Pesquisar este blog

terça-feira, 8 de março de 2011

Aposta contra a morte

Numa noite de 1771, Mr. Pigot e Mr. Codrington decidiram apostar sobre qual de seus pais morreria primeiro. Um amigo fez os cálculos baseado na idade de cada pai. Mas Cordington discordou, considerando injustos os cálculos apresentados. Então o Conde de March (1735-1806) decidiu mediar a macabra disputa. No final, ficou combinado que Pigot pagaria 500 guinéus se seu próprio pai morresse primeiro. Mas se o pai de Cordignton batesse as botas antes, este pagaria 1.600 guinéus ao rival.

Incrivelmente, quando o acordo foi fechado, o velho Pigot já estava morto — ele falecera às duas da manhã, enquanto as condições da aposta ainda eram discutidas. Ao saber disso, o jovem Pigot resolveu desfazer o trato, considerando-o nulo. 

O mediador (e amigo-da-onça), o Conde de March, levou o insólito caso aos tribunais. Em sua defesa, Pigot argumentou que “como não havia qualquer possibilidade de que o acusado ganhasse, já que seu pai estava realmente morto, ele deveria, portanto, não perder.”

Mas Pigot acabou duplamente derrotado: o tribunal não aceitou suas explicações e ele teve de pagar a aposta mesmo assim.

Em uma palavra [43]

superpolicar
v. mostrar o polegar para cima em sinal de aprovação; o ato conhecido como “positivo”. O oposto é dessuperpolicar. [provavelmente formado a partir do latim super, superior, para cima e pollex, polegar].

Superpolique nossa página no Facebook (Y).

segunda-feira, 7 de março de 2011

E deus viu que era absurdo


Que isso? Todo mundo sabe que o JC não salva...

Um burro no tribunal

Richard Martin (1754-1834) foi um parlamentar irlandês que tornou-se famoso não só por ser um protestante filho de católicos que defendia o fim da segregação religiosa na Irlanda e por seus discursos irreverentes, mas também (e principalmente) por sua defesa dos animais no começo do século XIX. 

Em 1822, ele levou um burro ao tribunal para mostrar as marcas de espancamento do animal como evidência. Com isso, ele ganhou o caso, que foi a primeira condenação do mundo por tratamento cruel de um animal. No mesmo ano, Martin propôs um projeto de lei na Câmara dos Comuns, que foi aprovado e se tornou a Ill Treatment of Cattle Bill [Lei dos Maus Tratos do Gado].

domingo, 6 de março de 2011

Os Gigantes de Cardiff


Durante a escavação de um poço em Cardiff, no interior de Nova York, em 1869, os operários fizeram uma descoberta sensacional: um homem de pedra com 10 pés [3 metros] de altura.

Era uma estátua antiga? Um gigante petrificado? A verdadeira origem era bastante mundana. O chamado “Gigante de Cardiff” havia sido esculpido em gesso e enterrado deliberadamente por um comerciante de Nova York, George Hull. Ele realmente fez um bom negócio: gastou 2.600 dólares para esculpir e enterrar a peça, que foi vendida por US$ 37.500 após ser “descoberta”.

Mas a histeria do mercado não parava. P.T. Barnum, dono do então maior circo do mundo, ofereceu US$ 60.000 para alugar o gigante por três meses. Para ganhar ainda mais, Hull fez uma réplica, que apresentou como autêntica, declarando a peça original como o que era: falsa. Ao saber do caso, o expositor David Hannum teria dito a frase “A cada minuto nasce um otário.” Ironicamente, hoje a frase é creditada a P.T. Barnum, mas ele é que era o otário nessa história toda.

Apesar do hype (ou como todo hype), o truque não durou muito. Um ano mais tarde, as duas estátuas foram consideradas falsas após um exame. Mas a primeira delas ainda vive: está até hoje exposta em um museu de Cooperstown, NY.

sábado, 5 de março de 2011

Hamlet: Uma comédia de erros?

ham

Em 1889, Fredericka Raymond Beardsley Gilchrist propôs a teoria de que todo o sentido de Hamlet havia sido confundido por causa de um mero erro tipográfico. Na Cena V do Ato I, a sombra revela a Hamlet o adultério de sua mãe e o assassinato de seu pai. Então, Hamlet responde:
O all you host of heaven! O earth! what else?
And shall I couple hell? O fie!
[Ó legiões do céu! Ó terra! Que mais, ainda?
Invocarei o inferno?]
Mas Mrs. Gilchrist afirmava que o segundo verso deveria ser lido assim:

Antimanual: Como NÃO resgatar uma picape

O que fazer quando sua querida picape cabine-dupla te trai e capota logo em um lago congelado? Bem, primeiro o veículo não deve afundar. Caso contrário você morre e aí não dá pra salvar nada mesmo.

