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sábado, 26 de novembro de 2011

“Alimentos no Ano 2000”

Em 1894, o Professor (e Químico-Orgânico) francês Marcelin Berthelot publicou um artigo com o título acima na McClure’s Magazine. Seriamente entusiasmado, ele previa um mundo no qual a Química substituiria integralmente a Agricultura como fonte de sustento alimentar dos seres humanos:
Campos de trigo e de milho estão para desaparecer da face da terra porque farinha e carne não serão mais criadas, mas fabricadas. Rebanhos de gado, de ovelhas e de suínos deixarão de ser criados poque o bife, a carne de carneiro e a de porco serão manufaturadas diretamente de seus elementos. Não há dúvidas de que frutas e flores continuarão a ser cultivadas, mas apenas como pequenas luxúrias decorativas e não mais como fontes necessárias de alimento e ornamentação. Não haverá, nos grandes trens aéreos do futuro, vagões de grãos ou gado, pois os elementos fundamentais dos alimentos existirão por toda parte, sem precisar de transporte. O carvão não será mais extraído do solo — com exceção, talvez de transformá-lo em pão ou carne. Os motores das grandes indústrias alimentícias serão movidos não por combustão artificial, mas pelo calor subjacente ao globo.

Em resumo, o que o Prof. Berthelot (1827-1907) previa era que hoje estaríamos nos alimentando de pílulas concentradas com proteínas, gorduras e carboidratos sintetizados em fábricas movidas a energia geotérmica!

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Auto-atendimento bancário (1938)

Se você acha que a sociedade moderna já é excessivamente sedentária e dependente dos automóveis, a coisa poderia ser bem pior se essa ideia de “auto-atendimento” tivesse decolado:


Banco oferece serviço drive-in
Para responder às necessidades e à conveniência de seus clientes motorizados, o Security-First National Bank de Los Angeles construiu uma agência drive-in. Neste banco, o cliente entra com seu carro através de uma pista especial, ao longo da qual há janelas onde ele pode completar suas transações. Após encerrá-las, o cliente retira-se através de uma saída especial. — Modern Mechanix, Setembro de 1938

Se uma fila de banco já é ruim, imagine uma fila de banco com centenas de metros de comprimento queimando gasolina...

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

“Os combustíveis do futuro” (1889)

Com a perspectiva de o carvão se tornar tão raro quanto o próprio dodô, o mundo, dizem-nos os cientistas, poderá vir a olhar com complacência a falha de nossas reservas de carbono ordinário. Os gases e óleos naturais [petróleos] do mundo irão abastecer a raça humana com material combustível por incontáveis eras — esta é, pelo menos, a opinião daqueles que estão mais bem-informados sobre o assunto. — Glasgow Herald, citado no suplemento nº. 717 da Scientific American, 28 de setembro de 1889
E, como sempre, os otimistas “mais bem-informados” se mostraram errados. O então recém-inventado automóvel e o aeroplano então em gestação devorariam (quase) todas aquelas reservas de petróleo e gás suficientes para “incontáveis eras” em pouco mais de um século.  O carvão, porém, continua firme e forte — e, embora não seja muito ecológica, a versão vegetal é renovável.

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O futuro, segundo uma cabeça falante (1987)


A matéria de capa da OMNI Magazine — então uma importante revista americana de ciência e ficção científica — no distante mês de janeiro de 1987 era um tanto clichê: “14 great minds predict the future” [14 grandes mentes preveem o futuro]. A OMNI perguntou a pessoas que então eram importantes, nos mais diferentes campos, o que a humanidade podia aguardar para 2007. Houve, previsivelmente, previsões sobre um pouco de tudo: da paz no Oriente Médio à TV em 3D.

