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sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Nomeados mais dois elementos químicos

A IUPAC anunciou ontem que os elementos 114 (Ununquadium) e 116 (Ununhexium) podem ganhar nomes definitivos até o fim do ano. Resultado da colaboração entre o Laboratório Flerov de Reações Nucleares, na Rússia e o Laboratório Nacional Lawrence Livermore, nos Estados Unidos, os novos elementos — descobertos no fim dos anos 1990 e confirmados na década seguinte — deverão ser batizados segundo um acordo de cavalheiros: os russos devem dar nome ao 114 e os americanos vão nomear o 116.

Segundo a série Periodic Videos (em inglês), o elemento 114 deverá homenagear Georgy Nikolayevich Flyorov (em russo: Гео́ргий Никола́евич Флёров, 1913-1990), físico nuclear soviético e fundador do Laboratório que leva seu nome, onde o Ununquadium foi descoberto em 1999. No entanto, dada a dificuldade de transcrição de nomes próprios do russo para línguas ocidentais, ainda não se sabe ao certo como será formado o nome. O mais provável é que seja Flerovium [símbolo: Fl] (Fleróvio, em português) derivado de Flerov, uma forma latinizada de Flyorov.

Embora também tenha sido descoberto no laboratório russo, o elemento 116 deve homenagear o laboratório norte-americano. Seria chamado Livermorium [símbolo: Lv] (ou Livermório). Há controvérsias, porém. Embora o recém-divulgado comunicado da IUPAC afaste essa possibilidade, em março deste ano fontes da imprensa russa disseram que o elemento 116 também seria batizado pelos russos e ganharia o nome de Moscovium [Mo?] (já que o Laboratório Flerov fica no oblast — ou distrito — de Moscou).

Pessoalmente, porém, os dois nomes, se confirmados, me decepcionam. Parecem grandes novidades, mas na verdade são repetitivos. Bastante repetitivos.

O Fleróvio é mais uma homenagem a um laboratório que vem monopolizando a descoberta de elementos nas últimas décadas. Foram descobertos no Laboratório Flerov: o Rutherfórdio (1964), o Nobélio (1966), o Dúbnio (1968), o Seabórgio (1976 e sem dúvida um dos piores nomes da tabela); o Bóhrio (1976; não confundir com Boro) e os caçulas 114/Fleróvio(?) (1999), 116/Livermório/Moscóvio(?) (2001), 113 (2004), 115 (2004), 118 (2006) e 117 (2010). Mas com todo respeito ao cientista nuclear soviético, Moscóvio me soa muito melhor que Fleróvio (ou seria Flyoróvio?). A situação do Livermório também não é muito melhor: o laboratório nacional americano já foi homenageado com um elemento, o Laurêncio

Na verdade, eu bem que gostaria de ver escritores de ficção científica e/ou cientistas populares sendo homenageados. Se os russos quisessem, poderiam batizar o 114 de Asimovium, Asimóvio [As], em homenagem a Isaac Asimov, que embora tenha sido criado nos Estados Unidos era de origem russa (e foi bioquímico no início da carreira). Os americanos, por sua vez, poderiam por o nome de Carl Sagan no elemento 116: Saganium, Sagânio [Sa]. Seria bem geek, pelo menos.

sábado, 26 de novembro de 2011

“Alimentos no Ano 2000”

Em 1894, o Professor (e Químico-Orgânico) francês Marcelin Berthelot publicou um artigo com o título acima na McClure’s Magazine. Seriamente entusiasmado, ele previa um mundo no qual a Química substituiria integralmente a Agricultura como fonte de sustento alimentar dos seres humanos:
Campos de trigo e de milho estão para desaparecer da face da terra porque farinha e carne não serão mais criadas, mas fabricadas. Rebanhos de gado, de ovelhas e de suínos deixarão de ser criados poque o bife, a carne de carneiro e a de porco serão manufaturadas diretamente de seus elementos. Não há dúvidas de que frutas e flores continuarão a ser cultivadas, mas apenas como pequenas luxúrias decorativas e não mais como fontes necessárias de alimento e ornamentação. Não haverá, nos grandes trens aéreos do futuro, vagões de grãos ou gado, pois os elementos fundamentais dos alimentos existirão por toda parte, sem precisar de transporte. O carvão não será mais extraído do solo — com exceção, talvez de transformá-lo em pão ou carne. Os motores das grandes indústrias alimentícias serão movidos não por combustão artificial, mas pelo calor subjacente ao globo.

Em resumo, o que o Prof. Berthelot (1827-1907) previa era que hoje estaríamos nos alimentando de pílulas concentradas com proteínas, gorduras e carboidratos sintetizados em fábricas movidas a energia geotérmica!

