E então, o que você decidiu? Vai encarar dois mestres imbatíveis do xadrez ao mesmo tempo ou quer ir direto pro quinto dos infernos? A seguir, a resposta correta:
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segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
Na ponta dos dedos
Movido pelo ideal da inclusão social dos cegos, Edward B. Kaplan teve uma ideia brilhante em 1995: uma máquina caça-níqueis em braille.
Um conjunto de pinos corresponde a cada roda da máquina. Enquanto as rodas da fortuna giram, os pinos mudam, permitindo que o apostador desprovido de visão sinta a emoção do jogo. Se o jogador ganhar, a máquina avisa com uma vibração.
Entretanto, a invenção parece ainda mais engenhosa. Ao menos para os cassinos. Qualquer ganho é retido na máquina até que o apostador consiga apertar um botão de pagamento. Conforme o texto da patente: “Isso também vai impedir qualquer roubo por terceiros” caso o jogador não enxergue.
O mais irônico, porém, é que se você não gosta dessa ideia, você não quer que os ceguinhos se divirtam em Las Vegas (o que é preconceito). Mas se você apoia esse invenção, quer que os ceguinhos percam dinheiro (o que é sacanagem).
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Como (não) tratar tuberculose
Ou: “como suspeitar que a doença é causada por parentes vampiro-zumbis”.
Em janeiro de 1892 o fazendeiro George Brown, de Rhode Island, enterrou sua filha, Mercy. Como a mãe e a irmã, ela morreu tísica.
Dois meses mais tarde, foi o filho do fazendeiro, Edwin, que caiu doente. Nhô George Brown passou a crê que um de seus familiares mortos tava sain’o da cova como um vampiro para matar o filho que lhe restava.
Diante das circunstâncias, ele tomou uma atitude totalmente racional, sô: exumou o corpo da filha, ’rrancô o coração fora e moeu ele. Depois, ele misturou os restos em uma poção e serviu pro sinhôzinho Edwin.
Edwin Brown morreu dois meses depois.
Voto de Pobreza
sábado, 26 de fevereiro de 2011
[Enigma] Xadrez dos Infernos
Não me pergunte por que, mas você morreu e foi parar no inferno. Mas como você parece muito inteligente, o diabo lhe faz um desafio: você pode escolher entre jogar xadrez simultaneamente com Alexander Alekhine e Aaron Nimzowitsch ou ir direto para o quinto dos infernos. Alekhine joga com as pedras pretas e fuma um cachimbo de enxofre. Nimzowitsch joga com as brancas e tem abotoaduras feitas de dentes humanos. Nenhum deles jamais perdeu. Nem no inferno.
Se você conseguir uma vitória ou até um empate contra qualquer dos jogadores, você será libertado. Mas se ambos lhe derrotarem, você ganha uma passagem para o quinto dos infernos válida por toda a eternidade.
O que você deve fazer?
Rema, rema, remador...
Em 1896, os pescadores Frank Samuelsen e George Harbo se cansaram daquela vida litorânea em Nova Jersey (não existia Jersey Shore naquela época) e decidiram fazer algo para ficar na História. Eles resolveram cruzar o Oceano Atlântico remando em um bote.
No dia 6 de junho eles zarparam de Battery a bordo de Fox, um bote de 18 pés. Levaram apenas uma bússola, um sextante, um exemplar do Nautical Almanac e um par de capas de chuva. Devem ter levado umas varas de pescar também, para se alimentar. Samuelsen e Harbo alcançaram as Ilhas de Scilly, na Inglaterra, após remar por 55 dias — um recorde que ainda não foi derrubado.
Ironicamente, enquanto eles voltavam para casa em um vapor, o carvão do navio acabou. A dupla não teve dúvidas: lançou o Fox ao mar e remou de volta até Nova York.
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
Um emplastro
A estória sobre o Dr. Abernethy e uma paciente é clássica. Ele era um homem de poucas palavras e a moça sabia disso. Ao entrar no consultório, ela mostrou-lhe o braço nu e disse, simplesmente, “Queima”.“Um emplastro.”, disse o doutror.
No dia seguinte, ela apareceu novamente, mostrou-lhe o braço e disse: “Melhorou.”“Continue com o emplastro.”Alguns dias se passaram antes que Dr. Abernathy a visse novamente. Então, ela disse: “Bem, quanto devo?”“Nada”, disse o médico, numa explosão de loquacidade incomum. “Você é a mulher mais sensível que eu já encontrei em toda a minha vida!”– William Shepard Walsh, Handy-Book of Literary Curiosities [Manual de Curiosidades Literárias], 1892
Esse causo é um oferecimento de:
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| “Um remédio para remediar o vício em remédios”. À venda nas melhores pharmacias d'além e d'aquém-túmulo. |
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011
Próximo!
Na China, os professores de religião precisam agora pedir uma autorização antes de serem reincarnados.
O decreto, em vigor desde 2007, especifica que os pedidos devem ser submetidos a quatro repartições públicas distintas. Segundo a lei, “A seleção de reincarnados deve preservar a unidade nacional e a solidariedade de todos os grupos étnicos. O processo de seleção não pode ser influenciado por qualquer grupo ou indivíduo de fora do país.”
