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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Estados Unidos: singular ou plural?

É uma velha dúvida que nos atormenta na hora de escrever sobre a Grande República do Norte: “Estados Unidos é um país” ou “Estados Unidos são um país”? Aparentemente, a dúvida também tem atormentado os estado-unidenses ao longo de sua História. 

Na redação dos primeiros documentos após a Independência, os Pais Fundadores tendiam a usar o plural. Em 1783, por exemplo, John Adams escreveu: “The United States are another object of debate” [“Os Estados Unidos são outro assunto de debate”]. Mais de meio século mais tarde, a 13ª. Emenda proclamava que a escravidão não existirá “no interior dos Estados Unidos ou em qualquer lugar sujeito às suas jurisdições.” Ou, no original: “within the United States, or any place subject to their jurisdiction.”

Apesar da tradição histórica do plural, muitos argumentam que o resultado da Guerra Civil — iniciada, ironicamente, pela 13ª. Emenda — estabeleceu uma unificação em sentido moderno nos Estados Unidos. Isto é, na denominação da república norte-americana, a ênfase passou a ser mais a União (com sua singularidade) do que os Estados (com sua pluralidade). 

Como não há nada equivalente a uma Academia Americana de Letras, a questão nunca foi oficialmente resolvida (Até há uma American Academy of Arts and Letters. Entretanto, tal academia é muito mais um clube honorário do que uma autoridade normativa). Vários escritores consagrados e jornalistas já usavam o singular antes da guerra ou continuaram usando o plural após o conflito. O poeta e jornalista William Cullen Bryan (1794-1878), por exemplo, baniu o uso do singular no New York Evening Post em 1870. Ambrose Bierce (1842-1913?) ainda pressionava pelo uso do plural em 1909.

Lentamente, porém, a imprensa foi se fechando em torno do singular. Isso se deu tanto pela ausência de flexão de artigos na língua inglesa — especialmente do artigo definido, the — quanto por razões políticas. Em 1887, um escritor declarou ao Washington Post que “a guerra havia resolvido para sempre a questão gramatical. [...] A rendição de Mr. Davis e do Gen. Lee significou uma transição do plural para o singular.” Oito anos mais tarde, o New York Times observava que “A rebelião tornou as ideias de direito e de soberania dos Estados bastante desagradável às pessoas leais e resultou na correspondente proeminência e popularidade da ideia de nacionalidade.” O diplomata John W. Foster (1836-1917), em artigo numa edição do NYT de 1901, confirmou que “desde a guerra civil, a tendência tem se inclinado para esse uso”, isto é, o singular.

Em português, ambas as formas são aceitas, mas em diferentes contextos. Quando há artigo, usa-se o plural: “Os Estados Unidos são um país da América do Norte.” Sem artigo, usa-se o singular: “Estados Unidos é um país da América do Norte.”

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Trollagem Psicológica

Em uma universidade feminina, um psicólogo pediu aos membros de sua classe para cumprimentar qualquer garota vestida de vermelho. Em uma semana, a cafeteria ardia de tanto vermelho. Embora tenham notado que a atmosfera estava mais amigável, nenhuma das meninas sabia estar sendo influenciada. Diz-se que uma turma na Universidade de Minnesota teria condicionado seu professor de psicologia uma semana após ele ensinar sobre aprendizagem subconsciente. Toda vez que ele movia-se para o lado direito da sala, os alunos prestavam mais atenção e riam mais ruidosamente de suas piadas — e condicionaram-no tanto a ir para a direita que chegaram a fazê-lo sair da sala. — W. Lambert Gardiner, Psychology: a Story of a Search [Psicologia: relato de uma pesquisa], 1970
Fica a dica para os estudantes universitários trolls.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mundo sem Estrelas

Você já precisou usar um GPS ou o Google Maps? Se sim, é bem provável que apesar — ou até por causa — disso, tenha se perdido. Uma falha nas coordenadas do GPS pode parecer um grande problema e pode até causar grandes acidentes. Agora imagine o erro de localização num sistema de teletransporte interestelar... E esse é só o primeiro dos problemas enfrentados pelos personagens em um Mundo sem Estrelas, de Poul Anderson.

