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domingo, 25 de setembro de 2011

O avô das séries americanas



O que têm em comum Arthur M. Winsfield, Franklin W. Dixon, Carolyn Keene, Laura Lee Hope e Victor Appleton? Todos esses autores são criações de Edward Stratemeyer (1862-1930), um escritor de Newark, Nova Jersey que escreveu (ou teria escrito) cerca de 1.300 títulos. Entre suas principais obras, estão as séries The Hardy Boys, Nancy Drew Mystery Stories, The Bobbsey Twins, Tom Swift e Bomba, the Jungle Boy, considerados clássicos da literatura infanto-juvenil norte-americana. 

Essa literatura infanto-juvenil se tornou bem-sucedida por priorizar o entretenimento em lugar da moralização — além, é claro, da forma como foi produzida. Por sua influência, Stratemeyer pode ser considerado o avô da cultura de séries que caracteriza a TV dos Estados Unidos.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

De pseudovocábulo a neologismo


Esse mundo está tão cheio de perfis fakes que eles chegaram até os dicionários. Não, fake ainda não entrou para o Aurélio ou o Houaiss. Em 2001, os editores do New Oxford American Dictionary (NOAD) inseriram uma palavra fake como armadilha para descobrir se outros lexicógrafos estavam usando seu material de forma imprópria.

Ironicamente, a palavra que inventaram foi esquivalience — ou esquivaliência — definida como “o insistente ato de evitar responsabilidades oficiais; a fuga do dever.” Parece clara a correlação com o nosso esquivar-se.

Sem surpresa, a palavra não tardou a aparecer no Dictionary.com (para depois ser deletada), que citava como fonte o Webster’s New Millenium Dictionary. O recém-finado Google Dictionary apresentava esquivalience com três definições e exemplos, mas corretamente indicava o NOAD como fonte.

Entretanto, quando é que uma palavra falsa se torna verdadeira? Quando uma palavra inventada passa a ser usada, ela cai em domínio público? Aparentemente, a resposta para a última pergunta é sim.

Christine Lindberg, a editora do NOAD que inventou essa armadilha lexicográfica, disse ao Chicago Tribune que ela própria se pega usando o neologismo regularmente. “Eu gosto especialmente do tom crítico, de julgamento que eu posso expressar: ‘Aqueles miseráveis esquivalientes’. Parece indecente e literário de uma só vez. Eu gosto disso.”

domingo, 4 de setembro de 2011

A Torre de Eben-Ezer


Apesar de seu nome bíblico, a Torre de Eben-Ezer é um pequeno castelo construído no isolado vale Jaker, na Bélgica durante os anos 1960. Trata-se da obra de um homem só, Robert Garcet, que era fascinado pela Bíblia e por numerologia e civilizações antigas. 

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Arte Ucrônica

Precisamos admitir: o estudo da História seria muito mais interessante se tivéssemos a participação de mais robôs, aliens e monstros em eventos históricos. Infelizmente, eles não estavam presentes em momentos que mudaram o curso da História, como a assinatura da Declaração de Independência dos Estados Unidos ou em tragédias como o Grande Incêndio de Chicago.

Mas — e se eles estivessem lá? É essa a pergunta que o artista Matthew Buchholz, de Pittsburg, busca responder. Munido de imagens históricas, vinhetas antigas e Photoshop, ele reimagina eventos históricos com uma pitada de ficção científica. Obviamente, seu foco é a História Americana, mas a ideia não deixa de ser divertida.

Entre outras obras, há Metallo, o Homem Mecânico em um retrato dos presidentes norte-americanos; Metallo participando da assinatura da Declaração de Independência (acima); a derrota do General Frankenstein em Bunker Hill [B. H. foi a primeira derrota na Guerra de Independência dos Estados Unidos]; a posse presidencial de Vilnar, o Destruidor e o dia em que aliens “tomaram os céus em suas Embarcações Voadoras e usaram seu Destructo-Raio”, incendiando Chicago em 1871 (abaixo).

O próprio Buchholz adimite que alguns de seus photoshops são mais bem-feitos que outros. Mas o que vale é a intenção. E se você quiser, pode adquirir algumas dessas obras por meros 20 dólares na loja virtual Alternate Histories, um lugar “onde o passado ganha vida monstruosamente.”

