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sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Quando menos se espera


Após uma década de experiências jornalísticas frustradas no interior dos Estados Unidos, Lyman Frank Baum tinha 41 anos de idade quando finalmente conseguiu publicar seu primeiro livro, Mother Goose in Prose [Mamãe Ganso em Prosa], em 1897. No exemplar que deu de presente à sua irmã, ele escreveu uma confissão:
Quando eu era jovem, eu queria muito escrever uma grande novela que me trouxesse fama. Agora que estou ficando velho, meu primeiro livro foi escrito para divertir crianças. Afora minha evidente inabilidade para fazer qualquer coisa “grande”, eu aprendi a ver a fama como um fogo-fátuo que, quando pega, não vale nada. Mas agradar uma criança é uma coisa doce e amável, que aquece o coração e traz sua própria recompensa.

Três anos mais tarde, a fama iluminaria Frank Baum com uma chama bastante duradoura e com outro livro “escrito para divertir crianças”. Só que esse livro acabaria se tornando “uma grande novela” (e, eventualmente, um grande filme): O Mágico de Oz.

domingo, 23 de outubro de 2011

Capítulos Inééééééditos

Em 1950, um estudante de graduação de Stanford, Robert E. Young, percebeu que dois capítulos do romance Os Embaixadores, de Henry James (1843-1916), haviam sido invertidos em todas as edições americanas desde seu lançamento, em 1903.

“Várias discrepâncias nos fatos e no tempo”, escreveu o estudante universitário, “aparecem em uma leitura cuidadosa dos capítulos em sua presente ordem. Por outro lado, a reversão dos dois resultaria em uma completa eliminação de tais discrepâncias.”

A confusão se deve ao fato de que antes de ser publicado em livro, The Ambassadors já havia saído como folhetim na North American Review. No entanto, a revista não pôde publicar todos os capítulos por falta de espaço. Três capítulos permanceram [galvão] inééééééditos [/galvão] até a publicação em livro.

O problema aconteceu na inserção de um destes capítulos inéditos, que deveria entrar antes do capítulo 28 e não depois. Os dois capítulos foram publicados erroneamente em edições inglesas. Muitos editores americanos, pensando que a ordem fosse aquela mesma, simplesmente seguiram-na e mantiveram-na.

No entanto, quando o próprio James fez a revisão do texto americano em 1909 (que ficou conhecido como New York Edition), ele não encontrou nenhum erro. Sendo assim, não há versão definitiva para essa obra. Novas edições que usam como base a NYE passaram a trocar a ordem dos capítulos.

Henry James
O bibliógrafo Jerome McGann reabriu a questão em 1992. McGann duvida que James tenha errado em uma obra que ele revisou tão cuidadosamente. Ele explica as discrepâncias da seguinte forma: o começo do cap. 28 descreve um diálogo que vai ocorrer no futuro (relativo ao contexto da história) e que “aquela noite” citada no começo do cap. 29 refere-se não à noite recém-descrita no capítulo 28, mas a outra, mais anterior.

“O deslize é particularmente irônico”, escreveu Young após descobri-lo, “dado o fato que James considerava The Ambassadors como seu romance mais perfeitamente construído, como sua obra-prima.”

Intencional ou não, há um quê de interatividade nesse erro lítero-tipográfico: dependendo da edição, o leitor pode decidir a ordem em que quer ler um par de capítulos.

sábado, 22 de outubro de 2011

Patentes patéticas (nº. 30)

Não é raro que algumas das maiores criações da mente humana sejam feitas sob efeitos de substâncias (lícitas ou não). Mas inventar sob efeito do álcool, por exemplo, pode ter resultados patéticos em vez de geniais.

O “cubo de gelo iluminado a bateria” do chinês Cheng Feng Liu é um desses casos. À primeira vista, um cubo de gelo brilhante deve parecer uma ideia genial para uns bons drink. Antes de fazer um brinde a Liu, veja a descrição:
Um iluminável (sic) cubo de gelo eletrônico, contendo um invólucro externo, uma unidade interna, LED, placa de circuito, bateria, tampa superior e cobertura da bateria. O invólucro externo tem uma forma natural de cubo de gelo, com lados ondulados. A unidade interna está ajustada com o invólucro e contém uma base, um suporte elevado e um iluminável cilindro translúcido fixado no suporte elevado. Uma câmara na unidade interna atravessa a base, o suporte elevado e o cilindro translúcido. O LED é ajustado ao cilindro translúcido e a placa de circuito fica debaixo do LED e a bateria debaixo da placa.