Num futuro muito distante, devidamente não especificado pelo autor, a humanidade já se tornou imortal através de uma "vacina antitanática" e estabeleceu contatos com todas as inteligências da Via Láctea. A Terra não tem mais nações; no máximo há uniões continentais. Nosso planeta acaba por se tornar apenas a "Pátria do Homem".

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fica a Dica (7) — Como dar Pausa no Atari?


Na longínqua era pré-Nintendo, as maratonas gamísticas eram praticamente intermináveis. Não havia uma maneira de "dar um tempo" no game para, digamos, responder às “necessidades fisiológicas” de seu corpo. Quando o Atari 5200 foi lançado como upgrade do 2600, uma das maiores novidades era o primeiro botão "pause" da história. Obviamente, a novidade manteve-se no 7800, no qual também dava pra jogar todos os clássicos do 2600 — mas os fãs dos jogos mais antigos não podiam usar a novidade.

sábado, 3 de julho de 2010

Fica a Dica (6) — Como abrir uma garrafa de vinho com um sapato

Un vidéo tutoriel en français. Pourquoi est tellement plus chic!



Tire-bouchon est pour les mauviettes!

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Etiqueta para incêndios

fire
Você é um verdadeiro gentleman, daqueles que se dispõem até a ajudar as pessoas num prédio incendiado? Mas você também se preocupa com a etiqueta? A lista abaixo, elaborada por Mark Twain, pode lhe ser útil. São 27 itens que devem ser removidos na seguinte ordem de uma pensão (ou de um hotel) em chamas: 

quinta-feira, 6 de maio de 2010

Fica a dica (5) — estacionamento no shopping

Sem lugar para estacionar no estacionamento do shopping? Então tente estacionar no shopping. Veja  como no vídeo a seguir (em inglês):



“Eu coloco [o cumpom] em qual urna?”

Totalmente OWNED! Só não tente fazer isso com uma Brasília 78 fumacenta e barulhenta — aí seria um EPIC FAIL.

vi no haha.nu.

domingo, 28 de março de 2010

"Dez dias que abalaram o mundo"

10 diasO livro do jornalista norte-americano John Reed é considerado um dos primeiros livros-reportagem da história. Embora o título fale em Dez dias que abalaram o mundo (edição fac-similar da Record, 1967), o livro é uma cobertura das primeiras semanas da Revolução de Outubro de 1917, que acabaria implantando o regime soviético na Rússia.

Pelas páginas do livro desfilam Vladimir Ilyitch Ulianov, o Lênin, Leon Trotsky e, de maneira bastante discreta, Ióssif Vissariónovich Djugashvíli, o futuro Stálin. Os líderes do Governo Provisório, Alexander Kerensky, o premiê derrubado, e Levr Kornilov, um militar que tentara fortalecer o governo provisório com um golpe, são demonizados com a pecha de “anti-revolucionários”.


sábado, 20 de fevereiro de 2010

Pobreza

pobreza

Por que o dinheiro pode fazer você perder a noção de ridículo (e ainda achar que está ar-ra-san-do!)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Fica a Dica (4) — Converta Km para Milhas e vice-versa

Já tentou imaginar quantos quilômetros há em 5 milhas? Ou quantas milhas são 100 km? Já tentou ter uma ideia de qual seria a milhagem que o odômetro do seu carro marcaria se usasse milhas?

Não é uma conta difícil de fazer. E nem precisa usar o Google!

sábado, 9 de janeiro de 2010

Fica a Dica (3) - 68 toques para quem usa twitter

Só um pequeno conselho — em 68 toques — pra quem é viciado dependente não vive sem Twitter:


sábado, 29 de agosto de 2009

Fica a Dica (2) - Revolução Suína

Cansados da exploração humana, os animais da Granja Solar, na Inglaterra, resolvem se rebelar. Mas a revolução dos bichos, como todas as grandes revoluções históricas, não é um movimento libertário. Os bichos explorados, tal como os humanos explorados, são usados como massa de manobra por um grupo ambicioso e com sede de poder.

