terça-feira, 20 de janeiro de 2009
terça-feira, 6 de janeiro de 2009
Nem tão solitário planeta
Nem tão solitário planeta
Oliver Morton
Eles foram à Lua e, durante as primeiras três órbitas em torno dela, foi para a Lua que a sua atenção esteve voltada. Somente na quarta volta eles levantaram seus olhos para ver seu lar planetário, levantando-se silenciosamente sobre as planícies desérticas da Lua, em maravilhosos tons de azul e branco. Quando, mais tarde, na véspera do Natal de 1968 eles leram as primeiras linhas do Gênesis ao vivo na televisão, eles deram sentido aos céus e à Terra, à forma e ao vazio, com aquela maravilha que eles tinham visto nascer sobre o céu negro da Lua.
A fotografia do “Nascer da Terra” feita pelo astronauta Bill Anders é parte do legado duradouro do Programa Apolo – que eclipsa, em muitas memórias, quaisquer novas descobertas sobre a Lua ou um sentido renovado de orgulho nacionalista. Esta e outras fotografias que retratam a Terra trouxeram uma nova perspectiva a tudo aquilo que os humanos compartilham. Como Robert Poole apontou em “Earthrise: How Man First Saw the Earth” (“Nascer da Terra: Como a humanidade viu a Terra pela primeira vez”), essa perspectiva tem profundos efeitos culturais, notáveis na ressonância emocional adquirida através do nascente movimento ambientalista. Vista da Lua, a Terra parecia tão minúscula, tão isolada, terrivelmente frágil.
A imagem não perde beleza nem poder se nos lembrarmos, porém, que era o fotógrafo, muito mais que o planeta, quem estava isolado e que a fragilidade é uma ilusão. O planeta Terra é excepcionalmente robusto e sua força provém de suas antigas e íntimas conexões com o Cosmos ao fundo. Ver a foto dessa maneira não destrói a sua relevância ambiental – antes reforça-a.
É inegável que a Terra seja pequena. Se o sistema solar interno fosse do tamanho dos Estados Unidos, a Terra teria o tamanho de um campo de futebol; se a distância até o centro da galáxia fosse de uma milha, a Terra seria menor que um átomo. Mas se a foto do Nascer da Terra tivesse capturado a Terra na dimensão do tempo em vez do espaço, as coisas seriam diferentes. Em sua duração, ao contrário de seu diâmetro, a Terra precisa ser medida em uma escala cósmica. Em mais de quatro bilhões de anos, ela se estende por um terço da história do universo, ocupa um terço do caminho de volta ao próprio Big Bang. Muitas das estrelas que você pode ver numa noite clara de inverno são mais jovens que o planeta debaixo dos seus pés.
Mera persistência não é, por si só, um grande feito. As rochas estéreis da Lua têm persistido por quase tanto tempo quanto as da Terra. Mas a Terra não tem sido apenas duradoura; tem sido viva. Por quase 90 por cento de sua história, o planeta tem sido habitado e moldado pela vida. Os mecanismos biológicos que operaram na aurora da vida animam as criaturas da Terra até hoje, formando uma corrente contínua durante pelo menos 3,8 bilhões de anos.
Esta vida infalível e ininterrupta demonstra que o planeta está muito longe da fragilidade. A Terra viva é imbatível em escalas difíceis de acreditar. A vida assistiu aos continentes que se chocaram e se despedaçaram, céus brilhando feito carvão em brasa, mares tropicais congelados e imobilizados: ela sobreviveu. Atingida pela radiação de uma supernova próxima, por asteróides, ela pode ter balançado, mas nunca caiu. Nossa civilização pode estar – ou está – fora de equilíbrio com seu ambiente, os modos de vida humanos atuais podem ser assustadoramente precários. Mas aplicar a fragilidade de nosso modo de vida à própria vida é tolice.
Humanos podem extinguir espécies e diminuir ecossistemas. Tal vandalismo traz riscos reais aos seus perpetradores, uma vez que a civilização humana depende dos serviços prestados por alguns desses ecossistemas. Mas quando se leva em conta a escala planetária da vida, nossa situação é trivial. Humanos não trazem nenhum risco existencial à vida na Terra e nada a ameaçará por centenas de milhões de anos. Rica, variada, sempre mudando – a Terra é tudo isso. Frágil é que não é.
Por que tão robusta? A razão está no segundo grande erro conceitual: que a Terra é isolada. Isso apenas é verdade se o seu sentido de contato depende de matéria física passando de um lugar para outro. A poeira e as rochas que caem do céu vindas do espaço são como pedrinhas lançadas num oceano, ainda que algumas rochas maiores causem um pequeno desconforto ao matar dinossauros. Os traços de gás varridos da alta atmosfera são verdadeiramente desprezíveis. A matéria é depositada a conta-gotas e é levada por um suspiro. Mas a matéria não é tudo.
