Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador folclore. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador folclore. Mostrar todas as postagens

sábado, 29 de outubro de 2011

Patentes patéticas (nº. 31)


O halloween está chegando e com ele, as abóboras esculpidas e iluminadas. Mas pra que desperdiçar comida para fazer um jack-o’-lantern quando pode haver uma alternativa mais limpa e tecnológica? Ou você nunca ouviu falar de abóboras de plástico? 

Talvez inspirado pelas árvores-de-natal artificiais, Jeffrey A. Chapman (de Phoenix, Arizona) criou e patenteou essa alternativa em 14 de março de 1995. A linguagem do resumo da patente é tão pateticamente artificial quanto a invenção que descreve:
A invenção está no campo dos itens de cavidade tridimensional e sua manufatura. Particularmente, itens como abóboras artificiais que o consumidor deseja esculpir ou alterar após a compra. Aqui se expõe uma novidade em termos de artigos moldáveis, como uma abóbora de Hallo-ween artificial, composta de uma casca de poliuretano cercando substancialmente (sic) um volume interior e com uma tênue cobertura elastomérica, como um acrílico, na superfície externa da casca. O artigo escavável pode ser formado por um processo inventivo no qual a espuma de material poliuretano, sendo uma matéria com uma densidade nominal de cerca de 2,5-3,0 libras por pés cúbicos, é borrifada de um bico rotativo a partir do interior de um molde. Após a separação do artigo de espuma poliuretana e o molde, o produto é coberto com uma cobertura elastomérica, como um material acrílico que é aplicado como líquido. Assim, os inventivos artigos, incluindo aqueles feitos de acordo com o processo inventivo, pode ser usado como um um item oco tridimensional inovador em várias formas. Adicionalmente, o artigo inventado, como as abóboras de Halloween (sic) são moldáveis, reutilizáveis e podem ser usadas com uma fonte de luz.

Entre as justificativas registradas na patente nº. 5.397.609, Mr. Chapman afirmou que, “embora sejam úteis para exposição” as lanternas de Halloween artificiais da concorrência são “tipicamente feitas de papel, cerâmica, plástico fino e macio”. Por isso mesmo, “não são adequadas à modelagem ou seguras para o uso com lâmpadas.” Um de seus objetivos é justamente esse de “honrar a festiva tradição de moldar abóboras”.

No entanto, o tradicionalismo do inventor do Arizona para por aí. Segundo ele, o problema com as abóboras que se compram na quitanda é que elas são “percíveis e, portanto, apodrecem após um tempo.” Mr. Chapman também considera o mau-cheiro e a bagunça criadas pelo uso da alternativa natural. Talvez ele simplesmente não goste de abóboras e, no fundo, nem do Halloween que tanto afirma defender.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Superstições made in USA

Embora hoje seja o dia do folclore apenas no Brasil, apresentamos a seguir algumas supertições americanas, coletadas pela folclorista Fanny D. Bergen em 1896 e publicadas no mesmo ano no livro Current Superstitions, Collected from the Oral Tradition of English Speaking Folk [Supertições Correntes, Coletadas da Tradição Oral de Pessoas que falam Inglês]:
  • Se você espirrar de boca cheia durante uma refeição, um conhecido morrerá logo. (Virginia)
  • Se o seu sapato se desamarrar, seu amor estará falando de você. (Alabama)
  • Sonhar com pão é sinal de boa sorte. (Boston)
  • Se derrubar o pano de prato, terá companhia. (Pensilvânia)
  • Se passar um bebê por uma janela, ele nunca vai crescer. (Carolina do Sul)
  • Covinhas no rosto, demônio no corpo. (Maryland)
  • Se você for dama de honra por três vezes, nunca vai ser noiva. (Nova York)

E direto de Portland, no Maine, uma quadrinha (devidamente traduzida a seguir):
Beware of that man,
Be he friend or brother,
Whose hair is one color
And moustache another.
Tome cuidado com o homem
Seja ele amigo ou irmão
Cujo cabelo é de uma cor
E o bigode de cor não.
Para os interessados, o livro de Miss Bergen já está em domínio público e pode ser baixado no Projeto Gutenberg.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Oração do Lobisomem


