vocabulário que se tem é restrito. Tente, pelo menos. Não se desanime com seus erros. É normal, pois foi assim que você começou a escrever em português também (lembra-se dos garranchos das primeiras séries?).

Outro ponto importante na hora da escrita é a ortografia. O inglês tem uma ortografia muito diferente da pronúncia. Letras mudas são comuns. Letras com som de outra, mais ainda. Resista à tentação de escrever como se fala. Desse jeito você pode até fixar a pronúncia, mas nunca vai ser capaz de escrever em inglês. Respeite também as regras gramaticais. O inglês tem menos tempos verbais que o português e muitas vezes a ordem das palavras é diferente. Uma simples troca na ordem das palavras pode mudar completamente o sentido da frase. Assim, jamais tente montar uma frase em inglês com a estrutura gramatical portuguesa.

4) Ponha o seu Inglês (e seu Cérebro) para Funcionar

Mesmo que você tenha aprendido a ler e até a escrever em inglês, todos os seus estudos e esforços serão inúteis se você não aprender a falar e a ouvir inglês. Algumas pessoas aprendem primeiro a ler e a escrever em inglês, outras já começam logo a falar e a compreender a língua falada. Assim, procure estudar com alguém, para poder praticar a conversação quando se sentir seguro. Se puder ser alguém com um  ritmo ou modo de aprendizado diferente, é melhor. Se for alguém do sexo oposto será melhor ainda – a não ser, é claro, que você seja gay.

Um passo fundamental e talvez indispensável para comunicar-se em inglês é aprender a pensar em inglês. Por que pensar em uma língua para falar em outra é um processo muito complicado, que pode causar muitos erros e mal-entendidos. Tente começar a pensar com sentenças curtas. Tente expressar sentimentos ou evocar memórias em inglês. Faça traduções mentais do português para o inglês dos textos que lê ou das falas que ouve. Imagine algum ídolo brasileiro falando inglês. Tente imitá-lo. Só não vá imitar o Joel Santana, por favor.

5) Links Úteis

Newseum | Today’s Front Pages | Map ViewSite que mostra as primeiras páginas dos principais jornais do mundo. Útil não só para quem quer aprender inglês.

Mygazines.com - upload. share. archive. – Site de compartilhamento de revistas em diversos idiomas.

Drawspace.com - Drawing lessons – Lições de desenho e fóruns grátis para usuários cadastrados (em inglês)

livemocha.comOferece cursos gratuitos de inglês e várias outras línguas.

Letras de músicas - Letras.mus.br Bom lugar para procurar letras de música (D’oh!). Tome cuidado com as traduções disponíveis neste site, pois muitas são duvidosas ou até mesmo incompletas.

StumbleUpon: Personalized Recommendations to Help You Discover the Best of the Web Ou seja: Recomendações Personalizadas para te Ajudar a Descobrir o Melhor da Web. Plug-in para Firefox e Internet Explorer que seleciona sites aleatoriamente de acordo com suas áreas de interesse e suas opções de língua. Altamente recomendável.

Espero apenas que estas dicas, apesar de não serem tão curtas, sejam claras e úteis para alguém. Se tiverem mais dicas para aprender inglês ou mesmo outra língua, por favor, colaborem e deixem um comentário.

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