Por bizarro que seja, o Estado chinês, oficialmente ateu, reconhece a reincarnação. Mais que criar escritórios ociosos cargos burocráticos, a medida é política. Como apenas reincarnações “nacionais” e certificadas pelo governo chinês são válidas, isso significa que caberá a Pequim decidir quem será o próximo Dalai Lama. O governo chinês acredita que com um líder escolhido, criado e doutrinado pelos comunistas, o movimento separatista do Tibete deve enfraquecer.
Moral da história: embora não admita, a China está aprendendo muito com os norte-americanos. A começar pelas leis bizarras e pelas fronteiras nebulosas entre Estado e Religião.
Pai de Todos
Bons eram tempos em que padres poderiam “tirar o atraso” livremente com mulheres. Nada de preservativos e um monte de filhos! Porém, até hoje não houve pároco com tanta vontade de “fazer filhos” quanto Francisco Costa, o lendário prior de Trancoso:
Sobre a união do homem com muitas mulheres, é curioso este documento que se acha arquivado na Torre do Tombo em Lisboa (armário 5º., maço 7º., datado do ano 1487):
“F...... C......, prior que foi de Trancoso, na idade de 62 anos, será degredado de suas ordens e arrastado pelas ruas públicas ao rabo de cavalos, esquartejado o seu corpo e posto em quartos e a cabeça e mãos em diferentes distritos, pelo crime de que foi arguido, que ele mesmo não contrariou, sendo acusado de ter dormido com 29 afilhadas, tendo delas 97 filhas e 37 filhos; de 5 irmãs teve 18 filhos e filhas; de 9 comadres teve 38 filhas e 18 filhos; de 9 amas teve 29 filhas e 5 filhos; de 2 escravas teve 21 filhas e 7 filhos; dormiu com uma tia chamada A.... C...... de quem teve três filhos e... da própria mãe teve 2 filhos!!!
Total — 275 filhos, sendo 200 do sexo feminino e 75 do sexo masculino, sendo concebidos de 54 mulheres!”
— Valmiro Vidal Rodrigues, Curiosidades: 1000 coisas interessantes para nossa cultura enciclopédica, Vol. III. 1960
O prior foi julgado e condenado e executado, certo? Errado! Lembre-se que estávamos em Portugal, um país que nos legou a rigorosa tradição jurídica do “prende e solta”:
“O rei João I perdoou ao fecundo sotaina e o mandou por em liberdade aos 17 dias de março de 1487 e guardar no Real Arquivo da Torre do Tombo esta sentença e mais papéis que formam o processo.” — Idem.
quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
Cruz na Porta da Tabacaria
Não posso dizer se é verdade ou não (não encontrei nada sobre o tal Tom Klaes), mas assim que eu encontrei a estória a seguir, me lembrei imediatamente do poema de Álvaro de Campos:
O maior fumante da Europa morreu em Roterdã e deixou um testamento dos mais curiosos. Ele deixou expresso seu desejo de que todos os fumantes do país deveriam ser convidados para suas exéquias, e que eles fumariam durante todo o cortejo fúnebre. Ele pede que seu corpo seja posto em um caixão montado com madeira tirada de velhas caixas de charutos Havana. Aos seus pés, devem ser depositados tabaco, cigarro e fósforos. E o epitáfio que ele escolheu para ser posto sobre seu túmulo é o seguinte:
Aqui JazTOM KLAES,O Maior Fumante da EuropaEle bateu seu cachimbo4 de julho de 1872Chorado por sua família etodos os mercadores de tabacoESTRANHO, FUMAI POR ELE!– Charles Bombaugh, Facts and Fancies for the Curious From the Harvest-Fields of Literature [Fatos e Firulas para os Curiosos, dos Campos Cultivados da Literatura], 1905
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
Dramática Queima de Mostruário
John Warburton (1682-1759) colecionava originais manuscritos de dramas logo após um dos períodos mais frutíferos do teatro inglês. Infelizmente, ele entrou para a história não por seu cuidado, mas por uma falha tão dramática quanto sua coleção. Ele deixou uma pilha com 50 manuscritos em sua cozinha e saiu para viajar. Meses depois, ao retornar, ele descobriu que a (analfabética) cozinheira havia destruído os originais de quase todas aquelas peças usando os papéis para acender o fogão a lenta lenha.
Entre os trabalhos perdidos (e, para nós, de autores desconhecidos) estavam peças de Philip Massinger (1583-1640), John Ford (1586-1637), Thomas Dekker (1572?-1632), Robert Greene (1558-1592), William Davenant (1606-1668), Cyril Tourneur (1575-1626), William Rowley (1585?-1626), George Chapman (1559?-1634), Henry Glapthorne (1610-1643?) e Thomas Middleton (1580-1627) — além, é claro, de três de William Shakespeare (1564-1616).
PS: a inexatidão nas datas de nascimento e até de morte de alguns dramaturgos deve-se justamente à bagunça dos séculos XVI e XVII na História Inglesa. No primeiro, houve a reforma da igreja; no último, duas guerras civis. Assim, em meio ao Renascimento Inglês, muitas informações históricas também se perderam.
Em uma palavra [41]
Agnoilogia
subst. fem. o estudo filosófico da ignorância. A.gnoi.lo.gia [do Grego agnoia, ignorância. Cp. com agnosticismo]
Eis um campo de estudos vastamente subestimado, dado que matéria para reflexão não falta.
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