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domingo, 16 de outubro de 2011

Ser pobre é coisa do Demo!


Russell Herman Conwell (1843-1925) foi um pastor e escritor norte-americano. Mais ou menos um Edir Macedo ou Waldemar Costa Neto, como se verá. Ele tornou-se conhecido por ser o fundador da Temple University. No entanto, seu livro-pregação mais famoso, Acres of Diamonds, publicado em 1916, revela muito sobre a mentalidade evangélico-americana e sobre o ofício de ser pastor:

  • Eu digo que você deve ficar rico e que é seu dever ficar rico. [Como você vai ficar rico? Te vira! Mas antes me pague o dízimo pelo amor de Deus!]
  • Fazer dinheiro honestamente é pregar o evangelho. [Mas pregar o evangelho é a maneira mais desonesta de fazer dinheiro!]
  • O homem que faz dinheiro honestamente pode ser o mais honesto que se encontra na comunidade. [Pode ser, mas nem sempre é]
  • Um homem não é um homem de verdade até que tenha sua própria casa e aqueles que têm suas casas são mais honoráveis e honestos e puros, mais verdadeiros e econômicos e cuidadosos, por possuir a casa. [Um sem-teto, então, não deve passar de um animal selvagem]
  • Não há uma pessoa pobre nos Estados Unidos que não tenha se tornado pobre por suas próprias limitações ou pelas limitações de outros. De qualquer modo, é completamente errado ser pobre. [E ela deve continuar pobre! Enquanto isso, Wall Street dá graças a Deus e vai dormir tranquila.]
  • Amor é a maior coisa de Deus na Terra, mas mais bem-aventurado é o amado que tem montes de dinheiro. [Afinal, você pode precisar subornar algum pastor para conseguir sua vaga no céu]

Ao ser questionado se não simpatiza com os pobres do mundo, Russell Conwell responde dizendo que claro que sim, que ele simpatiza com alguns, mas  que “simpatizar com um homem a quem Deus puniu por seus pecados, ajudando-o quando Deus está apenas fazendo uma justa punição é cair no erro”. Ou seja, ajudar um pobre é ir contra a vontade divina, pois o pobre-coitado é um pecador, uma vítima do carma da justiça divina. O destino do pé-rapado é ser infernizado na Terra. Essa é praticamente a essência do cristianismo... #NOT!

Além de ser um pastor bem pouco cristão, Mr. Conwell foi um dos pioneiros dessa praga literária chamada literatura de auto-ajuda (e cristã, é claro). Eis alguns títulos: Health, Healing and Faith [Saúde, Cura e Fé], Increasing Personal Efficiency [Aumentando a Eficiência Pessoal], Praying For Money [Orando por Dinheiro] e What You Can Do with Your Will Power [O que você pode fazer com sua força de vontade].

domingo, 18 de setembro de 2011

Pérolas Fundamentalistas IV: ‘Se a Terra fosse um globo...’


Excertos de One Hundred Proofs that the Earth is not a Globe [Uma centena de provas de que a Terra não é um globo], um panfleto em defesa da Terra Plana escrito e distribuído por William Carpenter (1830-1896) em 1885:

Se a Terra fosse um globo, então um pequeno modelo do globo seria a melhor coisa — por ser a mais verdadeira — para o navegador que se orienta no mar. Mas não se conhece tal coisa. Com tal brinquedo como guia, o marinheiro bateria seu navio e, com toda a certeza!, esta é uma prova de que a Terra não é um globo. 

Navegadores (e mesmo aeronautas!) usam projeções planas em lugar de globos terrestres por dois motivos. (1) é geometricamente simples: é muito mais fácil traçar e manter uma linha reta que permite a menor distância em um mapa plano do que em um globo; (2) Carpenter está parcialmente correto: um globo terrestre pode ser um brinquedinho tão divertido que pode distrair os mais bravos navegadores!