Até aí, Liu parece bastante sóbrio. Mais adiante, na explicação do conceito, essa sobriedade cai por terra: “[o] propósito dessa invenção é prover um cubo de gelo eletrônico e luminoso que é um substituto do cubo de gelo natural com [a] bateria substituível.” Bem, até onde se sabe, o gelo comum não necessita de pilhas, muito menos de troca de pilhas. No entanto, indo além da ambiguidade da frase anterior, Mr. Liu continua demonstrando seu alto teor alcoólico no texto da patente nº 6.966.666 (atentem para a infelicidade do número), emitida em 22 de novembro de 2005:
Frequentemente, em uma festa ou festival, uma atmosfera festiva é desejável, como o acendimento de velas ou lâmpadas de cor iluminadas. Ou às vezes as pessoas põem cubos de gelo em copos de vinho (WTF???), com o que obtêm um efeito decorativo bem como mantêm o vinho gelado. Mas o uso do cubo de gelo natural não é de baixo custo e o efeito decorativo é limitado.

Apesar da falta de sobriedade, Mr. Liu tem razão em um ponto: o uso de gelo comum não custa pouco. Afinal, antes de fazer gelo, é preciso comprar uma geladeira inteira, o que é uma ideia absurda! Mas se a beleza do gelo cinzento — mesmo quando ondulado — parece limitada, sempre há a opção de usar corantes (Tang, por exemplo).

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Clube da Modéstia

O Clube da Modéstia é realmente modesto: 2 membros.

Em 1880, Mark Twain convidou William Dean Howells (1837-1920) para participar de um clube que acabara de fundar. Um clube no qual a “primeira & mais importante qualificação para ser filiado é a modéstia.”

“Até o momento, eu sou o único membro.” — explicou Twain em seu convite — “E como a modéstia requerida deve ser de um tipo deveras sério, o empreendimento pareceu por um tempo fadado a permanecer inoperante comigo, por falta de material adicional. Mas após refletir, eu cheguei à conclusão de que você é elegível.”

A resposta de Howells: “A única razão que me levou a não me filiar ao Modest Club é que eu sou modesto demais: ou seja, eu temo não ser modesto o bastante. [...] Se você pensa que eu não sou modesto demais, pode subscrever meu nome e eu tentarei pensar o mesmo de você.”

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Em uma palavra [69]

Tirem as crianças da sala! Tendo em vista a data de hoje, 6/9, o número especial a que essa série chegou e a coincidência entre ambos, eis algumas palavrinhas, digamos, calientes (ou não):

alorgasmia
s.f., neolog. a necessidade de imaginar um parceiro mais atraente durante o ato sexual, especialmente durante o orgasmo. Alorgásmico, adj. [de alo-, prefixo que indica alteridade ou diferença, + orgasmo + -ia]
discaliginia
s.f. ato ou efeito de não sentir atração por mulheres bonitas. Discaligínico (ou discalígino), adj. [formado por dis-, prefixo de negação; + cali, belo em grego; + giné, mulher em grego]
imparlibidinidade
s.f. estado no qual o desejo de duas pessoas se desencontra; desentendimento sexual. Imparlibidinoso, adj. [formado a partir do latim impar, sem par, desequilibrado e do adjetivo libidinoso]

terça-feira, 30 de agosto de 2011

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

99, 100 e contando...


Nomes dos Elementos 99 e 100
Dois grandes cientistas que faleceram durante o último ano, Albert Einstein e Enrico Fermi, foram homenageados com o batismo dos elementos 99 einsteinium e 100 fermium. O símbolo para einstenium é um simples E e o do fermium, Fm. Agora todos os elementos descobertos foram nomeados, uma vez que o 101 já havia sido chamado mendelevium, em memória do russo D. Mendeleev, que anunciou o sistema periódico dos elementos em 1869. — Popular Mechanics, dezembro de 1955
Apenas uma correção. O símbolo do elemento que homenageia Einstein acabou sendo Es e não E. Por razões um tanto óbvias: E já é tradicionalmente usado para representar Energia em Física e Química, como na famosa equação da relatividade (E=mc²). 

Outras curiosidades sobre o Es: 1) junto com o Férmio, ele foi descoberto pela primeira vez na explosão da primeira bomba de hidrogênio, em 1952. Isso não deixa de ser um tanto irônico, já que Einstein se opôs ao uso de armas atômicas em seus últimos anos. 2) O einstênio foi o último elemento sintético a ser descoberto em quantidades macroscópicas, isto é, visíveis.