No caso da Granja Solar, esse grupo é formado pelos porcos. E uma vez no poder, os porcos deixam de ser revolucionários, e “endireitam-se”:  fazem de tudo para calar opositores e vivem fazendo um constante revisionismo histórico para justificar os privilégios que se acumulam – mas apenas para a nova classe dirigente. Ao fim e ao cabo, fica quase impossível distinguir os ex-revolucionários dos humanos, os  velhos donos do poder. Este é o pano de fundo d’A Revolução dos Bichos (Animal Farm no original em inglês; eis um dos poucos casos em que o título traduzido é melhor que o original), obra-prima do escritor indo-britânico Eric Arthur Blair (1903-1950), mundialmente conhecido sob o pseudônimo George Orwell.

GeoreOrwell George Orwell é pseudônimo de Eric Arthur Blair (1903-1950)

Orwell nunca escondeu o fato de que a revolução retratada na obra era uma sátira à Revolução Russa (1917-1921) e ao regime soviético que se seguiu, especialmente ao período stalinista (1924-1953). A Revolução dos Bichos foi escrita entre 1937 e 1943 – muito antes de se falar em ecologia ou direito dos animais, como muitos pensam sobre este livro.

Foi, portanto, durante um período bastante conturbado numa Europa cercada por duas grandes guerras sangrentas e motivadas por razões ideológicas: a Guerra Civil Espanhola (1936-1939) e a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

OS DOIS LADOS DA HISTÓRIA

O escritor indo-britânico participou dos dois conflitos, mas de formas distintas – diametralmente opostas, para falar a verdade. Durante o conflito espanhol, ele lutou como voluntário ao lado dos trotskistas e foi perseguido com apoio dos grupos esquerdistas espanhóis orientados pelos soviéticos. Quase acabou preso e assassinado. Evidentemente, ele perdeu a ilusão soviética.

Na mesma época (1936-1937), Josef Stálin promovia os grandes expurgos na URSS e seus principais opositores, liderados por Leon Trotsky, fundador do poderoso Exército Vermelho, foram duramente perseguidos, torturados, exilados e executados. Tudo em nome da segurança da revolução.

Apesar de tudo –  e por causa da Grande Depressão que se abateu sobre o mundo capitalista ocidental a partir de 1929 –, a imagem externa da União Soviética era a melhor possível. Evidentemente pouco se falava – se é que se podia falar – sobre a tirania autocrática reinante em Moscou.

Stálin era, de fato, um czar vermelho e agia à moda dos últimos imperadores da dinastia Romanov que ele mesmo ajudara a derrubar em 1917. A manutenção da segurança da revolução era, enfim, a manutenção do novo status quo da burocracia soviética que substituíra a aristocracia russa.

Já na Segunda Guerra Mundial, George Orwell vive o conflito do ponto de vista de um cidadão britânico comum, numa Inglaterra que, ameaçada pelos ataques aéreos e as bombas-voadoras da Alemanha Nazista, forma uma aliança política e ideologicamente inusitada com a União Soviética de Stálin.

Orwell nota, então, um fenômeno contraditório: embora a liberdade de imprensa tenha sido mantida pelo governo de Londres durante todo o conflito, era praticamente impossível lançar na imprensa críticas à realidade economicamente miserável da URSS e do governo ditatorial de Stálin.

Churchill e o governo inglês, porém, poderiam ser aberta e até duramente criticados, mesmo que isso colocasse em risco a segurança nacional do Reino Unido. E o motivo para tal é muito simples: o medo de perder um aliado de peso como a União Soviética era forte demais.

Tão forte que  fica muito fácil ver que a Inglaterra, outrora toda-poderosa senhora do mundo, curvava-se diante do poder militar do país dos sovietes. Mesmo sendo esquerdista, isso era inaceitável para Orwell, que, afinal, apoiara o imperialismo inglês durante a juventude trabalhando para o exército na distante Birmânia.

UMA FÁBULA ATUAL

Diante de tudo isso, e após conhecer a realidade por trás da cortina de ferro através dos relatos da oposição trotskista, Orwell se sentiu impelido a contar a verdadeira história da Revolução Russa através de uma fábula de simples entendimento e fácil de traduzir para várias línguas. Começava a nascer A Revolução dos Bichos.