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Antimétrica


A aritmética decimal é uma invenção dos homens para a contagem dos números e não uma propriedade do tempo, do espaço ou da matéria. Ela pertence essencialmente à manutenção da contabilidade, mas é um mero acidente das transções do comércio. A natureza não tem parcialidade pelo número 10. A tentativa de agrilhoar sua liberdade com eles [os decimais] sempre se provará abortiva. — John Quincy Adams, Secretário de Estado dos Estados Unidos, em recomendação contrária ao sistema métrico decimal, em 1821; citado em Chambers’ Edinburgh Journal, 15 de maio de 1852
Outra pérola do então secretário de Estado foi a chamada Doutrina Monroe. Filho do ex-presidente John Adams, Quincy Adams (1767-1848) foi  eleito presidente dos Estados Unidos em 1824. A eleição de Adams em 1824 foi, a seu modo, a versão oitocentista da polêmica eleição de George W. Bush (outro filho de um ex-presidente) em 2000. O vencedor, tanto no voto popular quanto no colégio eleitoral foi Andrew Jackson (1767-1845). Mas a vantagem de Jackson foi considerada insuficiente para elegê-lo e Adams foi eleito de forma indireta, pelo Congresso, no que foi considerado uma “barganha corrupta”. Porém, sem um ataque terrorista em solo americano para ajudá-lo, Quincy Adams perdeu a eleição seguinte para o próprio Andrew Jackson.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Humilde Requisição de Dispensa Temporária

Se você acha difícil pedir uma folga ao chefe, lembre-se de que você poderia ter sido um indiano empregado de um inglês há pouco mais de um século. Aí sim seria difícil:

Ao Mais Excelso Sir,

É com a mais habitual expressão devota de meu sensível respeito que eu dirijo-me à clemência de Vossa Senhoria. Imbuído da mais profunda auto-depreciação e ainda esquecido de minha própria segurança presumo que estaria pedindo imperdoáveis doações se eu afirmasse que desejo um breve retiro de minhas obrigações. Trata-se apenas de uma noite de folga, pois estou sofrendo de três freimões. Com o honorável prazer de servir à sua elevada veneração, subscrevo-me,

— Jonabol Panjamjaub
(Citado por William Shepard Walsh em Handy-Book of Literary Curiosities [Manual de Curiosidades Literárias], 1892) 

Walsh ainda acrescenta o seguinte comentário: “Em adição ao regalamento auditivo provocado pelo estilo charmoso de sua comunicação, a visão é gratificada por uma tosca porém intensa ilustração dos três freimões [furúnculos].”

O que não deixa de ser uma ofensa sutil ao Sir. É como se depois de tudo aquilo o pobre indiano dissesse: “se não entendeu, eu desenho.”

quinta-feira, 17 de março de 2011

De Profundis

Quidquid latine dictum sit, altum viditur.

“Qualquer coisa dita em latim parece profunda.”

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Cruz na Porta da Tabacaria


Não posso dizer se é verdade ou não (não encontrei nada sobre o tal Tom Klaes), mas assim que eu encontrei a estória a seguir, me lembrei imediatamente do poema de Álvaro de Campos:

O maior fumante da Europa morreu em Roterdã e deixou um testamento dos mais curiosos. Ele deixou expresso seu desejo de que todos os fumantes do país deveriam ser convidados para suas exéquias, e que eles fumariam durante todo o cortejo fúnebre. Ele pede que seu corpo seja posto em um caixão montado com madeira tirada de velhas caixas de charutos Havana. Aos seus pés, devem ser depositados tabaco, cigarro e fósforos. E o epitáfio que ele escolheu para ser posto sobre seu túmulo é o seguinte:

Aqui Jaz
TOM KLAES,
O Maior Fumante da Europa
Ele bateu seu cachimbo
4 de julho de 1872
Chorado por sua família e
todos os mercadores de tabaco
ESTRANHO, FUMAI POR ELE!
– Charles Bombaugh, Facts and Fancies for the Curious From the Harvest-Fields of Literature [Fatos e Firulas para os Curiosos, dos Campos Cultivados da Literatura], 1905

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Meta-Inventário

Nesta sentença há dezesseis palavras, oitenta e nove letras, um hífen, três vírgulas e um ponto-final.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Pérolas Fundamentalistas III: a Ascenção

porco

E depois de quase dois anos, essa série volta para nos assombrar com exemplos do que a fé é capaz de gerar. Para começo de conversa, uma torrente de ignorância na polêmica sobre a presença de gays no Exército:

quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

E digo mais:

Um gentleman, que tinha o hábito de intercalar seus discursos com a expressão “eu digo”, foi informado por um amigo que certo indivíduo fizera comentários maldosos sobre tal peculiaridade. Então, ele não perdeu a oportunidade e disse-lhe o seguinte em um divertido estilo de réplica: — Eu digo, senhor, que ouvi você dizer que eu digo “Eu digo” a cada palavra que digo. Porém, senhor, embora eu saiba que eu digo “Eu digo” a cada palavra que digo, eu ainda lhe digo, senhor, que não lhe cabe dizer que eu digo “Eu digo” a cada palavra que eu digo.
— Charles Carroll Bombaugh, Gleanings for the Curious from the Harvest-Fields of Literature [Coletas para os Curiosos dos Campos de Cultivo da Literatura], 1890
E tenho dito!

sábado, 29 de janeiro de 2011

A Divertida História da “Bíblia” Nerd

página aleatória

Quase todo mundo já usou o random mode em alguma coisa, seja no mp3-player, na Wikipédia ou em qualquer blog que tenha o recurso disponível.