Hoje, uma das mais interessantes, por seu tom pessimista e por seu tremendo equívoco tecnológico é a que foi feita por David Byrne. Ao olhar para sua bola de cristal e escrever sobre o futuro da arte, da televisão e do pop, o vocalista e compositor do Talking Heads viu um futuro um tanto conservador, no qual os computadores nunca seriam capazes de auxiliar artistas em seu processo criativo. Um excerto da sua previsão para a OMNI é o que segue:

sábado, 23 de julho de 2011

Patentes Patéticas (nº. 17)


Cuidado! Frágil!
Mumificação é algo tão 4.000 a.C., tão mainstream... Mas graças a Joseph Karwowski, agora você pode morrer de modo muito mais moderno, com estilo e, diferentemente das múmias, ficar lindo por toda a eternidade*. Em 1903, Karwowski patenteou um “método de preservação dos mortos” brilhante. Como a criogenia, o método é caro e lento, mas indolor. Trata-se de revestir e isolar hermeticamente o falecido em um bloco de vidro transparente. 

Perfeito para quem tem medo não apenas de morrer, mas de ser enterrado, cremado (e ter suas cinzas cheiradas por alguém) ou congelado num caixão criogênico. Não tem muito espaço para dividir com um cadáver envidraçado? Sem problemas, segundo a patente: “Na Fig. 3, eu apresentei apenas a cabeça do corpo inserida no interior do bloco de vidro transparente. É evidente que apenas a cabeça pode ser preservada dessa maneira, se assim for preferido.” 

Pelo menos serve como um bom peso de papel. Pois crânios são tão mainstream como pesos de papel...


________________________
*A eternidade do produto/serviço só é garantida até aquele seu distante e desastrado descendente de 10 anos encontrar alguma forma de quebrar seu sarcófago cristalino. Não se esqueça de deserdá-lo por isso.

sábado, 7 de maio de 2011

Patentes Patéticas (nº 06)


Em 1949 — muito antes de se falar em economia de energia, energias alternativas ou carros híbridos —, J. D. Stokes teve uma ideia sensacional: por que desperdiçar energia com um carro e uma máquina de lavar quando é possível acoplar uma lavadora em uma das rodas?

Para lavar roupas em suas calotas, adicione água e sabão por uma abertura (nº. 48, segundo a figura) e dirija em baixa velocidade. Para secar, basta repetir o ciclo (ou o percurso), preferencialmente em velocidade maior. Se a capacidade da calota-lavadora lhe parece pequena, lembre-se de que você pode multiplicá-la por quatro e lavar as roupas da família inteira.

Na patente, Stokes afirmava que sua invenção seria útil para “campistas, aqueles que vivem em trailers e outros viajantes.” Também poderia ser altamente recomendável para quem não tem espaço em casa para um varal ou uma máquina de lavar — ou então para assassinos, que podem fugir rapidamente e livrar-se das roupas ensanguentadas en route.

A não ser, é claro, que as calotas sejam roubadas. Afinal, uma peça multiuso certamente valeria muito mais que um disco de plástico.

domingo, 17 de abril de 2011

50 Anos-Lesma

yuriearth_iss_900
A ausência do homem no espaço é sinal de que desperdiçamos uma chance enorme de evoluir. Garantir a autodestruição é sempre mais fácil, seguro e barato do que adaptar-se aos novos tempos.
Há meio século, Yuri Gagarin foi o primeiro a chegar aonde nenhum homem jamais estivera — o Espaço Sideral. Parecia ser o início de uma nova era, há muito imaginada pelos autores de ficção científica. Essa seria a nova Era das Grandes Navegações, que agora se desenrolariam no vasto profundo Oceano Cósmico. Mas ao contrário do louvor camoniano, “se mais espaço houvera, lá não chegara.”

Pois cinquenta anos depois do primeiro homem no espaço, colônias de férias na Lua, cidades em Marte e mineradores no Cinturão de Asteróides ainda são fantasias distantes da realidade. Viagens espaciais são hoje algo tão excepcional que ainda nos lembramos do nome do primeiro viajante (compare com as viagens de trem, por exemplo. Alguém ainda se lembra do primeiro passageiro?)

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Porra, McFly!

Lembre-se, se você viajar até o futuro e tiver uma sensação de déjà vu, nunca tente evitar isso — Nunca! Os resultados podem ser desastrosos:

“Book'em Danno!”