Ah, e se você anda meio por fora, atualmente a tabela periódica tem 118 elementos, dos quais 112 já foram nomeados. O último a receber um nome foi o Copernício.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Dead-line (literalmente)


Em seus primeiros dias como repórter no Columbus Dispatch, onde trabalhou entre 1921 e 1924, o futuro escritor e cartunista americano James Thurber (1894-1961) recebeu um importante conselho de seu editor: “escreva leads dramáticos para suas matérias.”

Com o conselho em mente, Thurber escreveu a seguinte introdução para um caso de assassinato: “Morto. Assim estava o homem quando o encontraram com uma faca nas costas às 4 da tarde em frente ao Riley’s Saloon na esquina das ruas 52 e 12.”

Jornalismo literário é para os fracos.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

O paradoxo do corte de custos

Esse paradoxo é especialmente dedicado a todos os economistas ortodoxos que acham que cortes de custos são um sempre um santo remédio, mas que não veem problema algum na origem de todas as crises — a jogatina irracional e histérica das bolsas de valores.
Eu estou apaixonado pelo paradoxo do empresário que devo a Lisa Collier: O presidente de certa companhia ofereceu uma recompensa de $ 100 para qualquer empregado que apresentasse uma sugestão sobre como a empresa poderia economizar dinheiro. Sugestão de um empregado: “Eliminar a recompensa”. — Raymond Smullyan

Taí um exemplo típico de presidente que não merece nem os bônus nem o alto salário que recebe. Mas como cortar na própria carne é sempre difícil, quem acabou cortado deve ter sido o funcionário que demonstrou mais sagacidade que o patrão. It's a trap! 

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Confirmado: deus está em baixa

Deus: um declínio
Uma agência de pesquisas americana, a Public Policy Polling cansou-se de fazer sondagens populares sobre os políticos e, durante uma enquete sobre diversas figuras em evidência na mídia, finalmente fez a grande pergunta: “Se Deus existe, você aprova ou desaprova sua atuação?” Realizada entre 15 e 17 de julho, a pesquisa revelou que 52% dos 928 entrevistados aprovam a atuação de Deus. 40% estão indecisos e 8% o desaprovam. A margem de erro é 3,2 pontos percentuais, para mais ou para menos.

Alguns aspectos do divino governo também foram pesquisados. Questionados sobre a performance de Deus na criação do Universo, 71% aprovam; 5% desaprovam e 24% não souberam opinar. Entretanto, quanto mais se aproximam do mundo humano, mais cai a aprovação para as ações de Deus: só 56% aprovam o modo como o Todo-Poderoso cuida do reino animal e apenas metade do público aprova a atuação do Criador quanto aos desastres naturais. Infelizmente, porém, não foram feitas perguntas sobre as ações de Deus diante de problemas que afetam diretamente os humanos, como fome, miséria, violência, guerras (inclusive as santas) e segunda-feiras. Sem surpresa, os jovens entre 18 e 29 anos são mais críticos com relação a Deus; os maiores de 65 são os que mais o aprovam.

sábado, 23 de julho de 2011

Patentes Patéticas (nº. 17)


Cuidado! Frágil!
Mumificação é algo tão 4.000 a.C., tão mainstream... Mas graças a Joseph Karwowski, agora você pode morrer de modo muito mais moderno, com estilo e, diferentemente das múmias, ficar lindo por toda a eternidade*. Em 1903, Karwowski patenteou um “método de preservação dos mortos” brilhante. Como a criogenia, o método é caro e lento, mas indolor. Trata-se de revestir e isolar hermeticamente o falecido em um bloco de vidro transparente. 

Perfeito para quem tem medo não apenas de morrer, mas de ser enterrado, cremado (e ter suas cinzas cheiradas por alguém) ou congelado num caixão criogênico. Não tem muito espaço para dividir com um cadáver envidraçado? Sem problemas, segundo a patente: “Na Fig. 3, eu apresentei apenas a cabeça do corpo inserida no interior do bloco de vidro transparente. É evidente que apenas a cabeça pode ser preservada dessa maneira, se assim for preferido.” 

Pelo menos serve como um bom peso de papel. Pois crânios são tão mainstream como pesos de papel...


________________________
*A eternidade do produto/serviço só é garantida até aquele seu distante e desastrado descendente de 10 anos encontrar alguma forma de quebrar seu sarcófago cristalino. Não se esqueça de deserdá-lo por isso.

