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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Herança Divina

Em um testamento registrado em 1864, Peter e Hannah Armstrong deixaram como herança um pedaço de terra na Pensilvânia. Os herdeiros seriam ninguém menos que o Deus e seu filho:
Contendo quatro milhas quadradas [cerca de 10 km² ou pouco mais de 1.000 hectares] de terra, do qual nós reservamos cerca de seiscentos acres [uns 242 hectares] e do qual nós separamos o dito trato de terra antes ou até a redenção do mundo inteiro, como propriedade particular de Jesus, o Messias, incluindo-se todos os direitos singulares, liberdades, privilégios e benfeitorias quaisquer até agora pertencentes a nós. E nós cedemo-la, legamo-la e transmitimo-la ao dito Criador e Deus dos céus e da terra e a seu herdeiro, Jesus, o Messias, para seu uso e benefício próprio para sempre. 
Talvez mais interessado nos tesouros do Vaticano, o Criador não deve ter se interessado muito por esse presente. O Todo-Poderoso jamais compareceu para tomar posse da propriedade e também deixou de pagar os respectivos impostos e taxas. Não tardou para que a divina propriedade fosse desapropriada pelo Estado e leiloada, voltando às mãos de um reles humano.

Vinte anos mais tarde, Charles Hastings também legou um pedaço de terra — dessa vez no Massachussets — “para o Senhor Jesus, o Regente Supremo do Universo”. Talvez sabendo do fracasso do casal Armstrong, Hastings entregou a propriedade a Cristo apenas em usufruto, reservando a seus herdeiros apenas o direito de agirem como agentes (ou meros caseiros) para “ocupar e ampliar, fazer reparos, pagar tributos e apólices de seguro, etc.” No fim das contas, nem essa precaução funcionou. Em 1897, os herdeiros de Mr. Hastings cansaram-se de ter que sustentar a divina propriedade e contestaram judicialmente o testamento, que acabou sendo anulado.

domingo, 16 de outubro de 2011

Ser pobre é coisa do Demo!


Russell Herman Conwell (1843-1925) foi um pastor e escritor norte-americano. Mais ou menos um Edir Macedo ou Waldemar Costa Neto, como se verá. Ele tornou-se conhecido por ser o fundador da Temple University. No entanto, seu livro-pregação mais famoso, Acres of Diamonds, publicado em 1916, revela muito sobre a mentalidade evangélico-americana e sobre o ofício de ser pastor:

  • Eu digo que você deve ficar rico e que é seu dever ficar rico. [Como você vai ficar rico? Te vira! Mas antes me pague o dízimo pelo amor de Deus!]
  • Fazer dinheiro honestamente é pregar o evangelho. [Mas pregar o evangelho é a maneira mais desonesta de fazer dinheiro!]
  • O homem que faz dinheiro honestamente pode ser o mais honesto que se encontra na comunidade. [Pode ser, mas nem sempre é]
  • Um homem não é um homem de verdade até que tenha sua própria casa e aqueles que têm suas casas são mais honoráveis e honestos e puros, mais verdadeiros e econômicos e cuidadosos, por possuir a casa. [Um sem-teto, então, não deve passar de um animal selvagem]
  • Não há uma pessoa pobre nos Estados Unidos que não tenha se tornado pobre por suas próprias limitações ou pelas limitações de outros. De qualquer modo, é completamente errado ser pobre. [E ela deve continuar pobre! Enquanto isso, Wall Street dá graças a Deus e vai dormir tranquila.]
  • Amor é a maior coisa de Deus na Terra, mas mais bem-aventurado é o amado que tem montes de dinheiro. [Afinal, você pode precisar subornar algum pastor para conseguir sua vaga no céu]

Ao ser questionado se não simpatiza com os pobres do mundo, Russell Conwell responde dizendo que claro que sim, que ele simpatiza com alguns, mas  que “simpatizar com um homem a quem Deus puniu por seus pecados, ajudando-o quando Deus está apenas fazendo uma justa punição é cair no erro”. Ou seja, ajudar um pobre é ir contra a vontade divina, pois o pobre-coitado é um pecador, uma vítima do carma da justiça divina. O destino do pé-rapado é ser infernizado na Terra. Essa é praticamente a essência do cristianismo... #NOT!

