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terça-feira, 31 de agosto de 2010

Extremos Opostos

antiscianos
subst. pl. pessoas que vivem em lados opostos da linha do equador e cujas sombras, portanto, apontam em direções opostas ao meio-dia.

perioeci
subst. pessoas que vivem na mesma latitude, mas em meridianos opostos, de modo que o meio-dia de um é a meia-noite de outro.

Formosa é a antiga denominação da ilha de Taiwan e o nome de uma província argentina. Curiosamente, as duas Formosas estão em lados precisamente opostos do planeta. Quando é meio-dia de um dia de verão em uma, é meia-noite de uma noite de inverno em outra. Assim, argentinos e taiwaneses são antiscianos e perioeci.

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Dois cavalos e um cão

Dois cavalos de corrida e um cachorro estão num estábulo. É a noite da véspera do grande páreo.

O velho cavalo diz: "Garoto, eu preciso te pedir um favor. Amanhã é a última corrida da minha carreira. Se eu ganhar, vão fazer um grande desfile em minha honra e vão me colocar num belo pasto pelo resto da vida. Se eu perder, eles vão me mandar pra fábrica de cola. Eu ainda sou um bom corredor, mas eu acho que nós dois sabemos que se você quiser, você pode me bater amanhã. Então eu te peço, só dessa vez... você me deixa ganhar?"

O cavalo mais jovem pensa bastante e responde: "Eu compreendo o seu pedido e eu sinto muito por você. Sério. Mas veja do meu ponto do vista. Eu nunca perdi uma corrida. Se eu manter esse recorde, vou chegar muito longe. Não é nada pessoal, mas se eu perder agora para um cavalo tão velho quanto você, minha carreira estaria perdida e eu nunca iria me recuperar. Sinto muito mesmo, mas não posso fazer isso."

Então, o cachorro se manifesta: "Você não tem coração? Você disse que já tem um grande recorde, e ele só te pede para ser o segundo por uma vez na vida! É para salvar a vida dele! Como é que você pode se recusar, seu desalmado?"

O cavalo jovem e o velho se olham mutuamente e dizem: "Vejam! Um cachorro que fala!"

domingo, 29 de agosto de 2010

Junta tudo e joga fora?

O que fazer com o que sobrou de dois carros após um acidente? Bem, normalmente, os destroços acabam jogados nos ferro-velhos da vida — o que mostra que um automóvel não é um bem tão durável quanto parece. Mas o pessoal da Auto Be Yours, uma oficina de Scottsburg, Indiana, nos Estados Unidos, resolveu fazer algo diferente. Muito diferente.

Eles levaram o conceito de "carro híbrido" ao pé da letra e criaram um único carro com o que sobrou de dois. A frente — na verdade, a maior parte — é um Toyota Prius e a traseira é parte de um Subaru Baja. O Baja, apesar do nome, é a versão picape do Subaru Outback. Ironicamente, o Prius é um sedã, mas também é híbrido: tem um motor de combustão auxiliado por um elétrico.

sábado, 28 de agosto de 2010

Mary “Big Shoe”

Mary Hamilton foi presa por um crime curioso em 1746 — bigamia travestida. Explica-se: Mary tinha um carneirinho, vestia-se de homem, apresentava-se como Charles ou George e convencia jovens moçoilas a casar-se com ela. O truque era perfeito, pois Mary conseguiu se casar com nada menos que 14 mulheres. Durante o julgamento em Somersetshire, a esposa número 14, referiu-se à Miss Hamilton como sendo um "marido feminino":
Ela jurou que estava legalmente casada com a ré, e que elas deitaram-se e viveram juntas como homem e mulher durante mais de um quarto de ano. Durante todo esse tempo, tão bem a impostora assumiu o caráter de homem que ela [a “vítima”] realmente acreditava ter-se casado com uma criatura do sexo correto.
A justiça considerou Mary "uma traidora notória e incomum" e condenou-a a seis meses de prisão e três chibatadas. Ou, como concluiu o inquérito, de forma mais ou menos poética: "E Mary, a monopolista de seu próprio sexo, foi aprisionada e chicoteada adequadamente, na severidade do inverno do ano de 1746".