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Civlização FDP



Isso explica por que o terrorismo, o sexismo e a mútua intolerância religiosa grassam nesses tempos de “politicamente correto” de merda, quando não se pode dizer porra nenhuma com um palavrão. Nem pra se aliviar, caralho! Puta falta de sacanagem civilidade!!! #prontofalei

terça-feira, 19 de julho de 2011

Estou cego dos óculos

O pior é que antes de usar óculos (e aprender ótica), eu também pensava que todo mundo que usava fosse um quase-cego. #meaculpa

domingo, 17 de julho de 2011

A última canção

Enquanto está sendo desativado (ou morto) em 2001: Uma Odisseia no Espaço, o computador HAL começa a cantar “Daisy Bell”. É uma cena clássica:


A letra da música é singela:
Daisy, Daisy, give me your answer do,
I’m half crazy, all for the love of you.
It won’t be a stylish marriage–
I can’t afford a carriage–
But you’ll look sweet upon the seat
Of a bicycle built for two.

De certo modo, isso é uma ironia poética. Durante uma visita ao Bell Labs em 1961, o autor de ficção científica Arthur C. Clarke (1917-2008) havia testemunhado uma apresentação do primeiro computador a cantar. O físico John Kelly (1923-1965) havia programado um IBM 704 para cantar através de um sintetizador de voz. O nome da canção era “Daisy Bell”.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

O Otimismo de Dickens

Em certa ocasião, Charles Dickens discutia sua teoria de que quaisquer que fossem as provas e as dificuldades da estrada da vida, sempre haveria algo pelo qual um homem deveria ser grato. “Permita-me prová-lo com uma história”, pediu Dickens, acrescentando que “Dois homens estavam para ser enforcados em Newgate após serem condenados por assassinato. A manhã chegara; a hora final se aproximava: o sino [da Igreja] do Santo Sepulcro começou a dobrar, os condenados foram enfileirados, a procissão se formou e avançava para o momento fatal. As cordas foram enlaçadas nos pescoços dos pobres homens. Havia milhares de assistentes de ambos os sexos, de todas as idades; homens, mulheres e crianças diante do patíbulo. Então, de súbito, um touro que estava sendo conduzido a Smithfield partiu sua corda, e, balançando seus chifres para lá e para cá, jogava as pessoas por todos os lados. Diante disso, um dos condendados, voltando-se para seu companheiro igualmente desafortunado, observou: ‘Viu, Jack, que bom que não estamos na multidão!’” — J. B. Mc Clure, Entertaining Anecdotes from Every Source Avaiable [Anedotas Divertidas, de todas as fontes disponíveis], 1880

sexta-feira, 10 de junho de 2011

“A mais beijada de todos os tempos”

No fim da década de 1880, o corpo de uma garota de 16 anos foi encontrado no Rio Sena, em Paris. Sem sinais de violência, o cadáver seria de uma jovem suicida. Mas ela era tão bela e tinha um sorriso tão enigmático que depois da autópsia, um legista fez uma máscara mortuária do rosto dela.

Na romântica atmosfera da Europa da belle époque, a face da anônima moça suicida — que passou a ser chamada de L'Inconnue de la Seine, a Desconhecida do Sena — se tornou um ideal de beleza feminina. Em Die Aufzeichnungen des Malte Laurids Brigge [Os Cadernos de Malte Laurids Brigge], o protagonista do único romance de Rainier Maria Rilke (1875-1926) escreve: “O mouleur [modelador], em cuja loja passo todo dia, tem um busto de gesso em cada lado de sua porta. [Um é] a face da jovem mulher afogada, da qual tiraram um molde no necrotério, pois era bela e sorria, sorria tão misteriosamente...”

Ironicamente, as feições da garota desconhecida foram usadas em 1958 para modelar a boneca usada no treinamento de primeiros-socorros, conhecida como Rescue Anne. Embora a identidade da moça e os motivos que a levaram ao suicídio ainda sejam um mistério, diz-se que ela se tornou “a mais beijada de todos os tempos” pois milhares de estudantes já treinaram a respiração boca-a-boca em seus lábios.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Janeiro é o mês do desgosto