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Multifuncional para a cozinha (1952)

Anúncio encontrado na edição de setembro de 1952 da Collier’s Magazine (via Modern Mechanix):

general_fridge

Naquela época, os anúncios de eletrodomésticos se limitavam apenas a descrever o produto e nem de longe ofendiam sua inteligência com frases de efeito apelativas.
COZINHE e LAVE em seu REFRIGERADOR!
Cozinha completa em 5 pés quadrados [meio metro quadrado??]. Combina refrigerador, pia, três bocas de gás, e gaveta para panelas. Disponível com queimadores elétricos, 220 ou 110V. Também sem pia. 5 anos de garantia.
General Air Conditioning Corp.
Vendas e serviços para todo o país
Para detalhes, onde comprar, escreva: 4530 E. Dunham St. • Los Angeles 23, Calif. Escritório em Chicago: Dept. 6, 323 W. Polk Street
Estranho como algo tão genial simplesmente não pegou. O fato é que as cozinhas americanas sempre tiveram espaço de sobra e pouco depois o microondas e os restaurantes fast-food praticamente matariam o fogão em muitos lares — mas ainda não criaram um combo micro/pia/geladeira que sirva de brinde no McDonald’s...

domingo, 19 de setembro de 2010

A Incrível Memória do Pinóquio Mecânico

Em 1928, o Instituto Franklin, na Filadélfia, recebeu uma curiosa doação. Era um autômato muito engenhoso, mas de origem e autoria desconhecidas. Movido por molas e guiado por uma série de engrenagens, o homenzinho mecânico era capaz de desenhar sete figuras diferentes e escrever versinhos em inglês e francês. Mas o pequeno menino de lata estava severamente danificado, pois fora encontrado entre os escombros de uma casa incendiada —  e impropriamente vestido como uma boneca.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Bebês em Curto

Bebês Isolados Crescem Mais Rápido
Para fazer seu bebê crescer mais rápido, isole seu berço da eletricidade do chão, das paredes e do solo. Para reduzir seu crescimento, aterre seu berço com bandas flexíveis de metal. Esta é a extraordinária conclusão encontrada por M. Vles, de Estraburgo, França, que conduziu experimentos em dois grupos de três bebês. Os que foram isolados cresceram mais rápido do que o trio aterrado, pelo que se presume que a eletrificação do solo e do ar tem uma influência real no crescimento humano.

Modern Mechanix, Abril de 1933

Isso significa que anões são resultado de curto circuito em berços? E como é que alguém pode ter levado a sério um estudo feito apenas com seis bebês em um universo de centenas de milhões???

sexta-feira, 2 de julho de 2010

De volta para o passado

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Cumprir o papel de "testemunha ocular da história" pode levar a um tipo meticulosamente estranho de responsabilidade. Em 10 de março de 1975, o New York Times saiu com a data errada após um pequeno erro tipográfico. No cabeçalho, lia-se: "10 de Março, 1075".

Qualquer leitor comum teria entendido que foi apenas um erro tipográfico — um typo —, mas os editores do jornal começaram a ficar preocupados. Eles temiam que historiadores do futuro ficassem confusos ao encontrar uma edição do Times aparentemente lançada em plena Idade Média. Portanto, no dia seguinte, o NYT saiu com uma errata histórica (em todos os sentidos):
Na edição de ontem, o New York Times não relatou as revoltas em Milão e o subsequente assassinato do reformista religioso Erlembaldo. Esses eventos ocorreram em 1075, o ano que aparece na linha de data da 1ª. Página. O Times pede desculpas por ambos os incidentes.
Os editores do maior jornal do mundo podem parecer espertos. Mas não foram. E se a edição que contém a errata desaparecer?

Não tem problema: os historiadores do futuro ainda poderiam usar testes de carbono-14 — ou até técnicas mais sofisticadas — para determinar a autenticidade do suposto Times medieval.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Roadtown, a cidade-estrada

Preocupado com os problemas do déficit habitacional e do transporte, o inventor americano Edgard Chambless imaginou um moderno arranha-céu deitado, estendendo-se pelo país afora. O projeto foi chamado de Roadtown, ou Cidade-Estrada. Essa "casa contínua" de dois andares deveria ser "uma maneira plausível de juntar habitação e transporte em um mecanismo", com um monotrilho no porão, fazendas em ambos os lados, e uma pista no teto para ciclistas e patinadores.

