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quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

11111011010 já era!

O último post do ano não poderia ser diferente. É chato, é sinônimo de preguiça de quem faz, mas... todo mundo gosta de uma retrospectiva.

Antes, porém, uma dose de entusiasmo, por favor. Neste ano esse blog deslanchou, explodiu, inflacionou! Foram 278 postagens (um crescimento ultra-chinês: 237,93%), numa base quase diária. Mais ou menos como fizemos em nosso retrospecto do ano passado, aí vai um texto-resumo dos capítulos anteriores:

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A corrida pelo Z

Se você sempre detestou ser o último de uma lista ordenada em ordem alfabética graças à sua graça, saiba que isso pode ser um bom negócio quando se trata de listas telefônicas.

Em 1979, a Time fez uma reportagem na qual informava que Zachary Zzzra havia sido ultrapassado no último lugar da lista telefônica de São Francisco por Zelda Zzzwramp. Ele colocou mais um Z em seu sobrenome, mas aí sim, Zzzra foi surpreendido novamente por Vladmir Zzzzzzabakov.

Para garantir o último lugar na lista telefônica, Mr. Zzzzra foi radical: mudou seu nome para Zzzzzzzzzra.

Evidentemente, Zzzzzzzzzra era um pseudônimo. Mas o verdadeiro Zzzzzzzzzra não era um milionário excêntrico (ou um poeta concretista). Bill Holland era um simples pintor de paredes que dizia a seus clientes para procurar seu número no fim da lista. Intencional ou preguiçosa, a manobra publicitária funcionou, mas a conta telefônica de Holland, como seu nom-de-plume (e esta sentença), se tornou cada vez mais longa, muitas vezes passando dos US$ 400,00 (ou das três linhas, no caso desta sentença).

“Pessoas que fazem ligações ilegais nas cabines telefônicas procuram o último nome do livro e me ligam a cobrar.”, explicou Mr. Z., que não se preocupava nem um pouco com esse pequeno inconveniente: “Eu não pago nenhuma dessas porras.”

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Em uma palavra [33]

Memeroso
adj. 1. O que deve ser retido na memória; forma arcaica de memorável. [do Latim memerosus] 2. Cheio de memes, i.e., cheio de ideias que se espalham através da internet. [de meme, unidade básica de cultura, um r eufônico e -oso, sufixo de plenitude]
Em ambas as acepções, 2010 foi um ano memeroso.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Problema de Molyneaux

Em 1690, após publicar seu Ensaio acerca do Entendimento Humano, John Locke recebeu uma carta entusiasmada de um fã. Mas o autor da carta não era qualquer fã: seu nome era William Molyneux.

William_Molyneux
William Molyneaux (1656-1698): favor não confundir com Isaac Newton.

Apesar do sobrenome, Molyneaux era um renomado “filósofo natural” e político irlandês. Casado com uma mulher cega, o ilustre fã de Locke propôs em sua carta um curioso problema: um cego que recobresse a visão poderia diferenciar, visualmente, formas que só conhecia pelo tato? 

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

Diferença entre nerd e geek

equilibrium_nash
Clique para ampliar
O Dr. Nash é uma mente brilhante um nerd. O Feynman é geek. As garotas também.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Em uma palavra [32]

Contortuplicar
1. Dobrar-se ou enrolar-se em si mesmo, como um contorcionista; contorcer-se. 2. Por extensão, complicar ainda mais uma situação. "Diante da pressão pública, o acusado contortuplicava seus argumentos." "Para quê dificultar, se podemos contortuplicar?" Contortuplicação, subst. [do Latim Contortuplicatus, por sua vez derivado de contortus, contorcido e plicatus, dobrado]

