PARASCAVEDECATRIAFOBIAAliás, hoje é sexta-feira 13! Mwahahahahah! Espero que vocês não sejam parascavedecatriafóbicos.
subst. fem. medo da sexta-feira 13.
sexta-feira, 13 de novembro de 2009
Em uma palavra [5]
sábado, 17 de outubro de 2009
Um Preço Alto Demais a Pagar
Em 1774, um navio perdido foi descoberto na região ártica coberto de gelo e neve. O descobridor foi o capitão de um navio baleeiro da Groenlândia chamado Warrens. Ele, ao subir a bordo do navio encontrado achou, em uma das cabines, o corpo de um homem perfeitamente preservado pelo frio glacial, com exceção de uma mancha de mofo esverdeado que apareceu em volta dos olhos e na testa. O cadáver estava sentado numa cadeira e ligeiramente afastado da mesa. Na mão direita, ainda havia uma caneta e em diante dela estava o diário de bordo. O morto estava escrevendo no momento em que faleceu. A última sentença completa do diário inacabado era a seguinte:
domingo, 27 de setembro de 2009
Geração Noé
Não é apenas pela mudança climática. A Humanidade passa por um período crítico que vem se acumulando já há alguns séculos, desde o surgimento da industrialização e do pensamento racionalista-materialista. Ocorre que passamos milênios seguindo basicamente um modelo de sociedade patriarcal, agrário, nacionalista, provinciano, religioso e moralista.
domingo, 13 de setembro de 2009
De Quinto Império a Quinta Potência?
Portugal já foi uma potência, caiu sobre o próprio peso e sonhou em voltar a ser um Império. Herdeiro das tradições portuguesas, o Brasil terá o mesmo destino?
O Brasil foi descoberto e ocupado – invadido – pela maior potência econômica e marítima do século XVI: Portugal. O antigo Condado Portucalense tinha um histórico de pioneirismo e liderança no continente europeu. Como a Espanha, foi dominado por séculos pelos mouros muçulmanos vindos do norte da África. Mas a nação lusitana foi a primeira a se libertar do domínio árabe, já no século XII.
Em seguida, Portugal foi o primeiro país europeu a se formar e a ter unidade administrativa, durante o século XIII. Nos séculos seguintes, o Império Português aproveitou-se de sua posição geográfica e floresceu com o empreendedorismo das Grandes Navegações. Rapidamente, Lisboa tornou-se uma capital cosmopolita, habitada por banqueiros judeus, mercadores descendentes de árabes, administradores latinos e católicos, artistas italianos, saltimbancos franceses, aventureiros espanhóis e – como o mundo não era perfeito – alguns escravos negros. A língua portuguesa, embora muito diferente da atual, era praticamente a segunda língua franca da Europa depois do latim.
Infelizmente, porém, os católicos latinos se deslumbraram com as riquezas acumuladas e cometeram muitos erros. O primeiro grande erro, talvez, foi ignorar Cristóvão Colombo e sua ambiciosa e inovadora proposta de navegar ao Oriente pelo Ocidente (1492). O fôlego empreendedorista português começava a ser sufocado pelo acúmulo de tradições e fantasmagóricas superstições e crendices. Logo em seguida, em 1497, estimulados por Roma e sob as bênçãos papais, os líderes católicos perseguiram e expulsaram os judeus de seu país. Portugal foi o centro anti-semita da Europa do século XVI. Os nobres católicos asseguraram seu poder, mas a riqueza duraria pouco diante do deslumbramento, da má administração e de uma mentalidade cada vez mais retrógada e conservadora.
Mais ou menos por essa época, o Brasil foi “achado”, mas não se deu muita importância àquelas terras de aparência paradisíaca (seria realidade?) situadas no Novo Mundo recém-descoberto por Colombo (a serviço dos espanhóis, que só agora haviam acabado de se libertar dos mouros). Apenas três décadas mais tarde, a nova terra passou a ser ocupada, mas apenas por que o poderoso Império Português corria o risco de perdê-la para retardatários como os franceses e os ingleses, que eram tão amadores que só contavam com piratas nessa época.
O INÍCIO DA ETERNA PROMESSA DE “PAÍS DO FUTURO”
Meio século depois, o então Rei de Portugal, o jovem D. Sebastião I, o menino-rei, morreu em circunstâncias misteriosas durante uma frustrada tentativa de conquistar o que hoje é o Marrocos.
Em vez de explorar a exuberante — porém distante — colônia americana em busca de recursos mais valiosos que o pau-brasil (ou as especiarias indianas), os lusos, pregiçosamente, preferiram reinventar as Cruzadas medievais no norte da África, logo ao sul da “Terrinha”, num território desértico e povoado pela mesma civilização que tomara a Península Ibérica, o sul da Itália e fechara o Mediterrâneo ao comércio europeu.
Os portugueses acharam que, só porque foram os primeiros a expulsar os muçulmanos da Europa, poderiam acabar com o imenso Império Islâmico e conquistar o Mediterrâneo. Desculpem-me os lusos (ou os seus descendentes), mas a fama de burrice portuguesa não é à-toa.
Rei morto, rei posto. Bem, se houvesse um príncipe… Por que D. Sebastião não deixou herdeiros pois não tinha uma rainha. Os candidatos ao trono português eram, segundo a linha de sucessão: 1) D. Henrique (cardeal e filho de D. Manuel I); 2) D. Rainúncio Farnese, Duque de Parma (também filho de D. Manuel I); 3) Catarina, Duquesa de Bragança (filha mais nova de D. Duarte); 4)Filipe II de Espanha ( filho de D. Isabel e neto de D. Manuel I); 5) Emanuel Filiberto, Duque de Sabóia (filho de D. Beatriz e neto de D. Manuel I); 6) João I, Duque de Bragança (marido de D. Catarina) e 7) o pobre D. Antônio (considerado ilegítimo, mas se não o fosse seria o primeiro da linha de sucessão).
