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quarta-feira, 30 de abril de 2008

Santa do Pau Oco

Direto do Saber é Bom Demais!!:
Acreditem. O site Victims of Children (vítimas de crianças??) aparentemente se trata de uma organização que luta contra a ganância de uma minoria irreligiosa que estaria voltada a destruir o trabalho de Deus. Hã????

Vamos por partes. Primeiro vou tentar me reservar apenas a relatar o que esse site propõe e admito ter esperança, ainda que ínfima, disso não passar de sarcasmo.


Esse site alega que a Igreja já gastou mais de $2,000,000,000.00 em litígios, devido a infinidade de processos impetrados contra ela, envolvendo aquelas acusações de pedofilia que todo mundo já sabe. Isso estaria desfalcando os fundos da Igreja destinados aos serviços de caridade. Um dinheiro que estaria sendo roubado de Deus.
Continuando, eles alegam ser os padres as reais vítimas e que são julgados por mentiras e calúnias advindas de oportunistas que só visam arrancar dinheiro. A organização pretende levantar fundos aceitando doações e dar todo o suporte aos padres, principalmente os que estão sob acusações infundadas.

“Enfrentemos os fatos, com Deus como nossa testemunha, nós somos as vítimas“.
Tá lá.

Suck this mango!
Em verdade, em verdade, vos digo: Se a Igreja realmente se sente financeiramente ameaçada, por que não acaba logo com o celibato e põe fim à farra pedofílica? Por que a Igreja não vende suas inúmeras obras de arte e seu imenso arquivo histórico para pagar as dívidas? Se o objetivo da Igreja fosse só fazer obras de caridade, esse apego material não existiria...

Novamente, a ICAR (Igreja Católica Apostólica Romana) tenta posar de vítima usando um argumento que ofende qualquer pessoa que se considere inteligente. Um argumento tão estapafúrdio que me lembrou um esquete dos humoristas portugueses do Gato Fedorento:



PS:o vídeo foi feito antes do nefasto movimento Victims of Children. Isso é o que eu chamo de humorismo profético.

Fica a pergunta: Quem são as verdadeiras vítimas?

Via: Saber é Bom de Mais!!

Agradecimentos heréticos ao Nadaver

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Tributo a Martin Luther King

Em 4 de abril de 1968, Martin Luther King foi assassinado em Memphis, Tennessee. Quarenta anos depois, seus ideais de igualdade e sua filosofia de não-violência ainda são lembrados e fazem muita falta num mundo que agora é assolado pela intolerância religiosa - e que também é ameaçado pelos preconceitos de raça, de sexo e de orientação sexual. Embora King fosse um pastor batista, ele era profundamente tolerante e tinha uma visão de mundo pluralista. Era uma exceção, num meio dominado por dogmas e doutrinação. Talvez a melhor forma de homenageá-lo seja a versão integral - longa - de seu famoso discurso "Eu tenho um sonho".

Eis o vídeo do discurso. São 17 minutos da mais brilhante oratória do século XX. Veja-o e em seguida acompanhe a tradução:



Eu estou feliz ao me juntar com vocês hoje naquilo que passará para a História como a maior manifestação pela liberdade em nossa nação.

Um século atrás, um grande Americano, à sombra de quem estamos hoje, assinou a Proclamação de Emancipação. Este momentoso decreto tornou-se um farol de esperança para milhões de escravos Negros que estavam sendo queimados pelas chamas de uma injustiça devastadora. Foi o começo de um alegre amanhecer que pôs fim à longa noite do cativeiro.

Mas, cem anos depois, o Negro ainda não é livre. Cem anos depois, a vida dos Negros ainda é tristemente acorrentada pelas algemas da segregação e pelas correntes da discriminação. Cem anos depois, o Negro ainda vive numa ilha solitária de pobreza em meio a um vasto oceano de prosperidade. Cem anos depois, o Negro continua esquecido, às margens da sociedade americana e exilado em sua própria pátria. Então nós estamos aqui hoje por causa destas condições dramáticas.

De certa forma, viemos à Capital da Nação para descontar um cheque. Quando os arquitetos da nossa república escreveram as magníficas palavras da Constituição e da Declaração de Independência, eles estavam assinando uma nota promissória que seria herdada por cada americano. Esta nota era a promessa de que todos os homens, sim, tanto negros quanto brancos teriam “os Direitos inalienáveis” à “Vida, à Liberdade e à procura da Felicidade”. É obvio hoje que a América está em dívida por causa dessa promissória, pois seus cidadãos de cor estão preocupados. Em vez de honrar essa sagrada obrigação, a América deu ao povo Negro um cheque ruim, um cheque que voltou por “falta de fundos”.

