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domingo, 27 de junho de 2010

Papo-cabeça

Uma das curiosidades expostas há algum tempo em exibição pública seria o crânio de Oliver Cromwell. Um cavalheiro presente observou que aquela cabeça era pequena e não poderia ser de Cromwell, pois ele tinha uma cabeça muito grande. "Ah, eu sei disso", disse, imperturbável, o exibidor, "mas veja, este era o crânio dele quando ele era um menino."
– Ainsworth Rand Spofford et al., The Library of Wit and Humor, Prose and Poetry [Biblioteca de Graça e Humor, Prosa e Poesia], 1894

sábado, 26 de junho de 2010

Cartas na manga

cartas na mesa
Uma pequena fortuna para os canadenses do séc. XVIII

Cartas de baralho eram usadas como papel-moeda nos primórdios do Canadá. Em 1685, o intendente da feitoria francesa em Quebec percebeu que não tinha dinheiro para pagar suas tropas e "sem saber para que santo fazer as minhas preces, ocorreu-me a ideia de pôr em circulação notas feitas de cartas, cada uma cortada em quatro pedaços; e eu lancei uma ordem comandando todos os habitantes a recebê-las em pagamento."

Surpreendentemente, o plano funcionou muito bem e com uma nova falta fundos no ano seguinte, as cartas de baralho voltaram a circular como dinheiro. O sistema monetário improvisado com baralho continuou em uso de forma intermitente durante mais de 70 anos. Apenas o caos da Guerra dos Sete Anos (quando a França perdeu o domínio dobre o Canadá) foi capaz de embaralhar as coisas e tirar as cartas de circulação.

Faculdade de economia é para os fracos!

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Troca-troca ferroviário

 l a b
Um clássico quebra-cabeça ferroviário. Esse tipo de puzzle sobre trilhos é comum na gringolândia, onde as linhas férreas nunca enferrujaram. As condições são as seguintes:

Temos uma locomotiva L, dois vagões de carga, A e B e duas curvas de ligação entre a linha principal (na horizontal) e a área de manobra (na vertical). A área de manobra pode acomodar qualquer um dos vagões de carga, mas não a locomotiva. Os vagões podem ser acoplados se necessário e a locomotiva pode empurrar ou puxar um ou os dois carros em qualquer direção.

O desafio é usar a locomotiva L para trocar os dois vagões, A e B, de posição.

Dica: a frente da locomotiva está voltada para a esquerda no desenho.

quinta-feira, 24 de junho de 2010

O cão mais azarado de todos os tempos

Em 28 de junho de 1911 um aerolito meteorito caiu na Terra, mais precisamente em Nakhla, no Egito. Um fazendeiro local chamado Mohammed Ali Effendi Hakim afirmou que um dos fragmentos da rocha espacial caiu sobre seu cachorro (o dele, não o seu). 

nakhla500
Cuidado com seus pesos de papel. Eles podem ter sido aerolitos assassinos!

Se isso for verdade, seria o primeiro caso de um animal morto por um aerolito meteorito. Mas é difícil comprovar a história. Não foi possível fazer uma autópsia — o cão, se é que existiu, foi vaporizado.

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Dickens ficou sem tempo

Charles Dickens após ser assaltado
Para o autor de Oliver Twist, o preço da fama não foi tão ruim quanto pareceu à primeira vista:
Charles Dickens, durante uma de suas visitas a Paris, teve seu relógio roubado no teatro. Este relógio havia-lhe sido presenteado pela Rainha [Vitória] e era, portanto, muito estimado por ele. Ao voltar para o hotel, Dickens encontrou um pequeno pacote, no qual havia a seguinte nota:

"Sir, - Espero pelo vosso perdão, mas eu asseguro-vos que eu pensei estar lidando com um francês e não com um compatriota. Ao perceber meu erro, apresso-me para repará-lo tanto quanto me é possível e devolvo aqui o relógio que roubei de vós. Eu imploro-vos que aceite a reverência do meu respeito, e creia-me, meu caro compatriota. Vosso humilde e obediente servo,

UM PICKPOCKET [UM BATE-CARTEIRAS]"

The Dickensian, setembro de 1906

Se fosse um brasileiro roubando um relógio que Pedro II tivesse dado a Machado de Assis, a joia acabaria no mercado negro mesmo. Por que um ladrão brasileiro jamais reconheceria um dos maiores nomes de nossa literatura. E, mesmo que o reconhecesse, não teria o menor pudor em ganhar uma grande quantia às custas disso.

terça-feira, 22 de junho de 2010

Os selos mais loucos do mundo

Encravado no Himalaia e escondido entre a Índia e o Tibete, o minúsculo reino do Butão não tem lá uma economia muito memorável. Exceto por uma coisa: seus selos postais.

Em 1951, Burt Kerr Todd, durante sua lua-de-mel, foi um dos primeiros ocidentais a visitar a pequena nação himalaia. O casal Todd se apaixonou pelo país e resolveu ficar por lá. Todd teve a ideia de ajudar a economia do país fazendo selos. Ele vendeu a ideia para o governo, que aceitou-a.

Foram duas décadas de pioneirismo e verdadeiras loucuras filatélicas: os primeiros selos em 3-D (e não, não eram ilustrações de Avatar), selos com cheiro de rosas, selos com texturas e em baixo-relevo, selos pintados em seda, plástico e até aço inox (!?). 