Alternativas não faltavam para resolver a crise sucessória. O que faltou foi faro político, capacidade de inovação e até honestidade. Para começar, mulheres estavam legalmente excluídas do processo: nação católica que era, Portugal não poderia ter uma rainha. Mais absurda era a restrição dos descendentes por via materna, que, mesmo se fossem mais próximos, não tinham vantagem. Por razões óbvias, os nobres que viviam no estrangeiro também não poderiam ser aceitos, mas na prática foi isso o que aconteceu.
D. Henrique, aos 80 anos de idade, foi coroado rei, mas pela velhice e posição religiosa não poderia se casar muito menos ter filhos. Ele poderia ter saído da Igreja Católica, mas o Papa Gregório XIII não deixou. Para piorar, o velho clérigo aceitou a ordem papal e nem tentou se casar. No ano seguinte, cardeal-rei já estava morto.
Com todas as restrições do processo sucessório, D. Filipe II, rei da Espanha, e o Duque de Sabóia eram os candidatos mais prováveis e poderosos. Com a ameaça de dominação espanhola, D. Antônio, mesmo ilegítimo, obteve grande apoio popular e chegou a reinar por 20 dias antes de ser deposto com apoio militar e financiamento filipino.
Mas a nobreza e o clero decidiram os rumos do país e praticamente venderam-no ao monarca espanhol em troca de garantias de manutenção de privilégios econõmicos e sociais – tentaram até convencê-lo a transferir a capital do Império Espanhol para Lisboa, mas isso já era absurdo. Como se vê, a elite portuguesa estava mais interessada em si do que no futuro e agiu de forma corrupta, dando um exemplo à nação lusitana. O pior é que o exemplo foi seguido, nos séculos seguintes, tanto em Portugal quanto no Brasil.
Religioso como era, Portugal viu nascer um fenômeno messiânico e milenarista: o Sebastianismo. Era popular a crença de que D. Sebastião não morrera e cedo ou tarde voltaria, libertaria Portugal dos espanhóis e construiria o Quinto Império. Os quatro primeiros teriam sido os velhos e já inexistentes Impérios Assírio, Persa, Grego e Romano. Segundo a crença, Portugal superaria a Roma Antiga.
O Sebastianismo se espalhou por todo o Império e alcançou os sertões do Brasil, onde subsistiu por um bom tempo. Eis aí as raízes da nossa velha crença de que, um dia, seremos o “País do Futuro”. É uma nefasta herança cultural legada pelos portugueses.
A QUINTA POTÊNCIA.
Em meio às revoluções científicas, religiosas e ao Renascimento cultural, Lisboa busca manter tudo com um clima nostálgico e conservador. Portugal declina cada vez mais apesar das imensas riquezas provenientes da América Portuguesa.
Séculos se passam. O Brasil se liberta de Portugal, mas não deixa de ser pobre, atrasado e conservador. Esse país pobre, atrasado e conservador continua a sonhar com o Quinto Império. Agora, não seria o Império Português, seria o Império Brasileiro. Afinal, nós temos muitas riquezas, apesar de toda a exploração colonial. Nós somos o celeiro do mundo. E nós mantivemos o cosmopolitismo que Portugal abandonou – somos índios, somos negros, somos europeus e ainda seríamos até asiáticos e, de novo, árabes e judeus.
Sim, mas também mantivemos um príncipe que Portugal abandonou e que nos abandonou por Portugal. Mantivemos a escravidão que Portugal deixou para trás. E junto com a escravidão, ficamos com os preconceitos contra os negros e contra o trabalho. Conservadores que somos, jamais nos rebelamos. A Independência foi feita num grito “mágico”, a escravidão foi abolida com uma canetada e a República veio de cima para baixo, sem que ninguém notasse a diferença. Enquanto contratávamos europeus empobrecidos e esfomeados, que nos pareciam melhores, abandonávamos ex-escravos ainda mais empobrecidos e esfomeados.
Mas não deixamos jamais de sonhar com a “esperança de um novo porvir” e a ter “visões de triunfos [que] embale/Quem por ele lutando surgir”. Reinventamos o Sebastianismo em Canudos. Avançamos sobre o Acre e finalmente tomamos posse das riquezas amazônicas. O Eldorado foi encontrado no meio da floresta e se chama látex. Mas o Eldorado Branco é destruído pela concorrência externa e pelas inovações científicas e tecnológicas.
Mais recentemente, usamos as inovações científicas e tecnológicas para nos virar num momento de crise energética: criamos o carro a álcool. Fomos pioneiros, fomos empreendedores, fomos visionários. Encontramos mais um Eldorado, dessa vez Verde.
Agora, porém, às vésperas do fim de um reinado “popular” e de uma possível “crise sucessória”, encontra-se um novo Eldorado, dessa vez no litoral, abaixo do mar e nas profundezas depois da camada de sal. O Eldorado é Negro e chama-se pré-sal. E, com ele, seremos a Quinta Potência em uma década. É o Sebastianismo 2.0.
Não dá pra acreditar nisso, ainda mais sabendo que o petróleo está acabando e deixará de ser consumido ao longo deste século. Mesmo que peguemos uma carona na inevitável alta dos preços de um produto insubstituível em fim de estoque, isso não é garantia nenhuma do tão falado desenvolvimento sustentado.
Até agora era o etanol que nos levaria ao topo do mundo e faria de nós uma Arábia Saudita verde. Uma previsão exagerada talvez, mas mais plausível dado o cenário energético mundial. Mas, como somos conservadores, nós queremos ser uma Arábia Saudita petrolífera mesmo. Parece mais fácil. Talvez sejamos tão bem-sucedidos quanto uma velha cruzada no norte da África.
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Nomeado um dos mais novos elementos conhecidos
Descoberto na Alemanha em 1996 e conhecido até agora como Unúmbio, latim para um-um-dois, o elemento 112 finalmente vai ganhar um nome. O grupo de cientistas alemães que descobriu o elemento propõe o nome Copernício, símbolo Cp, em homenagem ao astrônomo polonês Nicolau Copérnico (1473-1543).
Copérnico e o elemento que o homenageia na Tabela Periódica
Copérnico é o pai da Teoria Heliocêntrica, segundo a qual todos os planetas giram ao redor do sol – e não o contrário –em órbitas circulares. Mais tarde, o astrônomo Johanes Kepler corrigiu a teoria de Copérnico após comprovar que as órbitas são elípticas. Isaac Newton usou as obras do polonês para desenvolver suas leis da gravitação universal.