Mas nós nos recusamos a acreditar que o banco da justiça foi à falência. Nós nos recusamos a acreditar que não há fundos sob os céus de oportunidade desta nação. Então, nós estamos aqui para sacar esse cheque, um cheque que nos dará as riquezas da liberdade e a segurança da justiça.

Nós também viemos a esse local sagrado para lembrar a América da ameaçadora urgência deste momento. Não é hora de se dar ao luxo de abafar tudo ou de tomar a droga tranqüilizante do gradualismo. Agora é hora de realizar as promessas de democracia. Agora é hora de caminhar, e sair do profundo e obscuro vale da segregação em direção à iluminada estrada da justiça racial. Agora é hora de tirar nossa nação do atoleiro da injustiça racial e levá-la à sólida rocha da fraternidade. Agora é hora de fazer justiça para todos os filhos de Deus.

Seria fatal para a nação ignorar a urgência deste momento. Este verão escaldante do legítimo descontentamento Negro não passará até que haja um revigorante outono de liberdade e igualdade. Mil novecentos e sessenta e três não é um fim, mas um começo. E aqueles que acreditam que o Negro precisa apenas desabafar serão tomados de sobressalto se a nação voltar aos negócios como costuma fazer. E não haverá descanso nem tranqüilidade na América até que os Negros recebam seus direitos de cidadania. Os tornados da revolta continuarão a abalar os alicerces de nossa nação até o dia iluminado em que a justiça emergirá.

Mas há uma coisa que quero dizer ao meu povo, que está às sombras das colunas que levam ao palácio da justiça: no processo para ganhar um lugar que é nosso de direito, não podemos ser culpados por ações equivocadas. Não podemos satisfazer nossa sede de liberdade bebendo do copo do ódio e do desprezo. Nós sempre devemos conduzir nossa luta através dos elevados padrões da disciplina e da dignidade. Não podemos permitir que nossos protestos criativos se degenerem em violência física. Eu insisto: devemos subir às majestosas alturas com a união da força física com a força espiritual.

A nova e maravilhosa militância que reuniu a comunidade negra não pode nos levar a desconfiar de todos os brancos. Pois muitos irmãos brancos, como evidenciado pela sua presença aqui hoje, vieram a perceber que seus destinos estão amarrados aos nossos. E eles viram que a liberdade deles está limitada pela nossa liberdade.

Não podemos caminhar sozinhos.

E enquanto caminharmos, temos que jurar solenemente que sempre marcharemos à frente.

Nós não poderemos voltar.

Há aqueles que perguntam aos defensores dos direitos civis: “Quando você ficará satisfeito?”. Nós nunca ficaremos satisfeitos enquanto os Negros forem vítimas dos horrores inenarráveis da brutalidade policial. Nós nunca ficaremos satisfeitos enquanto nossos corpos, cansados pelas fadigas de uma viagem, não encontrarem alojamento nos motéis das estradas ou nos hotéis das cidades. Nós nunca ficaremos satisfeitos enquanto o único progresso que um Negro poderá fazer é se mudar de um pequeno gueto para outro maior. Nós nunca ficaremos satisfeitos enquanto as nossas crianças forem despidas de sua identidade e roubadas em sua dignidade por uma placa que diz: “Apenas para Brancos”. Nós nunca ficaremos satisfeitos enquanto um Negro no Mississipi não possa votar e outro em Nova York não veja motivos para votar. Não, não, nós não estamos satisfeitos e não seremos satisfeitos até que “haja tanta justiça quanto as águas de uma enchente e que a honestidade seja como um rio caudaloso.”

Eu sei que alguns de vocês chegaram aqui após passarem por grandes julgamentos e tribulações. Alguns de vocês acabam de sair de celas estreitas. E alguns vieram de áreas onde o seu clamor – o clamor pela liberdade foi rebatido violentamente pelas tempestades de perseguição e derrubado pelos ventos da brutalidade policial. Vós sois os veteranos do sofrimento criativo. Continuai a trabalhar com fé, pois o sofrimento imerecido é redentor. Voltem ao Mississipi. Voltem ao Alabama. Voltem à Carolina do Sul. Voltem à Geórgia. Voltem à Louisiana. Voltem às favelas e guetos das cidades do Norte sabendo que de alguma forma essa situação pode e deve ser modificada.

Eu vos digo que não iremos cair no vale do desespero, meus amigos.