Segundo Sabine Baring-Gould, em seu Book of Werewolfes [Livro dos Licantropos] (1865), os versos que seguem são, segundo o folclore russo, uma invocação de lobisomens:
Aquele que deseja se tornar um oboroten, deve procurar na floresta uma árvore cortada. Deve apunhalá-la com uma pequena faca de cobre e andar ao redor da árvore, repetindo o seguinte encantamento:

No mar, no oceano, na ilha, em Bujan,
No pasto vazio cintila a lua, sobre um rebanho
que repousa em um verde bosque, em um obscuro vale
Em direção ao rebanho desvia-se um lobo desgrenhado
Os cornos do gado procuram suas brancas e afiadas presas
Mas o lobo não se volta para a floresta
Nem desce ao sobrio vale
Lua, lua, lua de chifres de ouro
Cega o voo das balas, parte as facas dos caçadores
Quebra a clava do pastor
Lança um medo pânico sobre todo o gado
Sobre os homens, todas as coisas mais aterrorizantes
Que eles não possam capturar o lobo cinza,
Que eles não possam rasgar sua pele quente!
Minha palavra é irresistível, mais irresistível que o sono,
Mais comprometedora que a promessa de um herói!

Então ele pula três vezes sobre a árvore e corre para a floresta, transformado em um lobo.
Pensando bem, isso mais parece uma oração, não é mesmo? Pagã, talvez, mas ainda tem uma estrutura muito similar à uma oração: começa com um relato, aparece um problema e clama-se a uma divindade (nesse caso, a “lua de chifres de ouro”) uma proteção invencível e uma transformação mágica em troca de uma fidelidade igualmente invencível (“mais comprometedora que a promessa de um herói”). Amém.

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Fontana dei Matti

Em todo o mundo, muitos foram os que buscaram a Fonte da Juventude. Mas em Gubbio, uma pequena cidade medieval da Itália, não é difícil encontrar a Fonte da Loucura. Construída no século XVI, a Fontana de Bargello logo passou a ser chamada pelo povo de Fontana dei Matti [Fonte dos Malucos].


Até a fotografia enlouquece perto da Fontana dei Matti! (crédito: lucamoglia.it)

Situada na região da Úmbria, Gubbio sempre teve fama de ser um lugar de gente excêntrica. A Fonte dos Loucos fica no centro velho da cidade e ainda é um ponto de encontro para moradores além de ter se tornado uma atração turística.

De acordo com a tradição local, é possível conseguir uma licença de “matto di Gubbio” [louco de Gubbio] após dar três voltas em redor da fonte e ser batizado com suas águas — mas o batismo só vale se for feito por um cidadão nativo. Com uma grana dá até para conseguir um título de cidadão honorário e, como bônus, um certificado de maluquice legítima.

O folclore por trás (ou em em torno) da fonte pode não ser tão maluco (ou turístico) quanto parece à primeira vista. Estudos geológicos da área de Gubbio mostraram que o solo da cidadezinha italiana é rico em irídio, metal altamente tóxico — o que poderia explicar a secular fama de loucura de seus habitantes.

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Os infortúnios dos irmãos Fortunato

Em 1929, um homem bem-vestido procurou os irmãos Tony e Nick Fortunato, proprietários da New York's Fortunato Fruit Company, uma pequena quitanda da Big Apple. O homem se apresentou como T. Remington Grenfell e disse ser vice-presidente da Grand Station Holding Corporation, a empresa que administrava a Grand  Central Station.


Falando estritamente de negócios, Grenfell disse aos irmãos quitandeiros que a Grand Station havia decidido fechar seu posto de informações. Se eles estivessem interessados, só precisariam pagar um ano de aluguel adiantado, no valor de 100.000 dólares para converter o espaço em uma quitanda situada no meio da maior estação ferroviária de NY.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Bebês-objeto

Na Nova Caledônia, as crianças recebem seus nomes de objetos naturais. Mas se a criança morre, os parentes não podem mais chamar aquele objeto por seu antigo nome. Uma nova denominação deve ser inventada para uso daquela família. O costume resulta em notável variedade do dialeto neocaledôneo e é um desafio para os pais que perdem seus filhos. — J. B. Mc Clure, Entertaining Anecdotes from Every Source Avaiable [Anedotas Divertidas, de todas as fontes disponíveis], 1880

sábado, 22 de janeiro de 2011

Mito da Criação dos Zuñi


Os Zuñi (ou Zuni) são uma dentre as diversas tribos de nativos norte-americanos; são nativos do Novo México e são parte dos chamados pueblos. Atualmente, existem 12 mil índios zuni e eles são notáveis por sua mitologia. De acordo com suas antigas lendas,

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nem morta!

