Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador aventuras. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador aventuras. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Prova de Amor


Ah, o amor — um sentimento do qual quase todo sogro duvida. 

Recém-formado em Cambridge em 1898, Ewart Scott Grogan apaixonou-se por Gertrude Watt, uma menina rica. Como o sogro não aceitava a relação, o moço de 23 anos resolveu provar que seu amor era verdadeiro e se propôs a ser o primeiro a atravessar a África do sul para o norte.

O jovem apaixonado partiu para a Cidade do Cabo, onde começou sua jornada rumo ao Cairo. Passando por uma África Oriental largamente desconhecida e inexplorada, Grogan enfrentou leões e canibais; passou por vulcões; sofreu com a guerra e lutou contra a doença; foi à exaustão e atravessou centenas de quilômetros de pântanos — não necessariamente nessa ordem.

Em 1900, dois anos após partir, ele chegou à capital do Egito. A primeira coisa que fez foi tuitar telegrafar para a amada: “Alcancei Cairo. Meus sentimentos são os mesmos. Ansiosamente aguardo resposta. Diga sim. Amor, Ewart.”

E a resposta veio: “Meus sentimentos também inalterados. Estou à sua espera. Gertrude.” Sete meses depois, eles estavam grávidos casados. Grogan presenteou o sogro com um exemplar de seu best-seller instantâneo, From the Cape to Cairo; the first traverse of Africa from south to north [Do Cabo ao Cairo: a primeira travessia da África do sul para o norte].

Três décadas mais tarde, Ewart Grogan repetiu o feito. Em 1932 a Imperial Airways convidou o ex-explorador para uma expedição transafricana por via aérea. O percurso era praticamente o mesmo seguido pelo jovem apaixonado. A viagem que havia custado dois anos de provações agora completava-se em apenas oito dias. “Parece algo além do acreditável que um homem possa repetir essa experiência no tempo de uma geração.”, disse Grogan em entrevista ao Daily Express após a segunda viagem. “Isso mostra o quão rápido o mundo está se movendo.”

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Rema, rema, remador...

Em 1896, os pescadores Frank Samuelsen e George Harbo se cansaram daquela vida litorânea em Nova Jersey (não existia Jersey Shore naquela época) e decidiram fazer algo para ficar na História. Eles resolveram cruzar o Oceano Atlântico remando em um bote. 

No dia 6 de junho eles zarparam de Battery a bordo de Fox, um bote de 18 pés. Levaram apenas uma bússola, um sextante, um exemplar do Nautical Almanac e um par de capas de chuva. Devem ter levado umas varas de pescar também, para se alimentar. Samuelsen e Harbo alcançaram as Ilhas de Scilly, na Inglaterra, após remar por 55 dias — um recorde que ainda não foi derrubado.

Ironicamente, enquanto eles voltavam para casa em um vapor, o carvão do navio acabou. A dupla não teve dúvidas: lançou o Fox ao mar e remou de volta até Nova York.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Técnicas de Caça Geeks

Em 1938, a American Mathematical Montly publicou um artigo incomum: “Uma contribuição para a Teoria Matemática do Grande Jogo de Caça”. Os autores, Ralph Boas e Frank Smithies apresentaram 16 maneiras de pegar um leão através de técnicas inspiradas em física e matemática modernas. Exemplos (não tente fazer isso em casa):

Isso só aconteceu por que o domador não tinha noções de matemática e lógica avançadas.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Alexander “Crusoé” Selkirk

selk
Robinson Crusoé não foi totalmente ficcional. A história do náufrago solitário criada por Daniel Defoe foi baseada na vida de Alexander Selkirk (1676-1721), um marinheiro escocês que passou quatro anos em uma ilha desabitada.

Em 1703, Selkirk estava navegando com o corsário William Dampier quando começou a duvidar da durabilidade do galeão do corso, o Cinque Ports. Assim que pôde, o desconfiado marujo escocês decidiu partir de mala e cuia para terra firme. Isso mesmo, ele escolheu voluntariamente ficar sozinho na ilha de Juan Fernández, no Pacífico Sul. Ou quase sozinho: além da roupa do corpo, Selkirk ficou com apenas um mosquete, um pouco de pólvora, cordas,  ferramentas de carpintaria, uma faca e uma bíblia.