Como toda fábula, nela os animais, dotados de fala e inteligência, representam personagens humanos. No caso d’A Revolução dos Bichos, isso é claramente visível para o leitor dotado de conhecimentos históricos. A ideologia do Animalismo é o equivalente animal do Socialismo e é lançada muito antes da Revolução pelo velho e moribundo porco Major, representante de Karl Marx.

A revolução que derruba o Sr. Jones, czar dono da Granja Solar, é liderada por outros dois porcos, Bola-de-Neve (um Trotsky de quatro patas) e Napoleão (um Stálin suíno e não aquele porquinho simpático dos filmes da sessão da tarde). O simplório, porém forte, cavalo Sansão e sua companheira Quitéria atuam como os camponeses russos e são sempre facilmente ludibriado pelos porcos, como Garganta (um líder socialista animalista puxa-saco de Stálin, ops, Napoleão). Sansão é muito trabalhador – seu lema: “Trabalharei ainda mais” – e é admirado por toda a Granja dos Bichos (a Granja Solar muda de nome, tal qual o Império Russo, que  passa a ser chamado de União das Repúblicas Socialistas Soviéticas).

napoleãoporcoCartaz do Camarada Líder Napoleão 

O lema fundamental da Granja dos Bichos é “Quatro pernas bom, duas pernas ruim”, repetido incessantemente e em todas as situações pelas ovelhas doutrinadas (operariado propagandista). As aves tem um papel à parte nesta fábula. Moisés, o corvo domesticado do Sr. Jones, é uma espécie de líder religioso, que vive pregando um mundo melhor e uma vida após a morte na mágica Montanha de Açúcar-Cande (paraíso judaico-cristão). Ele foge após a revolução.

bichosPombo doutrinado 

Os pombos também são doutrinados pelos porcos e atuam como agentes e diplomatas do animalismo nas granjas vizinhas. Apesar de todos os esforços, eles jamais conseguem replicar a revolução dos bichos e subverter a ordem das outras fazendas.

As galinhas vivem descontentes após a revolução e são os primeiros animais a se rebelar e a esboçar uma oposição. Como recompensa, são executadas ou condenadas aos trabalhos forçados (qualquer semelhança com os prisioneiros dos gulags siberianos não é mera coincidência). O Exército Vermelho e a temida KGB são magistralmente representados por um bando de cachorros ferozes, criado em segredo pelos porcos (sovietes). O resto é história…

UM LIVRO CENSURADO ATÉ NO “MUNDO LIVRE”

Dado o seu tom de crítica aberta e franca à União Soviética, então aliada da Inglaterra e dos Estados Unidos na Segunda Guerra, A Revolução dos Bichos foi recusada por quatro editores, tanto americanos quanto britânicos, entre 1943 e 1945. As justificativas eram as mais estapafúrdias.

Um editor americano chegou a afirmar que não haveria mercado nos EUA para uma história estrelada por animais – isso em plena terra de Mickey Mouse e sua turma. Outro editor, inglês, considerou a obra “inoportuna” e achou que retratar as classes dirigentes como porcos seria potencialmente ofensivo aos então aliados soviéticos.

Mal a Guerra – e a aliança – acabou, A Revolução dos Bichos foi prontamente publicada em 1945 e tornou-se um verdadeiro instrumento ideológico nas mãos do mesmo “mundo livre” que se recusara a publicá-lo apenas alguns anos – ou mesmo meses – antes. Os ingleses financiaram a edição de várias traduções clandestinas para a Europa Oriental – obviamente o livro foi proscrito por Moscou e jamais pôde ir além da Cortina de Ferro. Em 1947, o próprio Orwell foi convidado a escrever um prefácio especial para a edição ucraniana.

Até hoje,  A Revolução dos Bichos continua proibido em todos os países que passaram por processos revolucionários, sejam eles de esquerda ou de direita: a China, a Coréia do Norte e Cuba comunistas; o Irã dos aiatolás e boa parte do mundo árabe conservador; o miserável Zimbábue, feudo africano de Robert Mugabe (a maior inflação do mundo) .