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

99, 100 e contando...


Nomes dos Elementos 99 e 100
Dois grandes cientistas que faleceram durante o último ano, Albert Einstein e Enrico Fermi, foram homenageados com o batismo dos elementos 99 einsteinium e 100 fermium. O símbolo para einstenium é um simples E e o do fermium, Fm. Agora todos os elementos descobertos foram nomeados, uma vez que o 101 já havia sido chamado mendelevium, em memória do russo D. Mendeleev, que anunciou o sistema periódico dos elementos em 1869. — Popular Mechanics, dezembro de 1955
Apenas uma correção. O símbolo do elemento que homenageia Einstein acabou sendo Es e não E. Por razões um tanto óbvias: E já é tradicionalmente usado para representar Energia em Física e Química, como na famosa equação da relatividade (E=mc²). 

Outras curiosidades sobre o Es: 1) junto com o Férmio, ele foi descoberto pela primeira vez na explosão da primeira bomba de hidrogênio, em 1952. Isso não deixa de ser um tanto irônico, já que Einstein se opôs ao uso de armas atômicas em seus últimos anos. 2) O einstênio foi o último elemento sintético a ser descoberto em quantidades macroscópicas, isto é, visíveis.

Ah, e se você anda meio por fora, atualmente a tabela periódica tem 118 elementos, dos quais 112 já foram nomeados. O último a receber um nome foi o Copernício.

sábado, 19 de fevereiro de 2011

O Mistério de Pimlico

Em 28 de dezembro de 1885, o padeiro Edwin Bartlett foi encontrado morto em sua cama, no distrito de Pimlico, em Londres. Seu estômago estava cheio com uma dose fatal de clorofórmio, mas, de modo intrigante, seu esôfago e sua laringe não mostravam qualquer sinal da queimadura que o clorofórmio líquido deveria ter causado.

A principal suspeita era a esposa de Bartlett, Adelaide (1855-?). Ela estava tendo um caso com um pastor do distrito, George Dyson. As investigações mostraram que d. Adelaide havia convencido o pastor Dyson a comprar pequenas doses de clorofórmio em diversas farmácias para não levantar suspeitas. Ela afirmava que Edwin (1845-1885) estava passando por um doloroso tratamento dentário e precisava de anestesia.

No tribunal, a defesa de Adelaide alegou que era impossível que ela tivesse matado o marido (que, diga-se de passagem, ela traía religiosamente) com clorofórmio líquido sem passá-lo pela garganta. O júri entendeu muito bem esse argumento e ela foi absolvida.

No entanto, ainda dentro do tribunal, o renomado patologista Sir James Paget queria uma resposta: “Agora que Mrs. Bartlett foi absolvida, ela deveria nos dizer, pelo bem da ciência, como ela fez isso.” Adelaide não respondeu. Após o julgamento tanto d. Adelaide quanto o Pastor Dyson sumiram do mapa (há quem diga que eles teriam emigrado para os Estados Unidos).

O assassinato de Edwin Bartlett continua sem solução até hoje.

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Para um sorriso radiante...

Doramad: para um sorriso radioativo.
Antigamente, até meados do século passado, acreditava-se que a exposição à radiação era benéfica à saúde. Vários produtos radioativos poderiam ser encontrados nas farmácias — até pastas de dentes. Uma das mais famosas e mais longevas foi a marca alemã Doramad, produzida até 1945. A Doramad continha pequenas quantidade de tório, na forma de hidróxido de tório. Eis uma amostra da propaganda da Doramad:
Sua radioatividade aumenta as defesas dos dentes e das gengivas. As células são carregadas com nova energia vital. As bactérias aniquiladas por seu efeito destrutivo. Isso explica a excelente profilaxia e cura de doenças gengivais. O esmalte dentário é gentilmente polido e torna-se branco e brilhante. Uma espuma maravilhosa e um novo, agradável, suave e refrescante sabor.
Além da Doramad, a mesma fabricante ainda oferecia outro "sabor" radioativo: a Radiogen continha rádio. Rezam as lendas que espiões americanos teriam descoberto a importação de tório para a Alemanha durante a ocupação da França. Ao investigar o destino da carga, eles não encontraram os laboratórios da Bomba-A alemã —  em vez disso, acharam a fábrica da Doramad.


doramad
Kit Doramad: O estado da escova — ainda de madeira, em contraste com um "moderno"
dentifrício radioativo — não é muito animador.


segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Pauta Quente

Os papéis que contêm os originais dos artigos de Marie Curie, descobridora do Rádio (Ra), do Polônio  (Po) e da radioatividade, ainda são tão radioativos que são guardados em caixas de chumbo.



