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sábado, 20 de agosto de 2011

TrES-2b, o Planeta Negão

Concepção artística de TrES-2b, o planeta mais rubro-negro conhecido

Tente imaginar alguma coisa mais preta (ou negra ou afro-descendente) que carvão. Agora tente imaginar um planeta inteiro dessa cor. Foi exatamente isso que o telescópio espacial Kepler descobriu na semana passada.

Distante apenas 5 milhões de quilômetros de sua estrela-mãe, TrES-2 — e a 750 anos-luz da Terra —, o gigante gasoso chamado TrES-2b arde a cerca de 980ºC. Apesar disso, aquele mundo imenso e infernal aparentemente não reflete quase nenhuma luz que recebe.

David Kipping, líder da equipe que descobriu o planeta negão confirma: “é menos refetivo que o carvão ou mesmo a mais negra tinta acrílica — de longe o planeta mais obscuro já descoberto”. Kipping, astrônomo do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics, em Cambridge, Massachussets dá uma ideia da aparência do TrES-2b: “Se pudéssemos vê-lo de perto, ele pareceria uma bola de gás quase preta, com uma tênue faixa vermelha brilhante — um verdadeiro exotismo entre os exoplanetas.”

domingo, 14 de agosto de 2011

O Mistério da Cegueira Homérica


Em 1858, William Ewart Gladstone percebeu algo peculiar em Homero: as cores relatadas em suas obras parecem estranhas demais. Tanto o gado quanto o mar, por exemplo, são descritos como tendo a cor do vinho. As ovelhas são “violetas”, o mel é “verde” e, embora seja descrito como estrelado, amplo, grande, de ferro e de cobre, o céu nunca é azul. Gladstone conjecturou que “o órgão da cor e suas impressões eram apenas parcialmente desenvolvidos entre os gregos do período homérico”.

É uma hipótese bastante interessante, mas é igualmente improvável — afinal, como provar que uma população, quiçá a humanidade inteira foi daltônica em certa época? William Gladstone (1809-1898) pode ter sido facilmente enganado pela noção da Terra jovem, i.e., a teoria de que o planeta (e tudo que nele existe) tem mais ou menos seis mil anos. Mesmo que não fosse criacionista, o futuro premiê do Reino Unido por quatro vezes deve ter pensado que os homens de poucos milênios atrás eram tão primitivos que mal distinguiriam as cores.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Da arca do velho

Os animais embarcam na arca, gravura do holandês Maerten van Heemskerck, c. 1560

As primeiras edições da Encyclopedia Britannica estavam tão certas da realidade da Arca de Noé que, dentro do respectivo verbete, chegavam ao ponto de especular como os animais poderiam ter sido alimentados e acomodados em tal embarcação:
[O] Bispo Wilkins calcula que todos os animais carnívoros equivalem, em termos de volume de seus corpos e à sua alimentação, a 27 lobos; e todos os que restam a 280 cabeças de gado. Para aqueles, ele provê 1825 ovelhas e para estas, 109.500 cúbitos de feno. Tudo isso poderia ser facilmente contido nos dois primeiros andares e ainda haveria bastante espaço livre.
Essa especulação — não muito diferente das abordagens “sob condições ideais de temperatura e pressão” de certos problemas de Física do Ensino Médio — é encontrada na edição de 1797 da Britannica. Nos anos 1860, quando se deram conta de que uma arca não seria capaz de acomodar todas as espécies do mundo, os editores passaram a sugerir que o dilúvio não teria sido assim tão universal: apenas as partes da Terra sob ocupação do homem teriam sido inundadas. 