Além de ser um pastor bem pouco cristão, Mr. Conwell foi um dos pioneiros dessa praga literária chamada literatura de auto-ajuda (e cristã, é claro). Eis alguns títulos: Health, Healing and Faith [Saúde, Cura e Fé], Increasing Personal Efficiency [Aumentando a Eficiência Pessoal], Praying For Money [Orando por Dinheiro] e What You Can Do with Your Will Power [O que você pode fazer com sua força de vontade].

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

Jesus Multinacional

Recentemente em um congresso teológico em Roma, estudiosos bíblicos de várias nacionalidades e etnias apresentaram TRÊS PROVAS DE QUE JESUS...
...ERA MEXICANO
1. Seu primeiro nome era Jesus;
2. Ele era bilíngue;
3. Ele sempre estava sendo perseguido pelas autoridades.
...ERA NEGRO
1. Ele chamava todo mundo de “mano”;
2. Ele curtia música gospel;
3. Ele não conseguiu um julgamento justo.
...ERA JUDEU
1. Ele seguiu a mesma carreira do pai;
2. Viveu em casa até os 33 anos;
3. Ele tinha certeza de que sua mãe era uma virgem, e ela estava certa de que ele era um Deus.
...ERA ITALIANO
1. Ele falava com as mãos;
2. Ele vivia tomando vinho;
3. Ele só comia massas e peixes e temperava tudo com azeite de oliva.
...ERA IRLANDÊS
1. Ele era barbudo;
2. Ele nunca se casou;
3. Ele vivia contando histórias...
...ERA CALIFORNIANO
1. Ele nunca cortou o cabelo;
2. Vivia andando descalço por aí;
3. Ele inventou uma nova religião;
...ERA ARGENTINO
1. Ele era cabeludo;
2. Se considerava um deus;
3. Só era legal com seus puxa-sacos.
...ERA BRASILEIRO
1. Ele nasceu num curral e depois mudou-se com a família pra cidade grande;
2. Vivia cercado de pobres e putas (mas detestava os camelôs);
3. Sempre negou-se a trabalhar e a pagar impostos.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Da arca do velho

Os animais embarcam na arca, gravura do holandês Maerten van Heemskerck, c. 1560

As primeiras edições da Encyclopedia Britannica estavam tão certas da realidade da Arca de Noé que, dentro do respectivo verbete, chegavam ao ponto de especular como os animais poderiam ter sido alimentados e acomodados em tal embarcação:
[O] Bispo Wilkins calcula que todos os animais carnívoros equivalem, em termos de volume de seus corpos e à sua alimentação, a 27 lobos; e todos os que restam a 280 cabeças de gado. Para aqueles, ele provê 1825 ovelhas e para estas, 109.500 cúbitos de feno. Tudo isso poderia ser facilmente contido nos dois primeiros andares e ainda haveria bastante espaço livre.
Essa especulação — não muito diferente das abordagens “sob condições ideais de temperatura e pressão” de certos problemas de Física do Ensino Médio — é encontrada na edição de 1797 da Britannica. Nos anos 1860, quando se deram conta de que uma arca não seria capaz de acomodar todas as espécies do mundo, os editores passaram a sugerir que o dilúvio não teria sido assim tão universal: apenas as partes da Terra sob ocupação do homem teriam sido inundadas. 

Na edição de 1911, a história de Noé já era integralmente apresentada como um mito. Ironicamente, meio século mais tarde, a enciclopédia inglesa relatava até as “muitas engenhosas e curiosas teorias” que haviam sido publicadas a favor da Arca de Noé ao longo dos séculos.

sábado, 21 de maio de 2011

10 Dimensões: Apocalipses FAIL!


Hoje o mundo acabou. Mais uma vez. Não foi a primeira e provavelmente não será a última — ainda falta 21 de dezembro de 2012. Por enquanto, pois ao longo dos séculos diversas foram as previsões. Evidentemente, todas falharam. A razão por trás disso é que a humanidade teima em projetar no planeta seu próprio ciclo de vida e de morte — até mesmo cientificamente, conforme a Hipótese Gaia. Somos tão antropocêntricos que não admitimos ser extintos sem levar o planeta inteiro junto (isso também explica o atual cenário ambiental). Mesmo que toda a vida desapareça de uma vez, a Terra vai continuar firme e forte. Mas como nada é eterno ela vai acabar sendo engolida por um Sol vermelho, inchado e moribundo dentro de sete bilhões de anos. Ou não.