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Chicago mesmo

chicago

Chicago significa "terra das cebolas fedorentas". Era assim que os nativos Potawatomi descreviam a área pantanosa próxima ao Lago Michigan. Os exploradores franceses chegaram e não entenderam, mas gostaram do nome. E assim, mesmo cheirando mal, Chicago pegou.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Lógica de gato e rato

Em 1875, a Associated Press deu destaque a um novo empreendimento que estava sendo aberto perto de Lacon, Illinois. Um prospecto convidava entusiasticamente sócios para novo negócio:
Gloriosa Oportunidade para Ficar Rico!!! - Estamos a iniciar um rancho de gatos em Lacon com 100.000 gatos. Cada gato vai dar uma média de 12 gatinhos por ano. A pele dos gatos serão vendidas a 30 centavos cada. Cem homens podem esfolar 5.000 gatos por dia. Nós aguardamos um lucro líquido diário de mais de $ 10.000,00. Agora, como vamos alimentar os gatos? Vamos abrir uma fazenda de ratos ao lado, com 1.000.000 de ratos. Os ratos se reproduzem 12 vezes mais rápido que os gatos, portanto vamos ter quatro ratos por dia para alimentar cada gato. Mas como vamos alimentar os ratos? Vamos alimentá-los com as carcaças dos gatos que foram esfolados. Agora vejam só! Vamos dar os ratos aos gatos e os gatos aos ratos e teremos peles de gato a troco de nada!
Embora seja um pouco cruel para os nossos padrões, realmente era muito tentador. Tanto que a AP não percebeu que se tratava de um trote criado por Willis Powell, o (entediado) correspondente local. Tratada como fato verídico, a história acabou repetida e republicada dezenas de vezes em toda a América durante mais de 65 anos — até que o National Press Club derrubou o mito em 1940.

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Festinha Intertemporal

ttclogo-final

Se por acaso você for o feliz inventor de uma máquina do tempo, mas não sabe como (ou quando) testá-la, uma boa ideia seria voltar no (ou a) tempo para participar da Convenção de Viajantes do Tempo do MIT. As coordenadas do evento são as seguintes: sábado, 7 de maio de 2005, em 42.360007° N, 71.087870° W.

Não se esqueça de provar que você é alguém vindo do futuro. Apareça com algo que ainda não existia naquela época, como a cura para a Aids, a solução para a pobreza global ou um reator de fusão a frio.

Se isso tudo for muito complicado para você ou se não houver muito espaço na sua máquina do tempo, leve algo pequeno e até então impensável, como um iPhone com músicas da Lady Gaga.

Segundo o site do evento,
a convenção foi um meio sucesso. Infelizmente, não tivemos viajantes temporais confirmados entre nós. Mas muitos viajantes do tempo podem ter comparecido incógnitos para evitar as intermináveis perguntas sobre o futuro. Tivemos grandes palestras, bandas incríveis e até um DeLorean. Sentimos muito ter que recusar visitantes, mas havia restrições de capacidade no Morss Hall. Agradecemos às dezenas de pessoas que nos auxiliaram.
Espere! E se o(s) viajante(s) temporal(is) estivesse(m) entre aquelas pessoas que não puderam entrar por falta de espaço??

"Após o sinal..."

após o sinal

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Em uma palavra [20]

Librocubicularista
subst. [do latim, libris, livro e cubiculo, quarto] aquele que lê na cama; "book-lover"; literalmente, "alguém que faz algo com um livro em um quarto."

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

A mulher que quebrou o gelo entre EUA e URSS

diomedes

Situadas no estreito de Bering, as Ilhas Diomedes são mundos distantes — ainda que estejam a apenas 4 quilômetros uma da outra. A Pequena Diomede pertence aos Estados Unidos e a Grande Diomede é parte da Rússia. Além disso, a Linha Internacional da Data passa entre as ilhas.

Até bem pouco tempo atrás, aliás, as Diomedes realmente estavam em mundos distintos e não apenas distantes: a americana estava no Primeiro Mundo, a russa, então soviética, estava no Segundo. Os habitantes de uma ilha eram até proibidos de olhar para a outra, mesmo que tivessem parentes lá.
lynnecox 
Em 1987, no fim daquela era de polarização geopolítica, a nadadora norte-americana Lynne Cox marcou um recorde de resistência bastante peculiar. Embora as águas — que ali não passam de 4ºC — fossem frias o bastante para matar qualquer um em meia hora, ela partiu da Ilha de "Ontem" às 13h de uma sexta e... chegou sã e salva na Ilha do "Amanhã" no Sábado. Reagan e Gorbachev elogiaram o sucesso de Cox.