E mesmo ao encontrar dificuldades hoje ou amanhã, eu ainda tenho um sonho. Um sonho profundamente ligado ao sonho americano.
Eu tenho um sonho de que um dia esta nação se levantará e viverá de acordo com o verdadeiro significado desta crença: “Nós consideramos estas verdades auto-evidentes, de que todos os homens foram criados iguais.”.

Eu tenho um sonho de que um dia, sobre as colinas vermelhas da Geórgia, os filhos dos antigos escravos e os filhos dos antigos senhores de escravos sentar-se-ão à mesa da irmandade.

Eu tenho um sonho de que um dia até mesmo o Estado do Mississipi, um estado desolado pelo calor da injustiça e devastado pelo calor da opressão será transformado num oásis de liberdade e justiça.

Eu tenho um sonho de que um dia meus quatro filhos pequenos viverão numa nação onde não serão julgados pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter.

Hoje eu tenho um sonho!

Eu tenho um sonho de que um dia lá no Alabama, com seus racistas viciados e seu governador falando em “interposição” e “nulificação” – um dia lá no Alabama, garotos e garotas negros poderão dar as mãos aos garotos e garotas brancos e agir como irmãos e irmãs.

Hoje eu tenho um sonho!

Eu tenho um sonho de que um dia “todos os vales serão aterrados e todos os morros e montes serão aplanados; os terrenos cheios de altos e baixos serão planos e as regiões montanhosas virarão planícies. Então o Senhor revelará a sua glória e toda a humanidade a verá.”.

Esta é a nossa esperança e esta é a fé que eu levarei de volta comigo para o Sul.

Com esta fé nós seremos capazes de extrair da montanha do desespero a rocha da esperança. Com esta fé seremos capazes de transformar os desafinados acordes de nossa nação em uma belíssima sinfonia de fraternidade. Com esta fé nós seremos capazes de trabalhar juntos, de rezar juntos, de lutar juntos, de sermos presos juntos, de esperar pela liberdade juntos, sabendo que nós seremos livres um dia.

E este será o dia – será o dia em que todos os filhos de Deus cantarão isto com um novo significado:

Minha pátria és tu, doce terra de liberdade, eu vos canto.
Terra onde meus pais morreram, terra de orgulho dos Peregrinos,
Em cada montanha, deixe a liberdade ecoar!

E se a América é uma grande nação, isto deve ser verdade.

"Meu país, doce terra de liberdade, eu te canto.
Terra onde meus pais morreram, terra do orgulho dos peregrinos,
De qualquer lado da montanha, ouço o sino da liberdade!"

E se a América é uma grande nação, isto tem que se tornar verdadeiro.

E assim ouvirei o sino da liberdade no extraordinário topo da montanha de New Hampshire.
Ouvirei o sino da liberdade nas poderosas montanhas poderosas de Nova York.
Ouvirei o sino da liberdade nos engrandecidos Alleghenies da Pennsylvania.
Ouvirei o sino da liberdade nas montanhas cobertas de neve Rockies do Colorado.
Ouvirei o sino da liberdade nas ladeiras curvas da Califórnia.

Mas não é só isso.

Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Pedra da Geórgia.
Ouvirei o sino da liberdade na Montanha de Vigilância do Tennessee.
Ouvirei o sino da liberdade em todas as colinas do Mississipi.
Em todas as montanhas, ouviu-se o sino da liberdade."

E quando isto acontecer, quando deixarmos a liberdade ecoar, quando deixarmos a liberdade ecoar em cada vila e em cada aldeia, em cada estado e em cada cidade, quando todos os filhos de Deus, negros e brancos, judeus e gentios, católicos e protestantes, serão capazes de juntar as mãos e cantar as palavras do velho cântico negro:

Livres enfim! Livres enfirm!
Graças a Deus Todo-Poderoso, Livres enfim!

segunda-feira, 31 de março de 2008

O Erro de Hitler

Muito se fala sobre os erros militares de Adolf Hitler. O mais comentado talvez seja a invasão da União Soviética em pleno inverno. De fato, a batalha que mudou o curso da Segunda Guerra Mundial - a primeira grande derrota de Hitler - ocorreu em solo soviético: a Batalha de Stalingrado (1942). Entretanto, pouca gente presta atenção a um erro puramente estratégico que Hitler cometeu antes mesmo de invadir a Polônia: a perseguição aos judeus.

Hitler começou a formular suas idéias de perseguição aos judeus durante o período em que esteve preso após o frustrado Putsch de Munique (1923) . Suas idéias resultaram num livro, Mein Kampf (Minha Luta). Considerado a Bíblia do nazismo, o livro é explicitamente anti-semita.