Pois o que se aprende com o livro é que todas as revoluções se degeneram – muitas vezes rapidamente – num processo contra-revolucionário que não admite qualquer oposição e acaba por criar e justificar novos privilégios para os novos líderes. As revoluções, portanto, não existem; são uma ilusão criada pelos ditos revolucionários. Eis por que eles, os “revolucionários” desprezam tanto a imprensa livre e a democracia –  e, assim, as revoluções nunca serão televisionadas. Afinal, como se afirma no livro,

“todos os bichos são iguais [têm os mesmos direitos], mas alguns bichos [os que detém o poder] são mais iguais [têm mais direitos] que os outros”.

revolucao

BIBLIOGRAFIA:

ORWELL, George. A Revolução dos Bichos: um conto de fadas. Tradução de Heitor Aquino Ferreira; posfácio de Christopher Hitchens. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. 147 páginas.

(edição eletrônica)

SUGESTÃO DE TRILHA SONORA:

Incubus - “Talk Shows on Mute”

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Fica a Dica (1) - Dicas para aprender inglês (quase) sozinho

Falar – e escrever –, comunicar-se em inglês hoje é quase fundamental. Entretanto aprender uma segunda língua não é fácil. Mas é uma experiência útil que pode se tornar até mesmo um prazer. Tudo depende, é claro, da maneira como se aprende e do interesse que se tem.

Antes de começar a passar as minhas dicas, vou escrever um pouco sobre minhas experiências com o aprendizado de inglês.

Se você quer aprender inglês só para conseguir boas notas no colégio, provavelmente jamais vai compreender bem as estruturas e os meandros da lingua franca do mundo contemporâneo. Não importa se você estuda em escola pública ou privada.

Em ambos os casos, o ensino de inglês é, no mínimo, deficiente – e por diversos motivos. Digo isso por que conheci os dois sistemas. Em escolas públicas são comuns os casos de professores com formação deficiente ou inadequada.

Não é raro encontrar por aí professores que dão aula de inglês mas são formados apenas em pedagogia, letras (apenas “letras portuguesas”) ou até mesmo cursos totalmente distintos  como artes, por exemplo. Tais professores tendem a ser extremamente ruins pois lidam com algo que claramente não conhecem bem e podem até ser profissionais infelizes. Isso, por si só, já pode desanimar a maioria dos alunos.

Em escolas particulares, é muito comum encontrar professores com boa formação, que fizeram até intercâmbio e falam inglês for sure. O problema, entretanto, pode estar em métodos de ensino ineficientes e pouco estimulantes, além do perigo de se prender apenas àquilo que as apostilas tratam.

Em ambos os sistemas de ensino há um erro em comum: procura-se ensinar a ler, tenta-se ensinar a escrever, mas raramente há esforços no sentido de ensinar e praticar o inglês falado (e ouvido). Foi após uma aula inteiramente dada em inglês que eu me dei conta que não poderia mais resistir ao aprendizado daquela língua estrangeira.

Até então eu odiava o inglês,  por razões ideológicas e por pura ignorância, além de um certo desprezo. Mas eu percebi que se as aulas inteiramente dadas em inglês se repetissem – e se repetiram, às vezes – eu acabaria perdido se não me interessasse de verdade. Assim, deixo desde já uma dica a quem ensina inglês: tentem praticar e estimular a conversação desde o começo. Isso é bom por dois motivos:

  1. estimula a curiosidade e chama a atenção dos alunos ao mostrar que o inglês não é uma língua apenas praticável, mas extremamente prática e mais simples do que pode parecer; e como todos sabem, a prática leva à perfeição.
  2. o que o mercado de trabalho exige de verdade é o inglês falado – fluentemente falado; as entrevistas em inglês não são feitas por escrito.

As dicas que vou passar abaixo são frutos de minhas próprias experiências e reflexões como um estudante autodidata que odiava a língua inglesa, mas se apaixonou pela língua de Shakespeare à medida que a compreendia.