[via: Retro Thing]

terça-feira, 30 de agosto de 2011

Em uma palavra [68]

deltiologia
s.f. ramo da filatelia dedicado ao estudo e à coleção de cartões-postais.  “A popularização do correio eletrônico e das fotomensagens levou a deltiologia à beira da extinção.” Deltiologista (ou Deltiólogo), adj. é o colecionador de cartões-postais. “Ao se aposentar, ele pretendia realizar dois velhos sonhos: ser um turista profissional e um deltiologista dedicado.” [derivado do grego δελτίον, deltion, diminutivo de δέλτος, déltos, carta].

Os filatelistas mais tradicionalistas usam o termo cartofilia (e cartófilo). Telecartofilia é o hábito de colecionar cartões telefônicos; telecartófilo é o colecionador.

domingo, 21 de agosto de 2011

Láadan, a língua das mulheres


Após receber seu Ph.D. em linguística, Suzette Haden Elgin inventou a língua Láadan para um romance de ficção científica. Em termos literários, isso já não é novidade: das línguas élficas de O Senhor dos Anéis ao Klingon de Star Trek, dezenas de idiomas foram inventados na ficção moderna. Mas o que torna a Láadan única é que ela é uma linguagem feminina, por assim dizer. Foi criada especialmente para expressar as percepções das mulheres. Eis alguns vocábulos de Láadan, que, aliás, é autodefinida como a “linguagem da percepção”:

domingo, 14 de agosto de 2011

O Mistério da Cegueira Homérica


Em 1858, William Ewart Gladstone percebeu algo peculiar em Homero: as cores relatadas em suas obras parecem estranhas demais. Tanto o gado quanto o mar, por exemplo, são descritos como tendo a cor do vinho. As ovelhas são “violetas”, o mel é “verde” e, embora seja descrito como estrelado, amplo, grande, de ferro e de cobre, o céu nunca é azul. Gladstone conjecturou que “o órgão da cor e suas impressões eram apenas parcialmente desenvolvidos entre os gregos do período homérico”.

É uma hipótese bastante interessante, mas é igualmente improvável — afinal, como provar que uma população, quiçá a humanidade inteira foi daltônica em certa época? William Gladstone (1809-1898) pode ter sido facilmente enganado pela noção da Terra jovem, i.e., a teoria de que o planeta (e tudo que nele existe) tem mais ou menos seis mil anos. Mesmo que não fosse criacionista, o futuro premiê do Reino Unido por quatro vezes deve ter pensado que os homens de poucos milênios atrás eram tão primitivos que mal distinguiriam as cores.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Michelangelo #LikeABoss


Às vezes, até um gênio como Michelangelo tem que lidar com a idiotice de um chefe:
Eu não posso omitir uma história um tanto infantil que Vasari conta sobre o David. Após ele ter sido colocado em seu pedestal diante do palácio, e enquanto o andaime ainda estava lá, Piero Soderini, que amava e admirava Michelangelo disse-lhe que achava que o nariz era muito largo. O escultor imediatamente correu escada acima até alcançar a altura dos ombros do gigante. Ele, então, pegou seu martelo, seu cinzel e, soprando um pouco de pó de mármore que levara na palma da mão, fingia trabalhar uma porção do nariz. Na verdade, ele o deixou como o havia encontrado. Mas Solderini, vendo o pó de mármore espalhado pelo ar, pensou que sua dica havia sido aceita. Assim, quando Michelangelo virou-se para ele lá de cima e disse “Veja só!”, Solderini respondeu gritando “Eu me sinto muito agradecido com isso. Você deu vida à estátua.” – John Addington Symonds, The Life of Michelangelo Buonarroti, 1893
E eu, da minha parte, não posso omitir um vídeo um tanto pitonesco, que talvez seja baseado nessa anedota:

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Algumas coisas nunca mudam

Eis uma descoberta arqueológica sensacional (para não dizer fofa):

Este é um pedaço de casca de bétula com algumas incrições. Foi localizado na Rússia em 1951 e data do século XII. Não é nenhum documento histórico importante, mas, para estudantes de todo mundo tem um valor sentimental inestimável. Ou pelo menos deveria ter. 

Trata-se de uma das primeiras lições de escrita de um menino de 6 anos chamado Onfim. Mas seu valor não está naquelas letras (para nós estranhas) ainda inseguras e improvisadas e sim naquelas figuras humanas rabiscadas no meio do fragmento.