Se você sobreviver, seria melhor não se preocupar com mais nada: é melhor deixar estar até que as condições favoreçam um resgate (ou até que você consiga entender o que aconteceu). Mas se você for impaciente ou desesperado; se estiver com pressa ou não tiver seguro, tente ao menos procurar um operador de guincho que tenha um mínimo de bom-senso (ou não esteja bêbado). Caso contrário, quem morre é a picape:

sexta-feira, 4 de março de 2011

O Papagaio dos Atures

Em 1800, o naturalista alemão Alexander von Humboldt (1769-1859) explorava o Alto Orinoco na Amazônia venezuelana. Foi quando ouviu falar de uma tribo extinta recentemente, os Atures. A língua morrera com o último falante, mas Humboldt ainda pôde ouvi-la: “Naquela parte de nossa viagem, um velho papagaio nos foi apresentado em Maypures [...] e um fato digno de nota é que ‘eles não conseguiam entender o que ele dizia, por que ele falava a língua dos Atures.’”

Maipures, Venezuela

Humboldt tentou, na medida do possível, registrar foneticamente o que pareciam ser 40 palavras faladas pelo papagaio. Quase dois séculos mais tarde, em 1997, a língua Ature teria sido ouvida novamente. A artista Rachel Berwick alega ter ensinado dois papagaios da Amazônia a falar o que Humboldt havia registrado.

Mas há vários motivos para duvidar dessa história. Quando o naturalista alemão fez seu registro, não havia um alfabeto fonético internacional. Mesmo que os papagaios tenham sido treinados de acordo com os escritos de Humboldt, o “vocabulário” que ele registrou pode não ser muito fiel à suposta língua Ature.

Digo suposta língua por que o papagaio apresentado ao cientista alemão pode ter sido simplesmente um truque, uma forma de chamar a atenção e talvez até de obter dinheiro de forasteiros. Humboldt era um grande cientista, mas como ninguém é perfeito, ele pode ter sido enganado.

Para quem quer tirar as próprias conclusões, há uma gravação dos papagaios de Rachel Berwick aqui, mas não me parece muito convincente. 

Estado do oeste norte-americano (quatro letras)



Em maio de 1944, enquanto os Comando Aliado preparava a invasão da Europa, a palavra UTAH apareceu em um jogo de palavras-cruzadas publicado no Daily Telegraph. Os militares acharam aquilo um pouco aborrecedor: Utah era o codinome de uma das praias do desembarque na Normandia.

O aborrecimento tornou-se alarme quando OMAHA e MULBERRY, outros dois codinomes, apareceram em jogos publicados poucos dias depois. O alarme foi promovido a pânico quando NEPTUNE e OVERLORD apareceram quatro dias antes da invasão plenejada. No jargão Aliado, Neptune era o codinome da operação de desembarque e Overlord era o nome em código de toda a operação na Normandia. Imediatamente, o governo britânico descobriu e prendeu o cruciverbalista responsável, o professor Leonard Dawe.

Um longo e tenso interrogatório se seguiu, mas Dawe foi considerado inocente e acabou liberado. Aparentemente, seus alunos ouviram alguns militares usando tais palavras e, por brincadeira, começaram a repeti-las. Se foi assim, não houve risco de vazamento. As palavras publicadas continuaram secretas e ninguém soube exatamente a quê elas se referiam.

quinta-feira, 3 de março de 2011

H. G. Wells é um fanfarrão


Ao sair de uma festa em Cambridge, H.G. Wells percebeu que havia levado o chapéu errado. O nome do proprietário estava dentro da borda. Mas o chapéu servia tão bem e Wells gostou tanto dele que decidiu devolver não o chapéu, mas um bilhete:

“Eu roubei seu chapéu; gosto do seu chapéu; vou ficar com seu chapéu. Sempre que eu olhar para dentro dele, lembrar-me-ei de você, do seu excelente Xerez e da cidade de Cambridge. Eu tiro seu chapéu para você.”

terça-feira, 1 de março de 2011

Créditos Finais Sem Fim

Certa vez, o matemático inglês John Edensor Littlewood (1885-1977) escreveu um artigo para o Comptes rendus de l'Académie des sciences, da França. Noves fora a matemática, a tradução do texto foi feita pelo Prof. Marcel Riesz (1886-1969). O trabalho nem era muito importante e passaria despercebido, não fossem essas três notas de rodapé no fim do artigo:
Devo muito ao Prof. Riesz pela tradução do presente trabalho.
Ainda devo ao Prof. Riesz pela tradução da nota anterior.
Ainda devo ao Prof. Riesz pela tradução da nota anterior.

A coisa poderia ter continuado indefinidamente (exceto talvez pela limitação de espaço). Mas não foi a isso que Littlewood se prendeu: “Eu parei legitimamente no número 3: não importa quão pouco eu saiba de Francês, eu sei que sou capaz de copiar uma sentença em Francês.”

Em uma palavra [42]

Alamodalidade
subst. fem. A qualidade de estar à la mode, ou seja, de seguir a moda de determinada época; o estar-na-moda; fashionableness. [decalque do francês à la mode + o sufixo -alidade]

LinkWithin

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...