Em tempo: anos mais tarde, ela foi a primeira pessoa a nadar mais de uma milha (1,6km) nas águas da Antártica (o continente, não a cerveja). Cox conseguiu resistir por 25 minutos nadando num ambiente onde se morre após 5 minutos na água. Ela superou a meta em cem metros.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Dois palitos

Pintura de Márcio Camargo

Se você precisa parar de fumar ou de fazer queimadas, é melhor ler essa história. Uma bituca de cigarro ou fósforo pode fazer toda a diferença, mesmo que mentalmente:
Um dia, um mercador estava nas florestas da Califórnia, na estação seca, quando o Comércio estava em alta. Ele havia percorrido um longo caminho, estava cansado e faminto, e desmontou do seu cavalo para fumar um cachimbo. Mas quando ele procurou em seu bolso, encontrou nada além de dois fósforos. Ele riscou o primeiro, mas não acendeu.

"Que belo estado de coisas temos aqui!", disse o mercador. "Morrendo de vontade de fumar, só me resta um fósforo e ele certamente não vai pegar fogo! Poderia haver uma criatura tão desafortunada? E mesmo assim", pensou o viajante, "suponha que eu risque esse fósforo, acenda meu cachimbo e jogue o palito aqui na grama — a grama poderia pegar fogo feito um pavio. E enquanto eu controlo as chamas em frente, elas poderiam evadir-se e correr por trás, até tomar aquele arbusto de carvalho-veneno. Antes que eu o alcançasse, ele estaria em queimado. Além do arbusto, vejo um pinheiro cheio de musgos e aquilo também se incendiaria instantaneamente até o mais alto galho. E a chama daquela enorme tocha — como o vento alísio a tomaria e a brandaria através da floresta inflamável! Eu ouço o troar dessa corredeira junto com as vozes do vento e do fogo, e vejo-me a galopar pela minha alma. E a conflagração, voando, persegue-me e ultrapassa-me através das colinas. Eu vejo esta pobre floresta a queimar por dias, o gado torrado, e as nascentes ressecadas; os fazendeiros arruinados e seus filhos abandonados pelo mundo. Que mundo está em suspense nesse momento!"

Então, ele riscou o fósforo, que não se acendeu.

"Graças a Deus!", disse o mercador e guardou o cachimbo em seu bolso.

— Robert Louis Stevenson, Fables [Fábulas], Longman's Magazine (Agosto de 1895)
Moral da história: não existem queimadas controladas nem cacimbos da paz. É melhor parar de fumar já, por que o mundo já está mais quente do que no tempo do Stevenson.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

História por trás da Arte

Em 1989, um analista financeiro passeava por um mercado de pulgas em Adamstown, Pensilvânia, quando encontrou uma velha pintura guardada numa moldura que ele achou muito bonita. Então, ele comprou o quadro por quatro dólares.

Quando ele removeu a moldura, encontrou um documento dobrado entre a tela de pintura e a placa de madeira no verso do quadro. O documento parecia ser a Declaração de Independência dos Estados Unidos.

E era. O analista financeiro — que mora em Filadélfia, o berço da Independência americana — havia descoberto uma cópia da primeira edição da Declaração, de 1776. O documento foi leiloado por 2,42 milhões de dólares em 1991. Em 2000, deram um lance de 8,14 milhões de dólares num segundo leilão.

"Foi assim que o Congresso decidiu disseminar as notícias da independência", explicou David Redden, vice-presidente da Sotheby's, onde o documento foi leiloado. "Então, isso foi impresso a partir do rascunho de Thomas Jefferson para a Declaração de Independência e depois enviado por mensageiros para os exércitos nos campos, para as colônias recém-independentes, para os comitês de segurança pública e, certamente, para a [Grã] Bretanha também."

Moral da história: nunca despreze um mercado de pulgas (ou um quadro desconhecido numa moldura barata). Você pode encontrar tesouros mais genuínos do que imagina.

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Em uma palavra [19]

litóclase 
s.f. [do grego lithos, pedra e clastos, quebra] fratura que se forma naturalmente em rochas pela variação térmica; rachadura, fresta. "E mesmo ali, naquela litóclase árida, a vida brotava insistentemente."

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

Xilindró Numérico

mega quadrado mágico

Parece uma tabela ou planilha qualquer, mas não é. Não, vovó minha senhora, também não é a maior cartela de bingo que a senhora já viu. Trata-se de um quadrado mágico notável pelo seu tamanho e por suas propriedades. Composto por um "puzzlist durante o tempo em que esteve numa prisão", esse quadrado mágico gigante acabou publicado nas páginas do Journal of Recreational Mathematics [Jornal de Matemática Recreativa].

São treze casas (ou seria melhor dizer celas?) de cada lado do quadrado, que abriga outros quadrados mágicos menores — de 11x11 ao mínimo de 3x3 casas no centro. A constante mágica de cada quadrado — a soma de cada linha ou coluna — tem sempre 10.874 unidades a menos do que a constante do quadrado mágico imediatamente maior. E todas as casas contém números primos.