O menino Onfim não foi o primeiro, nem o único garoto a ficar desenhando entediado durante uma aula. Quase um milênio depois, nós ainda somos capazes de entendê-lo perfeitamente pois continuamos a fazer a mesma coisa...

quarta-feira, 27 de julho de 2011

O futuro, segundo uma cabeça falante (1987)


A matéria de capa da OMNI Magazine — então uma importante revista americana de ciência e ficção científica — no distante mês de janeiro de 1987 era um tanto clichê: “14 great minds predict the future” [14 grandes mentes preveem o futuro]. A OMNI perguntou a pessoas que então eram importantes, nos mais diferentes campos, o que a humanidade podia aguardar para 2007. Houve, previsivelmente, previsões sobre um pouco de tudo: da paz no Oriente Médio à TV em 3D.

Hoje, uma das mais interessantes, por seu tom pessimista e por seu tremendo equívoco tecnológico é a que foi feita por David Byrne. Ao olhar para sua bola de cristal e escrever sobre o futuro da arte, da televisão e do pop, o vocalista e compositor do Talking Heads viu um futuro um tanto conservador, no qual os computadores nunca seriam capazes de auxiliar artistas em seu processo criativo. Um excerto da sua previsão para a OMNI é o que segue:

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Da arca do velho

Os animais embarcam na arca, gravura do holandês Maerten van Heemskerck, c. 1560

As primeiras edições da Encyclopedia Britannica estavam tão certas da realidade da Arca de Noé que, dentro do respectivo verbete, chegavam ao ponto de especular como os animais poderiam ter sido alimentados e acomodados em tal embarcação:
[O] Bispo Wilkins calcula que todos os animais carnívoros equivalem, em termos de volume de seus corpos e à sua alimentação, a 27 lobos; e todos os que restam a 280 cabeças de gado. Para aqueles, ele provê 1825 ovelhas e para estas, 109.500 cúbitos de feno. Tudo isso poderia ser facilmente contido nos dois primeiros andares e ainda haveria bastante espaço livre.
Essa especulação — não muito diferente das abordagens “sob condições ideais de temperatura e pressão” de certos problemas de Física do Ensino Médio — é encontrada na edição de 1797 da Britannica. Nos anos 1860, quando se deram conta de que uma arca não seria capaz de acomodar todas as espécies do mundo, os editores passaram a sugerir que o dilúvio não teria sido assim tão universal: apenas as partes da Terra sob ocupação do homem teriam sido inundadas. 

Na edição de 1911, a história de Noé já era integralmente apresentada como um mito. Ironicamente, meio século mais tarde, a enciclopédia inglesa relatava até as “muitas engenhosas e curiosas teorias” que haviam sido publicadas a favor da Arca de Noé ao longo dos séculos.

domingo, 17 de julho de 2011

A última canção

Enquanto está sendo desativado (ou morto) em 2001: Uma Odisseia no Espaço, o computador HAL começa a cantar “Daisy Bell”. É uma cena clássica:


A letra da música é singela:
Daisy, Daisy, give me your answer do,
I’m half crazy, all for the love of you.
It won’t be a stylish marriage–
I can’t afford a carriage–
But you’ll look sweet upon the seat
Of a bicycle built for two.

De certo modo, isso é uma ironia poética. Durante uma visita ao Bell Labs em 1961, o autor de ficção científica Arthur C. Clarke (1917-2008) havia testemunhado uma apresentação do primeiro computador a cantar. O físico John Kelly (1923-1965) havia programado um IBM 704 para cantar através de um sintetizador de voz. O nome da canção era “Daisy Bell”.

terça-feira, 7 de junho de 2011

Em uma palavra [56]

pulcrícamo
adj. aquele(a) que tem belos cabelos [do latim pulchrum = belo, formoso + coma = cabelo, cabeleira, cabeludo, cabelada...]. “Sua PULCRÍCAMA!”

