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quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Mais simples do que parece

Para multiplicar 1.639.344.262.295.081.967.213.114.754.098.360.655.-737.704.918.032.787 por 71, tudo o que você deve fazer é colocar outro 1 no começo e outro 7 no final.
— Samuel Isaac Jones, Mathematical Wrinkles [Estrias Matemáticas], 1929
E a lição de casa é deixar um comentário com os números envolvidos na operação escritos por extenso...

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Montaigne e a força do hábito


Roubemos espaço aqui para uma história. Um fidalgo francês sempre se assoava com a mão — coisa muito avessa ao nosso costume. Acerca disso, defendendo sua atitude (e era famoso pelos ditos espirituosos), ele perguntou-me que privilégio tinha aquela excreção para que lhe fôssemos preparando um belo lenço delicado a fim de recebê-la e depois, o que é pior, empacotá-la [no lenço] e guardá-la cuidadosamente em nós; que isso devia causar mais horror e náusea do que vê-la ser lançada fora de qualquer maneira, como fazemos com as outras excreções. Achei que ele não falava totalmente sem razão e que o costume me eliminara a percepção dessa extravagância, que no entanto consideramos tão horrível quando é narrada a propósito de um outro país.

— Michel de Montaigne, Do costume e de não mudar facilmente uma lei aceita. in: Ensaios, Livro I (1595)
Estou lendo, ainda que lentamente, Montaigne. À parte sua inevitável linguagem quinhentista e as diversas citações latinas e até gregas, achei Montaigne muito parecido com um blogueiro. Seus escritos foram originalmente criados apenas como uma espécie de diário, de auto-retrato de seu pensamento.

Com uma ampla gama de temas — do hábito de assoar o nariz aos índios da América e à educação das crianças — exemplificados por experiências do autor ou de conhecidos seus, os Ensaios de Michel de Montaigne (1533-1592) foram inovadores justamente por sua diversidade e sua brevidade (em relação aos outros textos filosóficos da época). 

Os ensaios começaram a ser escritos em 1572, mas foram publicados pela primeira vez em dois volumes em 1580. Na segunda edição, em 1588, foram feitos inúmeros acréscimos e saiu um terceiro volume. A terceira edição, de 1595, já póstuma foi baseada em rascunhos manuscritos feitos por Montaigne em um exemplar de 1588.

Quanto à filosofia, Montaigne não cria uma escola de pensamento pois não é um moralista ou um doutrinador. Como se nota em seus Ensaios, ele preocupa-se mais em levantar perguntas do que dar respostas ou apresentar as coisas como certas ou erradas. Embora seja cristão, mantém-se cético diante de relatos de milagres, de misticismos e crendices. Igualmente, mostra-se bastante indiferente às divisões religiosas de sua época. Assim, ele pode ser considerado o pai do livre-pensamento moderno.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Pergunta Eternamente Inquietante

Em que unidade se mede o fluxo do tempo? Segundos por — o quê??
Isso explica por que o capacitor de fluxo (e a viagem no tempo) ainda não foi inventado. Não sabemos nem como medir a passagem do tempo...

domingo, 10 de outubro de 2010

Sopa de Letrinhas

Qual é uma palavra de quatro letras para outra palavra de quatro letras que tem três letras e ainda tem cinco, enquanto tem oito letras e mais raramente tem nove, mas nunca se escreve com cinco letras?
Vamos ver se vocês advinham. Só vou publicar a solução depois que aparecerem respostas.

sábado, 9 de outubro de 2010

Blasfêmias?

Convenção do PCC e Concílio Católico (abaixo):
semelhanças vão além dos cerimoniais...
...Ambas as instituições se consideram
poderosas, mas adoram se vitimizar ao menor sinal de oposição.

Esta semana foi marcada por assim chamadas "blasfêmias" cometidas pela Comissão do Prêmio Nobel. Na segunda, a Igreja Católica — que tanto diz defender a vida — protestou contra a indicação de Robert Edwards, criador do método de fertilização in-vitro para o Nobel de Medicina/Fisiologia. Em seguida, foi o governo chinês, outra organização obscura, retrógrada (e revelando seu lado religioso) protestou — dessa vez contra a premiação do dissidente pró-democracia, Liu Xiaobo com o Nobel da Paz.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A quem interessar possa...


Ao visitar a França como embaixador das Treze Colônias em 1777, Benjamin Franklin recebia centenas de pedidos de franceses entusiasmados com a Revolução Americana e loucos para lutar pelo exército de Washington. Para não perder tempo respondendo todas as cartas, Franklin fez o que muitas empresas fazem hoje: uma resposta-padrão cheia de enrolação. Mais do que isso, era uma "carta de recomendação de uma pessoa que você não conhece."
Sir — O portador desta, que está indo para a América, pressiona-me por uma carta de recomendação, mesmo que eu não saiba nada sobre ele, nem mesmo seu nome. Isso pode parecer extraordinário, mas eu garanto-lhe que isto não é incomum por aqui. Aliás, às vezes uma pessoa desconhecida traz outra pessoa igualmente desconhecida para recomendar e há vezes em que se recomendam mutuamente! Quanto a este cavalheiro, devo recomendá-lo pelo seu caráter e mérito, os quais ele certamente conhece mais do que eu posso. Eu recomendo-o, entretanto, para aquelas civilidades que todo estrangeiro, do qual não se conhece dano, tem direito a, e peço-lhe que você dê a ele todos os bons ofícios e mostre a ele todo o favor que, ao conhecê-lo, você verá que ele merece. Com a honra de ser, &c.
Evidentemente, é possível que muito francesinho tenha recebido isso achando que fosse um documento legítimo e sério. Como muito cliente que faz alguma reclamação hoje em dia.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Paradoxo da Etiqueta