Uma enxurrada de pura energia luminosa sai do Sol em todas as direções. Oito minutos depois, numa viagem à velocidade da luz, parte desse extraordinário fluxo de energia cai sobre a Terra, inundando-a com uma torrente de 170 mil trilhões de watts. Parte disso é refletida de volta ao espaço; o “Nascer da Terra” do Major Anders capturou aquela luz refletida pelo branco das nuvens e do gelo polar. A maior parte, porém, é absorvida; esta é a energia que move os ventos, faz as ondas e as correntes marinhas fluírem, esquenta as rochas e aquece o céu. O fluxo de energia solar flui para o sistema terrestre e reflui para fora, para o espaço frio e escuro como uma onda de radiação infravermelha.
Uma minúscula fração dessa energia é captada, não pelas rochas, pelos ventos ou pelas águas, mas pela vida. Aquela fração de um por cento da energia capturada pelas plantas e por outros organismos fotossintéticos é distribuída através das cadeias alimentares do mundo. É esta luz solar, infinitamente fresca, que faz a grama crescer, o pássaro cantar – e você, viver. A energia do Sol flui, através do seu cereal matinal no seu café da manhã, para as suas veias e para seu cérebro. Ela te anima como tem animado quase toda a vida da Terra durante bilhões de anos.
A ciência da termodinâmica nos diz que um sistema fechado tende ao equilíbrio, à indiferença, ao aumento da entropia. Se a Terra fosse um sistema isolado como parece, a tendência inevitável seria a perda, o fim da vida. Mas a Terra é tão aberta quanto o céu. Energia de toda a parte passa por ela, criando infindáveis chances para a complexidade e a improbabilidade, levando a entropia do mundo de volta ao espaço. O fluxo de energia que une quase todos os seres vivos do planeta é o mesmo que liga nosso ambiente ao universo lá fora.
Para que esse fluxo funcione de forma adequada, a energia deve sair da mesma forma que entra. Se o Major Anders estivesse equipado com uma câmera de infravermelho, a energia que sai teria nos mostrado um brilho aquecido no lado noturno do planeta. Quarenta anos depois, aquele brilho pareceria um pouco enfraquecido por que menos energia está saindo daqui. Ao cobrirmos os céus com dióxido de carbono, nós estamos bloqueando esse fluxo energético, aumentando o calor aqui na superfície da Terra. Este aquecimento global por efeito estufa é “café pequeno” em qualquer sentido cósmico. Ele não traz nenhuma ameaça à continuidade da vida na Terra, mas é uma ameaça a dezenas de milhões de pessoas e continuará a ser por gerações.
Felizmente, ver o problema do aquecimento global em termos de fluxo de energia é enxergar sua solução. Ao colocar um pouco da energia cósmica em uso – ao desenvolvermos a energia eólica em verdadeiras fazendas energéticas, a hidroeletricidade, e, a mais promissora de todas, a energia solar – nós poderíamos acabar com a necessidade daquele gás carbônico que está sobrando nos céus. Outros fluxos de energia poderiam ajudar também. Fluxos de calor das profundezas da Terra ou da radiação que herdamos com o urânio das estrelas mortas. Mas é a energia solar que, direta ou indiretamente, irá dominar esse panorama, simplesmente por que é abundante. O Sol entrega mais energia à Terra em uma hora do que a humanidade consome em um ano.
Substituir os combustíveis fósseis, despoluir o nosso planeta e ainda evitar a nossa ruína – o pior de dois mundos – é um desafio épico. Mas a mensagem que emoldura todas as mensagens do “Nascer da Terra” é que nós somos capazes de desafios épicos. Veja só onde a foto foi tirada. Mas “Se nós colocamos um homem na Lua então por que não acabar com a pobreza?...” Isso pode nos mostrar as falhas da sociedade em alcançar metas que eram muito mais simples. Mas lembre-se: nós colocamos um homem na Lua e isso não foi pouca coisa. Esforços numa escala similar no sentido de colher esse fluxo de energia que passa por nós seriam inteiramente apropriados e tornariam as coisas mais fáceis. Nós não poderemos resolver todos os problemas; algumas mudanças climáticas serão inevitáveis. Mas não a catástrofe.
O “Nascer da Terra” nos mostrou onde estamos, o que podemos fazer e o que temos em comum. Mostrou-nos quem somos nós, em conjunto: o povo de um mundo forte, durável, tocado pela luz da criação contínua.