Os pesquisadores que quiserem consultá-los podem fazê-lo — por sua conta e risco.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Elementar, Meu Caro Watson!

Em 1977, uma menininha gravemente doente de 19 meses saiu do Catar e foi transferida com urgência para um hospiatal de Londres. Mesmo assim, sua grave condição continuava a piorar e os doutores estavam intrigados.

No sexto dia da internação, a enfermeira de plantão notou que a menina começou a perder seu cabelo. Ela também percebeu como os sintomas da paciente eram incrivelmente semelhantes aos descritos por Agatha Christie no livro The Pale Horse [O Cavalo Amarelo], que a enfermeira estava lendo nas horas vagas.

No romance de Christie, o assassino mata suas vítimas envenenando-as com tálio. Testes foram feitos por sugestão da enfermeira e altos índices de tálio foram encontrados na urina da garotinha. Ela foi tratada adequadamente e, três semanas depois, já curada, pôde voltar para sua casa.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Nomeado um dos mais novos elementos conhecidos

Descoberto na Alemanha em 1996 e conhecido até agora como Unúmbio, latim para um-um-dois, o elemento 112 finalmente vai ganhar um nome. O grupo de cientistas alemães que descobriu o elemento propõe o nome Copernício, símbolo Cp,  em homenagem ao astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543).

copernico copernicium Copérnico e o elemento que o homenageia na Tabela Periódica

Copérnico é o pai da Teoria Heliocêntrica, segundo a qual todos os planetas giram ao redor do sol – e não o contrário –em órbitas circulares. Mais tarde, o astrônomo Johanes Kepler corrigiu a teoria de Copérnico após comprovar que as órbitas são elípticas. Isaac Newton usou as obras do polonês para desenvolver suas leis da gravitação universal.

Copérnico não será o primeiro cientista  a ser homenageado com o nome de um elemento químico. Mas será o primeiro astrônomo. Albert Einstein, Niels Bohr, Enrico Fermi, Alfred Nobel e Dmitri Mendeleev também já foram homenageados. Entretanto, é proibido homenagear cientistas vivos.

testtubes-300x198

O batismo do novo elemento precisa ser aprovado pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC). A organização deve ratificar o nome Copernício em até seis meses. Durante esse prazo, químicos de todo o mundo vão debater a ideia antes de aprová-la. Somente após esta aprovação as tabelas periódicas de todo o mundo serão revisadas.

O ELEMENTO 112 E SUA FAMÍLIA SUPERPESADA

O Copernício é um elemento artificial e tem aparência similar ao Mercúrio . O Cp é um metal e, possivelmente, também é liquido nas condições ambientais. Por isso o 112  também era chamado de eka-Mercúrio (eka significa semelhante em grego).  Ainda não é possível ter certeza de todas as propriedades do Copernício pois ele é altamente radioativo e tem uma meia-vida de apenas 29 segundos.

CpEstrutura do Copernício [Cp]

cadeia de decaimento do Cp-112 Cadeia de Decaimento do Copernício

Pode parecer pouco tempo antes da desintegração, mas o Copernício é mais estável que alguns de seus vizinhos da tabela periódica:

Os demais elementos, do 115/Uup/eka-Bismuto até o 118/Uuo/eka-Radônio têm meias-vidas na casa dos milissegundos, com exceção do 117/Uus/eka-Astato que ainda não foi encontrado. Estes elementos, conhecidos como superpesados, têm núcleos atômicos frágeis exatamente por que são grandes e pesados. É mais ou menos como uma bolha de sabão: quanto maior ela for, mais facilmente ela se desfaz.

descobridores do Cp Descobridores do Copernício

Além dos cientistas alemães que descobriram o Copernício, equipes dos Estados Unidos e da Rússia pesquisam os  elementos superpesados. Dado que os superpesados até agora encontrados (ou melhor, sintetizados) são altamente radiotivos e têm rápido decaimento, essa verdadeira “corrida química” parece inútil.

Mas os químicos têm esperança de alcançar, em breve, a chamada Ilha de Estabilidade, região da tabela periódica na qual ficariam os mais pesados elementos estáveis – que teriam meia vida de dezenas a bilhões de anos, de acordo com os cálculos.

Acredita-se que sejam estáveis os isótopos 298 do Ununquádrio (ainda não descoberto, mas teoricamente possível), 304 do Unbinílio (120/eka-Rádio) e 310 do Unbihéxio (126/eka-Plutônio). Se forem estáveis – algumas bolhas de sabão duram mais na mão de gente habilidosa –, esses elementos teriam propriedades muito diferentes de todos os conhecidos e poderiam até ter alguma aplicação industrial.

NOVA TABELA PERIÓDICA:

nova tabela periódica

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