SUA LINDA! é para os fracos.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Bebês-objeto

Na Nova Caledônia, as crianças recebem seus nomes de objetos naturais. Mas se a criança morre, os parentes não podem mais chamar aquele objeto por seu antigo nome. Uma nova denominação deve ser inventada para uso daquela família. O costume resulta em notável variedade do dialeto neocaledôneo e é um desafio para os pais que perdem seus filhos. — J. B. Mc Clure, Entertaining Anecdotes from Every Source Avaiable [Anedotas Divertidas, de todas as fontes disponíveis], 1880

quarta-feira, 11 de maio de 2011

segunda-feira, 9 de maio de 2011

De Antroponomia

O costume de pessoas que Latinizam seu nome era outrora bastante comum. Dos homens de Oxford, que frequentemente escreviam seus nomes em Latim, os seguintes me vêm à lembrança: Andrew Borde, Andreas Perforatus; Nightgale, Philomelus; Bridgewater, Aquapontanus; Gayton, De Speciosa Villa; Turberville, De Turbida Villa; Flood, De Fluctibus; Holyoke, De Sacra Quercu; Payne Fisher, Paganus Piscator; e John Aubrey, Joannes Albericus
— William Keddie [editor], Cyclopaedia of Literary and Scientific Anecdote, 1854

quarta-feira, 4 de maio de 2011

O século XIX inteiro. E ponto final.


Dentre os muitos livros de história do cristianismo publicados no século XIX, History of the Church of God: from Creation to A.D. 1885 [História da Igreja de Deus: da Criação a 1885 A.D.] é notável por seu estilo prolixo. Publicado em 1886, o livro de Cushing Biggs Hassell não é apenas um calhamaço com umas mil páginas. Ele contém o que se considera a mais longa sentença já escrita em um livro. É simplesmente o quinto parágrafo do capítulo XIX, que trata, justamente, do século XIX.
The nineteenth is the century of the rise and fall of Napoleon Bonaparte, in a long series of bloody and demoralizing European wars; the […]

sexta-feira, 29 de abril de 2011

Sarah Bernhardt como Funérea


Sarah Bernhardt dorme em um caixão. Não, não é onde ela está agora. Ela fazia isso antes mesmo de morrer. “Eu acho bastante natural” — disse ela, conhecida pela protagonista de A Dama das Camélias — “dormir toda noite nessa pequena cama de seda branca que será meu último leito.” Quando uma irmã de Sarah morreu, houve um caso irônico de humor negro:

Quando os homens da funerária entraram no quarto para levar o corpo dela [da irmã], eles se depararam com dois caixões. Perplexo, o mestre de cerimônias chamou um segundo rabecão. Naquele momento, eu estava na casa de minha mãe, que havia desmaiado, mas consegui voltar a tempo de impedir que os homens de preto levassem meu caixão.

terça-feira, 26 de abril de 2011

Em uma palavra [50]

Para comemorar o jubileu desta série e o aniversário deste blogue, uma edição especial dois-em-um:
cumático
adj. exatamente da cor do mar; azul-marinho; ondino. [do grego kumát, onda]
flucticolor
adj. da cor das ondas do mar. [do latim flucticolor, idem]

Nunca se arrisque a dizer que uma menina tem olhos cumáticos ou flucticolores. Por mais belos que sejam, aqueles olhinhos podem não te entender — a não ser que eles conheçam cultura clássica. Ou leiam isto aqui.

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Humilde Requisição de Dispensa Temporária

Se você acha difícil pedir uma folga ao chefe, lembre-se de que você poderia ter sido um indiano empregado de um inglês há pouco mais de um século. Aí sim seria difícil:

Ao Mais Excelso Sir,

É com a mais habitual expressão devota de meu sensível respeito que eu dirijo-me à clemência de Vossa Senhoria. Imbuído da mais profunda auto-depreciação e ainda esquecido de minha própria segurança presumo que estaria pedindo imperdoáveis doações se eu afirmasse que desejo um breve retiro de minhas obrigações. Trata-se apenas de uma noite de folga, pois estou sofrendo de três freimões. Com o honorável prazer de servir à sua elevada veneração, subscrevo-me,

— Jonabol Panjamjaub
(Citado por William Shepard Walsh em Handy-Book of Literary Curiosities [Manual de Curiosidades Literárias], 1892) 

Walsh ainda acrescenta o seguinte comentário: “Em adição ao regalamento auditivo provocado pelo estilo charmoso de sua comunicação, a visão é gratificada por uma tosca porém intensa ilustração dos três freimões [furúnculos].”

O que não deixa de ser uma ofensa sutil ao Sir. É como se depois de tudo aquilo o pobre indiano dissesse: “se não entendeu, eu desenho.”

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