Nos primeiros dias, Selkirk foi derrubado pela solidão e pelo arrependimento. Mas rapidamente — afinal era questão de vida ou morte — ele se aclimatou. Na falta de um “Sexta-feira”, o marujo solitário domesticou gatos selvagens (!!)  para caçar ratos, plantou uma horta com nabos, repolhos e pimenta e construiu uma cabana com madeira de um pé de pimenta-da-jamaica. Mais tarde, ele forjou uma faca com o metal de aros encontrados em barris que apareceram na praia e usou-a para caçar cabras selvagens (ele usava suas peles como roupas).

Por duas vezes a ilha foi visitada por tripulações de navios que pararam para reabastecimento. No entanto, em ambos os casos, os visitantes eram espanhóis. Sendo um pirata estrangeiro em território espanhol (hoje Juan Fernández é território chileno), Selkirk sentiu-se ameaçado e, em vez de tentar fugir, se escondeu durante as visitas. Diz-se que em uma ocasião o capitão de um dos navios parou para mijar bem debaixo da árvore onde o marujo escocês estava escondido. Felizmente, ninguém olhou para cima.

O final da história é um tanto surpreendente. Depois de quatro anos e quatro meses vivendo totalmente isolado (ainda não havia bolas de vôlei para chamar de “Wilson”), Selkirk foi resgatado pelo mesmo cara que o abandonou na ilha. William Dampier estava de de volta, mas o náufrago escocês notou que navio não era o mesmo. O Cinque Ports havia afundado após perder os mastros. Embora tenha acabado com sua vida social, a desconfiança do marujo escocês foi a sua salvação.

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

Equação Fatal

tammSe você acha que já teve que passar por uma prova de matemática potencialmente fatal, não conhece a história de Igor Tamm:
Durante a Revolução Russa, o matemático Igor Tamm foi cercado por vigilantes anti-comunistas em uma vila perto de Odessa, onde ele estava em busca de comida. Os vigilantes suspeitaram que Tamm fosse um agitador comunista anti-ucraniano e levaram-no até seu chefe.
Quando lhe perguntaram o que fazia para ganhar a vida, ele disse ser matemático. O cético líder do bando começou a amarrar e pendurar balas e granadas no pescoço de Tamm. “Está certo”, disse o líder. “Calcule o erro quando a aproximação da série de Taylor é truncada após n termos. Faça isso e estará livre. Se errar, vai levar bala.” Tamm calculou lentamente a resposta no chão, com o dedo trêmulo. Quando acabou, o bandido deu uma olhada em sua resposta, cumprimentou-o e o liberou.
Tamm recebeu o prêmio Nobel de Física em 1958, mas jamais descobriu a identidade do inesperado líder daquela gangue.
— John Barrow “It’s all Platonic Pi in the Sky” [É tudo Pi Platônico no Céu] em The Times Educational Supplement [Suplemento Educacional do Times] de 11 de maio de 1993.

sábado, 13 de novembro de 2010

O Colombo do Sul

Em fevereiro de 1820, o caçador de focas norte-americano John Davis navegava a cerca de 50 quilômetros ao sul da Ilha Hoseason, nos Mares do Sul, quando encontrou uma península. Segundo o diário de Davis aquele dia:
Começa com tempo nublado e ventos leves. Às 10 A.M. apareceu uma grande massa de terra na direção SE, perto de nosso barco. Às 11 A.M. mandamos atracar nosso bote para buscar por focas. O bote retornou, mas não havia sinais de focas. Ao meio-dia nossa latitude era 64º01' Sul. A baía era larga e a terra era alta e inteiramente coberta de neve. (...) Eu acho que essa terra do sul deve ser um continente.
A diferença entre Davis e Colombo é que já se suspeitava há muito da existência de um grande continente austral. Quando a Austrália foi descoberta, pensava-se que ela era esse continente perdido ou parte dele.

Davis não foi o primeiro a ver a Antártica, mas foi o primeiro a pôr os pés lá e a reconhecê-la como um continente. Curiosamente, houve um outro John Davis, inglês que no século XVI também era um explorador polar, mas do Ártico.

domingo, 26 de setembro de 2010

Duas vidas em uma

Charles-Geneviève-Louis-Auguste-André-Timothée d'Éon de Beaumont, Cavalheiro d'Eon (1728-1810) viveu a primeira metade de sua vida como homem e a segunda como mulher. Até os 49 anos de idade, d'Eon foi soldado e diplomata da França de Luís XV. Ele foi espião du Roi em Londres e em São Petersburgo e lutou durante a Guerra dos Sete Anos — onde foi ferido e condecorado por bravura com a Ordem de São Luís. Depois, disso a coisa foi mais complicada do que pode parecer.
Chevalier_d'Éon
Chevalier d'Éon (1728-1774)