Copérnico não será o primeiro cientista a ser homenageado com o nome de um elemento químico. Mas será o primeiro astrônomo. Albert Einstein, Niels Bohr, Enrico Fermi, Alfred Nobel e Dmitri Mendeleev também já foram homenageados. Entretanto, é proibido homenagear cientistas vivos.
O batismo do novo elemento precisa ser aprovado pela União Internacional de Química Pura e Aplicada (IUPAC). A organização deve ratificar o nome Copernício em até seis meses. Durante esse prazo, químicos de todo o mundo vão debater a ideia antes de aprová-la. Somente após esta aprovação as tabelas periódicas de todo o mundo serão revisadas.
O ELEMENTO 112 E SUA FAMÍLIA SUPERPESADA
O Copernício é um elemento artificial e tem aparência similar ao Mercúrio . O Cp é um metal e, possivelmente, também é liquido nas condições ambientais. Por isso o 112 também era chamado de eka-Mercúrio (eka significa semelhante em grego). Ainda não é possível ter certeza de todas as propriedades do Copernício pois ele é altamente radioativo e tem uma meia-vida de apenas 29 segundos.
Cadeia de Decaimento do Copernício
Pode parecer pouco tempo antes da desintegração, mas o Copernício é mais estável que alguns de seus vizinhos da tabela periódica:
- O isótopo 278 do Meitnério [Mt], 109º elemento, dura apenas 0.72 segundos;
- O isótopo 281 do Darmstádio [Ds], 110º elemento, dura 11 segundos, mas é ainda mais radioativo e, por isso, menos estudado;
- O isótopo 280 do http://pt.wikipedia.org/wiki/Roentg%C3%AAnio, 111º elemento, dura 3,6 segundos;
- O isótopo 284 do Unúntrio (Uut/113/eka-Tálio) dura apenas 0,49 segundos;
- O isótopo 289 do Ununquádrio (Uuq/114/eka-Chumbo) dura 2,6 segundos;
Os demais elementos, do 115/Uup/eka-Bismuto até o 118/Uuo/eka-Radônio têm meias-vidas na casa dos milissegundos, com exceção do 117/Uus/eka-Astato que ainda não foi encontrado. Estes elementos, conhecidos como superpesados, têm núcleos atômicos frágeis exatamente por que são grandes e pesados. É mais ou menos como uma bolha de sabão: quanto maior ela for, mais facilmente ela se desfaz.
Além dos cientistas alemães que descobriram o Copernício, equipes dos Estados Unidos e da Rússia pesquisam os elementos superpesados. Dado que os superpesados até agora encontrados (ou melhor, sintetizados) são altamente radiotivos e têm rápido decaimento, essa verdadeira “corrida química” parece inútil.
Mas os químicos têm esperança de alcançar, em breve, a chamada Ilha de Estabilidade, região da tabela periódica na qual ficariam os mais pesados elementos estáveis – que teriam meia vida de dezenas a bilhões de anos, de acordo com os cálculos.
Acredita-se que sejam estáveis os isótopos 298 do Ununquádrio (ainda não descoberto, mas teoricamente possível), 304 do Unbinílio (120/eka-Rádio) e 310 do Unbihéxio (126/eka-Plutônio). Se forem estáveis – algumas bolhas de sabão duram mais na mão de gente habilidosa –, esses elementos teriam propriedades muito diferentes de todos os conhecidos e poderiam até ter alguma aplicação industrial.
NOVA TABELA PERIÓDICA:
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
Cinquentões Americanos sobrevivem em Cuba
Outro dia eu tropecei no site do fotógrafo americano Dan Heller. Seus retratos de Cuba a partir de uma temática automotiva são tétricos e mais parecem o trabalho de um viajante do tempo.
Para muitos, os grandes e pujantes carros norte-americanos dos anos 1950 não passam hoje de objetos de recordação e símbolos da Era de Ouro da economia yankee – na verdade uma era de ostentação e desperdício incompatíveis com as atuais crises energética e econômica.
Embora Cuba tenha passado a importar carros de outros países – principalmente da Rússia –a partir dos anos 60, poucos foram os modelos euro-asiáticos que sobreviveram no tórrido e tormentoso clima da maior ilha do Caribe.
Quase a totalidade dos carros que circulam pela Cuba de hoje são, na verdade, aqueles velhos símbolos de ostentação do “inimigo”.
Por uma grande ironia do destino, a situação dos transportes na Ilha embargada e sub-industrializada só confirmou duas coisas alardeadas pela publicidade norte-americana dos anos ‘50: a durabilidade e o conforto.
Surpreendentemente, apesar do embargo, muitas “banheiras” mantém-se impecavelmente bem-conservadas.
Para muitos cubanos, esses carros velhos são uma boa fonte de renda. É facilmente possível tornar-se taxista, pegar uns turistas por aí e ganhar até 50 dólares (ou mais) por mês.
Parece pouco, mas é muito para economia falida e estagnada como a cubana, onde a média salarial não passa dos ÚS$ 25,00.
Apesar dos altos custos de manutenção – esses carros são beberrões e a gasolina é tabelada pelo equivalente a US$ 4,00 o litro – o esforço compensa. E atrai os jovens.
quarta-feira, 26 de agosto de 2009
O Grande Reino do Petabyte e o Twitter
Como se vê, espaço é o que não vai faltar, mas tem gente que prefere usar só 140 caracteres (minúsculos 20 KB). Perdoem-me os twitteiros, mas isso, pra mim, é de um pão-durismo mesquinho. Além, é claro, de ser sinal de preguiça de ler e escrever.
Para os twitteiros, vou tentar dar uma idéia de quanto é 1 Terabyte em termos de tuitadas.