Ressalto que não sou um professor – muito menos um profissional - e que as técnicas que eu adotei podem ter resultados muito variáveis, pois dependem muito do esforço próprio, do interesse pessoal e da dedicação.

1) Conheça a sua Própria Língua

Se você já não fala português corretamente, não escreve direito e não gosta de ler, dificilmente vai ser capaz de aprender uma segunda língua, qualquer que seja ela. Isso pode ser corrigido com boas e múltiplas leituras, para ampliar o vocabulário, aprender a escrever e a falar em bom português.

Se você não gosta de ler, o ideal é começar lendo algo que te interesse. Se não tem um interesse definido, defina-se! Se não conhecer nenhum livro ou revista interessante, peça dicas a amigos ou professores que gostem de ler.

Mas é preciso ter cuidado para não prender a leitura a apenas um assunto ou a um tipo de mídia. Leia de tudo um muito, de enciclopédias a bulas de remédio e rótulos de shampoo, passando por gibis, jornais, livros e revistas, além de sites e blogs (orkut e fotologs não valem).

Se você não tem condição de comprar livros novos, leia o que estiver à mão, mesmo que sejam poucos livros. Com o tempo, você vai ter que ler tudo de novo por falta de material. Isso pode parecer chato e até mesmo idiota, mas depois de algumas releituras você acaba, pelo menos, desenvolvendo uma boa memória, pois vai se lembrar das histórias.

Outra opção é comprar livros e revistas usados em sebos ou baixar e-books na internet. Os e-books, porém, ainda apresentam o sério desconforto da falta de portabilidade, pois você precisa de um computador (e eletricidade) para lê-los.

2) Aprofunde-se

Não se contente com o que aprendeu na escola. Tome por base o que aprendeu na sala-de-aula para mergulhar de cabeça na cultura inglesa (ou de qualquer outro idioma). Procure aprender expressões idiomáticas, provérbios e ditados populares, gírias e até mesmo palavrões. Tudo isso é muito útil, mas raramente é ensinado nas escolas por um certo “pundonor excessivo” ou por pura falta de tempo.

Para aprofundar-se, vai ser preciso, pelo menos, saber ler e compreender o inglês escrito, pois é recomendável o acesso a sites gringos. Mas tudo fica mais fácil – e mais agradável - se você usar músicas e/ou filmes para começar a aprender.

Procure conhecer as letras das suas músicas estrangeiras preferidas. Diversifique o seu repertório: quanto mais diverso forem os sons que você ouve, mais você vai aprender a notar diferentes rimas e pronúncias – o inglês, como todas as línguas, também tem seus sotaques.

Uma dica que recebi de um professor de química (!!) foi assistir a filmes legendados várias vezes. Na primeira vez, você pode se concentrar nas legendas para acompanhar a história. Na segunda, pode tentar ouvir as falas e, só em caso de dúvida, recorrer à legenda. Se for um DVD e tiver opções de legendas e áudio, pode-se assistir o filme mais uma vez, agora com legendas e áudio em inglês. É sempre interessante descobrir a verdadeira voz dos atores – às vezes é até desanimador comparar as vozes originais com versões dubladas totalmente diferentes.

3) Leia, Traduza e Escreva

Não se desanime diante de um texto em inglês, qualquer que seja o tipo de texto. Leia-o quantas vezes for necessário para entendê-lo. Se for preciso, tenha um dicionário à mão. Leia os dicionários também. Tal como em português, mantenha a leitura diversificada. Leia sobre tudo o que puder. Explore a internet. A imensa maioria dos sites e blogs é escrita em inglês. Tente também aprender algo útil com instruções em inglês – de programar o DVD até desenhar.

Após estar familiarizado com o inglês escrito, comece a traduzir. Mas não seja preguiçoso. Não use tradutores eletrônicos como o Google ou o Babylon. Eles ainda são muito ineficientes pois se baseiam em poucas definições entre línguas diferentes, o que resulta em traduções muito pobres que acabam ficando sem sentido.