Ou pelo menos é o que afirma um almanaque inglês do século XVI, que apresenta um verdadeiro horóscopo maldito:
Os dias agourentos de acordo com as opiniões dos astrônomos [sic] são os seguintes: — Janeiro: 1, 2, 4, 5, 10, 15, 17 e 29 são muito agourentos. Fevereiro: 27, 27 e 28, agourentos; 8, 10 e 17, muito agourentos. Março: 16, 17 e 20, muito agourentos. Abril: 7, 8, 10 e 20, agourentos; 16 e 21, muito agourentos. Maio: 3 e 6, agourentos; 7, 15 e 20, muito agourentos. Junho: 10 e 22, agourentos; 4 e 8, muito agourentos. Julho: 15 e 21, muito agourentos. Agosto: 1, 29 e 30, agourentos; 19 e 20, muito agourentos. Setembro: 3, 4, 21 e 23, agourentos; 6 e 7, muito agourentos. Outubro: 4, 16 e 24, agourentos e 6, muito agourento. Novembro: 5, 6, 29 e 30, agourentos; 15 e 20, muito agourentos. Dezembro: 15 e 22, agourentos; 6, 7 e 9, muito agourentos. — Grafton’s Manual, 1565, apud The Origins of Popular Superstitions and Customs, 1890.

Interessante notar que não há nenhum dia 13 — nenhuma sexta-feira como a de hoje entra nessa lista nefasta. Talvez com exceção dos dias malditos do mês de janeiro, os demais talvez se expliquem pela TPM da mulher de Mr. Grafton (ou mulheres, já que os períodos não são os mesmos).

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Vista Grossa


Não é de hoje que o governo norte-americano faz vista grossa a uma ameaça de ataque em seu próprio território para entrar em uma guerra. Em 7 de janeiro de 1941, exatos 11 meses antes do ataque japonês a Pearl Harbor, o embaixador Joseph Clark, mandou o seguinte telegrama para o Departamento de Estado:

Um membro da Embaixada foi informado por ----- meu colega que em muitos quartéis, inclusive em um japonês, ele ouviu que um massivo ataque-surpresa em Pearl Harbor estaria sendo planejado pelas forças militares japonesas em caso de “problema” entre o Japão e os Estados Unidos. Tal ataque envolveria o uso de todas as instalações militares japonesas.

Washington não fez nada, pois o governo de Franklin Roosevelt sabia que somente um ataque direto convenceria a opinião pública norte-americana a se envolver na II Guerra Mundial. Ironicamente, sessenta anos depois os Republicanos — que faziam oposição a Roosevelt e defendiam a postura isolacionista — usaram do mesmo artifício diante das crescentes ameaças de ataques terroristas islâmicos nos EUA. Em 2001, eram os Republicanos que queriam uma guerra.

Uma guerra errada, como se viu (duas, na verdade). Bin Laden pode ter sido extremamente estúpido em abandonar a vida de playboy de petrodólares por um fundamentalismo religioso odiento. Mas ele não se tornou um simples guerrilheiro; foi um gênio por se esconder no Paquistão. Por outra ironia do destino, os militares americanos caíram na própria armadilha que criaram na Guerra Fria. Eles jamais ousaram atacar o Paquistão, por que ainda acreditavam em um antigo aliado na luta contra o comunismo seria confiável. Ainda mais um aliado com um arsenal nuclear. Assim, se Washington tivesse lutado pelo desmantelamento completo do arsenal nuclear em todo o mundo — Israel inclusive — nos anos 90, pegar o terrorista número 1 teria sido bem mais fácil (e barato, pois dez anos de uma guerra infrutífera ajudaram e muito a botar a economia americana de joelhos).

Ficou bem claro agora que os Estados Unidos desmantelaram o sistema errado quando Moscou caiu. A CIA pós-soviética já não era a mesma: acomodou-se com a suposta postura de única superpotência e abriu mão de infiltrados e clássicas estratégias de espionagem em favor de equipamento high tech. Quando os alertas sobre o 11 de setembro surgiram já era tarde e, como se viu, foram ignorados por uma mistura estúpida de conservadorismo político-econômico e fundamentalismo religioso.

sábado, 30 de abril de 2011

Patentes Patéticas (nº 05)


Aloha! Quer surfar em terra firme, mas acha skate too mainstream? O “aparato gerador de ondas” patenteado por Rick Hilgert em 1995 é a solução dos seus problemas, brother

Uma centrífuga horizontal gigante — oito metros de diâmetro — cria “uma simulação contínua de onda do tipo oceânico que permitirá a prática de body-surfing, boogie-boarding e/ou surfboarding.” É issaí: tu literalmente entra num tubo perfeito a qualquer hora do dia e sem sair do quarto! (tubarões não inclusos)

Depois que tu enjoar do teu secret point — como aconteceu com aquela bicicleta ergonômica aí do lado —, sua mãe ainda pode usar o mesmo equipamento para ganhar uma grana lavando a roupa da vizinhança inteira... Não é um barato?

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