Após chegar ao poder, em 1933, Hitler liderou a Alemanha numa marcha progressiva contra os judeus. Primeiro foram boicotes aos negócio judaicos. Em seguida, suspensão dos direitos civis dos judeus. Logo, havia uma perseguição metódica e generalizada, que ocupava muitos militares alemães.

Como se sabe, o líder nazista também tinha planos expansionistas e também era anti-comunista. Na Conferência de Munique, em 1938, Hitler conseguiu anexar a Checoslováquia sob as bênçãos da Inglaterra de Neville Chamberlain e a França de Édouard Daladier . França e Inglaterra eram países democráticos. Por que, então, colaboraram com o Estado Nazista? Por que também são países capitalistas.

A chamada política de apaziguamento foi promovida pela Inglaterra e pela França na esperança de que a guerra que se avizinhava fosse uma guerra contra a União Soviética. Evidentemente, as coisas não foram bem assim, e o que tivemos foi uma nova guerra mundial.

Mas, e se Hitler não tivesse liderado o Holocausto? Pensem no que seria da Alemanha nazista sem a perseguição aos judeus. E se Hitler tivesse devotasse todo o seu ódio aos comunistas? Ele não teria perdido tempo nem dinheiro com uma perseguição puramente religiosa. Também não teria ocupado seus melhores estrategistas militares com a procura da Solução Final. Ele poderia ter tido o apoio das potências capitalistas numa guerra contra a União Soviética. Imaginem a França e a Inglaterra apoiando o rearmamento da Alemanha em troca de um pacto de não-agressão. Hitler não lutaria sozinho contra os soviéticos e talvez ainda ganhasse os territórios que desejava.

Além disso, sem a perseguição aos judeus, a Alemanha nazista poderia contar com uma elite intelectual judia que incluía, entre outros Albert Einstein. É provável que, se fosse assim, a bomba atômica tivesse sido desenvolvida pelos alemães e lançada sobre Moscou. A guerra talvez não fosse tão longa nesse cenário.

E haveria outras consequências. Se a URSS fosse completamente derrotada, não haveria Guerra Fria. E sem uma perseguição brutal, os judeus não conseguiriam apoio internacional para a criação de seu próprio estado em território palestino. Isso seria completamente desnecessário. Ou seja: sem o longo conflito árabe-israelense não haveria terrorismo islâmico.

Assim, se uma perseguição religiosa não tivesse ocorrido, o mundo seria, muito provavelmente um lugar muito mais seguro. E Hitler seria visto da mesma forma que vemos hoje Churchill e Roosevelt.

terça-feira, 19 de fevereiro de 2008

Cuba Libre?


"Comunico que não aspirarei nem aceitarei; repito, não aspirarei e nem aceitarei, os cargos de presidente do Conselho de Estado e comandante-em-chefe". Com essas palavras, num artigo publicado hoje no Granma, o jornal oficial cubano, Fidel Castro (81 anos) renunciou à presidência de Cuba, depois de liderar o país durante 49 anos. Fidel foi, enfim, um perfeito caudilho. Tal como Bolívar e San Martín, Castro apareceu como libertador, mas uma vez no poder, tornou-se um ditador com sua própria doutrina, o castrismo.

É difícil definir, no momento, o legado de Fidel. Apesar da ditadura socialista que impôs ao povo cubano, houve grandes avanços sociais no país. Educação, saúde e esporte fizeram de Cuba uma referência, um exemplo a ser seguido pela América Latina. Por outro lado, o Estado autoritário e autocrático sediado em Havana é algo totalmente retrógrado. A economia da Ilha não teve grandes avanços, nem mesmo na época da Guerra Fria. Cuba nunca deixou de ser uma ex-colônia agro-exportadora. Com o embargo americano, a economia, que sempre teve forte dependência do turismo, parou nos anos 50. Boa saúde e boa educação formam bons cidadãos, mas se não há liberdade de pensamento e nem uma economia dinâmica, os avanços sociais por si só são insuficientes para a população. Este é o motivo pelo qual tantos cubanos têm se arriscado no mar do Caribe, durante esse meio século de revolução.

Quanto ao futuro de Cuba, porém, não deve haver mudanças a curto prazo. Há quase dois anos que Fidel adoeceu e deixou seu irmão, Raúl Castro, 76 anos, no poder. Agora, a tendência é que Raúl seja oficialmente eleito, embora hajam outros nomes possíveis, inclusive de uma geração mais jovem. Dentre os possíveis nomes estão: o comandante Juan Almeida, 81 anos; José Ramón Machado Ventura, um influente membro do Partido Comunista, 76 anos; o ministro do Interior, general Abelardo Colomé, 67 anos; Ramiro Valdés, 75, ministro das Comunicações. A "nova guarda" é representada apenas pelo vice-presidente Carlos Lage, 55 anos e pelo chanceler Felipe Pérez Roque, 41 anos.

