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sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Uma pequena (e bem pequena) bolha imobiliária

Em 1955, o programa de rádio canadense Sergeant Preston of the Yukon anunciou que cada criança que comprasse uma caixa do cereal Quaker Oats receberia de graça uma escritura de uma polegada quadrada de terra no território de Yukon. A empresa comprou 19 acres [a medida agrária, não o Estado] perto do Rio Yukon, dividiu-a em lotes polegarinos e incluiu as escrituras — talvez igualmente pequenas — nas caixas de cereal como brinde.

No total, 21 milhões de lotes foram distribuidos dessa forma. Como nem todos os consumidores eram crianças, logo começaram a surgir pessoas dispostas a explorar as possibilidades de propriedades tão pequenas. 

De acordo com Charles C. Geisler, em Property and Values [Propriedade e Valores, 2000], um dos proprietários declarou independência de seu minúsculo domínio — o que talvez a tenha tornado a menor micronação do mundo — ao passo que outro procurou doar seu título em troca da criação do menor parque nacional do planeta. 

Um garoto tentou mandar quatro dentes-de-leite para cercar sua propriedade, mas isso não foi possível porque as escrituras estipulavam que cada proprietário deveria reconhecer o direito dos demais de cruzar sua polegada livremente. Além disso, é provável que cada dente ocupasse inteiramente as quatro polegadas adjacentes, que já tinham dono.

Já em Canadian Literary Landmarks [Divisas Literárias Canadenses, 1984], John Robert Colombo conta a história de um colecionador visionário (e talvez um megalômano em pequena escala) que reuniu 10.000 escrituras e pediu para fundir suas propriedades em um grande território: “seu pedido foi negado, uma vez que em lugar nenhum da Escritura de Terreno afirmava-se que as polegadas quadradas [reunidas pelo peticionário] fossem adjacentes.”

Mas quem mais trollou nessa pequena bolha imobiliária foi a própria Quacker Oats. A empresa nunca registrou oficialmente o imenso loteamento e nem pagou impostos sobre a área que comprou. Alguns anos mais tarde, aqueles 19 milhões de acres foram devolvidos para o governo canadense.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Um emplastro

A estória sobre o Dr. Abernethy e uma paciente é clássica. Ele era um homem de poucas palavras e a moça sabia disso. Ao entrar no consultório, ela mostrou-lhe o braço nu e disse, simplesmente, “Queima”.
“Um emplastro.”, disse o doutror.
No dia seguinte, ela apareceu novamente, mostrou-lhe o braço e disse: “Melhorou.”
“Continue com o emplastro.”
Alguns dias se passaram antes que Dr. Abernathy a visse novamente. Então, ela disse: “Bem, quanto devo?”
“Nada”, disse o médico, numa explosão de loquacidade incomum. “Você é a mulher mais sensível que eu já encontrei em toda a minha vida!”
– William Shepard Walsh, Handy-Book of Literary Curiosities [Manual de Curiosidades Literárias], 1892

Esse causo é um oferecimento de:
“Um remédio para remediar o vício em remédios”.
À venda nas melhores pharmacias d'além e d'aquém-túmulo.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Prêmio Nobel de Publicidade

Taí uma categoria de Nobel que não existe. Mas há pelo menos um caso que merecia ser premiado pela Academia Real de Ciências da Suécia.

Os físicos Cheng Ning Yang e Tsung-Dao Lee costumavam discutir seus trabalhos enquanto almoçavam em um restaurante chinês na Rua 125, em Manhattan. Um dia, eles perceberam uma importante violação da paridade das partículas fundamentais durante o bate-papo na hora do almoço. Eles acabaram recebendo o Prêmio Nobel de Física em 1957 pela descoberta.

Isso nos leva ao nosso Nobel publicitário. Depois de receber o prêmio, eles voltaram a trabalhar e, quando foram almoçar, encontraram uma plaquinha na janela do restaurante: “Coma aqui e ganhe o Prêmio Nobel”.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A corrida pelo Z

Se você sempre detestou ser o último de uma lista ordenada em ordem alfabética graças à sua graça, saiba que isso pode ser um bom negócio quando se trata de listas telefônicas.