domingo, 8 de maio de 2011

Gênesis, cap. 51

Esta “parábola contra a perseguição” era a favorita de Benjamin Franklin (1706-1790), que muitas vezes apresentava-a como um texto bíblico, “o capítulo 51 de Gênesis”. Os fiéis mais fervorosos vão afirmar que tal capítulo inexiste. Mas eles não sabem a grande lição que perdem e que está fora de suas bíblias:

domingo, 1 de maio de 2011

O exorcismo de Amora Carson

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Uma jovem de vinte anos, moradora de Lake Cherokee, Texas, foi condenada a prisão perpétua por sua participação em um crime que chocou o Estado, famoso por seu fervor cristão: o assassinato de sua própria filha de treze meses de idade. Jesseca Carson foi condenada por unanimidade pelo júri que a julgou pelo assassinato de Amora Carson. O companheiro de Jesseca, Blaine Milam também já foi condenado à pena capital por espancar Amora com um martelo até matá-la. Embora Blaine tenha perpetrado os golpes de martelo, Jesseca foi condenada como mentora intelectual do assassinato da filha. O casal afirmava que aquilo era um “exorcismo”.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Moderna Páscoa Judaica

Mudam-se os tempos, mas as sérias restrições alimentares do judaísmo continuam firmes e fortes:


Não ria se você for cristão — especialmente se for católico. Afinal você também não pode comer nem um Big Mac durante a quaresma. Ou não deveria.

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Juízo Final vai acabar em pizza

Juízo_Final

Se Deus é infinitamente justo, ele irá punir todos os malfeitores (Eclesiastes 3:17).

Se Deus é infinitamente “misericordioso, clemente e vagaroso em irar-se” (Neemias, 9:17), ele os perdoará a todos.

Será possível ter, ao mesmo tempo, justiça e misericórdia infinitas? #reflita

Eu não sei, mas me parece que isso confirma a velha (e ufanista) crença de que deus é brasileiro.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Pérolas Fundamentalistas III: a Ascenção

porco

E depois de quase dois anos, essa série volta para nos assombrar com exemplos do que a fé é capaz de gerar. Para começo de conversa, uma torrente de ignorância na polêmica sobre a presença de gays no Exército:

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Quando a porca torceu o rabo

porca
Em 1266, em Fontenay-aux-Roses, perto de Paris, um porco que foi condenado por ter comido uma criança foi publicamente queimado por ordem dos monges de Sainte Geneviève. Em 1386, o tribunal de Falaise sentenciou uma porca a ser mutilada na cabeça e nas patas dianteiras e ainda a ser enforcada, por ter desfigurado a face e os braços de uma criança, causando-lhe a morte. Aqui nós temos uma aplicação estrita da lex talionis, o primitivo princípio retributivo de olho por olho e dente por dente. Como que para tornar completa essa justiça travestida, a porca foi vestida com roupas e executada na praça pública, próxima a prefeitura. A execução custou ao estado dez sous e dez deniers(*) além de um par de luvas para o carrasco. O executor recebeu luvas novas de modo a cumprir seu trabalho, ao menos metaforicamente, com as mãos limpas, para indicar que, como ministro da justiça, ele não incorreu em culpa ao derramar sangue. Ele não era um simples matador de porcos, mas um funcionário público, um “mestre de altas obras” (maître des hautes œvres), como era oficialmente nomeado.
— Edward Payson Evans, The Criminal Prosecution and Capital Punishment of Animals [Perseguição Criminal e Punição Capital de Animais], 1906
 (*) Observação monetária: o sou ou sol e o denier eram subdivisões do livre, a moeda da França pré-revolucionária. Um livre era formado por 12 sous e 1 sol equivalia a 12 deniers (ou seja, 1 livre = 144 deniers). Entre outras moedas europeias, esse sistema inspirou a antiga Libra inglesa. É por isso que, até a decimalização da Libra, nos anos 1970, a abreviação de penny era d.

Mas você deve estar se perguntando: Porcos matando crianças e sendo mortos em punição? Como isso é possível?