Oliver Morton é autor de “Mapping Mars: Science, Imagination and the Birth of a World”(“Mapeando Marte: Ciência, Imaginação e o Nascimento de um Mundo”) e, mais recentemente, escreveu “Eating the Sun: How Plants Power the Planet” (“Comendo o Sol: Como as Plantas Alimentam o Planeta”); é editor-chefe da revista Nature.
Not-so-lonely planet, versão original no site do New York Times
sexta-feira, 19 de dezembro de 2008
Quando lhes convém
O vídeo abaixo, muito interessante por si só, mostra uma daquelas belas passagens bíblicas que nunca serão lidas – ou lembradas – na igreja. Felizmente, é claro, por que se o que se mostra aqui fosse ensinado, o mundo seria ainda pior.
Depois dessa demonstração do mais puro amor divino, eis que surgem os seguintes comentários, feitos por um usuário identificado como “jesusehtudo”, procurando dar uma interpretação alternativa – e menos violenta, claro - do trecho bíblico em questão.
Ridiculo o video, nao cotumo dar perolas aos porcos, mas vou dar uma explicação que nao tem nada a ver com essa interepretacao do peidei [usuário que postou o vídeo]
O profeta andando simboliza o homem de deus na busca pela santidade, os garotos ou crianças são exatamente os demonios que nos infligem, veja que são 42, 4+2 = 6. 6+6+6 = Numero da besta, satan.
Os garotos são a tentação do demonio que foi vencida pela palavra do profeta santo de deus.
É simples, porem só atraves do ES poderemos entender essas dimensões espirituais.
Chamar o profeta de calvo significa dizer que o homem de deus esta improdutivo e que vive no pecado, pois sua cabeça...
... esta descoberta, oque na epoca era motivo de vergonha, deus fez sua justiça prevalecer usando os animas, os ursos que simbolizam a força do espirito santo matando o mal, destruindo os futuros filhos de satanas que iriam com certeza provocar mais mal ainda.
A explicação é simples, basta estar aberto ao Espirito do Senhor. e quanto a oração achei ridicula, ta na cara que não é assim que se ora.
O profeta não fez mais do que manter sua dignidade perante Deus. A punição vem para os que nã temem o senhor e nem seus profetas santos.
Deus sabe o que faz. Ele é soberando. Glórias a Ti o Pai. Em Nome de Jesus. Amem.
Realmente, é uma pérola de cegueira religiosa. Notem como ele faz de tudo para eximir a responsabilidade de deus e colocar tudo em termos figurativos ou alegóricos. A própria alegoria apresentada como explicação dessa passagem bíblica revela uma visão de mundo bastante estreita: (1) o profeta – homem supostamente santo - simboliza apenas o homem adulto, que é atormentado pelas crianças demoníacas. Para ele, o homem deve nascer mal e depois de adulto é santificado pela religião. Grória, grória, areruiá! (2) a suposta maldição do número da besta, o 666, é relacionada a um número totalmente distinto – o 42. Só porque os garotos eram exatamente 42 eles seriam demoníacos. Se fossem 43 ou 41 não haveria como fazer essa correlação. Além disso, por serem ligados a satã (“futuros filhos de satanas”), a ofensa que eles proferem é também motivada pelo demônio. Isso não tem qualquer sentido lógico. (3) os ursos são interpretados como sendo o Espírito Santo, que por sua vez é uma das “formas alotrópicas” do deus bíblico (ao lado do Pai e do Filho, Jesus Cristo). Portanto o autor do comentário admite - ainda que implicitamente - que deus matou as crianças, mas faz uso de toda essa alegoria para justificar essas mortes dentro do velho e surrado maniqueísmo, a eterna – e enfadonha – luta do bem contra o mal. Como sempre, o bem sempre vence e foi o mal quem provocou o bem.
Moral da História:
Quando lhe convém, um cristão é capaz de ver a bíblia apenas como um livro alegórico. Mas apenas quando se trata de verdadeiras barbáries cometidas por deus – ou em nome dele. Quando se trata de multiplicação de peixes, curas milagrosas, ressureições e profecias apocalípticas, tudo é aceito tal como está escrito. Não há espaço para alegorias quando deus se revela bondoso e atencioso. Ou quando faz ameças àqueles que se opõem a ele, como no caso das profecias apocalípticas.
