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quarta-feira, 16 de novembro de 2011

“Uma vida escondida”

À primeira vista, o livro que Montgomery Carmichael publicou em 1902 parece ser uma biografia bastante séria:
O testamento do meu amigo Philip Walshe deixou-me na posse de uma larga e extraordinária coleção de valiosos manuscritos e, ao mesmo tempo, legou-me uma tarefa difícil e nada delicada. Esses manuscritos formam a volumosa obra de seu pai, o finado Mr. John William Walshe, F.S.A., que faleceu no dia 2 de junho de 1900, aos 63 anos, em Assis, Úmbria, onde ele passou a segunda metade de sua vida. Mr. Walshe era bem conhecido entre os estudiosos como talvez a maior autoridade viva em matérias Franciscanas. De outro modo, ele não tinha fama alguma. O mundo, ocupado em seus eventos, não o conheceu.
Não se engane. A introdução séria e sóbria de The Life of John William Walshe é o retrato detalhado de um homem que nunca existiu. “Levou-me algum tempo para perceber que tudo isso” — escreveu um resenhista da já extinta revista americana The Dial — “é uma elaborada peça de mistificação e para lembrar que o nome de Walshe não figura em qualquer lista verdadeira de scholars Franciscanos, vivos ou mortos”.

O bibliotecário e escritor americano Edmund Lester Pearson (1880-1937) considera a obra “um dos mais inexplicáveis exemplos de hoax literário [...] [O livro] não contém um átomo de sátira, não era uma paródia e, até onde eu, pelo menos, pude descobrir por evidência interna ele é o que aparenta ser: uma sóbria e reverente biografia de um Inglês estabelecido na Itália, membro devoto da Igreja de Roma e estudante particularmente entusiasta e pio seguidor de São Francisco de Assis.”

E quanto ao autor? Carmichael era funcionário do serviço consular britânico na Itália e, um tanto obviamente, também publicou diversos livros de viagens europeus. Mas em relação a essa obra, ele nunca deu uma explicação. Carmichael apenas a considerava “a estória de uma vida escondida”. A minha hipótese é que Mr. Walshe era, em certo sentido, o próprio Carmichael: seria um caso pioneiro de heteronímia.

domingo, 23 de outubro de 2011

Capítulos Inééééééditos

Em 1950, um estudante de graduação de Stanford, Robert E. Young, percebeu que dois capítulos do romance Os Embaixadores, de Henry James (1843-1916), haviam sido invertidos em todas as edições americanas desde seu lançamento, em 1903.

“Várias discrepâncias nos fatos e no tempo”, escreveu o estudante universitário, “aparecem em uma leitura cuidadosa dos capítulos em sua presente ordem. Por outro lado, a reversão dos dois resultaria em uma completa eliminação de tais discrepâncias.”

A confusão se deve ao fato de que antes de ser publicado em livro, The Ambassadors já havia saído como folhetim na North American Review. No entanto, a revista não pôde publicar todos os capítulos por falta de espaço. Três capítulos permanceram [galvão] inééééééditos [/galvão] até a publicação em livro.

O problema aconteceu na inserção de um destes capítulos inéditos, que deveria entrar antes do capítulo 28 e não depois. Os dois capítulos foram publicados erroneamente em edições inglesas. Muitos editores americanos, pensando que a ordem fosse aquela mesma, simplesmente seguiram-na e mantiveram-na.

No entanto, quando o próprio James fez a revisão do texto americano em 1909 (que ficou conhecido como New York Edition), ele não encontrou nenhum erro. Sendo assim, não há versão definitiva para essa obra. Novas edições que usam como base a NYE passaram a trocar a ordem dos capítulos.

Henry James
O bibliógrafo Jerome McGann reabriu a questão em 1992. McGann duvida que James tenha errado em uma obra que ele revisou tão cuidadosamente. Ele explica as discrepâncias da seguinte forma: o começo do cap. 28 descreve um diálogo que vai ocorrer no futuro (relativo ao contexto da história) e que “aquela noite” citada no começo do cap. 29 refere-se não à noite recém-descrita no capítulo 28, mas a outra, mais anterior.

“O deslize é particularmente irônico”, escreveu Young após descobri-lo, “dado o fato que James considerava The Ambassadors como seu romance mais perfeitamente construído, como sua obra-prima.”

Intencional ou não, há um quê de interatividade nesse erro lítero-tipográfico: dependendo da edição, o leitor pode decidir a ordem em que quer ler um par de capítulos.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Em uma palavra [72]

introvável
adj. impossível de se encontrar; usado especialmente para se referir a livros. [derivado do italiano trovare, encontrar, achar, localizar].