"Roadtown é um projeto para organizar a produção, o transporte e o consumo em um plano sistematizado", escreveu Chambless em um livro-manifesto em 1910. "Na era dos tubos e cabos e das ferrovias de alta velocidade, tal projeto necessita de um edifício em uma dimensão e não em três." Chambless também defendia a quebra da oposição entre zona rural e zona urbana. Para ele, Roadtown seria uma cidade com o melhor de dois mundos.

Um amigo de Edgard, Milo Hastings, também promoveu a ideia, escrevendo artigos para diversas revistas durante toda a década de 1910. Em 1919, o projeto foi reconhecido como o melhor num concurso do Instituto Americano de Arquitetura para "apresentar as melhores soluções do problema habitacional." O sucesso foi tão grande que Thomas Edison até doou algumas de suas milhares de patentes para ver Roadtown de pé. No entanto, nem Edison nem Chambless nem Hastings viram o projeto pronto — a ideia nunca saiu do papel.

domingo, 6 de junho de 2010

O futuro do cinema, segundo Thomas Edison

Os americanos preferem um descanso tranquilo na sala de cinema e, para eles, as palavras saindo dos lábios das figuras na tela acabariam com a ilusão. Aparelhos para projetar o discurso do ator do filme podem ser viáveis, mas a ideia não é prática. O palco é o lugar para a palavra falada. As reações do público americano até agora indicam que os filmes não vão substitui-lo.

— Thomas Edison, em entrevista para o New York Times em 21 de maio de 1926.
Embora já estivesse velho, Edison viveu o bastante para ver como estava errado em relação ao futuro do cinema — uma arte que deve muito a ele. Um ano e meio depois dessa entrevista, estreava ali mesmo, em Nova York, o primeiro filme falado da história: The Jazz Singer [O Cantor de Jazz].

Ironicamente, o próprio Edison foi um pioneiro na sonorização do cinema: já em 1894, ele tentou sincronizar duas de suas invenções: o fonógrafo e o kinetoscópio, mas não teve sucesso.

Aliás, não é de hoje que Hollywood tem uma queda pelas novidade tecnológicas: The Jazz Singer foi um dos primeiros filmes a ganhar o Oscar.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Os músicos do futuro (1906)

Depois de tentar, com algum sucesso, imaginar o teatro do futuro, T. Baron Russell escreveu — num estilo bastante tortuoso — o seguinte sobre como seria a música de nossa época:
[O] próprio músico profissional, como o ator, vai deixar de ser considerado como um tipo de arlequim superior ou um animal performático, exibindo suas forças para a diversão de um público reunido. O que ele pôde um dia tocar poderá, se ele quiser, ser constantemente repetido. [...] Em vez do intérprete ou cantor ser julgado por seu desempenho em uma ocasião na qual o cansaço, a fadiga, a doença ou condições desfavoráveis atuem contra seu perfeito sucesso; quando as condições esmagadoras de nervos dos palcos podem em qualquer caso ofender suas suscetibilidades e distraí-lo da perfeição de seu empenho, ele [o cantor] será capaz de encontrar sua reputação na melhor performance que ele é capaz de fazer. [O músico] será capaz de tentar e tentar, vez após vez, em seu estúdio privado. Quando ele se satisfizer, ainda sozinho, ele irá publicar se esforço artístico para o mundo. Ele pode destruir tantas gravações insatisfatórias quanto quiser — da mesma forma como o escultor quebra o molde que não o agrada e da mesma forma que o pintor cobre parte de sua pintura — e ser julgado apenas pelo seu melhor.
— T. Baron Russell, A Hundred Years Hence [Daqui a cem anos], 1906
Em resumo, Russell acreditava que as gravações libertariam cantores e intérpretes de maus bocados. Na prática, ele prevê o uso do que se chama hoje de playback [dublagem de gravação].

