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quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Um empurrãozinho gravitacional

Modelo de variação gravitacional na superfície da Terra. Quanto maior (e mais vermelha)
a deformação, maior a gravidade.

“Gravidade — é a Lei!” Isso é o que Beakman sempre nos lembrava com os tombos que aconteciam em seu programa. Aparentemente, porém, os cientistas que descobriram supostos neutrinos superlumínicos (mais rápidos que a luz) não se lembraram dessa força fundamental. Segundo Alex Knapp conta em seu blog na Forbes (!?), um novo artigo escrito por Carlo Contaldi, do Imperial College de Londres, contesta os cálculos que a equipe do OPERA apresentou como evidência para a descoberta de neutrinos que quebraram a barreira da luz.

Em qualquer experimento bem conduzido, relógios sincronizados são essenciais para uma marcação precisa do tempo. Se esses relógios não estiverem bem ajustados, mas forem usados para cálculos de velocidade, o resultado pode ser errado. O problema básico com os dados do OPERA, argumenta Contaldi, é que os relógios usados para medir a velocidade dos neutrinos não estavam adequadamente sincronizados.

Os relógios usados no experimento eram sincronizados via GPS. No entanto, segundo o crítico italiano, isso não é suficientemente preciso. Pode haver discrepancias porque a gravidade em diferentes lugares da superfície da Terra não é constante. A gravidade no local onde fica o CERN — na fronteira franco-suíça e não muito longe dos Alpes — e de onde os neutrinos saíram é ligeiramente maior do que a gravidade de onde fica o detector OPERA — no centro da Itália. Consequentemente, o tempo poderia parecer passar mais lentamente no CERN para quem estivesse no OPERA. Desconsiderar essa diferença, segundo Contaldi, significa que “a medição resultante da velocidade do neutrino diferente de c não é apenas pouco surpreendente, mas deveria ser esperada nesse contexto.”

Evidentemente, os cientistas do OPERA ainda não se deram por vencidos e dizem que Contaldi não descreve exatamente os meios pelos quais o grupo sincronizou seus instrumentos. Mas o OPERA aceitou o desafio e pretende revisar seu artigo para esclarecer este ponto. É uma briga das boas. Como toda boa ciência.

(via discoverynews via tumblr)

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Físico Felino


Quando terminou de datilografar o manuscrito (peraí, não seria datilografar a datilografia?) de um artigo, o físico J. H. Hetherington percebeu que havia cometido um pequeno deslize estilístico. Tudo estava escrito na primeira pessoa do plural. O problema é que, muito apropriadamente, a revista Physical Review Letters não aceita papers de um único autor redigidos com nós — nem mesmo em casos de plural de modéstia.

Naquela época, no começo dos anos 1970, ainda não existiam PCs, nem editores de texto, muito menos revisores eletrônicos ou comandos “localizar se substituir”. Por isso Hetherington não queria escrever tudo de novo. Então, ele teve uma ideia: por que não adicionar um segundo autor? E, já que ninguém precisaria conhecê-lo, por que não poderia ser seu próprio gato? Assim, o físico adicionou F. D. C. Willard (“Felis Domesticus Chester Willard”) como seu co-autor.

Até onde se sabe, Chester é o único gato que já publicou uma pesquisa sobre física de baixas temperaturas.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

Prêmio Nobel de Publicidade

Taí uma categoria de Nobel que não existe. Mas há pelo menos um caso que merecia ser premiado pela Academia Real de Ciências da Suécia.

Os físicos Cheng Ning Yang e Tsung-Dao Lee costumavam discutir seus trabalhos enquanto almoçavam em um restaurante chinês na Rua 125, em Manhattan. Um dia, eles perceberam uma importante violação da paridade das partículas fundamentais durante o bate-papo na hora do almoço. Eles acabaram recebendo o Prêmio Nobel de Física em 1957 pela descoberta.

Isso nos leva ao nosso Nobel publicitário. Depois de receber o prêmio, eles voltaram a trabalhar e, quando foram almoçar, encontraram uma plaquinha na janela do restaurante: “Coma aqui e ganhe o Prêmio Nobel”.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A Física está "amolecendo"?

claude-levi-strauss_einstein
Einstein e Lévi-Strauss: quem teve mais espírito científico?