Independente da geração que assumir, as reformas serão inevitáveis. Talvez sejam lentas e graduais, mas uma vitória democrata (Hillary ou Obama) nas eleições americanas em novembro pode levar a um relaxamento do embargo americano, o que aceleraria o clima de renovação. Se Fidel morrer em breve, o processo de democratização e abertura de Cuba pode ser ainda mais intenso.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

"Lucy" Across the Universe

Na mesma semana em que a Nasa comemorou seu cinquentenário "enviando" a música "Across the Universe" dos Beatles para a estrela Polaris, eis que surge mais uma homenagem astronômica ao quarteto de Liverpool. Segundo o jornal russo Pravda:

Astrônomos descobrem o maior diamante de todos os tempos no espaço. O peso dessa rocha preciosa é de mais de 10 bilhões de trilhões de trilhões de quilates - ou 2,5 milhões de trilhões de trilhões de quilos (aproximadamente).

O diamante espacial é um enorme amontoado de carbono cristalizado, com 4 000 quilômetros de diâmetro. Situa-se a uma distância de 50 anos-luz, na Constelação do Centauro.

Cientistas acreditam que o diamante é o núcleo de uma estrela semelhante ao Sol que se extinguiu há muito tempo. Os astrônomos chamaram a gema espacial de Lucy, em homenagem à música 'Lucy in the Sky with Diamonds'.

Isso nos mostra que num futuro distante (dentro de uns 5 bilhões de anos), talvez haja um diamante gigante no lugar do Sol. E dentre os átomos de carbono que o formarão, alguns certamente terão feito parte de seres que viveram num planeta que, então, não mais existirá - o planeta Terra.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Pérolas Fundamentalistas

Eis algumas pérolas fundamentalistas que circulam pelos foruns de discussão norte-americanos:
Gravidade? Isso não existe. Se um corpo com massa tem qualquer influência sobre outro, então as pessoas deveriam orbitar as montanhas; uma nave espacial também deveria ter astronautas orbitando-a. Esse é o mito da gravidade. Cientistas querem que a gente acredite que o Sol tem uma gravidade forte o bastante para manter um planeta como Netuno ou Plutão em órbita, mas não é forte o bastante para manter a Lua em sua órbita? Por quê? Eu acho que o que acontece é o seguinte: estes objetos no espaço não foram tocados pelo homem e, portanto, não carregam pecado. Este, porém, não é o caso da Terra, onde vemos o impacto do pecado transferido para objetos materiais. Quanto mais pecado, mais pesado um objeto é.
Aí é que eu pergunto: O que há de mal com a gravidade? Que pecado pode cometer um planeta? Pobre Plutão...

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[sobre uma garota com doença mental congênita]

Esta garota é como o leproso, então o que ela deve fazer é tentar buscar deus

Se ela realmente acreditar que pode ser curada, ela será curada.

Muitas aflições são causadas por pecados cometidos dentro do útero. (sic - grifo nosso) Se ela se arrepender do que fez, deus irá recebê-la e fará ela tão humana quanto eu ou você. Mas se ela escolher não, ela será sempre assim.
Deus prova cada um de nós.
E que pecados um bebê pode cometer na barriga da mãe? E como ela pode se arrepender de algo que nem sabe se fez? Pobre garota...

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Honestamente, eu não me importo com seus direitos. Por mim, todos os ateus poderiam ser queimados em praça pública ou jogados num rio com pesos presos às suas pernas ou postos diante do esquadrão de fuzilamento.
Ah, a tolerância cristã simplesmente me comove!!

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Uma mulher quer abortar após um estupro! Ela devia pensar antes de andar desacompanhada por esses becos escuros. (...) Ela devia ter ficado em casa onde é mais seguro.

Palavras de um cristão. O que ele tem contra as mulheres? O mesmo que os muçulmanos! Eles acham que elas são culpadas e não vítimas. E qual a solução para eles? Burka nelas!

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[sobre uma menina de 11 anos que foi estuprada e enterrada viva]

deus sacrificou essa criança para nos ensinar. Como ele fez com seu próprio filho. Que bela dádiva ele nos deu!
Realmente, o deus misericordioso nos ensina de modo muito didático! Ele só quer nos dar um susto... Tadinho, é tão imaturo...