Quem quiser, pode acompanhar as contas com uma calculadora simples. Como cada mensagem de 140 caracteres tem 20 KB, umas 50 tuitadas ainda somariam apenas 1 Megabyte (MB) – caberiam num disquete. Para acumular 1 Giga de mensagens no twitter, seriam necessários 50 000 tweets. Multiplique isso por 1000 – 50 000 000 – e ainda dá apenas1 Terabyte. Estima-se que a quantidade de informação processada pelo cérebro de uma pessoa que morre após 80 anos de vida é da ordem de 80 Terabytes. Ou 4 bilhões de tuitadas. Para alcançar um Petabyte, seria necessário tuitar…. 50 000 000 000 (50 BILHÕES) de vezes. É humanamente impossível tuitar tanto – a não ser que você tenha vida eterna.
Supondo uma média de 4 tuitadas por dia (podem ser mais, dependendo do vício), seriam necessários 12,5 bilhões de dias para acumular tamanha quantidade de informação. Isso equivale a pouco menos de 34,25 milhões anos. Só para se ter uma idéia, os mais antigos ancestrais dos seres humanos apareceram há uns 6 milhões de anos.
Assim, a estimativa de armazenar toda a história escrita da humanidade – acumulada em meros 6.000 anos de trabalho – em “apenas” 50 Terabytes não parece tão absurda. Mas para armazenar todos os conhecimentos humanos, deveríamos considerar também todas as pinturas, todas as músicas, todas as fotografias, todos os filmes e todas as animações feitas em todas as culturas de todas as épocas. E, se não nos autodestruirmos em breve, numa guerra nuclear, numa catástrofe climática ou num desastroso choque com um asteróide de grandes proporções, ainda teremos centenas de milhões (bilhões?) de anos pela frente para criar e produzir. Qual será o tamanho da herança cultural humana? Impossível estimar, mas o cofre, possivelmente, parecerá pequeno.
segunda-feira, 24 de agosto de 2009
PT: Perda Total
Por que o Partido dos Trabalhadores, um dos pioneiros da redemocratização e outrora o partido da ética política, foi transformado num feudo lulista que envergonha até seus próprios parlamentares?
(a) pelas desconhecidas tendências autoritárias do ex-líder sindical;
(b) pelas más companhias que ele (re)encontrou após subir a rampa do Planalto: Fernando “Parlapatão” Collor, José “Bigodão” Sarney (e família Ltda..) e Renan Calheiros, o encalhado no lamaçal;
(c) pela expulsão e/ou demissão das figuras mais fiéis aos valores da ética política que sempre guiaram o partido;
(d) todas as anteriores.
Quem respondeu a alternativa…
(d) está correto e atento à realidade política atual. Se o PT é um partido tão importante e popular, por que precisaria cortejar o apoio de um PMDB apodrecido a ponto de abrigar até o Sarney, que vivia batendo continência para os militares? O PMDB pode ser o maior partido do país em número de filiados (que se mantém por inércia política) e de cargos (puro oportunismo), mas quantidade nunca foi sinônimo de qualidade.
Há muito que o PMDB deixou de ser o “Partidão” íntegro de oposição aos milicos para se converter num refúgio das oligarquias que ficaram órfãs com a queda da “Redentora”: Quércia em São Paulo, Sarney no Maranhão... E o Lula acha isso muito bonito, muito natural. Claro, é muito natural que o maior partido do Brasil tenha virado a casaca e tenha se vendido em troca de cargos e mais cargos em todos os escalões possíveis e imagináveis. Os infindáveis parentes e aderentes do “Bigodão” que o digam!
O presidente-molusco está fazendo de tudo para peemebedizar o PT. E, com o apoio daquelas más companhias, daquelas velhas raposas nordestinas, que perdem a dignidade mas não largam o osso, ele está conseguindo. Já no começo de seu governo a chamada “ala radical”, capitaneada por Heloísa Helena foi sumariamente expurgada à la Trotsky e teve que se exilar num partido próprio, o PSOL.
Não demorou muito e Marina Silva, uma das poucas pessoas respeitáveis dentro do atual governo, também foi expulsa do Ministério do Meio-Ambiente. Ela não concorda com esse crescimento econômico movido por um impiedoso desmatamento que avança sobre a Amazônia financiado pelas motosserras dos grandes produtores de gado e soja. Até gente do MST começa a chamar Lula de traidor. Aí, para mostrar serviço, a Dilma teve a brilhante ideia do PAC (por que o Lula não sabe pensar), mas ninguém se lembrou dos impactos ambientais da aceleração de tantas obras pelo país (parece que a Dilma também não sabe pensar tão bem).
Dilminha ficou irritada com os atrasos na liberação ambiental de suas obras, e, temendo ser prejudicada numa corrida presidencial que ainda nem começou, pediu pra Marina sair. Como a acreana é fiel aos seus princípios e não ao cargo – ao contrário de todos os outros petistas – ela se demitiu e voltou ao Senado. Finalmente, ela acaba de sair corajosamente do PT e agora tem boas chances de ser a primeira presidenciável – pelo PV de Gabeira.
O que era pra ser uma eleição meramente plebiscitária, polarizada, numa democracia bem ao gosto dos militares do passado, acabou se tornando uma eleição viva e florescente. Graças aos “aloprados” do governo. Até mesmo o Ciro Gomes, que levou a sogra pra passear na Europa, ressuscitou e está empatado com Dilma.
Aliás, é muito estranho que mesmo quando tinha uma Marina Silva no seu partido e no seu governo, Lula tenha escolhido uma figura tão controversa e sem-graça quanto a Dilma para tentar sucedê-lo. Ela tem curso superior – aparentemente falsificado, sabe-se agora –, coisa que ele sempre teve orgulho de não ter. Ela foi uma guerrilheira, uma terrorista para os mais idosos. Uma candidata desse nível – que ainda por cima não tem carisma e pode ter uma saúde frágil – é simplesmente incapaz de agradar a flamenguistas e corintianos.
O fato é que Dilma era uma poderosa Ministra de Minas e Energia, um setor que – tal como o Maranhão e o inventado estado do Amapá – está há muito tempo sob influência de Sarney e família. Isso sim explica tudo. Quem escolheu Dilma, tanto como ministra quanto como candidata foi o clã do Bigodão. E dane-se o PT, que elegeu Lula, e deveria ser o principal partido do governo.