Eis aí um caso em que trabalho na prisão foi voluntário e rendeu algo de bom — embora não seja lá muito útil no dia-a-dia. O prisioneiro, quem quer que seja, certamente aprendeu muito com sua prisão e nos ensina que nem sempre o "ócio é a oficina do diabo". 

Fica a sugestão para as administrações penitenciárias brasileiras: vamos mandar nossos presos quebrar esse recorde também. Se eles conseguem fazer gambiarras malemolentes para falar no celular, botar números (primos) num quadrado mágico gigante deve ser moleza...

domingo, 15 de agosto de 2010

Uma mesquita não resolve nada

Ground_zero_aerial_view

Quase dez anos depois o solo que sustentava as Torres Gêmeas em Nova York continua deserto. O Marco Zero continua sendo um pólo atrativo para turistas e polemistas. Nada foi levantado lá até hoje por uma razão simples: não há consenso sobre o que construir no lugar do WTC. E as controvérsias e teorias conspiratórias que surgiram desde então voltam à tona com a proposta de construir uma mesquita perto dali — e a aprovação dada pelo presidente Obama.

sábado, 14 de agosto de 2010

Um jovem cavalheiro deseja encontrar…

Um jovem cavalheiro, às vésperas de se casar, deseja encontrar um homem de experiência para dissuadi-lo de dar tal passo.

— Classificado no Times de Londres, s/d, apud William Shepard Walsh, Handy-Book of Literary Curiosities [Manual de Curiosidades Literárias], 1892

sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Porra, New York Times!!! [2]

Mais algumas pérolas notáveis que vieram da seção de erratas do New York Times:

Mudando o rumo da história (de novo): 
"Uma reportagem identificou erroneamente o documento no qual John Hancock colocou sua proeminente assinatura. Foi a Declaração de Independência, não a Constituição." (14 de julho de 1985)
Um pequeno erro de cálculo na coluna social: 
"Um artigo sobre Ivana Trump e seus hábitos de consumo errou o número de sutiãs que ela compra. São duas dúzias [de sutiãs] pretos, duas dúzias beges e duas dúzias brancos e não dois milhares de cada." (22 de outubro de 2000)
E outro no caderno de culinária: 
"A receita para o petisco de salmão zimbrado errou na quantidade de sal kosher. É metade de um copo, e não quatro copos." (26 de novembro de 2000)
Botando a culpa na fonte: 
"Uma reportagem no caderno 'Sunday' incluiu dados errôneos do Farmer's Almanac sobre a ocorrência de luas cheias. O último mês sem lua cheia foi fevereiro de 1980, não fevereiro de 1866. O próximo mês sem lua cheia será fevereiro de 1999 e não o mesmo mês daqui a 2,5 milhões de anos." (25 de fevereiro de 1996)
E alguém da editoria de cinema fez James Dean se revirar no túmulo: 
"Um artigo errou o título do filme de 1955 que fez de James Dean uma estrela. É 'Rebelde sem Causa', não 'Rebelde com Causa.'" (8 de maio de 2000)

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Um aniversário de presente

Em 1891, Robert Louis Stevenson recebeu uma carta de uma garotinha de Vermont chamada Annie Ide. Em sua cartinha, Annie dizia que fazia aniversário no Natal e, por isso mesmo, raramente recebia presentes de aniversário. O autor de A Ilha do Tesouro respondeu com um verdadeiro decreto:
Eu, Robert Louis Stevenson,

    considerando que Miss Annie H. Ide, nascida, sem qualquer razão, no dia de Natal; que portanto injustamente a ela foi negado o consolo e o bem de um aniversário apropriado; que eu, o dito Robert Louis Stevenson, alcancei uma idade na qual nunca se menciona [o aniversário], e que eu não tenho agora nenhum uso para minha data de nascimento em nenhuma descrição.

    Eu TRANSFIRO A PARTIR DE AGORA, para a supracitada Annie H. Hide INTEIRAMENTE TODOS os meus direitos e privilégios sobre o dia treze de Novembro, antes minha data de nascimento, a qual aqui, a partir de agora, é a data de nascimento da dita Annie H. Ide para que ela mantenha, exerça e aproveite o mesmo na maneira de costume, a saber, a prática do bem-vestir, o comer de ricas refeições, e o receber presentes, cumprimentos, cópias de versos, de acordo com a maneira de nossos ancestrais.