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Superstições made in USA

Embora hoje seja o dia do folclore apenas no Brasil, apresentamos a seguir algumas supertições americanas, coletadas pela folclorista Fanny D. Bergen em 1896 e publicadas no mesmo ano no livro Current Superstitions, Collected from the Oral Tradition of English Speaking Folk [Supertições Correntes, Coletadas da Tradição Oral de Pessoas que falam Inglês]:
  • Se você espirrar de boca cheia durante uma refeição, um conhecido morrerá logo. (Virginia)
  • Se o seu sapato se desamarrar, seu amor estará falando de você. (Alabama)
  • Sonhar com pão é sinal de boa sorte. (Boston)
  • Se derrubar o pano de prato, terá companhia. (Pensilvânia)
  • Se passar um bebê por uma janela, ele nunca vai crescer. (Carolina do Sul)
  • Covinhas no rosto, demônio no corpo. (Maryland)
  • Se você for dama de honra por três vezes, nunca vai ser noiva. (Nova York)

E direto de Portland, no Maine, uma quadrinha (devidamente traduzida a seguir):
Beware of that man,
Be he friend or brother,
Whose hair is one color
And moustache another.
Tome cuidado com o homem
Seja ele amigo ou irmão
Cujo cabelo é de uma cor
E o bigode de cor não.
Para os interessados, o livro de Miss Bergen já está em domínio público e pode ser baixado no Projeto Gutenberg.

domingo, 7 de agosto de 2011

Mini-Holmes


Com apenas 503 palavras (em inglês e 469 nesta tradução que eu fiz), o conto a seguir é a mais curta história de Sherlock Holmes escrita por Arthur Conan Doyle (1859-1930). O miniconto foi feito para ser publicado em um minilivro de 1,5 polegada [3,81 cm] de altura e que seria parte da biblioteca de uma casa de bonecas da Rainha Mary (1867-1953), esposa de George V (1865-1936, regnabat 1910-1936):

domingo, 15 de maio de 2011

Sex and the Vatican

Denúncia de pedofilia: você está fazendo isso errado


O papa pode não ser mais italiano há um bom tempo, mas mesmo assim, parece que o Vaticano acha que suas fronteiras vão além dos muros que o separam de Roma. Em meio aos escândalos político-sexuais de seu primeiro-ministro fanfarrão, a Itália está calada. Vergonhosamente, também está calada com o lançamento do livro Sex and the Vatican, do jornalista Carmelo Abbate. Não que se esperassem louvores à obra que devassa a vida dupla que padres, freiras, monges e bispos italianos levam. Surpreendentemente, também não houve críticas generalizadas. Nem um escândalo sequer.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Gatuno de biblioteca


Entre agosto de 2000 e maio de 2002, mas de 1100 livros antigos sumiram do monastério de Mont Saint-Odile, na França. Não havia qualquer sinal de arrombamento na biblioteca. Os monges trocaram todas as fechaduras do mosteiro e reforçaram a vigilância. Mas os livros continuaram a desaparecer — o ladrão até mesmo deixara uma rosa no lugar de um deles. #umbertoecofeelings

Já que orações e vigílias não funcionaram, o mosteiro foi forçado a se converter à tecnologia e instalou uma câmera para pegar o gatuno. Dias depois, Stanislas Gosse, um professor de engenharia de Estrasburgo, foi pego no flagra ao entrar através de um armário na biblioteca durante a noite.

Após ser capturado e levado a uma delegacia, ele confessou que havia encontrado um mapa perdido nos arquivos públicos e através dele descobriu uma entrada secreta. O professor universitário subia pelos muros do mosteiro, entrava pelo sótão, descia por uma estreita escadaria e acionava um mecanismo para abrir o fundo falso do armário. Depois disso, ele “navegava” pela biblioteca à luz de uma vela.

“Eu temo que minha paixão inflamada tenha sobrepujado minha consciência”, justificou-se o professor Gosse. “Pode aparecer egoísmo, mas eu sentia que os livros haviam sido abandonados. Eles estavam cobertos de poeira e com fezes de pombos e me pareceu que ninguém mais os consultava.” Gosse foi condenado por furto qualificado e invasão de propriedade particular. Ele pagou a fiança e foi liberado, mas teve que prestar serviços comunitários ajudando a catalogar os livros da própria biblioteca de Sain-Odile.