Este paradoxo foi o @MolaMolera que me apresentou, logo após uma experiência que ele teve na cantina da Faculdade. A situação pela qual ele passou demonstra perfeitamente como as regras de etiqueta não respeitam nenhuma lógica e não são nem mesmo auto-consistentes. O problema é o seguinte: Se você está comendo enquanto o seu suco é servido, você deve agradecer?

Suponha que exatamente no momento em que seu suco é servido, você já está mastigando seu salgado. Nesse caso, como você pode manter a etiqueta? Se você quiser ser gentil, vai ter que dizer "Obrigado" de boca cheia; se quiser ser educado, vai passar por mal-educado, pois não vai abrir a boca para agradecer.

Ok, é uma situação um tanto improvável, já que na maioria dos casos ou o suco e a refeição chegam juntos ou o suco é servido primeiro. Mas ainda assim, é uma situação perfeitamente possível. O salgado já estava pronto e você pediu um suco natural, não um daqueles de garrafinha. A saída mais correta, do ponto de vista social, parece ser falar de boca cheia mesmo. De que adianta manter a pose se isso pode te fazer parecer o oposto do que você deseja?

terça-feira, 5 de outubro de 2010

Em uma palavra [25]

horríssono
adj. relativo a um som assustador e de grande intensidade. "Um grito horríssono vindo do porão chamou a atenção dos vizinhos para o crime."

Crazy Frog

sapoajuda

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Eletroterapia intensiva

Mr. Samuel Leffers, do condado de Carteret, na Carolina do Norte, sofria com uma paralisia na face, especialmente nos olhos. Enquanto ele estava andando para sua casa um raio derrubou-o, deixando-o desacordado. Vinte minutos mais tarde, ele voltou a si, mas só conseguiu recobrar seus movimentos à noite. No dia seguinte, ele se encontrava perfeitamente curado e agora era capaz de escrever sem o uso de espetáculos [óculos].
The Cabinet of Curiosities [O Gabinete de Curiosidades], 1824.

Mr. Leffers não sobreviveu: ele pegou no tranco. E cirurgia oftalmológica a laser é para os fracos.

domingo, 3 de outubro de 2010

William Cavendish, o Duque Tímido

Como diz a sabedoria popular, "Apenas os pobres são loucos; os ricos são 'excêntricos'." E o nobre inglês William John Cavendish-Scott-Bentinck (1800-1879) certamente é um desses casos de "excentricidade".

Quando herdou o ducado de Portland, em 1854, Bentinck retirou-se para sua propriedade em Nothinghamshire, onde enfurnou-se na ala oeste e mandou pintar todas as outras salas de pink.

Mas isso era só o começo. Aparentemente, o duque foi dominado por um caso extremo de timidez patológica. William mandou instalar caixas de correio em todas as portas e jamais permitia a entrada de pessoas, muito menos de médicos. Seus empregados nunca deviam perceber sua presença e apenas um mordomo poderia vê-lo em pessoa. Um de seus empregados o reconheceu e o cumprimentou uma vez, mas como havia percebido a presença do patrão, foi imediatamente demitido.

O Duque não saía de casa; ele descia. Cavendish usou centenas de operários para criar um vasto conjunto subterrâneo, também todo pintado de pink, com uma biblioteca, um salão de jogos cheio de mesas de bilhar, um observatório e 15 milhas (24 km) de túneis — um dos quais era largo o bastante para acomodar duas carruagens.

Ninguém sabe o que ele fazia lá embaixo. O salão de dança tinha um elevador hidráulico capaz de carregar até 20 pessoas, mas Mr. Cavendish-Scott-Bentick nunca convidava ninguém para dançar.

Nas raras vezes em que saía, Cavendish o fazia à noite, sempre precedido por um servo que carregava uma lanterna, mas que deveria manter-se 40 jardas à frente de seu senhor. Se fosse necessário sair de dia, o 5º. Duque de Portland escondia-se sobre dois pesados casacos com capuz, uma cartola altíssima, um grande colarinho sempre levantado e um enorme guarda-chuva, atrás do qual ele se abrigava sempre que alguém lhe dirigia a palavra.

sábado, 2 de outubro de 2010

Trava-dedos

Se você não pode falar, nunca vai precisar enrolar a língua com palavras complicadas, como os trava-línguas. Certo? Errado! Como qualquer língua, a linguagem de sinais também tem suas expressões problemáticas.

Um exemplo vem da Linguagem de Sinais Americana, a ASL: dizer "Good blood, bad blood" é tão difícil com as mãos quanto é com a língua.

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