Agora não é mais “Partido dos Trabalhadores”. É Partido dos Traidores. O PT deu Perda Total mesmo.
terça-feira, 18 de agosto de 2009
Pandemia de Pânico
Tá todo mundo em pânico! E só por causa de uma gripe. Uma gripe nova, claro, mas nada além de uma gripe. A gripe comum já mata cerca de meio milhão de pessoas por ano e niguérm se desespera por isso. Talvez por que já haja vacinas prontas. Ou talvez por que a maior parte dos mortos pela “velha” gripe sejam pessoas idosas que ainda se recusam a se vacinar.
A taxa de letalidade da Gripe H1N1 é apenas um pouco maior que a comum. E ela é capaz de afetar – e matar - pessoas jovens por que ainda se trata de um vírus (quase) desconhecido, contra o qual as gerações mais jovens não têm defesa. O H1N1 é basicamente o mesmo vírus que causou a maior epidemia desde a Peste Negra: a Gripe Espanhola, que matou 50 milhões de pessoas em 1918-1919.
Gripe Espanhola: Condições precárias foram a causa de tantas mortes.
RELATO DOS FATOS ANTECEDENTES
Porém, é preciso levar em conta o contexto histórico daquela época, pois essa é a verdadeira explicação para tantos mortos. A Europa estava arrasada pelo Primeira Guerra Mundial – cada vez menos lembrada que a Segunda. Os europeus já tinham que lidar com sérios problemas, como o grande número de mortos, o declínio econômico, a agitação social e a consequente instabilidade política. Dentro desse contexto, embora já fosse possível produzir vacinas, isso era ainda mais complicado. Até porque, obviamente, se sabia muito menos sobre gripe e outras doencças virais do que sabemos hoje. Os vírus estavam sendo descobertos e começavam a ser estudados mais ou menos nessa época. Como é que, então, iam diferenciar o vírus mais comum da nova variante letal, se nem existiam microscópios eletrônicos ou exames genéticos? O DNA só foi descoberto 44 anos depois.
Portanto, a Gripe Espanhola só foi assim tão mortífera porque aconteceu no momento errado e começou a se manifestar no lugar errado. Outras epidemias de gripe do século passado foram bem mais amenas, como a Gripe de Hong Kong em 1968 e a Gripe Russa de 1976-77. Ao contrário do que aconteceu com a economia, que sempre se esquece de suas crises, os epidemiologistas puderam evitar o pior nas epidemias mais recentes por que já sabiam o que tinha dado errado com a Gripe Espanhola. Há, ainda o fator evolutivo por trás de cada epidemia de gripe.
Embora não sejam propriamente seres vivos, os vírus estão sujeitos aos mecanismos da evolução. Afinal, são apenas fragmentos replicantes de código genético. Assim, podem passar por mutações que favoreçam ou dificultem sua reprodução. No começo desta década, tivemos o surto de Gripe Aviária, causada pelo vírus H5N1. Muitos analistas – ou seriam sensaciolistas – previram uma nova catástrofe comparável à Gripe Espanhola.
Talvez fosse até pior. A Gripe das aves surgira no continente asiático, o mais populoso do mundo. Aves migratórias poderiam levar a doença para a América e a Europa. E os novos meios de transporte poderiam atuar como eficientes vetores da nova doença para o mundo todo.
Só que se esqueceram de algo muito simples: aquela gripe tinha um ciclo de infecção sustentável e alta taxa de letalidade apenas entre as aves. Foram registrados poucos casos de contágio de pessoa para pessoa. Menos casos ainda foram registrados fora da Ásia. Pouco mais de 250 pessoas morreram. O cenário apocalíptico foi uma grande decepção para os crentes na proximidade do fim do mundo.
A Gripe Asiática foi um tremendo fiasco justamente por ser muito letal. Tão letal que o H5N1 não teve tempo de “aprender” a se espalhar de pessoa pra pessoa e acabou morrendo junto com seus infectados. É, até os vírus podem agir de forma idiota – aparentemente idiota, pois não contam com qualquer tipo de consciência.
APOCALIPSE NOW!
Mas tanto os “cavaleiros do apocalipse” quanto os sensacionalistas – boa parte da mídia incluída – se animam quando uma nova epidemia de uma gripe totalmente nova surge no México. Quando a doença cruza a fronteira com os EUA, parece que o fim do mundo está próximo! Os antiamericanistas se rejubilam – silenciosamente, é claro.
Cerca de 2.000 pessoas morrem, e a chamada gripe suína chega ao Brasil via Argentina. Aqui, são cerca de 1.586 infectados e apenas 192 mortes. [fonte]. Mas os constantes esclarecimentos e os dados divulgados pelo governo não podem ser verdade. Eles devem estar escondendo alguma coisa além dos atos secretos. E começam a surgir e a circular e-mails e videos conspiracionistas que prestam um verdadeiro desserviço ao divulgar infomações falsas com o simples propósito de espalhar pânico e medo.
Com que resultado? Aulas são suspensas, festas são evitadas, viagens são canceladas. Máscaras cirúrgicas –que deveriam ser utilizadas apenas pelos portadores de casos confirmados – se tornam item obrigatório na coleção outono-inverno. Lavar as mãos se torna uma rotina paranóica. As pessoas correm às farmácias em busca de antivirais. Onde foi parar a nossa racionalidade? Por que é tão difícil parar e pensar um pouco durante uma epidemia, seja ela qual for?
A AIDS tem 25 milhões de contaminados e milhões de mortos em 25 anos e as pessoas, principalmente os homens, ainda se recusam a usar preservativo. Mas quando surge uma gripe desconhecida ninguém recusa uma máscara, né? Ano após ano a dengue , doença incurável e sem vacina, que afeta a vida de milhões de brasileiros e até mata alguns milhares, mas ninguém quer se responsabilizar por previni-la, apesar das insistentes campanhas educativas em todas as mídias e nas escolas. Mas é só aparecer uma doença nova – porém facilmente curável – que todo mundo se recobre com os maiores cuidados.