Ele
Logo após a guerra, em 1763, Charles de Beaumont foi ministro plenipotenciário — embaixador temporário — em Londres. Quando o  novo embaixador oficial, o Conde de Guerchy, chegou d'Éon foi rebaixado a secretário. Irritado com o tratamento recebido, Charles escreveu um livro divulgando algumas correspondências diplomáticas. O serviço secreto francês esteve à beira de um escândalo: d´Éon tinha recebido cartas do Rei Luís XV com planos para invadir a Inglaterra que ninguém, nem mesmo o Exército Francês tinha conhecimento. Com os papéis da invasão nas mãos, Beaumont literalmente manteve o rei em xeque e passou a ser bem tratado — ganhando uma vultosa pensão —, mas não pôde voltar para a França.

Ela
Com a morte do rei em 1774, ele tentou voltar para o Continente. Para isso, aproveitou-se de boatos que corriam em Londres a seu respeito e afirmou ser fisicamente uma mulher, pedindo para ser reconhecido(a) como tal. Na época, havia mulheres que buscavam trabalhar sob disfarce para fugir da vida doméstica. A maioria era facilmente descoberta e acabava morta. Surpreendentemente, Luís XVI não só concordou com a nova condição, como ainda financiou um guarda-roupa novinho. E o ex-cavalheiro passou seus últimos anos como uma dama. Genoveva, nome feminino que Beaumont adotou, até se ofereceu para liderar uma divisão de soldadas na Guerra de Independência dos Estados Unidos, mas em vez disso, foi presa por 19 dias.

D'Eon_de_Beaumont_altered_1
Mademoiselle d'Éon (1774-1810)
Mademoiselle d'Éon voltou para a Inglaterra após a Revolução Francesa. Com a pensão cancelada pelo novo governo, vendeu sua biblioteca e passou a  participar de torneios de esgrima para sobreviver. Ela também chegou a assinar um contrato com uma editora para escrever sua autobiografia, mas o livro nunca foi publicado. Ela passou os últimos anos vivendo em companhia de uma viúva, uma certa Mrs. Cole.

Era ou não era?
Pode parecer um interessante caso de hermafroditismo ou pseudo-hermafroditismo. Mas, na autópsia, os médicos descobriram que ela, afinal, era ele mesmo: o corpo de d'Éon era anatomicamente masculino. Estudos mais recentes indicam tratar-se de um caso de síndrome de Kallmann, uma doença hormonal em que o indivíduo cresce, mas não passa pela puberdade.

Hoje também há um revisionismo histórico sobre a figura do Cavalheiro-Mademoiselle. Historiadores LGBT afirmam que d'Éon teria sido um transgênero (travesti) e o favorito do Rei Luís XV. O rei teria sido forçado a exilá-lo em Londres sob o disfarce de ministro diplomático para não se complicar.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Bloqueio de um navio só

Boyle

Irritado com os constantes "bloqueios de papel" impostos pela Royal Navy britânica ao litoral americano, o privateiro (ou seria patriota?) Thomas Boyle atracou no Canal da Mancha em 1814 e declarou um bloqueio naval de um navio só — o Chasseur [Caçador] — contra o Reino Unido inteiro:

sábado, 10 de julho de 2010

Preto no Branco

Tété-Michel Kpomassie colhia cocos no meio da floresta quando uma cobra o assustou, fazendo-o cair da árvore. Mal sabia ele que esse susto acabaria levando-o à Groenlândia. Kpomassie nasceu no Togo em 1941 e era um adolescente que só tinha seis anos de estudos básicos. Seu pai, um homem importante da aldeia onde vivia, tinha oito esposas e 26 filhos. 

O pai de Kpomassie acreditava que seu filho só seria curado das lesões que o susto causou se ele fosse consultar a sacerdotisa do culto à python. Então, ele levou o filho para encontrá-la. Os dois viajaram uma noite inteira através de floresta densa, até um lugar infestado de cobras: era o local onde se cultuava a python. A cura funcionou, mas a sacerdotisa alegava que agora ele precisava pagar pela cura. O preço: ser iniciado nos rituais e viver sete anos no meio da selva, num verdadeiro ninho de cobras.

domingo, 4 de julho de 2010

Contos Traduzidos — "O Dólar de John Jones"


Já faz um bom tempo que eu falei por aqui sobre um estranho escritor chamado Harry Stephen Keeler. Na ocasião, eu havia prometido traduzir e publicar um dos contos dele. Pois bem, como o conto já estava traduzido há um bom tempo, agora é hora de publicá-lo.