Na edição de 1911, a história de Noé já era integralmente apresentada como um mito. Ironicamente, meio século mais tarde, a enciclopédia inglesa relatava até as “muitas engenhosas e curiosas teorias” que haviam sido publicadas a favor da Arca de Noé ao longo dos séculos.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Oração do Lobisomem


Segundo Sabine Baring-Gould, em seu Book of Werewolfes [Livro dos Licantropos] (1865), os versos que seguem são, segundo o folclore russo, uma invocação de lobisomens:
Aquele que deseja se tornar um oboroten, deve procurar na floresta uma árvore cortada. Deve apunhalá-la com uma pequena faca de cobre e andar ao redor da árvore, repetindo o seguinte encantamento:

No mar, no oceano, na ilha, em Bujan,
No pasto vazio cintila a lua, sobre um rebanho
que repousa em um verde bosque, em um obscuro vale
Em direção ao rebanho desvia-se um lobo desgrenhado
Os cornos do gado procuram suas brancas e afiadas presas
Mas o lobo não se volta para a floresta
Nem desce ao sobrio vale
Lua, lua, lua de chifres de ouro
Cega o voo das balas, parte as facas dos caçadores
Quebra a clava do pastor
Lança um medo pânico sobre todo o gado
Sobre os homens, todas as coisas mais aterrorizantes
Que eles não possam capturar o lobo cinza,
Que eles não possam rasgar sua pele quente!
Minha palavra é irresistível, mais irresistível que o sono,
Mais comprometedora que a promessa de um herói!

Então ele pula três vezes sobre a árvore e corre para a floresta, transformado em um lobo.
Pensando bem, isso mais parece uma oração, não é mesmo? Pagã, talvez, mas ainda tem uma estrutura muito similar à uma oração: começa com um relato, aparece um problema e clama-se a uma divindade (nesse caso, a “lua de chifres de ouro”) uma proteção invencível e uma transformação mágica em troca de uma fidelidade igualmente invencível (“mais comprometedora que a promessa de um herói”). Amém.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Tretretretre

Em 1658, o almirante francês Etienne de Flacourt (1607-1660) relatou uma curiosa lenda que descobrira entre os nativos de Madagascar. Eles contavam histórias sobre uma criatura estranha, do tamanho de um bezerro de dois anos, com uma cabeça redonda, pés de macaco, uma cauda curta, muito peluda e orelhas e face que pareciam humanas. Os madagascarenhos malgaxes a chamavam tretretretre.

Como o animal descrito nos contos dos nativos não se parecia com nada existente na fauna de Madagascar, os europeus consideraram o tretretretre como mais uma exótica crendice local. Porém, muito tempo depois, foram descobertos diversos fósseis do que seria uma explicação para o mito. 

Megaladapis m., em uma reconstituição de 1902:
um lêmure de 1,5m e 50kg
Palaeopropithecus ingens: menor, mas com uma face
 mais “humana”
Com um nome científico bem mais fácil de pronunciar, o Megaladapis madagascariensis foi descoberto em 1894. Era uma espécie de lêmure gigante que estaria extinto há milhares de anos. Mas agora os zoologistas pensam que o megalêmure teria vivido pelo menos até meados do século VI, quando os humanos ocuparam a ilha e extinguiram sua megafauna.

Outros, porém, afirmam que o Palaeopropithecus ingens, descoberto em 1899, seria a inspiração por trás da lenda. O Palaeopropithecus era um lêmure um pouco menor que o Megaladapis e com uma face mais “humana”.

Seja como for, tanto o Megaladapis quanto o Palaeopropithecus ainda existiam quando um deles ou ambos passaram ao folclore malgaxe como tretretretre. Há até quem diga que alguns poucos desses animais teriam sobrevivido até meados do século XVI ou XVII, o que faria de Flacourt testemunha (involuntária) do fim de uma espécie e do início de uma lenda.