Dado que os livros estavam num mosteiro, tal estado de abandono não surpreende. Não havia, portanto, qualquer intenção criminal. Stanislas Gosse agiu como um herói literário — e dos românticos: “Também havia a emoção da aventura — eu tinha medo de ser encontrado.”

sábado, 23 de abril de 2011

Dia do Livro: É proibido proibir

Para que esse dia (ou noite) não passe em branco:

Alguns dos autores listados no Index Librorum Prohibitorum da Igreja Católica: Galileu Galilei, Copérnico, Kepler, Montaigne, Descartes, Voltaire, Jean-Jacques Russeau, Sade, Victor Hugo, Dumas, Rebelais, Balzac, Zola, Anatole France, Jean-Paul Sartre, Laurence Sterne, Comte, Graham Greene, Maquiavel, Jonathan Swift, além da Encyclopedie e do Grand Dictionaire Universel Larousse

Entretanto, Karl Marx e Adolph Hitler jamais foram censurados pelo Vaticano.

domingo, 20 de março de 2011

“Uma Noite em Atlanta”

Em pleno século XXI, há gente que ainda não leva a Ficção Científica a sério. Em 2004, a pequena editora PublishAmerica desdenhou abertamente da FC, afirmando que jamais publicaria uma obra do gênero por ser uma “editora tradicional” e de alto padrão (o site informava que eram recebidos mais 70 originais por dia, a maioria dos quais era rejeitada). 

Irritada e imbuída do mais puro espírito de trollagem, a “família sci-fi” decidiu dar uma lição na PublishAmerica. Dezenas de autores do gênero colaboraram para criar o pior romance possível apenas para testar o suposto alto padrão editorial da empresa. O resultado foi Atlanta Nights:

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Revisão pelos pares

horácio_FAIL
Tem algum erro tipográfico por aí. 50 libras pra quem encontrar.


Não importa o quanto você se dedique a um trabalho perfeito, sempre vai passar algum erro. Os irmãos Foulie que o digam:
Os célebres [irmãos Robert e Andrew] Foulie, [tipógrafos da Universidade] de Glasgow, tentaram publicar uma obra que deveria ser um perfeito exemplar de precisão tipográfica. Todas as precauções foram tomadas para assegurar o resultado desejado. Seis experientes revisores foram empregados e devotavam horas à leitura de cada página. Depois que se pensou que tudo estava perfeito, a obra foi exposta no hall da Universidade, com um aviso de que um prêmio de 50 libras seria pago a qualquer pessoa que descobrisse um erro. Cada página ficou exposta por duas semanas antes de ser impressa e os impressores pensaram ter atingido o objetivo pelo qual lutaram. Quando a obra foi publicada, descobriu-se que vários erros haviam sido cometidos, um dos quais já na primeira linha da primeira página.
– William Keddie, Cyclopædia of Literary and Scientific Anecdote [Enciclopédia de Anedotas Científicas e Literárias], 1854
O livro "imaculado" tão desejada pelos irmãos Foulie era a edição de 1744 das Obras de Horácio — em latim. Apesar do esforço (e de uma forma primitiva de crowdsourcing) foram encontrados pelo menos seis erros tipográficos. Hoje o Horácio dos Foulie é uma verdadeira relíquia.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Montaigne e a força do hábito


Roubemos espaço aqui para uma história. Um fidalgo francês sempre se assoava com a mão — coisa muito avessa ao nosso costume. Acerca disso, defendendo sua atitude (e era famoso pelos ditos espirituosos), ele perguntou-me que privilégio tinha aquela excreção para que lhe fôssemos preparando um belo lenço delicado a fim de recebê-la e depois, o que é pior, empacotá-la [no lenço] e guardá-la cuidadosamente em nós; que isso devia causar mais horror e náusea do que vê-la ser lançada fora de qualquer maneira, como fazemos com as outras excreções. Achei que ele não falava totalmente sem razão e que o costume me eliminara a percepção dessa extravagância, que no entanto consideramos tão horrível quando é narrada a propósito de um outro país.

— Michel de Montaigne, Do costume e de não mudar facilmente uma lei aceita. in: Ensaios, Livro I (1595)
Estou lendo, ainda que lentamente, Montaigne. À parte sua inevitável linguagem quinhentista e as diversas citações latinas e até gregas, achei Montaigne muito parecido com um blogueiro. Seus escritos foram originalmente criados apenas como uma espécie de diário, de auto-retrato de seu pensamento.