Hoje nos parece tão simples gerar números randomizados que ninguém mais se lembra dos maus e velhos tempos onde tudo tinha que ser feito à mão. Muito antes de a internet e do random.org existirem, entre os anos 1920 e 1950, diversos livros foram publicados contendo apenas tabelas números aleatórios. Esses números eram usados principalmente para pesquisas estatísticas e criptográficas — ou, o que talvez fosse mais comum, inventar dados numéricos para trabalhos na faculdade.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Quando a porca torceu o rabo

porca
Em 1266, em Fontenay-aux-Roses, perto de Paris, um porco que foi condenado por ter comido uma criança foi publicamente queimado por ordem dos monges de Sainte Geneviève. Em 1386, o tribunal de Falaise sentenciou uma porca a ser mutilada na cabeça e nas patas dianteiras e ainda a ser enforcada, por ter desfigurado a face e os braços de uma criança, causando-lhe a morte. Aqui nós temos uma aplicação estrita da lex talionis, o primitivo princípio retributivo de olho por olho e dente por dente. Como que para tornar completa essa justiça travestida, a porca foi vestida com roupas e executada na praça pública, próxima a prefeitura. A execução custou ao estado dez sous e dez deniers(*) além de um par de luvas para o carrasco. O executor recebeu luvas novas de modo a cumprir seu trabalho, ao menos metaforicamente, com as mãos limpas, para indicar que, como ministro da justiça, ele não incorreu em culpa ao derramar sangue. Ele não era um simples matador de porcos, mas um funcionário público, um “mestre de altas obras” (maître des hautes œvres), como era oficialmente nomeado.
— Edward Payson Evans, The Criminal Prosecution and Capital Punishment of Animals [Perseguição Criminal e Punição Capital de Animais], 1906
 (*) Observação monetária: o sou ou sol e o denier eram subdivisões do livre, a moeda da França pré-revolucionária. Um livre era formado por 12 sous e 1 sol equivalia a 12 deniers (ou seja, 1 livre = 144 deniers). Entre outras moedas europeias, esse sistema inspirou a antiga Libra inglesa. É por isso que, até a decimalização da Libra, nos anos 1970, a abreviação de penny era d.

Mas você deve estar se perguntando: Porcos matando crianças e sendo mortos em punição? Como isso é possível?

Simples: o pessoal da Idade Média era mesmo muito descuidado. Os pais deixavam as crianças em berços rasteiros, quase manjedouras mesmo e iam ou pra roça ou pra missa. E os porcos ficavam soltos, não raro até dentro de casa. Aí, quando um suíno confundia a manjedoura de verdade com um berço, o pobre animal era considerado demoníaco, julgado e executado. Enquanto isso, padres e monges eram donos de 1/3 das terras da Europa e viviam a vida que todo mundo pedia a deus. Realmente, era uma sociedade perfeita.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Controle de Qualidade

A Guerra Fria teve notáveis efeitos na indústria automobilística. O mais visível foram os grandes  carros com inspiração aeroespacial produzidos pelos Estados Unidos nos anos 1950.

Mas a indústria automotiva soviética queria mostrar que tudo não passava de aparências. Então,  durante a Feira Mundial de 1958, em Bruxelas, na Bélgica, os fabricantes soviéticos desafiaram os norte-americanos.

Um engenheiro suíço foi escolhido de comum acordo e fez uma comparação exaustiva entre um modelo ianque e um bolchevique. O resultado não foi surpresa: o carro americano era melhor.

Mas nem todo mundo ficou sabendo, é claro. O Pravda, principal jornal soviético, relatou apenas que “em uma recente competição automotiva internacional, o carro russo foi o segundo melhor e o americano foi o penúltimo.”

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

A corrida pelo Z

Se você sempre detestou ser o último de uma lista ordenada em ordem alfabética graças à sua graça, saiba que isso pode ser um bom negócio quando se trata de listas telefônicas.