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Problema de base

Em 1996, o matemático do Merrimack College, Machael J. Bradley, estava treinando o time de baseball do seu caçula quando reparou em algo estranho no livro de regras:
A base principal (home base) deverá ser marcada por uma laje de borracha branca de cinco lados. Ela deverá ser um quadrado de 12 polegadas com dois cantos preenchidos, de modo que um dos lados tenha 17 polegadas de comprimento, dois tenham 8 1/2 polegadas e dois de 12 polegadas.
Como a bagunça do sistema de medidas imperial (que ironicamente continua a ser usado na maior “democracia” do mundo) não é o bastante, a linguagem do manual ainda é confusa. Felizmente, não era preciso pedir para desenhar, pois havia uma ilustração:
base

Mesmo assim, Bradley notou, a figura é impossível: “A figura implica a existência de um triângulo retângulo isósceles com lados 12, 12 e 17. Mas (12, 12, 17) não é (bem) uma tríade pitagórica: 122 + 122 = 288; 172 = 289.”

Isso talvez explique a aparente falta de lógica do baseball. É um problema de base.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Verdades Goebbelianas

GOEBBELS
Goebbels: apesar de poderoso, o número 2 da Alemanha Nazi nunca deve ter ido ao dentista.

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, costumava dizer  Joseph Goebbels (1901-1945), o poderoso ministro da Propaganda da Alemanha Nazista. Muita gente se lembra dessa frase, mas — com exceção das publicidades antijudaicas e anticomunistas — pouco se lembra dos absurdos que a propaganda nazista apresentava como verdade:

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Argumentos de Crocodilo

lógica réptil
Aqui está uma curiosa e velha estória que é algo como um puzzle: Um crocodilo rouba um bebê, “no tempo em que os animais falavam” e estava prestes a jantá-lo. A pobre mãe implorou apaixonadamente pela sua criança. “Diga-me uma verdade”, disse o crocodilo, “e tu terás teu bebê de volta”. A mãe pensou bastante e, enfim, disse: “Tu não vais devolvê-lo”. “É essa a verdade que tu queres dizer?”, perguntou o crocodilo. “Sim”, respondeu a mãe. “Então, pelo nosso acordo, eu vou ficar com ele.”, concluiu o crocodilo, acrescentando: “Pois se tu disseste a verdade, eu não vou devolvê-lo e se isso é uma falsidade, então, eu também ganhei.” Ela replicou: “Não, tu estás errado. Se eu disse a verdade, tu deverias cumprir tua promessa; e, se for uma falsidade, não será uma falsidade até depois de tu me dar minha criança.” Agora, perguntamos, quem ganhou?
Pennsylvania School Journal [Jornal Escolar da Pensilvânia], Março de 1887
Moral da História: Nunca discuta com um crocodilo. Especialmente se for por causa de uma criança.

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Em uma palavra [31]

E após um considerável interregno, a série mais (in)útil deste blog (e a favorita deste que vos escreve) está de volta! Com mais uma da série: tipos de falantes.

Mendaciloquente
adj. Aquele que conta mentiras, que é habilidoso em mentir. sin. Falsário, cascateiro, patranheiro, ardiloso, trapaceiro, embusteiro. "Votem no Maluf e se ele não for um bom mendaciloquente nunca mais votem em mim!" [do latim mendacium, mentira e -loquente, que fala]

domingo, 12 de dezembro de 2010

A Voz de Shakespeare

Embora no começo do século XVII não existissem meios para gravar o áudio de peças de teatro, ainda hoje é possível ouvir as peças de Shakespeare tal e qual eram pronunciadas quando de sua estreia. A façanha é fruto de estudos do professor Paul Meier, da Universidade do Kansas, e seus alunos de artes cênicas.

Desde outubro, o Prof. Meier trabalha em parceria com o linguista David Crystal para reencenar as peças do bardo de Avon em OP (original pronounce, ou pronúncia original). Essa é a primeira montagem de Shakespeare em OP fora do Reino Unido.

A primeira vez que isso foi feito foi em Cambridge, nos anos 1950, em uma única e especial apresentação. Mais recentes são as duas montagens foram feitas pelo Globe Theather em Londres em 2005, também realizadas com consultoria de David Crystal, autor de Pronouncing Shakespeare.

