Há exatamente 150 anos, em 20 de agosto de 1858, Charles Darwin publicou pela primeira vez a sua Teoria da Evolução no The Journal of the Proceedings of the Linnean Society of London (um jornal especializado em biologia). Na verdade, porém, Darwin vinha trabalhando com sua teoria desde 1838. No ano seguinte, Darwin escreveria um livro, A Origem das Espécies, no qual aprofundava e explicava a sua teoria, que se baseava no conceito de seleção natural.
A ideia de uma origem comum de todas as espécies e, consequentemente, de evolução não era inteiramente nova. O primeiro a examinar tal ideia, no século VI a.C. foi o filósofo grego Anaximandro de Mileto. Mais tarde, o grego Empédocles e o romano Lucrécio também se interessaram pelo tema. Somente no século XVIII os conhecimentos bilógicos voltaram a se expandir. Assim ideias evolutivas foram propostas por alguns filósofos como Pierre Louis Maupertuis em 1745, Georges-Louis Leclerc (conde de Buffon) entre 1749 e 1778, e Erasmus Darwin em 1796. Este último, por sinal, era avô paterno de Charles Darwin. Na primeira metade do século XIX, o Lamarckismo, teoria proposta por Jean-Baptiste Lamarck, era a explicação científica mais aceita sobre a origem e a evolução da vida.
A obra de Darwin revolucionou o mundo e ainda hoje é a explicação oficial da ciência quando se fala da origem e da evolução da vida na Terra.
Uma das explicações mais simples que pude encontrar é o seguinte vídeo. Nele, o saudoso astrônomo, escritor e divulgador científico, Carl Sagan narra os 4 bilhões* de anos que nos separam das células primordiais. É importante ressaltar que a verdadeira evolução biológica ocorreu em todo aquele espaço de tempo - 4 bilhões de anos - e que não devemos basear nossa noção de evolução na duração do vídeo - pouco mais de 7 minutos.
___________________________________________________________________ * Nota: Para aqueles que não têm ideia do que se trata quando se fala em bilhões, uma comparação é muito útil: - 1 000 000 (um milhão) de segundos = 12 dias e -1 000 000 000 (um bilhão) de segundos = 32 anos.
É interessante notar como algumas pessoas adoram alguma conspiração envolvendo alienígenas malévolos mancomunados com os governos e que estão por trás dos grandes feitos da humanidade. Essas pessoas, na verdade, são falsos céticos pois duvidam de tudo aquilo que está amplamente comprovado e ainda preferem buscar explicações que envolvem coisas improváveis. Essas pessoas acham que a humanidade é incapaz de grandes feitos. Modestamente, eu acho que tais pessoas é que são incapazes de raciocionar bem.
É incrível como algumas pessoas só acham que algo é verdadeiro e indiscutível apenas por que é antigo ou tradicional ou por ser parte de uma cultura distante e exótica.
A propósito, falando em céu e inferno, uma frase de Albert Einstein é bastante reveladora sobre esta doutrina: "Se as pessoas são boas só por temerem um castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível."
A partir de hoje o hypercubic terá conteúdo regular. E uma dose de humor também, mas sem perder o ceticismo. Todas as terças, quintas e sábados serão publicadas as tirinhas Cectic traduzidas por mim.
Já faz quase 50 anos que chegamos ao espaço e vimos que a Terra é um pálido ponto azul, mas a exploração espacial é só isso?
Em 1961, o cosmonauta soviético Iuri Gagarin foi o primeiro homem a ver a Terra tal como ela é: azul, cheia de nuvens e sem fronteiras. Oito anos depois, em 20 de julho de 1969, o astronauta norte-americano Neil Armstrong, o primeiro homem a por os pés na Lua disse: “É um pequeno passo para um homem, mas um salto gigantesco para a humanidade”. Não demorou para começarmos a sonhar com visitas a Marte e, talvez, a Vênus, nossos vizinhos mais próximos. Nos anos 70, porém, confirmou-se a hipótese de que Vênus possuía uma atmosfera densa e ácida e que a temperatura na superfície superava os 400ºC. Riscamos Vênus de nosso itinerário. Voltamos nossos olhos para o planeta vermelho, e vimos que os marcianos não existem – a não ser que sejam micróbios ainda desconhecidos.