Em 1979, a Time fez uma reportagem na qual informava que Zachary Zzzra havia sido ultrapassado no último lugar da lista telefônica de São Francisco por Zelda Zzzwramp. Ele colocou mais um Z em seu sobrenome, mas aí sim, Zzzra foi surpreendido novamente por Vladmir Zzzzzzabakov.

Para garantir o último lugar na lista telefônica, Mr. Zzzzra foi radical: mudou seu nome para Zzzzzzzzzra.

Evidentemente, Zzzzzzzzzra era um pseudônimo. Mas o verdadeiro Zzzzzzzzzra não era um milionário excêntrico (ou um poeta concretista). Bill Holland era um simples pintor de paredes que dizia a seus clientes para procurar seu número no fim da lista. Intencional ou preguiçosa, a manobra publicitária funcionou, mas a conta telefônica de Holland, como seu nom-de-plume (e esta sentença), se tornou cada vez mais longa, muitas vezes passando dos US$ 400,00 (ou das três linhas, no caso desta sentença).

“Pessoas que fazem ligações ilegais nas cabines telefônicas procuram o último nome do livro e me ligam a cobrar.”, explicou Mr. Z., que não se preocupava nem um pouco com esse pequeno inconveniente: “Eu não pago nenhuma dessas porras.”

domingo, 19 de dezembro de 2010

Verdades Goebbelianas

GOEBBELS
Goebbels: apesar de poderoso, o número 2 da Alemanha Nazi nunca deve ter ido ao dentista.

“Uma mentira repetida mil vezes torna-se verdade”, costumava dizer  Joseph Goebbels (1901-1945), o poderoso ministro da Propaganda da Alemanha Nazista. Muita gente se lembra dessa frase, mas — com exceção das publicidades antijudaicas e anticomunistas — pouco se lembra dos absurdos que a propaganda nazista apresentava como verdade:

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Nomes (im)Próprios

Se você acha que apenas no Brasil poderiam surgir nomes ééééé, digamos, “criativos”, como Valdisnei, Usnavi, Maiquel Géquiçom, Erripóter, Letisgo, Brucili ou até mesmo Urrigrisson, lembre-se de que os americanos sempre podem conseguir fazer coisas melhores (ou piores):
O censo dos Estados Unidos, agora quase completado, trouxe à luz alguns espécimes curiosos de nomes próprios. Um homem de Illinois teve cinco filhos, batizados Imprimis, Finis, Appendix, Addendum e Erratum. Em Smythe Couty, na Virgínia, um certo Mr. Elmadoras Sprinkle deu aos seus dois filhos os nomes Myrtle Ellmore e Onyx Curwen e suas seis filhas são Memphis Tappan, Empress Vandalia, Tatnia Zain, Okeno Molette, Og Wilt e Wintosse Emmah. O grande número de pessoas tratadas por Sprinkle naquele condado se deve a esses extraordinários nomes.
Notes and Queries [Anotações e Consultas], 10 de dezembro de 1870
Sem contar que, como o inglês é uma das línguas que ignoram (quase) completamente as diferenças entre gêneros, não há distinção clara entre nomes masculinos e femininos. Muito menos entre nomes de lugares e de pessoas, o que nos dá resultados mais ou menos comuns como um cara chamado Dakota ou uma garota chamada Sydney! Nomes próprios comuns-de-dois-gêneros começam a ser considerados politicamente corretos por lá (como se todas as diferenças psico-físicas entre meninos e meninas fossem uma obscenidade).

Mas não podemos nos esquecer da verdadeira onda de nomes “exóticos” (por que querer ser “criativo” para aparecer é coisa de pobre) que as celebridades dão aos seus adotados-do-terceiro-mundo ou até mesmo aos próprios rebentos: Maddox Jolie-Pitt; Moon Unit, Diva Thin Muffin, Dweezil e Ahmet (todos do Frank Zappa); Kal-El, o menino do Nicholas Cage; Fifi Trixibelle (filha do Bob Geldof) e, last but not least, Apple Martin Paltrow (filha-fruta de Gwyneth Paltrow e Chris "Coldplay" Martin).

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nem morta!