quinta-feira, 30 de junho de 2011

Filosofia Unicórnia


Quando eu penso em um unicórnio, o que eu estou pensando não é certamente [em] nada. Se nada fosse, então quando eu penso em um grifo, eu também estaria pensando em nada e não haveria diferença entre pensar em um grifo e em um unicórnio. Mas certamente há uma diferença. E qual pode ser essa diferença exceto que em um caso o que eu estou pensando é em um unicórnio e em outro, um grifo? E se estou pensando em um unicórnio, então certamente deve haver um unicórnio, apesar do fato de que os unicórnios são irreais. Em outras palavras, embora em um sentido certamente não existam unicórnios — isto é, quando se afirma que haveria equivalente para afirmar que unicórnios são reais —, em outro pode ser que tais coisas existam. Pois, se não existissem, não poderíamos pensar neles. — G.E. Moore, Philosophical Studies [Estudos Filosóficos], 1922.
O mesmo vale para duendes, fadas, elfos, hobbits, sacis e mulas-sem-cabeça, discos voadores, santos e deuses — todos existem, mas apenas dentro da cabeça de seus criadores. “O Homo sapiens”, declarou  a autora e editora americana Joyce Carol Oates, “é a única espécie que inventa símbolos que passa a revestir de paixão e autoridade. E depois esquece que símbolos são invenções.”

terça-feira, 28 de junho de 2011

Em uma palavra [59]

exparadisação
s.f., mitolog., relig. 1. a expulsação de Adão e Eva do Paraíso, na mitologia judaico-cristã. 2. por extensão, expulsão de qualquer ambiente considerado paradisíaco por seus habitantes. “A ação do homem sobre o meio-ambiente tem causado a exparadisação de animais silvestres e de povos nativos.”  [neologismo formado por comparação com expatriação, a partir de ex- = prefixo com sentido de exterioridade + paradiso = paraíso + -ação] Exparadisar, v. expulsar do paraíso.
Ufa! Pelo que eu me lembre, esse é — até agora — o verbete mais longo da série Em uma palavra

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Trollagem de Sísifo

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Um excêntrico viajante pintou em uma grande rocha, numa das principais trilhas do Estado da Georgia, as palavras “Revolva-me”. Outros viajantes juntaram-se e lutaram para revirar a rocha. Por baixo dela, encontraram pintado “Agora vire-me de volta para que eu possa pegar outros”.
— H. Allen Smith, The Compleat [sic] Practical Joker [O Completo e Prático Brincalhão], 1953

sábado, 22 de janeiro de 2011

Mito da Criação dos Zuñi


Os Zuñi (ou Zuni) são uma dentre as diversas tribos de nativos norte-americanos; são nativos do Novo México e são parte dos chamados pueblos. Atualmente, existem 12 mil índios zuni e eles são notáveis por sua mitologia. De acordo com suas antigas lendas,

quarta-feira, 5 de maio de 2010

Aquela peça, a “escocesa”…

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Montagem daquela peça escocesa feita em 1855

Num teatro, os atores não costumam se referir à Macbeth diretamente. Em vez do título, referem-se à obra de Shakespeare como "a peça escocesa". É uma tradicional superstição teatral, baseada na crença de que, se os atores disserem Macbeth nos bastidores, as bruxas amaldiçoariam as montagens da peça com acidentes fatais. A tradição da "peça escocesa" começou logo após a primeira montagem, quando um ator teria sido esfaqueado com uma adaga de verdade confundida com uma cenográfica.

Para evitar possíveis desastres, qualquer um que diga o verdadeiro nome da peça num teatro deve sair, cuspir ou rodar três vezes, gritar um palavrão e ser convidado antes de entrar novamente.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Hurakan, o deus dos furacões

No período arcaico, Hurakan era o deus Maia dos ventos e das tempestades. Ele é o porta-voz da ira dos deuses ao trazer as enchentes. Também era considerado um deus criador numa lenda muito antiga que se perdeu na poeira dos tempos. Ele flutuava sobre a enchente primordial repetindo incessantemente a palavra "Terra" até que o mundo sólido emergiu dos mares. Quando os deuses perderam a paciência com os seres humanos, Hurakan mandou um grande dilúvio para destruir os homens. Seu nome deu origem às palavras Huracan em espanhol e Hurricane em inglês e também é, indiretamente, a raiz da nossa palavra Furacão.

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