O ideal é começar a treinar a tradução pelas letras de música, que normalmente são curtas e têm vocabulário bastante diversificado (afinal, músicas repetitivas são um saco). Mas tenha o cuidado de não tentar forçar a tradução de músicas (ou poesias). As rimas inevitavelmente se perderão e o ritmo acabará sendo diferente, mesmo que você já tenha um amplo vocabulário tanto em português quanto em inglês.

Você também pode encontrar muitas surpresas. Músicas que parecem alegres podem ter letras tristes ou músicas que soam inofensivas podem ter letras pesadas. Procure ouvir não só o ritmo que você gosta, preste a atenção às letras, especialmente às que trazem mensagens positivas ou que sejam divertidas. Da próxima vez que tentar cantar, você vai saber o que a música quer dizer – além, é claro, de aprender a cantar sem embromation.

Procure escrever algo em inglês. No começo é difícil, especialmente quando ainda não se domina bem as estruturas verbais e o vocabulário que se tem é restrito. Tente, pelo menos. Não se desanime com seus erros. É normal, pois foi assim que você começou a escrever em português também (lembra-se dos garranchos das primeiras séries?).

Outro ponto importante na hora da escrita é a ortografia. O inglês tem uma ortografia muito diferente da pronúncia. Letras mudas são comuns. Letras com som de outra, mais ainda. Resista à tentação de escrever como se fala. Desse jeito você pode até fixar a pronúncia, mas nunca vai ser capaz de escrever em inglês. Respeite também as regras gramaticais. O inglês tem menos tempos verbais que o português e muitas vezes a ordem das palavras é diferente. Uma simples troca na ordem das palavras pode mudar completamente o sentido da frase. Assim, jamais tente montar uma frase em inglês com a estrutura gramatical portuguesa.

4) Ponha o seu Inglês (e seu Cérebro) para Funcionar

Mesmo que você tenha aprendido a ler e até a escrever em inglês, todos os seus estudos e esforços serão inúteis se você não aprender a falar e a ouvir inglês. Algumas pessoas aprendem primeiro a ler e a escrever em inglês, outras já começam logo a falar e a compreender a língua falada. Assim, procure estudar com alguém, para poder praticar a conversação quando se sentir seguro. Se puder ser alguém com um  ritmo ou modo de aprendizado diferente, é melhor. Se for alguém do sexo oposto será melhor ainda – a não ser, é claro, que você seja gay.

Um passo fundamental e talvez indispensável para comunicar-se em inglês é aprender a pensar em inglês. Por que pensar em uma língua para falar em outra é um processo muito complicado, que pode causar muitos erros e mal-entendidos. Tente começar a pensar com sentenças curtas. Tente expressar sentimentos ou evocar memórias em inglês. Faça traduções mentais do português para o inglês dos textos que lê ou das falas que ouve. Imagine algum ídolo brasileiro falando inglês. Tente imitá-lo. Só não vá imitar o Joel Santana, por favor.

5) Links Úteis

Newseum | Today’s Front Pages | Map ViewSite que mostra as primeiras páginas dos principais jornais do mundo. Útil não só para quem quer aprender inglês.

Mygazines.com - upload. share. archive. – Site de compartilhamento de revistas em diversos idiomas.

Drawspace.com - Drawing lessons – Lições de desenho e fóruns grátis para usuários cadastrados (em inglês)

livemocha.comOferece cursos gratuitos de inglês e várias outras línguas.

Letras de músicas - Letras.mus.br Bom lugar para procurar letras de música (D’oh!). Tome cuidado com as traduções disponíveis neste site, pois muitas são duvidosas ou até mesmo incompletas.

StumbleUpon: Personalized Recommendations to Help You Discover the Best of the Web Ou seja: Recomendações Personalizadas para te Ajudar a Descobrir o Melhor da Web. Plug-in para Firefox e Internet Explorer que seleciona sites aleatoriamente de acordo com suas áreas de interesse e suas opções de língua. Altamente recomendável.

Espero apenas que estas dicas, apesar de não serem tão curtas, sejam claras e úteis para alguém. Se tiverem mais dicas para aprender inglês ou mesmo outra língua, por favor, colaborem e deixem um comentário.

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