Mas não foram essas descobertas que acabaram com as viagens espaciais tripuladas. Na verdade a conquista do espaço só ocorreu ainda nos anos 60 por uma série de fatores não apenas científicos ou técnicos, mas também – e infelizmente – políticos. O mundo estava no auge da Guerra Fria – a polarização político-econômica que surgiu no pós-guerra. Na verdade, a noção de que não houve conflitos armados na Guerra Fria é um erro. As Guerras da Coréia e do Vietnã foram puramente ideológicas e, ainda assim, foram os piores conflitos do pós-guerra. Em suma, o que não houve foi uma guerra nuclear e era essa a maior tensão daquele período.
Os foguetes, porém, começaram a ser pesquisados bem antes da II Guerra. Em 1926, o cientista americano Jean-Luc Goddard começou a pesquisá-los com o intuito de mandar uma expedição à Lua. A sociedade científica da época desacreditou os trabalhos de Goddard, e ele morreu antes do início da era espacial. Hoje, Goddard é reconhecido como pioneiro. Mais tarde, já durante a II Guerra, o engenheiro alemão Werner von Braun desenvolveu a bomba-voadora V-2, usada para bombardear a Inglaterra. A mecânica por trás da bomba era essencialmente a mesma por trás dos foguetes espaciais – exceto pelo fato de que foguetes espaciais úteis não explodem. Após a guerra von Braun migrou para os Estados Unidos e foi um dos primeiros engenheiros da Nasa.
Mas quem deu o pontapé na corrida espacial foi a URSS com o satélite Sputinik, em 1957. A Nasa foi fundada em 1958, com apoio dos militares americanos. Alguns anos depois já tínhamos homens no espaço – ou melhor, nas vizinhanças da Terra.
Nas vizinhanças da Terra
Com exceção das missões tripuladas à Lua – todas missões americanas, realizadas entre 1969 e 1972 – nenhum astronauta ou cosmonauta foi além de algumas centenas de quilômetros de distância da órbita da Terra. Em média, a distância alcançada é de 300 km. Em comparação, a Lua está a 400.000 km de distância e Marte, por exemplo, a cerca de 50 milhões de km da Terra. O Universo como um todo, tem uns 13 bilhões de anos-luz (cada ano-luz vale 9,5 trilhões de quilômetros). Não se pode dizer, portanto, que estamos explorando o espaço. Estamos, no máximo, sobrevoando a Terra de um modo muito mais caro e fazendo descobertas relativamente óbvias. Por exemplo: ausência de gravidade não faz bem aos sistemas ósseo e muscular. Por outro lado, as plantas também crescem sem gravidade.
Alguns podem argumentar que a exploração espacial nos trouxe alguns benefícios, como relógios digitais, laseres, telas de LCD, uso de energia solar, computadores e mesmo a internet. Mas será que precisávamos ir “lá fora” a um custo de bilhões de dólares, durante décadas, para ter tudo isso? É claro que não. É por isso mesmo que os americanos desistiram de continuar a explorar a Lua e mandar homens a Marte. É muito mais barato – e seguro – mandar sondas-robôs.
Por outro lado, o custo de missões espaciais, tripuladas ou não, continua alto mesmo após décadas de desenvolvimento por um motivo simples: poucos paises se arriscam nesse negócio e os poucos que o fazem, fazem sozinhos. Não agências espaciais associadas. Os EUA têm a Nasa, o Japão tem a Jaxa, a China, a CNSA, Índia, a ISRO, e a Rússia, a RKA. O que mais se aproxima de uma associação espacial supra-nacional é a ESA, a agência espacial européia. A ONU, por sua vez, não tem agência, e sim uma espécie de “departamento jurídico” dedicado a assuntos relativos ao espaço (OOSA). Os países do mundo ainda não perceberam que a cooperação internacional reduziria os custos. Além disso, a exploração nacional do espaço exterior não tem sentido, pois a ONU afirma que nenhuma nação tem direito a territórios extraterrestres.