Como condições, Stevenson apenas exigiu que ela adicionasse Louisa ao nome dela, "pelo menos privativamente" e que ela usasse o aniversário "com moderação e humanidade". Ele explicou que, se ela faltasse com qualquer dessas condições, o aniversário seria doado ao Presidente dos Estados Unidos. Até onde se sabe, ela não falhou.

No entanto, a menina Annie certamente já morreu; Stevenson também. E o status da doação do aniversário, como fica? O presidente dos Estados Unidos poderia reclamar a data, mas ele não precisa disso. Tampouco os herdeiros de Stevenson. Uma saída útil seria colocá-la em domínio público e, assim, resolver os problemas (e os traumas) de quem nasce em datas ingratas — como o 25 de dezembro ou o 29 de fevereiro.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Critérios de Noticiabilidade na prática

Ou: como transformar uma má notícia em algo bom.

noticiabilidade

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Em uma palavra [18]

Ombíbulo
adj. aquele que bebe de tudo. Cf. Onívoro, aquele que come de tudo.

segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Orgulho Modesto

Por que a modéstia é considerada uma virtude? Tradicionalmente, ser virtuoso é ser sábio, pensativo e prudente. Mas a modéstia parece estar baseada não nessas qualidades, mas na ignorância.

Ainda que seja um tipo especial de ignorância. Para uma pessoa ser modesta, ela deve ser ignorante com relação ao seu valor próprio. Ela deve se ver como alguém que merece menos, ou que vale menos, do que realmente deveria esperar.

Como a modéstia é geralmente considerada como uma virtude, conclui-se que essa virtude repousa sobre um defeito epistêmico fundamental — um paradoxo. O modesto não pode se considerar modesto por que, como a modéstia é uma qualidade, isso seria um sinal de vaidade, de orgulho.

Então, quando alguém diz “Eu não sou modesto” pode estar realmente sendo o oposto do que diz. O cara é tão modesto que nega sua própria modéstia. E é apenas assim que a modéstia funciona.

Ou, como disse Sherlock Holmes: "Subestimar-se é tão distante da verdade quanto exagerar o próprio poder."

sábado, 7 de agosto de 2010

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Depende do ponto de vista

entalhe

Se você perguntar o que a Fig. 1 representa, nove em dez pessoas vão lhe dizer que é uma placa de madeira triangular ou algo do tipo. Na verdade, trata-se de um bloco retangular de madeira sólida com um triângulo entalhado em um lado. A Fig. 2 mostra a vista na direção da seta, com o entalhe em linha pontilhada.

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

O ‘bixo’ mais folgado da história

Em 1939, um cara chamado George Bernard Dantzig (1914-2005) era candidato a doutorado em matemática na Universidade da Califórnia (UC) em Berkeley. Um dia, ele chegou atrasado para uma aula de estatística ministrada por Jerzy Neyman (1894-1981). Apressado por chegar tarde, ele copiou os dois problemas  que estavam no quadro-negro. Poucos dias depois, Dantzig devolveu os problemas. Novamente, ele pediu desculpas por demorar tanto para solucioná-los — mas ele também disse que achou-os anormalmente difíceis. O Prof. Neyman, distraído e ocupado, pediu apenas que o aspirante a doutor deixasse seu trabalho em cima da mesa.

terça-feira, 3 de agosto de 2010

Em uma palavra [17]

Ambissinistro
adj. muito desastrado, destrambelhado; literalmente, "aquele que tem duas mãos esquerdas." Antônimo: ambidestro.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

domingo, 1 de agosto de 2010

Contos Traduzidos — Ou o seu dinheiro de volta

Jason Howley e sua caixa-talismã em ação (ou não)

Todo mundo que já fez uma "fezinha" na Mega Sena tem algum tipo de ritual ou talismã — um número favorito, um gesto sempre repetido ou até mesmo as infames cuecas da sorte. Mas e se os talismãs usados por jogadores em cassinos não apenas funcionassem, mas também fossem  gadgets industrializados? Eles deveriam ser proibidos? Ou será que talismãs nunca funcionam realmente e tudo não passaria de um efeito placebo? 

São essas as situações exploradas por David Gordon (1927-1987) no conto "Ou o seu dinheiro de volta", uma mistura interessante de ficção científica e história de tribunal. Tão interessante que chega a surpreender como Hollywood ainda não descobriu esse conto e levou-o às telonas, o que é uma pena. Ou não, já que muitas adaptações cinematográficas de FC são bastante grosseiras.

A seguir, a íntegra do texto de "Ou o seu dinheiro de volta", traduzido e comentado por este que vos escreve.

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