Devizes.market.cross

Na Praça do Mercado em Devizes, Wiltshire, Inglaterra, há a seguinte um monumento com a seguinte inscrição:
Na terça-feira, 25 de janeiro de 1753
RUTH PEARCE
de Potterne, neste Condado,
Fez um acordo com três outras mulheres para comprar um Saco de Trigo
no Mercado, cada qual pagando sua devida proporção    
pelo mesmo.
Uma dessas Mulheres, ao coletar as várias quotas    
de Dinheiro, descobriu uma deficiência e exigiu de
RUTH PEARCE a soma que faltava para 
completar o Montante.
RUTH PEARCE protestou que ela já pagara sua Parte,
e disse que gostaria de cair morta se não o
tivesse feito. — Ela imprudentemente repetiu esse terrível desejo; — quando, para a consternação e o terror da multidão
que a cercava, ela caiu instantaneamente e expirou,
com o dinheiro em questão em suas mãos.
Na época, John Clare, encarregado de investigar a morte de Ruth Pearce, acreditou na história e concluiu que ela “caiu morta pela vingança de Deus”. Não seria surpresa se, com a aproximação entre Católicos e Anglicanos, Ruth Pearce virasse a santa padroeira dos mão-de-vaca. Falando sério, Pearce pode ser apenas uma personagem folclórica, coisa que toda cidadezinha tem para atrair turistas.

Devizes é uma tradicional cidade-mercado e os mercadores sempre tiveram grande influência por lá. Assim, a história pode ter sido inventada para assustar os inadimplentes numa época em que não existiam serviços de proteção ao crédito (aka Serasa).

Mesmo que Ruth Pearce tenha sido uma personagem real, a morte dela não tem nada de sobrenatural. Ela simplesmente pode ter tido um enfarte ou uma morte súbita.

domingo, 24 de outubro de 2010

Uma história natural dos 10 mandamentos

Thompson Seton queria provar que os 10 mandamentos "não são um conjunto de regras arbitrárias",
mas a "base do comportamento de todos os animais superiores." Ele não conseguiu.

Pioneiro do escotismo, o naturalista escocês naturalizado americano Ernest Thompson Seton (1860-1946) amava tanto a Deus quanto aos animais. Por isso, em 1907, ele escreveu um livro para provar que, como também são filhos de Deus, os animais também seguem os 10 mandamentos:

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

A quem interessar possa...


Ao visitar a França como embaixador das Treze Colônias em 1777, Benjamin Franklin recebia centenas de pedidos de franceses entusiasmados com a Revolução Americana e loucos para lutar pelo exército de Washington. Para não perder tempo respondendo todas as cartas, Franklin fez o que muitas empresas fazem hoje: uma resposta-padrão cheia de enrolação. Mais do que isso, era uma "carta de recomendação de uma pessoa que você não conhece."
Sir — O portador desta, que está indo para a América, pressiona-me por uma carta de recomendação, mesmo que eu não saiba nada sobre ele, nem mesmo seu nome. Isso pode parecer extraordinário, mas eu garanto-lhe que isto não é incomum por aqui. Aliás, às vezes uma pessoa desconhecida traz outra pessoa igualmente desconhecida para recomendar e há vezes em que se recomendam mutuamente! Quanto a este cavalheiro, devo recomendá-lo pelo seu caráter e mérito, os quais ele certamente conhece mais do que eu posso. Eu recomendo-o, entretanto, para aquelas civilidades que todo estrangeiro, do qual não se conhece dano, tem direito a, e peço-lhe que você dê a ele todos os bons ofícios e mostre a ele todo o favor que, ao conhecê-lo, você verá que ele merece. Com a honra de ser, &c.
Evidentemente, é possível que muito francesinho tenha recebido isso achando que fosse um documento legítimo e sério. Como muito cliente que faz alguma reclamação hoje em dia.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

O Paradoxo da Etiqueta

Este paradoxo foi o @MolaMolera que me apresentou, logo após uma experiência que ele teve na cantina da Faculdade. A situação pela qual ele passou demonstra perfeitamente como as regras de etiqueta não respeitam nenhuma lógica e não são nem mesmo auto-consistentes. O problema é o seguinte: Se você está comendo enquanto o seu suco é servido, você deve agradecer?

Suponha que exatamente no momento em que seu suco é servido, você já está mastigando seu salgado. Nesse caso, como você pode manter a etiqueta? Se você quiser ser gentil, vai ter que dizer "Obrigado" de boca cheia; se quiser ser educado, vai passar por mal-educado, pois não vai abrir a boca para agradecer.

Ok, é uma situação um tanto improvável, já que na maioria dos casos ou o suco e a refeição chegam juntos ou o suco é servido primeiro. Mas ainda assim, é uma situação perfeitamente possível. O salgado já estava pronto e você pediu um suco natural, não um daqueles de garrafinha. A saída mais correta, do ponto de vista social, parece ser falar de boca cheia mesmo. De que adianta manter a pose se isso pode te fazer parecer o oposto do que você deseja?

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