John Horgan levantou uma intrigante questão epistemológica no site da Scientific American: A Física teórica está se tornando uma ciência mais soft que a Antropologia?

Tradicionalmente há uma clara oposição entre as Ciências Exatas e as Humanas. Na ficção científica, as Exatas são chamadas de hard science enquanto as Humanas são a soft science. Mas como não há verdades absolutas na ciência, até essa oposição clássica começa a mudar — a se confundir, na verdade.

sábado, 27 de novembro de 2010

Espetáculo do crescimento

Suponha que em uma única noite todas as dimensões do universo tornem-se mil vezes maiores. O mundo vai continuar bastante similar a si mesmo, se nós dermos à palavra similar o sentido que ela tem no terceiro livro de Euclides. O que antes tinha um metro de comprimento, agora medirá um quilômetro, e o que tinha um milímetro terá um metro. A cama na qual eu dormi e meu próprio corpo terão crescido na mesma proporção. Quando eu acordar na manhã seguinte, qual será a minha expressão diante de tamanha transformação? Bem, eu não devo notar absolutamente nada. A mais exata medida será incapaz de revelar qualquer coisa dessa tremenda mudança, pois as fitas métricas que eu uso terão variado na mesma e exata proporção dos objetos que eu tentar medir.
— Henri Poincaré, Science and Method, 1908.
Agora imagine se isso aconteça todas as noites, ainda que a uma escala menor. De certa forma, acontece mesmo, já que o universo inteiro está se expandindo. A cada dia, crescendo à velocidade da luz, o universo se torna 25.920.000.000 de quilômetros maior. Só que como ele sempre cresce, essa diferença se torna sempre proporcionalmente menor. Assim, embora o universo cresça a cada dia, nós não percebemos nada por que, apesar de manter sempre o mesmo ritmo, ele cresce cada vez menos.

Agora o mistério é se o mesmo fenômeno ocorre em relação ao crescimento econômico. Se uma economia inteira cresce, como conseguimos avaliar tal crescimento mantendo sempre os mesmos parâmetros? Aliás, parece-me muito mais difícil medir objetivamente o crescimento econômico por que ele é sempre influenciado por vontades políticas e pela própria existência do(s) medidore(s).

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Faster-than-light

A pressa é inimiga da perfeição. O entusiasmo, também. Quando a velocidade da luz começou a ser medida, no fim do século XIX, não faltavam comentários entusiásticos nas jovens revistas de divulgação científica, como a francesa La Science Populaire:
A luz cruza o espaço com a prodigiosa velocidade de 6.000 léguas por segundo. (La Science Populaire, Abril de 1881)
Seis mil léguas luminosas? Isso dá cerca de 33.336 km/s, o que é pouco mais de 10% do valor atualmente aceito para a velocidade da luz (299.792 km/s). Obviamente, o erro não estava na velha légua e foi corrigido de maneira mais ou menos poética:
Um erro tipográfico caiu em nosso último número e é importante corrigi-lo: a velocidade da luz é de 76.000 léguas por hora — não 6.000. (LSP, Maio de 1881)
Opa! 76.000 léguas dá 422.256 quilômetros. Não, esse valor 40% acima do que conhecemos hoje não é um erro, por causa da falta de precisão dos equipamentos da época. Além disso, previa-se um valor de c maior do que se foi verificado realmente. Mas há outro erro na errata acima: dessa vez o valor foi apresentado corretamente, mas em léguas por hora!

Isso não passou despercebido e três meses depois, sem muito entusiasmo, a Le Science Populaire finalmente informou o valor correto da velocidade da luz:
Uma nota corrigindo um erro apareceu em nosso número 68 indicava que a velocidade da luz é de 76.000 léguas por hora. Nossos leitores corrigiram esse novo erro: a velocidade da luz é aproximadamente 76.000 léguas por segundo. (LSP, Junho de 1881)

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Pergunta Eternamente Inquietante

Em que unidade se mede o fluxo do tempo? Segundos por — o quê??
Isso explica por que o capacitor de fluxo (e a viagem no tempo) ainda não foi inventado. Não sabemos nem como medir a passagem do tempo...

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