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terça-feira, 13 de julho de 2010

Em uma palavra [14]

Calopsia
subst. [do grego calis, “belo, bonito” e opsia, “visão”]. A ilusão de que as coisas (ou as pessoas) são mais belas do que realmente são.
"O Ministério da Saúde adverte: beber na balada pode causar calopsia."

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Moedas na Pista

Mais uma da série: "Por que isso nunca acontece comigo?"

Na semana passada um acidente milionário parou o trânsito na rodovia A114, perto de Foggia, no sul da Itália. Um caminhão que transportava 2 milhões de euros [cerca de R$ 4,4 milhões] em moedas (de € 1 e € 2) capotou, espalhando parte da carga na pista. O veículo que transportava as moedas bateu em outro carro e capotou após um dos pneus estourar.

caminhao620italiaMotoristas que passaram pelo local não perderam a oportunidade e arriscaram a vida para ajudar a limpar a rodovia e liberar o trânsito. De acordo com a imprensa italiana, os motoristas mais habilidosos conseguiram acumular até € 10 000 em moedas antes que a polícia chegasse ao local. O prejuízo foi estimado em 50 000 euros, mas pode ser até cinco vezes maior. O motorista do caminhão e o passageiro do carro atingido sofreram apenas ferimentos leves.

domingo, 11 de julho de 2010

Como funciona o diferencial?

Ei, você já deu uma olhada debaixo do seu carro hoje? Já viu aquela "bola" que fica no meio do eixo traseiro de caminhões e de alguns carros mais antigos? Se você for curioso, já deve ter se perguntado para quê serve aquela coisa redonda no meio de um eixo.

Pois aquela "bola" é uma das peças, ou melhor, um dos sistemas mais importantes em um carro — o diferencial, que distribui de forma equilibrada a energia cinética do motor entre as rodas de um eixo (dianteiro ou traseiro). O diferencial tem esse nome por que movimenta as duas rodas em velocidades diferentes. Graças a isso (e ao sistema de direção), os automóveis podem fazer algo incrível: curvas! 

Embora pareça complexo, o conceito por trás do diferencial é muito simples.  É mais simples ainda se usarmos imagens em lugar de palavras. O vídeo a seguir — traduzido por este que vos escreve — é um verdadeiro tesouro. Foi feito nos anos 1930 pela Chevrolet norte-americana e explica o que é e como funciona um diferencial.


Hoje em dia, os engenheiros nem precisam mais se preocupar com aquele "eixo desajeitado por cima do piso". Exceto por alguns esportivos, todos os carros modernos são tracionados pelo eixo dianteiro, o que permite ainda mais espaço interno, menor altura e muito mais conforto. Mas é realmente uma pena que não se façam mais videos explicativos como esse. Isso deveria ser apresentação obrigatória nas aulas de auto-escolas.

sábado, 10 de julho de 2010

Preto no Branco

Tété-Michel Kpomassie colhia cocos no meio da floresta quando uma cobra o assustou, fazendo-o cair da árvore. Mal sabia ele que esse susto acabaria levando-o à Groenlândia. Kpomassie nasceu no Togo em 1941 e era um adolescente que só tinha seis anos de estudos básicos. Seu pai, um homem importante da aldeia onde vivia, tinha oito esposas e 26 filhos. 

O pai de Kpomassie acreditava que seu filho só seria curado das lesões que o susto causou se ele fosse consultar a sacerdotisa do culto à python. Então, ele levou o filho para encontrá-la. Os dois viajaram uma noite inteira através de floresta densa, até um lugar infestado de cobras: era o local onde se cultuava a python. A cura funcionou, mas a sacerdotisa alegava que agora ele precisava pagar pela cura. O preço: ser iniciado nos rituais e viver sete anos no meio da selva, num verdadeiro ninho de cobras.

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Uma injeção de esperança

vacina1

Novamente, surge uma esperança. Na sua edição de hoje, a revista Science publica dois artigos sobre a identificação de anticorpos que combatem o HIV. Os artigos são assinados por cientistas do Centro de Pesquisas de Vacinas (VRC) do NIH (National Institute of Health; Instituto Nacional de Saúde do Governo americano). Essas proteínas são raríssimas e complexas, mas podem ser base para a criação de uma vacina terapêutica nos próximos anos.

Há dois tipos de sistemas imunológicos no corpo humano: o inato e o adaptativo. O inato é natural da pessoa e reage de forma genérica a antígenos muito comuns, como proteínas e açúcares estranhos ao corpo. O sistema adaptativo, como o próprio nome indica, pode se adaptar para reconhecer novos agentes estranhos. Geralmente, as vacinas trabalham no sistema adaptativo, que é "treinado" com elementos atenuados.

quarta-feira, 7 de julho de 2010

Fica a Dica (7) — Como dar Pausa no Atari?