domingo, 30 de novembro de 2008
Como funciona um conclave
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Jesus vs. Doctor Who
sábado, 15 de novembro de 2008
Recepção amigável
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
segunda-feira, 10 de novembro de 2008
25º Salão do Automóvel de São Paulo - O local
Apesar do sucesso, ainda há pontos a melhorar, na minha opinião. Primeiro de tudo é o local. O Pavilhão do Anhembi, apesar de contar com 85 mil metros quadrados, não parece mais adequadao, dado o número de expositores e o grande público. O local não conta com um sistema de climatização o que é mais um ponto contra - ainda mais quando se levam em conta os custos: R$ 30 de entrada e R$ 20 de estacionamento. Tudo bem que é difícil [3] - e talvez até caro - climatizar um ambiente tão grande, mas todo grande salão que se preza tem um ambiente agradável. É um pré-requisito indispensável. Além disso, o Anhembi (que pertence à Prefeitura da capital) não é usado apenas pelo Salão, que é um evento bienal. Assim, eventuais custos (além do atrativo) da climatização seriam igualmente divididos por todos os eventos realizados lá. Quanto ao estacionamento, não enfrentei o problema dessa vez, mas concordo com as críticas de outros visitantes. É caro e as vagas se esgotam rápido.
Eu também acho que o layout dos estandes não é o mais adequado. Basicamente, os grandes e médios expositores ficam de um lado, os pequenos de outro. O problema, porém, é que ao entrar, a primeira coisa que se vê são os pequenos expositores e o espaço alí, bem na entrada, onde há grande concentração de pessoas, é pequeno. Não quero dizer que se devesse situar as principais atrações logo na entrada - isso não teria graça - mas as "ruas" entre os pequenos estandes deveriam ser tão largas quanto as demais. Além disso, como o espaço é muito grande, há muita coisa pra se ver, e muita gente fica "maravilhada", é muito fácil se perder por lá. Pra piorar, não haviam "mapas" do tipo você-está-aqui suficientes - eu só vi um, que por acaso ficava perto da praça de alimentação.
A praça de alimentação, aliás, merece um capítulo à parte. Na minha opinião era mal localizada - lá no fundo do salão - e não estava indicada nos mapas publicados pelas revistas (e eu me orientei por um desses mapas). Além disso, apesar de ser administrada pela (gigante) Ambev, a praça não foi nenhum exemplo de organização... Era preciso pegar senha para comer - até aí, tudo bem, por que o número de mesas era (bastante) limitado. Então, era de se esperar que, enquanto você fica na fila, outra pessoa está sendo servida numa mesa e depois ela se retira, deixando a mesa livre para você. Mas as coisas não eram bem assim. Apesar da (longa) fila, as mesas não se desocupavam por dois motivos: 1) demora no atendimento dos pedidos e 2) gente cansada [4] e até mesmo folgada que usava as mesas para descansar e/ou ficar vendo as fotos e as revistas. E não havia ninguém por perto para impor a ordem que era mais que necessária.
No mais, é uma pena que seja um evento apenas bienal. Nossa indústria e nosso mercado estão crescendo (tudo bem, tem essa crise aí) e creio que nós seríamos capazes de sediar um evento anual.
Ah, sim, e não podemos nos esquecer de um ponto muito positivos. Nem todas as atrações ficam sobre rodas... Algumas ficam sobre salto-alto!
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Observação: assim que puder eu vou atualizar esse post com fotos. Eu não tenho máquina, mas os meus amigos tiraram fotos e estão me devendo as cópias. Foi por isso que atrasei o quanto pude esta "cobertura".
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Notas
[1] - 650 mil visitantes em 11 dias dá uma média de... (fazendo as continhas) ... 59 000 visitantes/dia. Pra que se tenha uma idéia isso é quase seis vezes a população da cidadezinha do interiorr onde eu vivo!
[2] - Foi a primeira vez que fui de ônibus pra Sampa. Fazia tempo que não ia à Capital. Infelizmente eu ainda não conheço muito da maior cidade do país - shame on me!
[3] - Uma solução bem barata, aliás, sem custo algum, seria antecipar o salão para um período mais ameno, tipo fim de inverno, lá pra agosto, por exemplo.
[4] - Haviam locais destinados ao descanso, mas eram poucos e não havia limite de tempo pra ficar lá.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
25º Salão do Automóvel de São Paulo
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Um livro que não funciona
Este livro não funciona. Eu tentei o método de "oração" para conseguir um novo Porsche 996, mas não recebi nada. Não há nada nas instruções sobre não desejar carros esportivos alemães, mas eu também tentei orar por coisas menos ambiciosas. Eu desisti depois de não conseguir nem mesmo um Big Mac. No começo do livro há uma parte sobre pessoas que cruzam o deserto e são sustentadas pelo maná do céu, então você pode pensar que o livro seria capaz de te garantir pelo menos um hambúrguer.
Eu estou desapontado e vou entrar em contado com a editora. Eu não posso recomendar esse livro pois ele é claramente falho.Você pode conferir o original in loco. By the way, eu concordo com a resenha, mas ele ainda não leu as partes sobre ódio explícito, violência, genocídio, homofobia e sexo.








