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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Infância Traumática

O conceito de infância — e de proteção às crianças — é uma ideia bastante recente. Prova disso é esse pequeno, porém convincente relato para endireitar os garotos da Era Vitoriana:

Para que todos os bons garotos saibam o quão sortudos são por serem garotos agora, e não nos tempos antigos, informo a maneira cruel pela qual mesmo os bons garotos eram tratados pelas leis dos Ripuários [tribo franco-germânica]. Quando havia uma venda de terra, era necessário que houvessem doze testemunhas, e com estas o mesmo número de meninos. Em sua presença o preço da terra deveria ser pago e a posse deveria ser formalmente passada. Em seguida, os garotos eram espancados, e suas orelhas eram puxadas, para que a dor infligida sobre eles marcasse uma impressão em suas memórias. Assim, se necessário, eles agiriam como testemunhas da venda e da entrega da terra.
— Robert Conger Pell, Milledulcia, 1857

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Pai de Todos

Bons eram tempos em que padres poderiam “tirar o atraso” livremente com mulheres. Nada de preservativos e um monte de filhos! Porém, até hoje não houve pároco com tanta vontade de “fazer filhos” quanto Francisco Costa, o lendário prior de Trancoso:

Sobre a união do homem com muitas mulheres, é curioso este documento que se acha arquivado na Torre do Tombo em Lisboa (armário 5º., maço 7º., datado do ano 1487):

“F...... C......, prior que foi de Trancoso, na idade de 62 anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas ao rabo de cavalos, esquartejado o seu corpo e posto em quartos e a cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime de que foi arguido, que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com 29 afilhadas, tendo delas 97 filhas e 37 filhos; de 5 irmãs teve 18 filhos e filhas; de 9 comadres teve 38 filhas e 18 filhos; de 9 amas teve 29 filhas e 5 filhos; de 2 escravas teve 21 filhas e 7 filhos; dormiu com uma tia chamada A.... C...... de quem teve três filhos e... da própria mãe teve 2 filhos!!!

Total — 275 filhos, sendo 200 do sexo feminino e 75 do sexo masculino, sendo concebidos de 54 mulheres!”


— Valmiro Vidal Rodrigues, Curiosidades: 1000 coisas interessantes para nossa cultura enciclopédica, Vol. III. 1960

O prior foi julgado e condenado e executado, certo? Errado! Lembre-se que estávamos em Portugal, um país que nos legou a rigorosa tradição jurídica do “prende e solta”:
“O rei João I perdoou ao fecundo sotaina e o mandou por em liberdade aos 17 dias de março de 1487 e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença e mais papéis que formam o processo.”Idem.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Quando a porca torceu o rabo

porca
Em 1266, em Fontenay-aux-Roses, perto de Paris, um porco que foi condenado por ter comido uma criança foi publicamente queimado por ordem dos monges de Sainte Geneviève. Em 1386, o tribunal de Falaise sentenciou uma porca a ser mutilada na cabeça e nas patas dianteiras e ainda a ser enforcada, por ter desfigurado a face e os braços de uma criança, causando-lhe a morte. Aqui nós temos uma aplicação estrita da lex talionis, o primitivo princípio retributivo de olho por olho e dente por dente. Como que para tornar completa essa justiça travestida, a porca foi vestida com roupas e executada na praça pública, próxima a prefeitura. A execução custou ao estado dez sous e dez deniers(*) além de um par de luvas para o carrasco. O executor recebeu luvas novas de modo a cumprir seu trabalho, ao menos metaforicamente, com as mãos limpas, para indicar que, como ministro da justiça, ele não incorreu em culpa ao derramar sangue. Ele não era um simples matador de porcos, mas um funcionário público, um “mestre de altas obras” (maître des hautes œvres), como era oficialmente nomeado.
— Edward Payson Evans, The Criminal Prosecution and Capital Punishment of Animals [Perseguição Criminal e Punição Capital de Animais], 1906
 (*) Observação monetária: o sou ou sol e o denier eram subdivisões do livre, a moeda da França pré-revolucionária. Um livre era formado por 12 sous e 1 sol equivalia a 12 deniers (ou seja, 1 livre = 144 deniers). Entre outras moedas europeias, esse sistema inspirou a antiga Libra inglesa. É por isso que, até a decimalização da Libra, nos anos 1970, a abreviação de penny era d.

Mas você deve estar se perguntando: Porcos matando crianças e sendo mortos em punição? Como isso é possível?

Simples: o pessoal da Idade Média era mesmo muito descuidado. Os pais deixavam as crianças em berços rasteiros, quase manjedouras mesmo e iam ou pra roça ou pra missa. E os porcos ficavam soltos, não raro até dentro de casa. Aí, quando um suíno confundia a manjedoura de verdade com um berço, o pobre animal era considerado demoníaco, julgado e executado. Enquanto isso, padres e monges eram donos de 1/3 das terras da Europa e viviam a vida que todo mundo pedia a deus. Realmente, era uma sociedade perfeita.

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