Com uma ampla gama de temas — do hábito de assoar o nariz aos índios da América e à educação das crianças — exemplificados por experiências do autor ou de conhecidos seus, os Ensaios de Michel de Montaigne (1533-1592) foram inovadores justamente por sua diversidade e sua brevidade (em relação aos outros textos filosóficos da época). 

Os ensaios começaram a ser escritos em 1572, mas foram publicados pela primeira vez em dois volumes em 1580. Na segunda edição, em 1588, foram feitos inúmeros acréscimos e saiu um terceiro volume. A terceira edição, de 1595, já póstuma foi baseada em rascunhos manuscritos feitos por Montaigne em um exemplar de 1588.

Quanto à filosofia, Montaigne não cria uma escola de pensamento pois não é um moralista ou um doutrinador. Como se nota em seus Ensaios, ele preocupa-se mais em levantar perguntas do que dar respostas ou apresentar as coisas como certas ou erradas. Embora seja cristão, mantém-se cético diante de relatos de milagres, de misticismos e crendices. Igualmente, mostra-se bastante indiferente às divisões religiosas de sua época. Assim, ele pode ser considerado o pai do livre-pensamento moderno.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Mundo sem Estrelas

Você já precisou usar um GPS ou o Google Maps? Se sim, é bem provável que apesar — ou até por causa — disso, tenha se perdido. Uma falha nas coordenadas do GPS pode parecer um grande problema e pode até causar grandes acidentes. Agora imagine o erro de localização num sistema de teletransporte interestelar... E esse é só o primeiro dos problemas enfrentados pelos personagens em um Mundo sem Estrelas, de Poul Anderson.

Num futuro muito distante, devidamente não especificado pelo autor, a humanidade já se tornou imortal através de uma "vacina antitanática" e estabeleceu contatos com todas as inteligências da Via Láctea. A Terra não tem mais nações; no máximo há uniões continentais. Nosso planeta acaba por se tornar apenas a "Pátria do Homem".

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Em uma palavra [20]

Librocubicularista
subst. [do latim, libris, livro e cubiculo, quarto] aquele que lê na cama; "book-lover"; literalmente, "alguém que faz algo com um livro em um quarto."

domingo, 11 de abril de 2010

A cegueira lúcida de Saramago

Em seu Ensaio sobre a Cegueira (Companhia das Letras, 1995), José Saramago  vai fundo na análise do que está por trás dessas coisas que chamamos de “civilização” e “humanidade”. Cegueira nos mostra o  mundo cruel e violento que não vemos — e, pior, que nos negamos a ver. Essa é apenas uma das múltiplas faces da cegueira que o livro nos mostra.

Apesar do título, Ensaio sobre a Cegueira não é uma obra filosófica, embora também possa ser lida dessa forma. A obra trata das consequências de uma inédita epidemia de cegueira. Mas não é uma cegueira comum, ela é “branca”. Os cegos não ficam no escuro; têm a vista constantemente ofuscada, imersa num “mar leitoso”. Por isso, Ensaio também tem um quê de ficção científica, embora não haja  nenhuma explicação para a cegueira repentina e sem qualquer sinal de lesão. Pelo desenrolar da trama, Sobre a Cegueira é uma distopia sobre a condição humana.

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Você quis dizer...

Ninguém sabe quem fez o índice remissivo do livro The Origin of Human Reason [A Origem da Razão Humana], de George Mivart (1827-1900). Para quem é analfabeto não sabe, um índice remissivo é um índice especial que vem no fim de um livro e apresenta todas as ocorrências (entradas) de um determinado assunto. Tipo um "Google" de papel.

Na página 136 de sua obra, Mivart descreve o que lhe parece ser uma cacatua capaz de responder a perguntas. O indexador — o responsável pelo índice — parece não ter acreditado nessa história e resolveu alertar os leitores pelo único meio que restava: o índice remissivo. 

Estas são as entradas sobre Cacatua no índice remissivo de The Origin of Human Reason:
Absurdo conto sobre uma Cacatua, 136
Anedota absurda sobre uma Cacatua, 136
Bastante absurdo conto sobre uma Cacatua, 136
Cacatua, conto absurdo sobre, 136
Cacatua, citada como Racional, 136
Conto maluco sobre uma Cacatua, 136
Diálogo com uma Cacatua, 136
Incrível conto de uma Cacatua, 136
Inválida Cacatua, conto sobre, 136
Mr. —— e o conto sobre uma Cacatua, 136
Prepóstero conto sobre uma Cacatua, 136
Questões respondidas pela Cacatua, 136
Parece que o indexador trabalhava do mesmo modo que o sistema "você quis dizer..." do Google.

domingo, 28 de março de 2010

"Dez dias que abalaram o mundo"

10 diasO livro do jornalista norte-americano John Reed é considerado um dos primeiros livros-reportagem da história. Embora o título fale em Dez dias que abalaram o mundo (edição fac-similar da Record, 1967), o livro é uma cobertura das primeiras semanas da Revolução de Outubro de 1917, que acabaria implantando o regime soviético na Rússia.