Em 1979, a Time fez uma reportagem na qual informava que Zachary Zzzra havia sido ultrapassado no último lugar da lista telefônica de São Francisco por Zelda Zzzwramp. Ele colocou mais um Z em seu sobrenome, mas aí sim, Zzzra foi surpreendido novamente por Vladmir Zzzzzzabakov.

Para garantir o último lugar na lista telefônica, Mr. Zzzzra foi radical: mudou seu nome para Zzzzzzzzzra.

Evidentemente, Zzzzzzzzzra era um pseudônimo. Mas o verdadeiro Zzzzzzzzzra não era um milionário excêntrico (ou um poeta concretista). Bill Holland era um simples pintor de paredes que dizia a seus clientes para procurar seu número no fim da lista. Intencional ou preguiçosa, a manobra publicitária funcionou, mas a conta telefônica de Holland, como seu nom-de-plume (e esta sentença), se tornou cada vez mais longa, muitas vezes passando dos US$ 400,00 (ou das três linhas, no caso desta sentença).

“Pessoas que fazem ligações ilegais nas cabines telefônicas procuram o último nome do livro e me ligam a cobrar.”, explicou Mr. Z., que não se preocupava nem um pouco com esse pequeno inconveniente: “Eu não pago nenhuma dessas porras.”

domingo, 19 de dezembro de 2010

Verdades Goebbelianas

GOEBBELS
Goebbels: apesar de poderoso, o número 2 da Alemanha Nazi nunca deve ter ido ao dentista.

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, costumava dizer  Joseph Goebbels (1901-1945), o poderoso ministro da Propaganda da Alemanha Nazista. Muita gente se lembra dessa frase, mas — com exceção das publicidades antijudaicas e anticomunistas — pouco se lembra dos absurdos que a propaganda nazista apresentava como verdade:

quinta-feira, 28 de outubro de 2010

Para um sorriso radiante...

Doramad: para um sorriso radioativo.
Antigamente, até meados do século passado, acreditava-se que a exposição à radiação era benéfica à saúde. Vários produtos radioativos poderiam ser encontrados nas farmácias — até pastas de dentes. Uma das mais famosas e mais longevas foi a marca alemã Doramad, produzida até 1945. A Doramad continha pequenas quantidade de tório, na forma de hidróxido de tório. Eis uma amostra da propaganda da Doramad:
Sua radioatividade aumenta as defesas dos dentes e das gengivas. As células são carregadas com nova energia vital. As bactérias aniquiladas por seu efeito destrutivo. Isso explica a excelente profilaxia e cura de doenças gengivais. O esmalte dentário é gentilmente polido e torna-se branco e brilhante. Uma espuma maravilhosa e um novo, agradável, suave e refrescante sabor.
Além da Doramad, a mesma fabricante ainda oferecia outro "sabor" radioativo: a Radiogen continha rádio. Rezam as lendas que espiões americanos teriam descoberto a importação de tório para a Alemanha durante a ocupação da França. Ao investigar o destino da carga, eles não encontraram os laboratórios da Bomba-A alemã —  em vez disso, acharam a fábrica da Doramad.


doramad
Kit Doramad: O estado da escova — ainda de madeira, em contraste com um "moderno"
dentifrício radioativo — não é muito animador.


quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Multifuncional para a cozinha (1952)

Anúncio encontrado na edição de setembro de 1952 da Collier’s Magazine (via Modern Mechanix):

general_fridge

Naquela época, os anúncios de eletrodomésticos se limitavam apenas a descrever o produto e nem de longe ofendiam sua inteligência com frases de efeito apelativas.
COZINHE e LAVE em seu REFRIGERADOR!
Cozinha completa em 5 pés quadrados [meio metro quadrado??]. Combina refrigerador, pia, três bocas de gás, e gaveta para panelas. Disponível com queimadores elétricos, 220 ou 110V. Também sem pia. 5 anos de garantia.
General Air Conditioning Corp.
Vendas e serviços para todo o país
Para detalhes, onde comprar, escreva: 4530 E. Dunham St. • Los Angeles 23, Calif. Escritório em Chicago: Dept. 6, 323 W. Polk Street
Estranho como algo tão genial simplesmente não pegou. O fato é que as cozinhas americanas sempre tiveram espaço de sobra e pouco depois o microondas e os restaurantes fast-food praticamente matariam o fogão em muitos lares — mas ainda não criaram um combo micro/pia/geladeira que sirva de brinde no McDonald’s...