Na longínqua era pré-Nintendo, as maratonas gamísticas eram praticamente intermináveis. Não havia uma maneira de "dar um tempo" no game para, digamos, responder às “necessidades fisiológicas” de seu corpo. Quando o Atari 5200 foi lançado como upgrade do 2600, uma das maiores novidades era o primeiro botão "pause" da história. Obviamente, a novidade manteve-se no 7800, no qual também dava pra jogar todos os clássicos do 2600 — mas os fãs dos jogos mais antigos não podiam usar a novidade.

Dentes perfeitos

terça-feira, 6 de julho de 2010

A fé remove vagas de hotel

room 308O quarto 308 do Samudra Beach Hotel em Java Ocidental está sempre  reservado. Para quem? Para a deusa indonésia Nyai Loro Kidul (e não, ela não é uma mulher deusa, mas uma deusa mulher).

O hotel fica próximo de um penedo no qual, segundo a tradição folclórica local, uma jovem menina teria se afogado, tornando-se a Rainha do Mar do Sul, uma espécie de Iemanjá local. Séculos depois, enquanto orava debaixo de um pé de ketapang no início dos anos 60, o então todo-poderoso Presidente Sukarno teria recebido a mensagem de que um hotel poderia ser construído no penedo sagrado, desde que um quarto fosse sempre reservado para a vaidosa deidade marinha. O hotel foi construído e quarto foi decorado em verde, a cor favorita de Nyai Loro.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

O Paradoxo da Chuva de Amanhã


Mas como podemos perceber a mudança da "indefinição" para a "verdade"? Ela é súbita ou gradual? Em que momento a afirmação "vai chover amanhã" começa a ser verdade? Quando a primeira gota cai no solo? E supondo que não chova, quando a afirmação passará a ser falsa? Somente no fim do dia, à meia-noite em ponto? [...] Não sabemos como responder a essas questões. Isso não se deve a nenhuma ignorância em particular ou à estupidez de nossa parte, mas ao fato de que algo dá errado com o modo de uso das palavras "verdade" e "mentira" que são aplicadas aqui.
— F. Waissmann, "Como eu vejo a filosofia", in H.D. Lewis (editor), Contemporary British Philosophy [Filosofia Britânica Contemporânea], 1956.

domingo, 4 de julho de 2010

Contos Traduzidos — "O Dólar de John Jones"


Já faz um bom tempo que eu falei por aqui sobre um estranho escritor chamado Harry Stephen Keeler. Na ocasião, eu havia prometido traduzir e publicar um dos contos dele. Pois bem, como o conto já estava traduzido há um bom tempo, agora é hora de publicá-lo.

Um dos primeiros trabalhos de Keeler, O dólar de John Jones foi publicado originalmente na Amazing Stories em abril de 1927, o que também o torna um dos mais antigos contos de Ficção Científica moderna. O conto começa com um simples depósito de um dólar em uma conta poupança — mas as consequências desse modesto investimento acabam mudando completamente o rumo da história humana. A seguir, o texto completo do conto, enriquecido com notas de tradução.

sábado, 3 de julho de 2010

Fica a Dica (6) — Como abrir uma garrafa de vinho com um sapato

Un vidéo tutoriel en français. Pourquoi est tellement plus chic!



Tire-bouchon est pour les mauviettes!

sexta-feira, 2 de julho de 2010

De volta para o passado

ny_times_olds

Cumprir o papel de "testemunha ocular da história" pode levar a um tipo meticulosamente estranho de responsabilidade. Em 10 de março de 1975, o New York Times saiu com a data errada após um pequeno erro tipográfico. No cabeçalho, lia-se: "10 de Março, 1075".

Qualquer leitor comum teria entendido que foi apenas um erro tipográfico — um typo —, mas os editores do jornal começaram a ficar preocupados. Eles temiam que historiadores do futuro ficassem confusos ao encontrar uma edição do Times aparentemente lançada em plena Idade Média. Portanto, no dia seguinte, o NYT saiu com uma errata histórica (em todos os sentidos):
Na edição de ontem, o New York Times não relatou as revoltas em Milão e o subsequente assassinato do reformista religioso Erlembaldo. Esses eventos ocorreram em 1075, o ano que aparece na linha de data da 1ª. Página. O Times pede desculpas por ambos os incidentes.
Os editores do maior jornal do mundo podem parecer espertos. Mas não foram. E se a edição que contém a errata desaparecer?

Não tem problema: os historiadores do futuro ainda poderiam usar testes de carbono-14 — ou até técnicas mais sofisticadas — para determinar a autenticidade do suposto Times medieval.

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