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Cristão: Uma mulher para presidente é uma má idéia. Hillary para presidente é pior ainda. Por que você acha que a América nunca teve uma presidente?
Resposta ateísta: Você poderia estender tal lógica para as pessoas negras, pois também não tivemos presidentes negros. De qualquer modo isso seria incrivelmente insensível e estúpido.
Cristão: Tão estúpido quanto você pensa, mas eu concordo. Negros nunca devem estar no poder. Eles deviam é ser mandados de volta para a escravidão.
Depois de uma resposta que seria capaz de comover Adolfinho, é melhor parar. Mas se você quiser continuar, por sua conta e risco, clique aqui (em inglês)

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"O fanatismo tem produzido mais males que o ateísmo." - Voltaire

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Transposição de Dinheiro Público

Sim, é isso mesmo: o STF aprovou hoje a retomada das obras de transposição do rio São Francisco. Quanta ingenuidade! É de uma igonorância continental achar que dois canais com centenas de quilômetros vão resolver um problema que é puramente climático. E, apesar disso, o STF, o Supremo Tribunal Brasileiro, com os mais altos magistrados da República, acreditou nessa mentira... É, a Justiça é cega, surda, muda e ignorante também.

Ora, o Sertão Nordestino é o berço do latifúndio brasileiro, e esses imensos canais não vão ajudar em nada as (quase inexistentes) pequenas propriedades. É gritantemente óbvio o fato de que só os grandes proprietários terão acesso à água.

Isso, claro, se houver água. Afinal, o calor sertanejo é implacável. Não importa quanta água seja bombeada, uma grande parte vai se evaporar rapidamente. E, além disso, o desvio tanta água assim vai, inegavelmente, afetar a qualidade de vida daqueles que moram após as estações de bombeamento. O impacto ambiental, então, seria incalculável.

E pode ser que a água nem chegue mesmo. Quem garante que essa obra não vai ser mais uma superfaturada daquelas, para fazer a festa das grandes empreiteiras? Quem garante que não teremos canais totalmente fora das especificações, para "reduções de custo"? Se a empreiteira reduzir o custo, ela devolve dinheiro para o governo? Aliás, o governo pagaria antes ou depois?

Sim, é preciso fazer todas essas perguntas. Mas o governo não está disposto a discutir. Quer que as obras comecem rápido. Por quê? Por que como sempre, essa é mais uma obra eleitoreira. Vão ser "torrados" 9 bilhões de reais... Bilhões vindos de impostos que sufocam o trabalhador (eu, você, cada um dos 180 milhões de brasileiros) durante meses... E tudo para construir uma imagem falsa, para que depois se possa falar "do governo que acabou com a seca".

Além do mais, se a construção de canais fosse realmente a solução para ambientes áridos, por que não há uma "transposição do Rio Nilo" para fertilizar o oeste do Egito? O Iraque tem dois grandes rios - o Tigre e o Eufrates - e mesmo assim é uma grande região árida. Afinal...

"Para dar ordens à natureza é preciso saber obedecer-lhe." (Francis Bacon)

E, assim, o problema não está no solo árido, está no homem que não sabe se adaptar ao ambiente que escolheu.

sábado, 15 de dezembro de 2007

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Enquanto isso, em Brasília...





É, é assim mesmo: eles cantam e a gente até se cansa, mas continua dançando.

Afinal, somos o povo mais mané alegre do mundo...



sábado, 3 de novembro de 2007

Nem Israel, nem Palestina

Quem tem razão na foto acima?

O mais longo conflito da Idade Contemporânea, com quase 60 anos de períodos alternantes de “paz” e de guerra é muito mais político e territorial do que religioso. Logicamente, o fanatismo religioso tem um importante papel no conflito árabe-israelense, mas os grupos terroristas que governam ambas as nações são, essencialmente, organizações políticas que não estão dispostas a ceder um palmo de terra ao “inimigo”.

Assim sendo, será que a criação de um Estado palestino, e a manutenção de Israel, é algo praticável, quando nenhum dos dois lados está disposto a ceder e reconhecer o outro? Será que é possível a existência de dois países num território pequeno, porém populoso e que nunca foi dividido de forma justa?

A idéia de Israel – construir um muro separando os territórios – foi um retumbante fracasso. Isso por que o muro impedia que palestinos comuns, que vivem na fronteira e que dependiam economicamente dos israelenses, perdessem seu sustento econômico. Mas não impedia ataques terroristas.

É óbvio que isso geraria um desastre social. Sem empregados, a economia das cidades do lado israelense da fronteira ficou estagnada, o que gerou criticas da população local. Eles se davam bem com os palestinos até então, havia mútua dependência. Mas a relação de confiança e a relativa paz foram quebradas pelo muro e por suas consequências socioeconômicas.