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Publicidade do Futuro (1906)

A publicidade irá, no futuro, adquirir gradativamente um tom cada vez mais inteligente. Procurar-se-á influenciar a demanda com argumentos em vez de alegações, uma tendência que já aparece a cada ano. Truques baratos para chamar a atenção e os aplausos serão totalmente substituídos, como já estão sendo grandemente substituídos, por uma exposição séria. E os anúncios, em vez de serem mera repetição de bordões pouco originais se tornarão mais interessantes e informativos, de tal forma que eles serão bem-vindos e não rejeitados. Será tão suicida para um fabricante publicar alegações idiotas ou notavelmente falaciosas quanto é para o lojista dos dias de hoje procurar clientela contando mentiras para seus clientes.
— T. Baron Russell, A hundred years hence: the expectations of an optimist [Daqui a Cem Anos: as expectativas de um otimista], 1906

É difícil dizer se esta previsão há muito esquecida — talvez por tratar de algo tão corriqueiro quanto anúncios publicitários — está correta ou não. Por um lado, de uns tempos para cá, os anúncios, especialmente os vídeos publicitários, tem sido cada vez mais "interessantes e informativos". Tanto que alguns podem até ser considerados mini-programas. Entretanto, o uso de bordões repetitivos ainda não foi substituído pela força de uma argumentação honesta e os truques e efeitos especiais ainda existem, embora já não sejam assim tão baratos.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Publicidade Soviética

fósforos soviéticos

A rigor não deveria haver publicidade na União Soviética, afinal esse negócio de fazer anúncios publicitários era arma dos porcos capitalistas. Entretanto, a ideologia comunista não impediu o surgimento de pôsteres publicitários — ainda que o principal anunciante fosse aquela mistura de governo, partido único e Estado. Em meio à inundação de pôsteres que tinham mais política (e políticos) do que publicidade, havia alguns que anunciavam os produtos soviéticos.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Direto no Público-Alvo!

Certa vez, há muito tempo, um florista nova-iorquino chamado Max Schling colocou um anúncio classificado no New York Times. A diferença é que o anúncio era inteiramente taquigrafado.

Isso não era pão-durismo de Mr. Schling — um anúncio no NYT nunca foi lá muito barato. Na verdade, era uma jogada de marketing. Centenas de empresários leram o anúncio cheio de abreviaturas e, curiosos, pediram uma "tradução" para suas secretárias.

O anúncio dirigia-se justamente às secretárias e dizia, simplesmente:

"Quando precisar de flores para a esposa do chefe, lembre-se do Florista Schling".

Faculdade de publicidade e propaganda é para os fracos.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Dodge La Femme




A Dodge introduziu em 1955 um sedutor pacote de opcionais para o Custom Royal Lancer: por 143 dólares a mais, era possível ter um modelo feminizado, com pintura rosa e bege e um interior pink decorado com botões de rosa.

"O primeiro carro desenhado exclusivamente para a mulher motorista" vinha também com uma capa e um chapéu de chuva que combinavam com uma sombrinha além de uma bolsinha pink com um pó compacto, um batom e um isqueiro. A brochura promocional adulava as possíveis consumidoras: "Para a satisfação de Sua Majestade... a Mulher Americana."

Mas o carro não era assim tão sedutor. Pouco menos de 1500 La Femmes foram vendidos e o modelo desapareceu em 1957.
 
Talvez o carro tenha sido feminino demais para as mulheres do pós-guerra, que já não eram mais "amélias" que pilotavam apenas fogões.

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