Por outro lado, ao falar em músicos que trabalham “sozinhos” em estúdios “privado[s]”, o autor adiantou também o surgimento de músicos (e músicas) independentes, que não dependem de um “público reunido”. Em tempos de myspace, tramas e youtube nada poderia ser mais verdadeiro.

Mas, assim como achava que o cinema acabaria com atores medíocres, Russell também pensava que a música gravada jamais seria capaz de resultar em música ruim. Ele acreditava piamente que a evolução técnica nas artes resultaria em artistas irretocáveis, perfeitos, incapazes de ter um dia ruim (ou de, considerando-se bons o bastante, escolherem justamente as suas piores gravações). Ele ignorou, enfim, que a música, como qualquer arte, é feita por seres humanos, seres que podem compor grandes obras num dia e músicas péssimas em outro.

terça-feira, 18 de maio de 2010

O Carro-mala

Depois de ver a diferença entre o estacionamento do shopping e o estacionamento no shopping, você deve achar que já viu de tudo em termos de soluções para esse problema do trânsito.

Uma solução mais séria seria apostar em carros compactos. Mas o que te vem à cabeça quando você pensa em carro compacto? VW Fox? Ford Ka? Mini? Smart? Romi-Isetta? Você ainda não viu nada, por que você não conhece o Peel P50.

sábado, 17 de abril de 2010

Teatro do Futuro

Imagine o teatro do futuro. [...] As massas sem dúvida vão frequentar os teatros tanto quanto hoje. Mas em vez de ver uma companhia de atores e atrizes mais ou menos medíocres, engajados na degradante tarefa de repetir, vez após vez as mesmas palavras, os mesmos gestos, as mesmas ações, eles vão ver a apresentação de uma completa companhia de “estrelas”, encenada em seu melhor desempenho, reproduzida tantas vezes quanto se queira. O perfeito kinetoscópio exibirá o espetáculo do palco, a máquina de falar e o fonógrafo ([que serão] sem dúvida muito diferentes) reproduzirão perfeitamente as vozes dos atores e as músicas da orquestra. Não haverá necessidade de empregar atores inferiores em pequenas partes. Como a produção de qualquer peça vai exigir somente que seja trabalhada até o ponto da perfeição e depois encenada apenas uma vez, não haverá dificuldade em assegurar o mais perfeito espetáculo possível.
— T. Baron Russell, A Hundred Years Hence [Daqui a Cem Anos], 1906.
Mais uma previsão que se cumpriu, pelo menos em parte. Sim, mas por que essa era óbvia. O “teatro do futuro” de cem anos atrás era apenas aquela novidade que na Europa se chamava de Cinema e na América era conhecida como Kinetoscópio. Os filmes ainda eram mudos, e ninguém era capaz de pensar numa forma de fazê-los falar; pensava-se que em vez de contratar pianistas, as produtoras deveriam gravar as falas em um disco, a música em outro e os cinemas deveriam trocar pianistas por vitrolas. Mais sofisticado que isso, impossível.

Perto do cinema daquela época, os filmes de hoje seriam considerados perfeitos, ou até mais do que perfeitos. Pelo menos nos aspectos técnicos, pois as várias revoluções tecnológicas do cinema não impediram o uso de figurantes nem o surgimento de novos atores “medíocres” ou de péssimos roteiros. E ainda hoje, mais de dois milênios e meio após sua invenção, o teatro continua firme e forte.

quarta-feira, 3 de março de 2010

Um aeroporto no meio de Londres

Londres vai construir um aeroporto no meio da cidade. Pode parecer uma loucura, mas essa ideia foi apresentada seriamente por um arquiteto — só que no começo dos anos 30. Ainda que a aviação comercial estivesse apenas engatinhando, já dava pra perceber que um terminal de transporte aéreo no centro da cidade e com ligações intermodais com linhas de ônibus e de trem (talvez até de metrô) seria uma ótima ideia. E a ideia só não decolou por que, afinal, era mesmo uma loucura.

