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quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Biblioteca na Linha




Construída em 1901, a Haskell Free Library and Opera House pode ser considerada a primeira — e única — biblioteca transnacional do mundo. A biblioteca fica situada na fronteira entre Derby Line, Vermont, Estados Unidos e Stanstead, Quebec, Canadá. 

A porta de entrada fica em território americano, mas a seção de circulação e todos os livros da biblioteca estão em território canadense. É preciso cruzar uma linha pintada no piso, que representa a fronteira, para ter acesso aos livros. Quando há apresentações teatrais ou de ópera, as peças são encenadas sobre um palco canadense para uma platéia que fica em solo estadunidense.
Projeção da fronteira sobre um velho cartão-postal

Isso faz da Haskell Free Library uma biblioteca realmente livre, em certo sentido. É a única biblioteca dos EUA sem livros e a única casa de ópera americana sem palco — ou, se preferir, livre de livros e livre de palco, respectivamente. Simetricamente, a Haskell é a única biblioteca do Canadá sem entrada e um palco canadense sem público — ou livre de entrada e livre de público.

Haskell Line: a linha preta divide a sala de leitura entre EUA e Canadá

Graças a essa situação, pode haver implicações bastante interessantes do ponto de vista do direito internacional. A peculiaridade geográfica da Haskell Free Library and Opera House permitiria que um público americano pudesse assistir a uma peça teatral que fosse censurada em seu território sem infringir a lei e sem ter que sair do país. Afinal, todos os atores poderiam ser canadenses atuando sobre um palco situado no Canadá. Por outro lado, os leitores dos Estados Unidos que frequentam a biblioteca não poderiam ler um livro que tivesse sido censurado pelos canadenses.

domingo, 29 de maio de 2011

Correio Aéreo Subterrâneo


Quando um jovem de Manhattan escreve uma carta para sua garota, que mora no Brooklyn, ele manda a carta para ela através de um tubo pneumático — pffft. — E.B. White, Here Is New York [Nova York é Aqui], 1949

O sistema de tubos pneumáticos já foi uma parte essencial da vida de Nova York. Cilindros contendo cartas, pacotes — e, em pelo menos uma oportunidade, um gatinho vivo — eram transportados através de tubos de ar comprimido, a uma velocidade de até 35 milhas [56km] por hora. Esses tubos cruzavam toda a cidade, do Harlem ao Lower East Side; da Canal Street ao Planetarium e até mesmo de Manhattan para o Brooklyn.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Gatuno de biblioteca


Entre agosto de 2000 e maio de 2002, mas de 1100 livros antigos sumiram do monastério de Mont Saint-Odile, na França. Não havia qualquer sinal de arrombamento na biblioteca. Os monges trocaram todas as fechaduras do mosteiro e reforçaram a vigilância. Mas os livros continuaram a desaparecer — o ladrão até mesmo deixara uma rosa no lugar de um deles. #umbertoecofeelings

Já que orações e vigílias não funcionaram, o mosteiro foi forçado a se converter à tecnologia e instalou uma câmera para pegar o gatuno. Dias depois, Stanislas Gosse, um professor de engenharia de Estrasburgo, foi pego no flagra ao entrar através de um armário na biblioteca durante a noite.

Após ser capturado e levado a uma delegacia, ele confessou que havia encontrado um mapa perdido nos arquivos públicos e através dele descobriu uma entrada secreta. O professor universitário subia pelos muros do mosteiro, entrava pelo sótão, descia por uma estreita escadaria e acionava um mecanismo para abrir o fundo falso do armário. Depois disso, ele “navegava” pela biblioteca à luz de uma vela.

“Eu temo que minha paixão inflamada tenha sobrepujado minha consciência”, justificou-se o professor Gosse. “Pode aparecer egoísmo, mas eu sentia que os livros haviam sido abandonados. Eles estavam cobertos de poeira e com fezes de pombos e me pareceu que ninguém mais os consultava.” Gosse foi condenado por furto qualificado e invasão de propriedade particular. Ele pagou a fiança e foi liberado, mas teve que prestar serviços comunitários ajudando a catalogar os livros da própria biblioteca de Sain-Odile.

Dado que os livros estavam num mosteiro, tal estado de abandono não surpreende. Não havia, portanto, qualquer intenção criminal. Stanislas Gosse agiu como um herói literário — e dos românticos: “Também havia a emoção da aventura — eu tinha medo de ser encontrado.”

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Antonio Magliabechi, o sabe-tudo

Antonio Magliabechi (1633-1714) era conhecido em sua Florença natal como um glutão litarário. Sua casa vivia atulhada com 40.000 livros e 10.000 manuscritos. Mesmo assim, ele não abria mão de uma visita diária à Biblioteca dos Medici, onde passava várias horas estudando. Até por que, era lá que ele trabalhava.

Magliabechi: certamente, o pintor
 não foi muito fiel nesse retrato. Aliás, o único.
Magliabechi era tão negligente que teria esquecido de sacar seu salário durante um ano inteiro. Ele achava que trocar de roupa antes de dormir era uma perda de tempo e muitas vezes vestia a mesma peça até ficar esfarrapado. Mas sua cabeça não era nada ruim. Au contraire, ela era “um index universal, tanto de títulos quanto de assuntos.” Quando o duque de Florença lhe procurou pedindo por um certo livro, ele respondeu: “Signore, há apenas um exemplar desse livro no mundo. Ele está na Biblioteca do Grão-Turco em Constantinopla; é o décimo-primeiro livro na segunda prateleira à direita de quem entra.” Dele, dizia-se que absorvia como uma esponja e memorizava como mármore.

Com uma memória tão fantástica, Magliabechi era praticamente um sistema de busca — o Google — de seu tempo. Em Curiosities of Human Nature [Curiosidades da Natureza Humana], Samuel Goodrich relata outro causo do grande bibliófilo florentino. Certa vez um padre procurou Magliabechi e lhe perguntou sobre um panegírico de um santo. “Ele era capaz de dizer imediatamente qualquer coisa sobre aquele santo, quem havia escrito sobre aquele santo, e em que partes de suas obras. Às vezes, eram centenas de autores [...] Tudo isso ele fazia com grande exatidão, nomeando cada autor, cada livro, as palavras e até mesmo o número da página na qual cada passagem citada se encontrava.”

Sempre cercado por livros, Antonio Magliabechi viveu até os 81 anos. Em seu testamento, legou sua fortuna aos pobres e pediu que seu acervo fosse transformado em uma biblioteca pública. A Magliabechiana é hoje conhecida como Biblioteca Nazionale Centrale Firenze.

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