Devizes.market.cross

Na Praça do Mercado em Devizes, Wiltshire, Inglaterra, há a seguinte um monumento com a seguinte inscrição:
Na terça-feira, 25 de janeiro de 1753
RUTH PEARCE
de Potterne, neste Condado,
Fez um acordo com três outras mulheres para comprar um Saco de Trigo
no Mercado, cada qual pagando sua devida proporção    
pelo mesmo.
Uma dessas Mulheres, ao coletar as várias quotas    
de Dinheiro, descobriu uma deficiência e exigiu de
RUTH PEARCE a soma que faltava para 
completar o Montante.
RUTH PEARCE protestou que ela já pagara sua Parte,
e disse que gostaria de cair morta se não o
tivesse feito. — Ela imprudentemente repetiu esse terrível desejo; — quando, para a consternação e o terror da multidão
que a cercava, ela caiu instantaneamente e expirou,
com o dinheiro em questão em suas mãos.
Na época, John Clare, encarregado de investigar a morte de Ruth Pearce, acreditou na história e concluiu que ela “caiu morta pela vingança de Deus”. Não seria surpresa se, com a aproximação entre Católicos e Anglicanos, Ruth Pearce virasse a santa padroeira dos mão-de-vaca. Falando sério, Pearce pode ser apenas uma personagem folclórica, coisa que toda cidadezinha tem para atrair turistas.

Devizes é uma tradicional cidade-mercado e os mercadores sempre tiveram grande influência por lá. Assim, a história pode ter sido inventada para assustar os inadimplentes numa época em que não existiam serviços de proteção ao crédito (aka Serasa).

Mesmo que Ruth Pearce tenha sido uma personagem real, a morte dela não tem nada de sobrenatural. Ela simplesmente pode ter tido um enfarte ou uma morte súbita.

domingo, 7 de novembro de 2010

O Menor Parque do Mundo

Fica em Portland, no Oregon:
MEP
Mill Ends Park: mais uma criação de um jornalista entediado... Ô raça!

Com apenas 0,61 cm de diâmetro e 0,29 metro quadrado de área, o Mill Ends Park é 60 milhões de vezes menor que seu vizinho, o Forest Park. O miniparque surgiu no dia de São Patrício de 1948, quando o jornalista Dick Fagan, do Oregon Journal, notou um buraco perto de seu escritório, no meio da South West Front Street.

Fagan dizia que o parque começou depois que ele olhou pela janela de seu escritório e viu um leprechaun cavando um buraco. Ele correu até lá e pegou o leprechaun, o que lhe fez ganhar um pedido. O jornalista disse que queria um parque só para ele. Mas como não disse de que tamanho seria o parque, acabou ganhando o buraco do leprechaun, que se chamava Patrick O’Toole. Dick decidiu plantar flores no buraco e passou a escrever uma coluna semanal sobre o parquinho, que ele descrevia como a “única colônia de leprechauns a oeste da Irlanda.”

Depois da morte de Fagan, em 1969, a população adotou o jardinzinho. Em 1971, o Guiness Book o reconheceu como o menor parque do mundo e a prefeitura oficializou-o como parque municipal em 1976. Desde então, além de ser o lar dos leprechauns, o Mill Ends Park já teve uma piscina para borboletas, uma réplica do prédio do jornal e hoje sedia a corrida anual de caramujos.

domingo, 18 de julho de 2010

O peso do poder

Charles de Gaulle costumava dizer que "política é uma coisa séria demais para ser deixada para os políticos."

Uma solução prática para o enriquecimento político foi encontrada pelos ingleses da cidade de High Wycombe, em Buckinghamshire. Lá o prefeito é pesado no começo e no fim do mandato (os secretários do prefeito são pesados anualmente). Se o peso não muda, o pregoeiro municipal (town crier) diz: "E nada mais!". Se o peso aumentou, ele declara: "E um pouco mais!".  Qualquer ganho de peso é considerado como um ganho às custas do contribuinte e o político glutão é moralmente punido com vaias e alguns tomates podres. 