Pelas páginas do livro desfilam Vladimir Ilyitch Ulianov, o Lênin, Leon Trotsky e, de maneira bastante discreta, Ióssif Vissariónovich Djugashvíli, o futuro Stálin. Os líderes do Governo Provisório, Alexander Kerensky, o premiê derrubado, e Levr Kornilov, um militar que tentara fortalecer o governo provisório com um golpe, são demonizados com a pecha de “anti-revolucionários”.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Perfis Fakes

Uma das maiores obras de referência nos Estados Unidos do século XIX era a Appletons' Cyclopædia of American Biography, com seis volumes e descrições biográficas de 20.000 pessoas eminentes na história dos Estados Unidos e das Américas. A Cyclopædia foi publicada entre 1887 e 1889.

Surpreendentemente, muitos de seus personagens não são pessoas reais. Em seu zeloso trabalho para fazer perfis de cada pessoa digna de nota no Novo Mundo, a editora D. Appletons’ pagava por palavra e aceitava contribuições sem muito rigor. Suspeita-se que pelo menos 200 de suas detalhadas biografias foram simplesmente inventadas. Esse negócio de perfil fake não é assim tão novo quanto parece.

Quem fez isso? Ninguém sabe, mas curiosamente as falsas biografias são tão detalhadas quanto as de verdade. Uma investigação feita em 1937 mostrou que o escritor anônimo inventara títulos em seis línguas, tinha treinamento científico e conhecia a história e a geografia da América do Sul. Os lugares e os eventos históricos citados nas biografias fictícias eram genuinamente reais.

A minha suspeita é que tenha sido alguém com bom conhecimento e grande cultura, mas sem dinheiro. Tipo um estudante universitário.

Ainda mais surpreendente é fato de que a Cyclopædia of American Biography tenha sido republicada em 1968 por outra editora. Mas sem as devidas correções. Quem quiser tentar procurar mais biografias fakes pode baixar a obra.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O Paradoxo do Prefácio



Muitos autores começam um livro com um prefácio (ou uma introdução, um prólogo, um prelúdio ou um intróito). Em todo caso, é comum que o autor diga que em algum lugar do livro há um erro. Mas os autores que escrevem esse tipo de aviso acreditam ou não no que escrevem?

sábado, 14 de novembro de 2009

Literatura Imaginária

Em 1851, Charles Dickens notou que estava sobrando prateleira em sua biblioteca. Para resolver o problema, ele encomendou capas de livros para preencher os espaços vazios. Os títulos, inventados, são uma amostra de fina ironia:
  • Five Minutes in China [Cinco Minutos na China], 3 volumes;
  • Forty Winks at the Pyramids [Quarenta olhares sobre as Pirâmides], 2 volumes;
  • History of Middling Ages [História da Idade Mediana], 6 volumes;
  • Jonah’s Account of the Whale [Relato de Jonas sobre a baleia];
  • Captain Parry’s Virtues of Cold Tar [Virtudes do Alcatrão Frio, pelo Capitão Perry];
  • Kant’s Ancient Humbugs [Os velhos equívocos de Kant], 10 volumes;
  • The Quarrelly Review [A Revista das Querelas];
  • The Art of Cutting the Teeth [A Arte de Extrair Dentes];
  • Drowsy’s Recollections of Nothing [Coleções de Nada, por Drowsy], 3 volumes;
  • Heavysides Conversations With Nobody [Diálogos Profundos com Ninguém], 3 volumes;
  • Growler’s Gruffiology, With Appendix [Roucologia de Growler, com Apêndice], 4 volumes;
  • Miss Biffin on Deportment [Sra. Pancada fala sobre Deportação];
  • Lady Godiva on the Horse [Lady Godiva sobre o Cavalo];
  • Munchausen’s Modern Miracles [Milagres Modernos do Barão de Munchausen];
  • On the Use of Mercury by the Ancient Poets [Do Uso de Mercúrio pelos Poetas Antigos].
E ele ainda pediu "tantos volumes quanto possível" do Guide to Refreshing Sleep [Guia para a Soneca Refrescante]. Depois dizem que os escritores clássicos não têm senso de humor. Hunf!

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