HIGIENE MA NON TROPPO
Não se pode reclamar da higiene do mundo moderno. Felizmente, até as pessoas mais humildes e menos instruídas sabem que sujeira é fonte de doenças. Mas será assim tão seguro lavar as mãos o tempo todo. Se não tivermos contato com um vírus ou um pedaço de vírus que seja, mesmo morto, como vamos desenvolver resistência a eles? Vamos esperar as vacinas ficar prontas? Vamos correr às farmácias ao menor sinal de gripe? E depois, quando surgirem vírus resistentes, o que faremos?
Nova Gripe, Gripe A(H1N1), Gripe Suína, Gripe Mexicana. Qualquer que seja o nome, ela não é nada mais que uma gripe. E como toda a gripe, não vai causar o fim do mundo, vai simplesmente passar. Mantenha as mãos limpas, mas nem tanto. Porque se sujar faz bem. Mantenha-se hidratado, mas nem tanto. Espirre à vontade (Aaaaatchooôuuumm!!!), mas nem tanto. Por que o que mata mesmo são os excessos. E vivemos num mundo cheio de excessos – a começar pelo excesso de pânico.
LEITURAS RECOMENDADAS
- MORI, Kentaro. “Conspirações: Operação Pandemia e Monsanto” in: CeticismoAberto, 2009-08-05.
- IAMARINO, Átila. “Gripe suína e a conspiração” in: Rainha Vermelha, 2009-08-03.
- IDEM. “H1N1: mais de 90 anos entre nós”, ibidem, 2009-08-17.
domingo, 16 de agosto de 2009
A Fé remove montanhas…
…de dinheiro! E, milagrosamente, transforma centenas de milhões de reais em mansões em Campos do Jordão, Miami, Redes de Rádio e Televisão (Rádio e TV Record, Rede Mulher Record News, Record Internacional) , carros importados e jatinhos.
Se tudo isso pertence à Igreja Universal do Reino de Deus, e não aos seus líderes, qual a necessidade de acumular tantos bens? Pra onde foi a tão falada abnegação cristã? Ah, sim, claro, todo o dinheiro vai para obras de caridade ou para a construção de templos (que milagrosamente não desabam)… Sei. Mas essas mansões são usadas para dar abrigo aos mendigos e aos desabrigados? Ou para dar amparo aos desempregados que não conseguem pagar o aluguel (tipo o Seu Madruga)?
Pra quem ainda não sabe como é humilde o lar de Edir Macedo, eis algumas fotos:
Algum sem-teto diante da lareira?
Cadê a ceia especial para os mendigos famintos? E os mendigos?
Crianças de rua tomando banho? Aqui??
Esses carros importados servem para transportar gratuitamente doentes e inválidos até os hospitais? Transportam os bóias-fria até a roça? E os jatinhos? Trazem os miseráveis migrantes nordestinos para São Paulo? Levam os aposentados abandonados pela família para o exterior, em busca da cura de um câncer ou de um tratamento para o Mal de Alzheimer?
As redes de rádio e TV, inclusive internacionais, servem como espaço de expressão dos pobres, dos favelados e dos oprimidos? Dão voz e espaço aos famintos africanos ou às mulheres muçulmanas? Ou são apenas mais uma fonte de lucro para os bispos que dirigem a Rede Record e suas afiliadas?
Porque a Record não mostra o vídeo acima?
Aliás, se esse império midiático é independente como afirma ser, porque tomou as dores da IURD e, ao invés de noticiar os fatos tal qual são, ataca a concorrência de forma ruidosa e indiscriminada?
Eles afirmam, por exemplo, que a Rede Globo está por trás de todas essas acusações – que ainda seriam falsas – só por que está desesperada diante do crescimento da concorrência. Mas quem parece mais desesperado? Quem está fugindo da realidade com acusações falsas? Se todas as acusações contra a quadrilha de Edir Macedo fossem realmente inventadas, por que os principais jornais e revistas do Brasil e do exterior publicaram-na? Porque o Ministério Público acreditou nelas?
Aqueles que acreditam no “conspiracionismo global” são, no mínimo, muito ingênuos. Por que pode até ser que a Globo seja capaz de impor seu ponto de vista sobre um ou outro meio de comunicação. Mas será que isso seria possível até mesmo em meios de comunicação rivais, como o SBT? Ou até do exterior (a quem realmente não interessaria nada ver a Record ameaçada)?
A Globo pode ter muito poder, mas não é nem deus nem o diabo – coisas que, aliás, não existem no mundo real. Mas os ingênuos acreditam – e insistem em acreditar orgulhosamente – nisso tudo. E, além de abrir mão do senso crítico e do pensamento próprio, também perdem os próprios recursos, muitas vezes os parcos recursos, em nome da fé.
O que é pior: manipular as crenças das pessoas e ainda cobrar por isso ou esconder fatos nebulosos sobre o passado?
Para quem (ainda) não sabe, a Globo também tem problemas – tão sérios quanto os da Record. Acusa-se a “Vênus Platinada” de ter sido financiada por um grupo norte-americano – o Time-Life – durante os seus primeiros anos, no fim da década de 60. É o chamado Caso Time-Life, que deu até CPI, em plena ditadura militar. Ora, a participação de grupos estrangeiros em empresas de comunicação braseiras era – e ainda é – expressamente proibida. Assim, a Globo teria “nascido” de forma ilegal. E mesmo sendo “bastarda” ainda teria sido amplamente beneficiada pelo governo militar (1964-1985). É fato que a Globo nada fala sobre isso. Mas também é fato que ninguém tem o direito de criar provas contra si mesmo. Isso seria estupidez, e ninguém na Globo é estúpido (com exceção dos BBB’s).
A Globo está apenas na defensiva, não na ofensiva. E, embora tenha conseguido proibir a veiculação televisiva do documentário inglês “Muito Além do Cidadão Kane”, hoje ele é facilmente disponível através da internet, até mesmo para download. E, ao contrário da Daniela Cicarelli, a Globo não mandou deletá-lo – pelo menos por enquanto, diriam alguns.