Sem emprego e sem alternativas, alguns palestinos foram atraídos pelos grupos terroristas e passaram a atacar as pequenas cidades israelenses onde trabalhavam. Eles conseguiam chegar lá antes do muro e, depois dos ataques, os hebreus clamavam pelo muro ao qual se opunham até então. Pronto, o muro dividiu formalmente o território – com alguma vantagem para Israel – e fez ressurgir uma velha hostilidade que já não existia em muitas áreas da fronteira.

O exemplo do muro de Israel nos mostra também um outro fator que dificulta as relações entre os dois povos semitas: a dificuldade de ir e vir, que parte principalmente de Israel. Mesmo em áreas onde não há muro ou cerca, é difícil um palestino entrar no território de Israel, mas o oposto, um hebreu entrar em território árabe, é razoavelmente comum – tanto que há comunidades inteiras, pequenas vilas, só de israelenses, incrustadas em território palestino. Há muitos postos de controle e aduanas de Israel, mas poucos são os controlados pelos semitas árabes. Isso se deve ao fato de que Israel tem:

1) muito mais infra-estrutura que os territórios palestinos;

2) muito mais poder econômico e político, com um apoio escancarado do governo americano;

3) maior poderio militar: enquanto terroristas islâmicos usam bombas atadas ao próprio corpo, os israelenses já têm armas nucleares;

4) maior coesão interna: os palestinos, por sua vez, são muitos divididos entre si: há os que querem a via pacifica e o mútuo reconhecimento e os que querem a via bélica e a extinção de Israel.

Só o fato de Israel ter armas nucleares enquanto os palestinos não têm nenhum aliado político de peso na esfera internacional (especialmente no “Ocidente”) é algo no mínimo suspeito... Por que ninguém questiona o arsenal de Israel enquanto o suposto arsenal iraniano causa alvoroço? Ambos os lados são capazes de começar um conflito que pode pôr em risco toda a humanidade.

E tudo só por que o direito de ir e vir não é igualmente respeitado, só por causa de territorialismo... Ora, quem se mata por território são os animais irracionais. O que isso nos mostra sobre nossa situação evolutiva? Podemos nos considerar superiores? Só por que encontramos meios mais avançados (nacionalismo e bombas atômicas) para nos destruir?

A única solução razoável para um conflito tão estúpido não é a divisão, a criação de dois países, mas sim a criação de um só Estado na chamada “Terra Santa”. Todos, palestinos e israelenses seriam cidadãos de um só país. Assim, o direito de ir e vir seria respeitado. Um judeu poderia ir ao rio Jordão sem correr perigo e um árabe poderia visitar parentes no litoral sem ser humilhado pelos postos de controle que atualmente não impedem os ataques de grupos radicais. Com um regime plenamente democrático, regiões de maioria palestina, por exemplo, seriam governadas por maiorias igualmente palestinas. Nenhum grupo ficaria excluído das tomadas de decisão. O tão desejado poder seria simplesmente compartilhado. Nacionalmente, poderia haver um revezamento de poder entre grupos palestinos e israelenses a cada, digamos, quatro anos, sem direito à reeleição.

Mas nada disso foi feito até agora por que nós, humanos, ainda não aprendemos a agir de modo racional e compreensivo, a fim de facilitar — e não dificultar — nossas relações.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Contradições

Contradições

Renato Pincelli

“Sanguessugas”, “Furacão”, “Navalha”, “Xeque-Mate”. Nunca na História desse país houve tantos escândalos à escolha da população. Quanta variedade! São tantos os escândalos — batizados de forma quase publicitária pela Polícia Federal — que é impossível não se perder em meio às ondas de corrupção que varrem o país semanalmente.

Talvez estejamos perdidos mesmo. Já nos acostumamos tanto com essas “operações” que perdemos a vergonha na cara. Para deleite de uma população que adora se alienar diante de qualquer reality show, a Polícia Federal prende dezenas de acusados, após uma investigação que sempre acaba “vazando” para a imprensa. Mas tudo não passa de encenação, de uma peça de teatro mesmo.

Depois que a peça sai de cartaz, quando surge mais um escândalo, o Judiciário aproveita-se da distração do público e manda soltar quase todo mundo – os mais poderosos, claro, nunca ficam presos. Para nossa Justiça, as provas apresentadas na imprensa — e muitas vezes pela imprensa — não parecem ter importância alguma. Sempre se diz que não há provas contra o suspeito ou que ele pode ser solto, pois não vai atrapalhar a investigação. Parece que só há alguma chance de punição quando há o tal “segredo de Justiça”. A Polícia Federal, porém, não parece disposta a manter esse sigilo todo.