Um dos primeiros trabalhos de Keeler, O dólar de John Jones foi publicado originalmente na Amazing Stories em abril de 1927, o que também o torna um dos mais antigos contos de Ficção Científica moderna. O conto começa com um simples depósito de um dólar em uma conta poupança — mas as consequências desse modesto investimento acabam mudando completamente o rumo da história humana. A seguir, o texto completo do conto, enriquecido com notas de tradução.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Conflitos Esquecidos [5] — A Guerra dos Oito Príncipes

De forma menos poética também pode ser chamada de Guerra da Sucessão Chinesa (290-307 E.C.). Como pode se imaginar, foi um conflito confuso e sangrento, que começou após a morte do Imperador Wu em 290. O sucessor, Imperador Hui, foi considerado incapaz de governar, gerando uma disputa dentro do poderoso clã Sima

terça-feira, 15 de junho de 2010

Salvo por uma briga de bar

Em 8 de maio de 1902, Louis-August Cyparis foi preso após uma briga de bar. Por falta de vagas, o operário de 27 anos foi detido numa cela solitária e blindada no subsolo da cadeia de Saint Pierre, na Martinica. Ao chegar à cela, Cyparis percebeu um súbito escurecimento do céu — mas não por falta de iluminação na prisão.

Pelee_1902_1
Foi culpa do Pelé, e não do Edson, entende?
Pouco depois, a cadeia foi varrida por um vento fervente e carregado de cinzas. Cyparis sofreu profundas queimaduras nas mãos, braços, pernas e costas. Ele passou quatro dias cuidando das feridas como pôde, até ser encontrado por uma equipe de resgate. 

Naquela dia de maio de 1902, o Monte Pelée havia entrado em erupção, na maior tragédia vulcânica do século XX. Dos 28.000 habitantes de Saint Pierre, apenas três sobreviveram — e Louis-August Cyparis foi um deles.

sábado, 10 de abril de 2010

O português voador

Pouca gente sabe no Brasil, mas Portugal estreou nas Olimpíadas antes de nós. Os lusos debutaram nos Jogos Olímpicos de Estocolmo em 1912, com uma grande “equipa” de seis atletas: os lutadores Joaquim Vidal e António Pereira; os atletas António Stromp, Armando Cortesão e Francisco Lázaro e o esgrimista Fernando Correia, que também era o chefe da delegação.

Destes, a estrela era o maratonista Francisco Lázaro. Lázaro era a grande esperança de medalha dos portugueses; na Maratona Portuguesa daquele ano, ele fez um tempo menor que o do vencedor da maratona olímpica de Londres-1908. Mas Lázaro, como muitos atletas olímpicos de seu tempo, não era um profissional. Ele era um simples carpinteiro e a corrida de longa distância era para ele uma atividade secundária. Ele sequer tinha um técnico e treinava sozinho: todo dia, após trabalhar na carpintaria, corria de Benfica até São Sebastião da Pedreira e voltava — um total de cerca de 10km. Nas Olimpíadas de Estocolmo, Lázaro foi o porta-bandeira da delegação portuguesa.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

A Longa Jornada Começa com um Passo

Karl Bushby está voltando a pé para sua casa, em Hull, na Inglaterra. Mas como o ex-paraquedista britânico de 40 anos de idade gosta de desafios, ele começou do ponto mais remoto possível: Punta Arenas, no extremo sul do Chile, de onde ele partiu em 1º. de novembro de 1998.




O inglês já caminhou pelos desertos do Chile e do oeste dos Estados Unidos, subiu pelas montanhas do Peru, do México e do Canadá, enfrentou o calor úmido das florestas tropicais no Equador, na Colômbia e na América Central e deu passos sobre a neve do Alasca e da Sibéria.

A jornada, de mais de 57.000 km — mais extensa que a circunferência da Terra no equador — só vai acabar quando Bushby voltar a por os pés em Hull. Já são 11 anos de viagem, que deve terminar apenas em 2012. Ele passou ileso pelo Estreito de Bering, mas a burocracia para obter um visto russo o atrasou consideravelmente. Assim, ele decidiu tomar um atalho que vai passar pelo árido e pobre Cazaquistão, o que terá suas próprias aventuras.

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...