Certamente, se Globo mandasse deletá-lo, o assunto que ela esconde tão zelosamente poderia voltar à tona através de muita publicidade negativa. Por que todo mundo iria perguntar o que a Globo não quer mostrar. E, de uma forma ou de outra, o vídeo acabaria voltando pra internet, da mesma forma que aconteceu com a trepada da Cicarelli na praia.
quinta-feira, 13 de agosto de 2009
O Império da Beleza e o Fim da Infância
A revista Super Interessante desse mês tem uma excelente matéria sobre a história da infância. A infância, enquanto fase da vida em que se protege e ensina, surgiu na Era Moderna da História, junto com a ascensão da burguesia. Hoje, porém, mais de um século depois da proibição do trabalho infantil, as crianças continuam a ser exploradas – e não só nos semáforos.
As crianças pobres são tão exploradas por seus pais que já se tornam até invisíveis. Mas as crianças ricas também sofrem nas mãos de seus próprios pais. A diferença está no cenário. Meninas ricas, por exemplo, sofrem nas passarelas de concursos de beleza infantil. Só nos Estados Unidos, esse tipo de evento movimenta US$ 1 bilhão [fonte]. Esses eventos se tornam cada vez mais comuns em todo o mundo, inclusive no Brasil.
Isso tudo pra mim não deixa de ser uma forma mais sutil de pedofilia - e mesmo um incentivo indireto a essa prática nojenta e hedionda. Mas só por ser sutil, isso não significa que seja um atentado menos grave contra as crianças.
Esse Império da Beleza (e da Magreza) em que vivemos hoje se parece muito com uma religião "moderna" que busca incutir desde cedo nas crianças valores moralmente perigosos como beleza física, frivolidade ("Barbie-Girls"), ignorância ("ignorance is bliss"), indiferença, individualismo, consumismo e - por que não - desumanidade.
De que vai nos adiantar ter, em breve, a mais bela geração humana de todos os tempos se as futuras beldades forem pessoas infelizes, deprimidas, consumistas e arrogantes? Não vai ser nossa beleza - ou a de nossos filhos - que vai nos salvar do aquecimento global ou que vai garantir a "paz mundial" (bordão vazio dos discursos de misses que nem sabem do que falam).
Para piorar, sempre se explora cada vez mais cedo a beleza feminina. As mulheres conseguiram conquistar importantes posições no mercado de trabalho e até mesmo alcançar cargos importantes em governos de muitos países.
Ironicamente, porém, parece que elas ainda não se livraram completamente da cultura machista na qual foram criadas e educadas - e contra a qual lutaram há poucas décadas. Tenho certeza que entre as mães (ou talvez até avós) dessas meninas deve haver alguém que queimou sutiãs nos anos 60.
Agora as (ex-)feministas exploram aquilo que tanto criticavam - a beleza da mulher-objeto. Ou melhor, das meninas-objeto.
Quanto aos meninos, não deixa de ser notável a exploração cada vez maior nas áreas esportiva ou musical - Michael Jackson que o diga. Jogadores de futebol - cada vez mais jovens - são vendidos como se fossem mercadorias. Eles podem até receber salários depois, mas isso não deixa de ser uma forma velada e "socialmente aceitável" de escravidão e de tráfico de seres humanos.
Não há nada mais triste do que uma criança sem espontaneidade e alegria. É uma verdadeira castração psicológica de comportamentos absolutamente naturais. Uma criança séria e cobrada o tempo todo não é uma criança. Mais tarde, quando crescer, certamente vai tentar voltar à infância perdida, com resultados que podem ser tão bizarros quanto esses concursos de beleza infantil.
E tudo isso é feito em nome de fama e fortuna ou como forma de projetar nas crianças as frustações da infância dos pais, tudo aquilo que eles queriam e não tiveram (ou não puderam ter porque também foram explorados pelos seus pais). Essas crianças-sem-infância vão passar o quê para seus filhos?
As crianças já são seres frágeis por não ter condição de expressar adequadamente suas vontades próprias. Elas não conhecem o mundo, não sabem o que é exploração. Não são capazes de diferenciar fantasia de realidade. São ingênuas, enfim. Mas um dia a fantasia acaba e o final pode ser trágico.
E mesmo com uma expectativa de vida cada vez maior, a infância não está se alongando. Mas faz-se de tudo para alongar a adolescência, até mesmo rouba-se espaço da infância. Passa-se cada vez mais cedo para uma tal de "pré-adolescência", como se a infância fosse a fase mais vergonhosa da vida humana.
Somente quando criança o ser humano é verdadeiramente livre - livre de dogmas, de preconceitos, de obrigações econômicas e políticas. Livre, enfim, para ser como verdadeiramente é e para ser como todos são. Por que cada um de nós é único, mas também somos todos iguais. Ou pelo menos é assim que as coisas deveriam ser.
quarta-feira, 29 de julho de 2009
Brasileiros descobrem o elemento químico mais pesado
segunda-feira, 27 de julho de 2009
Precisa-se de Cidadãos-Torcedores
Até agora, em 14 rodadas do Campeonato Brasileiro de Futebol, 11 técnicos — um time inteiro de treinadores — foram demitidos; quase 1 a cada rodada. Os motivos são quase sempre os mesmos: uma série de derrotas, a “pressão” dos torcedores, além de diversas razões de ordem “política”: incompatibilidade de egos, exigências de salários elevados e caros reforços por parte dos treinadores; divergências entre cartolas e técnicos sobre a escalação do time e o tratamento diferenciado — protecionismo mesmo — recebido por certos jogadores, principalmente os grandes astros ou as revelações do clube. Daí para um quadro de desunião do time e tensões entre os futebolistas, o técnico e a diretoria é um pulo.
Tudo isso independe do clube; é parte de uma “cultura” existente na gestão do velho esporte bretão. O técnico é sempre o único culpado de tudo e sua cabeça é pedida pelos torcedores mais fanáticos e impacientes que se esquecem logo dos bons trabalhos e resultados alcançados pelo time sob o comando do técnico — mesmo que o treinador esteja entre os melhores do país ou até do mundo.