Aí dizem que a culpa é da imprensa ou “dazelite” ou que é tudo – já virou até bordão – “intriga da oposição”. Tanto o Judiciário quanto a Polícia Federal é que agem de forma errada. A Polícia Federal é quem deveria agir de modo discreto, conduzindo investigações de verdade, secretas mesmo, e não mega-operações amplamente divulgadas. Afinal, fica mais fácil esconder ou destruir provas ou mesmo fugir do país quando corruptos e/ou corruptores sabem que seu “ramo” está sendo ou será investigado.

A Justiça, por sua vez, também deveria atuar de forma diferente. Primeiro, os julgamentos deveriam ser realmente públicos. Por que será que o Brasil nunca acompanhou um julgamento ao vivo pela televisão? Nossos juízes têm medo de aparecer? Se a Justiça não é transparente, como podemos acreditar nesses homens de toga?

Além disso, sofremos de um grave problema de ordem legal: nossas leis são confusas e obscuras, prolíficas e cheias de arcaísmos. Não temos leis duras, temos leis difíceis mesmo. Quando poucos são capazes de interpretar as leis, fica fácil achar uma brecha e dar um jeitinho. Não é assim que se acaba com a impunidade que reina no país. Só que as leis são feitas pelos deputados e senadores e estes, hoje, estão mais preocupados com as defesas dos próprios interesses e não com o avanço legal do país, muito menos com a punição de seus próprios pares.

Diante de tudo isso, uma população calada... Diz-se que nunca vivemos um regime tão plenamente democrático. Será mesmo? Onde estão nossos manifestantes? Onde estão aqueles que saíram às ruas pelas eleições diretas? Onde estão os cara-pintadas? Onde foi parar a consciência do povo brasileiro? Ou será que estamos contentes com o que vemos nos jornais?

Se quisermos sair desse mar de contradições, se quisermos avançar e nos desenvolver plenamente, alguém terá que começar a agir. Qualquer um pode começar: os juízes, ao agir de forma mais transparente; a Polícia Federal ao agir de maneira mais discreta; a imprensa atuando com equilíbrio e lucidez, sem se perder em meio a tantos escândalos; os legisladores mostrando serviço, simplesmente legislando pelo bem de toda a sociedade e não apenas da própria classe ou família; o povo ao deixar de reclamar dos demais e também fazer a sua parte, tomando uma atitude, protestando, pressionando. Acima de tudo, seria imensamente melhor se todos resolvessem agir ao mesmo tempo. O Brasil ficaria agradecido e todos só teriam a ganhar.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Credulidade mata

Eis o que a fé irracional é capaz de fazer:

Mãe culpa "Satã" por filha queimada em microondas

A mãe do bebê que foi queimado num forno de microondas pelo próprio pai culpou o demônio, e não seu marido, pelo incidente, informa a emissora KHOU-TV, do Estado americano do Texas.

Eva Marie Mauldin disse que "Satã" forçou seu marido, Joshua Mauldin, 19 anos, a colocar o bebê no forno, porque a entidade maligna "desaprovava o esforço de Joshua para se tornar um pastor religioso". "Satã viu em meu marido uma ameaça", disse a mãe do bebê à emissora.

Um júri foi convocado para a audiência de Mauldin depois de depoimentos que indicavam que ele colocou a própria filha de dois meses de idade no microondas de um quarto de motel durante 10 ou 20 segundos.

A criança permanece hospitalizada. Ela sofreu queimaduras de terceiro grau no lado esquerdo do corpo e do rosto, informaram os policiais.

As autoridades declararam que Mauldin admitiu ter colocado a filha no microondas porque estava sob grande estresse. Mas sua mulher negou. "Ele nunca faria nada para machucá-la. Ele ama a filha."

Eva disse que espera para conseguir reencontrar a filha. Entretanto, o Serviço de Proteção Infantil trabalha para tirar a guarda da criança dos pais.

Fonte: Terra (http://noticias.terra.com.br/mundo/interna/0,,OI1631718-EI8142,00.html)

Não quero assustar ninguém, mas essa notícia nos mostra claramente o que acontece quando juntamos estresse, dependência emocional (paixão?) e falsas crenças que não se baseiam em evidência alguma. Em resumo: ela “ama” o marido mais do que a própria filha e não quer reconhecer nem a culpa dele nem a dela própria — afinal ela não fez nada para impedir isso.

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