A peça escolhida pelo professor Meier para ressuscitar o inglês seiscentista é A Midsummer’s Night Dream [Sonhos de uma noite de verão]. Um trecho da peça, em linguagem original e devidamente legendado em inglês, é apresentado no vídeo a seguir:

sábado, 11 de dezembro de 2010

Curriculum Christi

entrevista JC
E não adianta dizer que é “Filho do Dono”!

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Nomes (im)Próprios

Se você acha que apenas no Brasil poderiam surgir nomes ééééé, digamos, “criativos”, como Valdisnei, Usnavi, Maiquel Géquiçom, Erripóter, Letisgo, Brucili ou até mesmo Urrigrisson, lembre-se de que os americanos sempre podem conseguir fazer coisas melhores (ou piores):
O censo dos Estados Unidos, agora quase completado, trouxe à luz alguns espécimes curiosos de nomes próprios. Um homem de Illinois teve cinco filhos, batizados Imprimis, Finis, Appendix, Addendum e Erratum. Em Smythe Couty, na Virgínia, um certo Mr. Elmadoras Sprinkle deu aos seus dois filhos os nomes Myrtle Ellmore e Onyx Curwen e suas seis filhas são Memphis Tappan, Empress Vandalia, Tatnia Zain, Okeno Molette, Og Wilt e Wintosse Emmah. O grande número de pessoas tratadas por Sprinkle naquele condado se deve a esses extraordinários nomes.
Notes and Queries [Anotações e Consultas], 10 de dezembro de 1870
Sem contar que, como o inglês é uma das línguas que ignoram (quase) completamente as diferenças entre gêneros, não há distinção clara entre nomes masculinos e femininos. Muito menos entre nomes de lugares e de pessoas, o que nos dá resultados mais ou menos comuns como um cara chamado Dakota ou uma garota chamada Sydney! Nomes próprios comuns-de-dois-gêneros começam a ser considerados politicamente corretos por lá (como se todas as diferenças psico-físicas entre meninos e meninas fossem uma obscenidade).

Mas não podemos nos esquecer da verdadeira onda de nomes “exóticos” (por que querer ser “criativo” para aparecer é coisa de pobre) que as celebridades dão aos seus adotados-do-terceiro-mundo ou até mesmo aos próprios rebentos: Maddox Jolie-Pitt; Moon Unit, Diva Thin Muffin, Dweezil e Ahmet (todos do Frank Zappa); Kal-El, o menino do Nicholas Cage; Fifi Trixibelle (filha do Bob Geldof) e, last but not least, Apple Martin Paltrow (filha-fruta de Gwyneth Paltrow e Chris "Coldplay" Martin).

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

É dando que se recebe!

Um Católico Romano tinha uma ficha tão longa que decidiu se confessar com o padre para obter uma absolvição. Ele entrou no apartamento do padre e disse: “Padre, eu tenho pecado.”

O padre fê-lo ajoelhar-se diante da cadeira de penitências. O penitente estava olhando à sua volta quando viu o relógio de ouro do padre sobre a mesa, bem a seu alcance. Ele pegou-o e colocou-o no seu paletó. O padre aproximou-se dele e pediu-lhe para contar os crimes que cometera.

“Padre,”, disse o meliante, “eu roubei. O que devo fazer?” “Devolva”, disse o padre, “a coisa que você pegou a seu legítimo dono”. “Fique com ela”, disse o penitente. “Não, eu não vou pegá-la”, disse o padre, “Você deve deixá-la com o dono.” “Mas ele se recusa a recebê-la.” “Se esse é o caso, você pode ficar com ela.”

O padre deu ao homem total absolvição. O penitente levantou-se, beijou-lhe a mão, ouviu sua bênção, fez o sinal da cruz e partiu, com a consciência tranquila e um valioso relógio de ouro no bolso.
 