Simples: o pessoal da Idade Média era mesmo muito descuidado. Os pais deixavam as crianças em berços rasteiros, quase manjedouras mesmo e iam ou pra roça ou pra missa. E os porcos ficavam soltos, não raro até dentro de casa. Aí, quando um suíno confundia a manjedoura de verdade com um berço, o pobre animal era considerado demoníaco, julgado e executado. Enquanto isso, padres e monges eram donos de 1/3 das terras da Europa e viviam a vida que todo mundo pedia a deus. Realmente, era uma sociedade perfeita.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Trollagem Oitocentista

Ah, o tempo passa, os nomes mudam, mas algumas coisas continuam sempre iguais. Como a fé, o medo do fim-do-mundo e a facécia (a.k.a trollagem):
Um terror pânico do fim do mundo assaltou o bom povo de Leeds e das vizinhanças no ano de 1806, após as seguintes circunstâncias. Uma galinha, em uma vila próxima, botou ovos nos quais estavam inscritas as palavras “Cristo está vindo.” Muitos foram os que visitaram o local e, ao examinar esses ovos maravilhosos, se convenceram de que o dia do julgamento estava ao alcance das mãos. Como marinheiros numa tempestade, à espera do naufrágio, os crentes subitamente tornaram-se religiosos, oravam violentamente, e confessavam-se arrependidos de suas maldades. Mas um mexerico jogou um balde de água fria naquela religiosidade toda. Alguns gentlemen, ao ouvirem a história, saíram numa bela manhã e pegaram a pobre galinha pondo um de seus ovos milagrosos. Eles logo perceberam que, sem sombra de dúvida, os ovos haviam sido inscritos com tinta corrosiva e cruelmente forçados de volta para dentro do corpo da galinha. Com essa explicação, aqueles que oravam agora riam e o mundo continuou balançando tão alegremente quanto nos dias de antanho.
– Edmund Fillingham King, Ten Thousand Wonderful Things [Dez mil maravilhas], 1860
UPDATE (07/02): Após mais uma dose de ceticismo e mais algumas investigações, descobri a identidade do autor dessa trollagem. Bem, na verdade é uma autora — e uma bruxa

sábado, 11 de dezembro de 2010

Curriculum Christi

entrevista JC
E não adianta dizer que é “Filho do Dono”!

sábado, 9 de outubro de 2010

Blasfêmias?

Convenção do PCC e Concílio Católico (abaixo):
semelhanças vão além dos cerimoniais...
...Ambas as instituições se consideram
poderosas, mas adoram se vitimizar ao menor sinal de oposição.

Esta semana foi marcada por assim chamadas "blasfêmias" cometidas pela Comissão do Prêmio Nobel. Na segunda, a Igreja Católica — que tanto diz defender a vida — protestou contra a indicação de Robert Edwards, criador do método de fertilização in-vitro para o Nobel de Medicina/Fisiologia. Em seguida, foi o governo chinês, outra organização obscura, retrógrada (e revelando seu lado religioso) protestou — dessa vez contra a premiação do dissidente pró-democracia, Liu Xiaobo com o Nobel da Paz.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Diluviossauros

Um grande asteróide caiu na Terra há 65 milhões de anos e extinguiu os dinossauros? Não dá pra entender por que “Deus” faria isso. Uma explicação melhor é essa:
dinoé
Afinal, esses dinossauros levavam uma vida muito desregrada: eram preguiçosos, viviam de farra, não iam ao templo, não pagavam dízimo e ainda por cima não acreditavam em Deus. Nesse caso, uma extinção até que faz sentido.

Amém!

domingo, 21 de março de 2010

A morte de Glauco e a hipocrisia narcótico-religiosa

O assassinato do cartunista Glauco Vilas Boas e de seu filho, Raoni, no último dia 12 chocou o país. Mas pouca gente parece preocupada com o fato de que a morte de Glauco é mais uma de uma série histórica de assassinatos em nome de deus.  Carlos Eduardo Sundfeld Nunes (Cadu), o assassino, era um fanático toxicômano que se considerava Jesus Cristo e queria provar sua cristandade para a mãe. Ainda que o homicida possa ter cometido o crime sobre efeito de drogas — talvez até a ayahuasca do Santo Daime — isso não tira a religião da história. E a mistura de religião com drogas legais e ilegais é polêmica, mas a religião, mesmo quando usa drogas, é sempre protegida.

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