London Central Airportjpg
O projeto do aeroporto urbano de Londes: quatro pistas e um anel de acesso construídos sobre diversos prédios (hangares) e ruas. Entre os prédios, uma estação de ônibus e uma de trem. [imagem: ilustração de matéria sobre o projeto publicada na revista Modern Mechanics de Setembro de 1931]

Seria razoável construir quatro pistas de pouso em cima de grandes prédios no centro de Londres, a maior metrópole da época? É óbvio que não. Não seria difícil imaginar uma manchete — "Avião sai da pista e cai sobre o trânsito engarrafado da York Road" — relatando o que geralmente não passaria de um acidente sem maiores consequências num aeroporto bem planejado.

Felizmente, o projeto londrino nunca saiu do papel. São Paulo, porém, foi mais ousada. Em vez de levar o aeroporto até a cidade, a cidade foi até o aeroporto num (mau) exemplo de planejamento urbano. Não é à toa que foi em Congonhas, e não em Londres, que um avião derrapou na pista e quase caiu numa das vias mais movimentadas da cidade.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Publicidade do Futuro (1906)

A publicidade irá, no futuro, adquirir gradativamente um tom cada vez mais inteligente. Procurar-se-á influenciar a demanda com argumentos em vez de alegações, uma tendência que já aparece a cada ano. Truques baratos para chamar a atenção e os aplausos serão totalmente substituídos, como já estão sendo grandemente substituídos, por uma exposição séria. E os anúncios, em vez de serem mera repetição de bordões pouco originais se tornarão mais interessantes e informativos, de tal forma que eles serão bem-vindos e não rejeitados. Será tão suicida para um fabricante publicar alegações idiotas ou notavelmente falaciosas quanto é para o lojista dos dias de hoje procurar clientela contando mentiras para seus clientes.
— T. Baron Russell, A hundred years hence: the expectations of an optimist [Daqui a Cem Anos: as expectativas de um otimista], 1906

É difícil dizer se esta previsão há muito esquecida — talvez por tratar de algo tão corriqueiro quanto anúncios publicitários — está correta ou não. Por um lado, de uns tempos para cá, os anúncios, especialmente os vídeos publicitários, tem sido cada vez mais "interessantes e informativos". Tanto que alguns podem até ser considerados mini-programas. Entretanto, o uso de bordões repetitivos ainda não foi substituído pela força de uma argumentação honesta e os truques e efeitos especiais ainda existem, embora já não sejam assim tão baratos.

sábado, 12 de dezembro de 2009

Carruagens sem Cavalos e Psicógrafos Automáticos

Em meados do século XIX, as palestras do escritor norte-americano Andrew Jackson Davis  (1826-1910) não eram um sucesso de público. Mas deveriam ser. Seu livro chamado "Penetrália" (sem trocadilhos, por favor), foi publicado em 1856 e previa tanto o automóvel quanto a máquina de escrever:
"Olhem para esses dias e vejam charretes e carruagens viajando pelas estradas — sem cavalos, sem vapor, sem qualquer força motriz visível — e movendo-se com maior velocidad e maior segurança do que no presente. Carruagens serão movidas por uma estranha, bela e simples mistura de gases aquosos e atmosféricos tão facilmente condensados, tão simplesmente combustíveis numa máquina que talvez lembre os nossos engenhos, inteiramente concebida e para se colocar entre as rodas dianteiras (...)

"Eu quase me sinto quase movido a inventar um psicógrafo automático, isto é, um escritor artificial. Seria construído mais ou menos como um piano. Uma parte da escala é formada pelas teclas para representar os sons elementares, outra serve para representar uma combinação e outra ainda para uma rápida recombinação. Assim, uma pessoa, em vez de tocar uma peça de música, poderia tocar um sermão ou um poema!"
Davis foi um dos primeiros espíritas da América, tendo relatado esperiências que envolvem superconscência, levitação, visões, encontros com espíritos de pessoas mortas. Entretanto, Davis teve uma educação pobre e era filho de uma família nômade. Isso explicaria por que, entre a carreira de sapateiro e de palestrante espírita, ele escolheu a última.

Essas previsões podem parecer bastante exatas, mas não passam de um golpe de sorte para Davis.  Por coincidência, elas se realizaram e antes do fim do século XIX, quando ele ainda era vivo. Mas a maior parte de suas outras visões jamais se realizou.

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