Agora, volta-se a falar de “exploração espacial”. Estados Unidos e China prometem homens na Lua, de novo, na década de 2020 e, talvez, até, Marte, na década seguinte. Mas não será o começo definitivo da era da exploração espacial. Será fogo de palha mesmo, por que, infelizmente, ainda não estamos prontos a cooperar.
Este blog não morreu - pelo menos por enquanto. O fato é que este que vos escreve não anda muito animado com o desempenho do hypercubic. Não é que faltem leitores, mas acho que faltam comentários. Se não há comentários, não tenho como saber se agradei ou não, não há um debate de idéias e eu creio que é pra isso que serve a internet.
PS: este tempo todo sem postagens pode ter parecido longo demais para leitores habituais - se é que existem -, mas foi relativamente curto para o autor. Isso prova a Teoria da Relatividade. xD
Hoje, 13 de maio, é o Dia do Automóvel. Mas, infelizmente, não há muito o que comemorar. O automóvel, que era um símbolo de status e independência tornou-se um vilão social e ecológico. Eis o resultado de um mundo sobre rodas. Há cem anos, em 1908, Henry Ford inovava com a fabricação em série de seu memorável e - por que não dizer - simpático Modelo T, o carro que motorizou a América.
Era o início da era dos automóveis populares. As ruas começaram a se encher, e os problemas, a aparecer. Eram comuns acidentes devidos às condições precárias de segurança, tanto dos carros quanto das vias. Mas era também uma época de heroísmo nas estradas e nas pistas de corrida - eram comuns corridas de uma cidade a outra. A maior de todas, e talvez a menos lembrada, é a Nova York-Paris, realizada em 1908. Hoje temos um automobilismo seguro, asséptico e caríssimo, dominado pelas grandes marcas e pelo interesse comercial. Os tempos românticos, de improsivos heróicos se foram há muito.
Hoje os automóveis são repletos de itens de segurança, mas os acidentes continuam a ceifar vidas. As principais causas são a imprudência do motorista, a embiagez ao volante e, no caso do Brasil, a ainda precária condição das rodovias.
Outro grande problema automotivo da atualidade é o excesso de automóveis. É um problema mundial a lentidão do trânsito nos grandes centros. No Brasil, porém, a situação se agrava pela falta de boas opções de transporte coletivo - e pela forma como este meio ainda é (mal-)visto.
Os automóveis também são listados entre os vilões responsáveis pelo aquecimento global. Com certa razão, é claro. Afinal, queimar gasolina para andar uns poucos quarteirões, como muitos fazem, é um absurdo. Há até quem diga agora que a demanda por bio-combustíveis - uma urgência tecnológica da sociedade moderna - levará o mundo à fome. Isso só é verdadeiro se usarmos alimentos e áreas destinadas ao plantio de alimentos para a obtenção de etanol. O que devíamos fazer é produzir etanol a partir de celulose - qualquer vegetal serve como matéria prima, e as plantações não precisam ser grandes áreas contínuas.
A Honda promete lançar o primeiro carro a hidrogênio ainda este ano. Vai demorar pra chegar?
Devíamos, sobretudo, mudar a nossa matriz energética imediatamente. O hidrogênio é uma opção muito promissora: é uma fonte praticamente inesgotável (99% do Universo conhceido é hidrogênio) e não-poluente (sua queima gera apenas vapor d'água). Entretanto, o hidrogênio ainda não é comercialmente viável por falta de meios adequados para armazenamento e distribuição (o hidrogênio é um gás altamente inflamável). Eu me pergunto se esse empecilho para o hidrogênio já teria sido resolvido se não fosse o lobby (e a preguiça, o desinteresse mesmo) da indústria petrolífera.
UPDATE: A Honda lançou o FCX Clarity no fim de junho, apenas na Califórnia. No Japão o carro será lançado em setembro e não há previsão para vendas em demais mercados. A Califórnia foi escolhida como local de lançamento por dois motivos simples: já conta com uma pequena rede de postos de hidrogênio e, mais importante, tem uma das mais severasavançadas legislações ecológicas do mundo e novos limites de emissões entram em vigor a partir de 2009.