— Walter Baxendale, Dictionary of Anecdote, Incident, Illustrative Fact [Dicionário de Anedotas, Incidentes e Fatos Ilustrativos], 1888
Se o ladrão arrependido não tivesse , ele provavelmente não cometeria um novo roubo tão cedo. Já se o padre não levasse uma vida tão materialmente confortável (ou tivesse um mínimo de ceticismo), ele jamais seria assaltado.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Fausto 2.0

Se Goethe vivesse hoje, Fausto conseguiria um contrato mais justo:

fauto 2.0

EULA, xkcd, onde esta sopa de letrinhas vai parar?

domingo, 5 de dezembro de 2010

Conflitos Esquecidos [8] — As Batalhas de Khalkhin Gol


As Batalhas de Khalkhin Gol, também chamadas de Incidente de Nomonhan pelos japoneses, foram uma série de escaramuças entre mongóis — apoiados por forças soviéticas — e o exército de Manchukuo, um Estado-fantoche formado pelo Império do Japão na Manchúria. As batalhas ocorreram entre 11 de maio e 16 de setembro de 1939. Embora tenham ocorrido longe do teatro europeu e tenham começado bem antes da II Guerra, as escaramuças em Khalkhin Gol (Rio Khalkha) mudaram o rumo da História. Por isso mesmo, Khalkhin Gol começa a ser considerada pelos historiadores como as primeiras batalhas da II Guerra.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Como deixar um autor irado

Mude um título genial alegando questões de mercado. Foi o que fizeram com C.P. Smith.

Em 1938, o poeta Chard Powers Smith (1894-1977) levou um semi-acabado romance para a sua editora, a Scribner’s. O texto foi elogiado, mas pediram a Smith que o título fosse mudado, pois pensavam que ele assustaria os leitores. Smith concordou com a mudança e no ano seguinte The Artillery of Time [A Artilharia do Tempo] foi publicado.

O título original do livro de Smith? The Grapes of Wrath [As Vinhas da Ira]. A obra-prima de John Steinbeck apareceu semanas depois da publicação de Artillery of Time.

Smith deve ter ficado irado com seus editores.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Uma bolha de otimismo

Economia é uma coisa complicada e imprevisível. Tão complicada e imprevisível que os caras da Weekly Letter [Carta Semanal], a revista da Sociedade Econômica de Harvard, demoraram a perceber a gravidade da crise de 1929. Eis alguns excertos dos números da WL publicados durante o primeiro ano da Grande Depressão:
Uma depressão severa como a de 1920-21 está totalmente fora do alcance da probabilidade. (WL, 16 de novembro, 1929)
Ninguém mais se lembra da crise “severa” de 1920-21. Já a improvável depressão de 1929 era apenas uma recessão genérica:
Com as condições apresentadas, acreditamos que a recessão nos negócios em geral será breve e melhoras devem chegar durante os meses da primavera. (WL, 18 de janeiro, 1930)
E em plena primavera a situação era essa:
Os preços, em geral, estão agora no ponto mais baixo e logo vão melhorar. (WL, 17 de maio, 1930)
No meio do ano,  os economistas de Harvard já percebiam um certo atraso na recuperação da economia. Mesmo assim, o tom de “estamos-com-toda-a-razão” não mudou:
Dado que nossas estruturas monetárias e de crédito são não apenas profundas mas incomumente fortes, há todas as razões para a recuperação que, esperamos, não deverá se atrasar mais. (WL, 30 de agosto, 1930)
Chegou uma hora em que a negação da realidade ficava óbvia. Mas o tom da Weekly Letter passou a ser lacônico e, por isso mesmo, quase autoritário:
[A] recuperação logo será evidente. (WL, 20 de setembro, 1930)
O panorama para o fim do declínio nos negócios é para a primeira parte de 1931 e [...] o renascimento, para o resto do ano. (WL, 15 de novembro, 1930)
Depois disso não houve mais previsões otimistas na Weekly Letter. Por que simplesmente não houve mais Weekly Letter. Engolida pela depressão que negava, a revista dos economistas de Harvard fechou as portas em 1931.

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