Certamente, é um processo muito mais efetivo e independente do que uma demorada CPI que não resulta em nada por que todos os políticos se protegem. Politicamente, o resultado das vaias e dos tomates podres é muito mais devastador do que um processo de cassação, mesmo que bem-sucedido. Não há necessidade de envolver terceiros e o resultado é fruto de pura observação objetiva.

Ninguém sabe quando ou como a tradição começou; há quem diga que o costume de julgar o prefeito pelo peso começou na época de Eduardo I [regnabat 1272-1307] e era muito comum na Inglaterra. Mas o documento mais antigo a citar o ritual político data de 1678. Hoje apenas Wycombe mantém a tradição. O que é uma pena, já que essa tradição é muito mais avançada do que muitos sistemas políticos modernos.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

A Torre de Londres

torrelondres 
A Torre de Londres, que já foi a mais importante prisão e palco de torturas da Inglaterra, está sempre lotada. Mesmo quando está vazia. Há quem diga que ela é habitada pelos fantasmas das seguintes personalidades:
  • Thomas Becket
  • Rei Eduardo V
  • Ricardo, Duque de York
  • Ana Bolena (decapitada)
  • Lady Jane Grey
  • Sir Walter Raleigh
Também haveria uma tropa fantasmagórica que vive a reencenar a execução de Margaret Pole, oitava Condessa de Salisbury e ainda a alma penada de uma senhora de luto que não tem rosto. Parece um lugar bastante agitado.

terça-feira, 6 de julho de 2010

A fé remove vagas de hotel

room 308O quarto 308 do Samudra Beach Hotel em Java Ocidental está sempre  reservado. Para quem? Para a deusa indonésia Nyai Loro Kidul (e não, ela não é uma mulher deusa, mas uma deusa mulher).

O hotel fica próximo de um penedo no qual, segundo a tradição folclórica local, uma jovem menina teria se afogado, tornando-se a Rainha do Mar do Sul, uma espécie de Iemanjá local. Séculos depois, enquanto orava debaixo de um pé de ketapang no início dos anos 60, o então todo-poderoso Presidente Sukarno teria recebido a mensagem de que um hotel poderia ser construído no penedo sagrado, desde que um quarto fosse sempre reservado para a vaidosa deidade marinha. O hotel foi construído e quarto foi decorado em verde, a cor favorita de Nyai Loro.

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Como surgiram as ervas medicinais

(conto folclórico dos índios norte-americanos)

Há muito, muito tempo atrás, homens e animais viviam juntos em paz e harmonia. Mas as coisas começaram a mudar quando algumas pessoas gananciosas passaram a caçar apenas para vender a carne e as peles. Isto levou a população animal a diminuir e trouxe grande preocupação aos bichos.

O grande urso branco decidiu, então, formar um conselho com os animais para que decidissem como deveriam se defender e se vingar. Houve muita discussão, mas nenhum consenso. Então, a mais velha e sábia mosca ofereceu uma proposta: "Deixe-nos chamar os espíritos" — disse ela — "Nós pediremos a eles que mandem grandes dores às pessoas e nós vamos carregar as doenças".

Não demorou muito e uma grande epidemia se espalhou por todas as aldeias dos povos nativos, atacando tanto os homens bons quanto os maus. Mas os animais queriam punir apenas as pessoas más e ficaram muito tristes ao saber que as pessoas boas também estavam sofrendo. Então, se reuniram em outro conselho para decidir o que deveria ser feito.

As pequenas ervas trouxeram uma solução: elas prometeram curar os doentes. Então, os espíritos dos sonhos foram enviados aos xamãs para guiá-los até as ervas medicinais. E assim surgiu a medicina e a cura para os nativos norte-americanos.

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Hurakan, o deus dos furacões

No período arcaico, Hurakan era o deus Maia dos ventos e das tempestades. Ele é o porta-voz da ira dos deuses ao trazer as enchentes. Também era considerado um deus criador numa lenda muito antiga que se perdeu na poeira dos tempos. Ele flutuava sobre a enchente primordial repetindo incessantemente a palavra "Terra" até que o mundo sólido emergiu dos mares. Quando os deuses perderam a paciência com os seres humanos, Hurakan mandou um grande dilúvio para destruir os homens. Seu nome deu origem às palavras Huracan em espanhol e Hurricane em inglês e também é, indiretamente, a raiz da nossa palavra Furacão.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...