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Em uma palavra [12]

pré-antepenúltimo
adj. o quarto, do fim para o começo de uma lista; aquele que vem antes do penúltimo. “A pré-antepenúltima posição é a primeira da zona de rebaixamento.”
E o que é que vem antes do pré-antepenúltimo?

domingo, 20 de junho de 2010

Azaração bíblica

Não pegou ninguém nas baladas de sexta e de sábado? Tente a missa de domingo! Graças às suas múltiplas interpretações, a Bíblia é um livro muito versátil. Sabendo usá-la dá até pra pegar uma menina em plena missa:
Certa vez um jovem cavalheiro, sentado por acaso em um banco de igreja adjacente a um em que estava uma jovem lady, por quem ele se apaixonou rapida e violentamente, sentiu o desejo de fazer a corte ali mesmo. Mas o lugar não era adequado para apresentar uma declaração, o que exigiu o seguinte plano. Polidamente, ele entregou à sua bela vizinha uma Bíblia, aberta, com um alfinete marcando o seguinte verso — Segunda Epístola de João, verso 5 — “E agora, senhora, rogo-te, não como se escrevesse um novo mandamento, mas aquele mesmo que desde o princípio tivemos: que nos amemos uns aos outros”. Ela devolveu com o seguinte — Segundo Capítulo de Ruth, verso 10 — “Então ela caiu sobre o seu rosto, e se inclinou à terra; e disse-lhe: Por que achei graça em teus olhos, para que faças caso de mim, sendo eu uma estrangeira?”. Ele retornou o livro, apontando para o 13º. e o 14º. versos da Terceira Epístola de João — “Tinha muito que escrever, mas não quero escrever-te com tinta e pena. Espero, porém, ver-te brevemente, e falaremos de face a face.” E após a entrevista acima, o casamento aconteceu na semana seguinte.
The Shamrock [O Trevo], 26 de agosto de 1871
Uma semana pra se casar! Graças a uma cantada bíblica! Aleluia, irmãos! O problema é que, depois de casado o cara nunca mais pôde sair de casa sozinho com uma bíblia debaixo do braço.

sábado, 19 de junho de 2010

Loucura, loucura, loucura

twain-tesla

Na foto, dois dos maiores loucos do século XIX: Mark Twain e Nikola Tesla. Os dois eram amigos muito próximos e enquanto Twain escrevia literatura infanto-juvenil realista e cheia de sátiras sociais (loucura!), Tesla desenvolvia todo o sistema elétrico que existe até hoje. Mas a maior loucura de Tesla foi a transmissão de eletricidade sem fio, coisa que muitos ainda consideram uma loucura.

sexta-feira, 18 de junho de 2010

O último dia de Saramago

Saramago
José Saramago foi o único autor de língua portuguesa a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura.
Saramago no documentário "Língua - Vidas em Português" (2004)
 
José Saramago deixou de viver hoje, aos 87 anos de idade em sua casa, em Lanzarote, nas Ilhas Canárias. Não é apenas a literatura portuguesa que perde um grande nome — o maior de nossa era. O mundo também perde um grande homem, um dos mais lúcidos pensadores dos séculos XX e XXI. Saramago não temia a morte; sabia que não há diferença substancial entre o nascimento e o falecimento. Antes do nascimento e depois da morte simplesmente não se existe. Certamente, ele não desejaria luto nem discursos como esse em seu funeral. Mas é impossível deixar passar a passagem de um homem tão importante, que teve uma obra que revela a humanidade em seu estado mais profundo e mais verdadeiro.

Saramago passa. Mas seus pensamentos vão ficar para sempre:

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Atropelada pelo Google

googleTruck3 Após ser atingida por um carro enquanto cruzava uma rodovia, uma habitante de Utah, nos Estados Unidos, abriu um processo contra o motorista do carro — e contra o Google também. Afinal, foi o sabe-tudo que disse a ela para cruzar a estrada.

A ação judicial afirma que o Google deveria saber que as orientações que ele deu (quando ela acessou o Google Maps pelo telefone celular) mandaram-na descer até uma rodovia com veículos trafegando em alta velocidade e sem passarela. E que, portanto, era dever do buscador universal alertá-la, em vez de mandá-la seguir um "caminho perigoso" onde houve o acidente, que fez ela morrer de dores e sofrimento — e custou-lhe espantosos 100.000 dólares em despesas médicas. Será que a plástica foi incluída?

O advogado dela disse que a mídia vem sendo injusta ao apresentá-la como alguém que agiu estupidamente, ignorando a própria segurança e o senso comum.

Entretanto, o Google jamais deixou de alertar ninguém quanto a segurança (ou falta de) em rotas para pedestres. "Versão beta da rota a pé. Seja cuidadoso – Este trajeto pode não ter calçadas ou caminhos de pedestres." é o aviso que se vê ao buscar direções para caminhadas.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

Toda censura é burra

Em 1956, o Cardeal Spellman proibiu os católicos de Nova York de ir ao cinema e ver o novo filme de Elian Kazan, Baby Doll. O filme conta a história de uma noiva-adolescente que é explorada sexualmente. O baby-doll, peça íntima feminina, apareceu pela primeira vez no filme e tomou-lhe o nome emprestado.
Foto meramente ilustrativa

Questionado se ele havia visto o filme antes de decretar a censura, Spellman saiu-se com esta: "Você precisa ter uma doença para saber o que ela é? Se seu reservatório de água está envenenado, não há razão para querer beber água."

Outro caso de burrice cinematográfica aconteceu no British Board of Film Censors [Comitê Britânico de Censores de Filme]. Em 1928, os censores britânicos consideraram o filme surrealista francês La Coquille et le clergyman [A concha e o clérigo] "tão hermético que é quase desprovido de sentido", mas "se há um sentido, ele é indubitavelmente repreensível." E, pelo sim, pelo não, o filme foi censurado.

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