O que mais surpreende, porém, é ver muita gente se engajando e pressionando os seus clubes quando estes apresentam maus resultados. Muitas vezes, é verdade, as ações de protesto beiram a violência. Mas é essa agressividade toda — e não necessariamente o número de torcedores protestantes — que leva os cartolas dos clubes a degolar o cabeça da equipe de futebol. Toda essa mobilização rápida e (quase) espontânea dos torcedores contrasta fortemente com a apatia e a indiferença do cidadão comum em relação aos sucessivos (e aparentemente infindáveis) escândalos políticos em todas as esferas da administração pública. É patente a falta de indignação da sociedade brasileira diante de suas mazelas e dos desmandos de seus líderes. Em caso de escândalo, os políticos parecem seguir uma cartilha básica diante do público: (1) declaram apenas que não sabem de nada ou que não se deve fazer acusações precipitadas, mesmo diante de provas contundentes e amplamente divulgadas pela imprensa. Eles — que foram eleitos pelo povo para trabalhar para o povo — chegam (2)até ao disparate de declarar que estão se lixando para a opinião pública. Depois, buscam (3) pôr a culpa pelos próprios crimes na imprensa — que apenas cumpre seu papel indispensável ao sistema democrático —, e, por fim, (4) criam fantasiosos cenários de perseguição política, como se não pudesse haver debate político ou ações de oposição ao governo. É a clássica técnica de dizer que “é tudo intriga da oposição”, uma frase tão batida que já saiu do jargão político e virou até bordão popular. A inércia política do brasileiro também é creditada à nossa formação cultural e política. Sempre houve pouca ou nenhuma participação popular nos momentos decisivos da nossa História. A Independência foi proclamada por um Príncipe-regente que tratou logo de clamar para si o trono de um Império inventado por ele mesmo. Em seguida, a República foi proclamada pelos um general monarquista que recebeu apoio dos grandes latifundiários insatisfeitos com a Abolição. O movimento abolicionista, aliás, foi um dos poucos exemplos de mobilização política da população brasileira. Outras exceções notáveis são as várias correntes de oposição ao Regime Militar instalado em 1964. Fomos das pequenas guerrilhas infrutíferas no meio da Floresta Amazônica para um movimento mais unificado, urbano e pacífico, intenso e nem um pouco desprezível: as greves industriais do fim dos anos ’70 e as Diretas Já! do começo da década seguinte mobilizaram milhões de brasileiros por todo o país. Pouco depois, parecia que nós tínhamos aprendido a lição quando pintamos a cara para pedir a saída do presidente Collor – exatamente como se ele fosse o técnico de um país que vivia perdendo para os times da inflação e da corrupção. Onde foi parar a geração Cara-Pintada? Porque nos calamos depois de duras lutas para conquistar a liberdade de expressão? Parecia, porque, dois anos depois do Movimento Cara-Pintada, não houve qualquer reação popular ao escândalo dos “Anões do Orçamento” (alguém se lembra disso?). A mesma falta de ação popular caracterizou todos os escândalos que se seguiram: a nebulosa aprovação da reeleição, a violação do painel do Senado, as diversas CPIs, entre as quais até mesmo uma que apurou a corrupção no futebol (mas, como a maioria das outras Comissões, não resolveu nada e não puniu ninguém). Houve muita esperança quando da eleição de Luís Inácio Lula da Silva, mas nada além disso. Os escândalos não acabaram com a chegada ao poder de um partido que sempre fez forte defesa da ética na política quando era líder de uma oposição mais atuante, embora mais radical. Quem antes estava no poder e passou a ser oposição ou calou-se ou vendeu-se. E aí veio o mais grave escândalo político desde do governo Collor: o mensalão. Mobilização popular? Nenhuma! Punição aos envolvidos? Nenhuma também. Apesar de tudo isso, um presidente que se opunha à reeleição foi alegremente reeleito. E os escândalos continuam, com as velhas raposas de sempre, por que renovação política também não existe. Nem dentro dos partidos nem entre os eleitores, que acabam sempre com as mesmas escolhas e com a mesma justificativa: “os políticos são todos iguais e nós não podemos mudar nada.” Uma observação interessante que podemos fazer é que, nos períodos em que o nosso futebol está em alta, a mobilização popular desaparece completamente. Os indignados protestantes políticos convertem-se, como que por mágica, em torcedores ufanistas (“Eu sou brasileirooo, com muito orgulhoooo, com muito amooor!…”). Foi assim em 1970, para a alegria dos militares, que fizeram de tudo para exaltar a Seleção tricampeã e ressaltar a ideia de que a vitória era de todos os brasileiros (“90 milhões em ação….”). Pouco tempo depois, as greves no ABC paulista e o movimento das Diretas Já! ocorreram num período bastante difícil e conturbado para o futebol nacional. Os torcedores de outrora – infelizes, porém mais atentos à realidade nacional – voltaram a ser cidadãos e tomaram as ruas para fazer protestos e não para festejar vitórias que, no mínimo, eram ilusórias e passageiras. Nossos jovens pintaram a cara contra Collor um ano após o fiasco da Copa de 1990. Mais tarde, Fernando Henrique Cardoso foi reeleito sem muito questionamento popular – mesmo depois da trágica Copa da França. O choque parece ter sido tão grande que não fomos capazes de reagir em pouco tempo. Em 2002, ganhamos mais uma Copa do Mundo às vésperas da eleição de Lula — eis mais um motivo para a onda de otimismo e esperança que varreu o país. A onda passou, e a maré baixa foi atenuada com uma felicidade vendida (a.k.a. Bolsa-Família) pelo então novo governo, sob o pretexto de redistribuir renda. Agora, quem fica insatisfeito com um governo que, mesmo com impostos maiores e com os buracos-negros da corrupção ainda dá dinheiro pro “povão”? O resultado: um ano após comprar até parlamentares, o governo Lula foi reeleito mesmo após uma derrota retumbante na Copa do Mundo de 2006. Os protestos de hoje, quando acontecem, são muito esporádicos e fracos, para se dizer o mínimo. No fim do ano passado, por exemplo, foi organizado um protesto no Rio de Janeiro no dia nacional de combate à corrupção. Segundo o blog do roqueiro Tico Santa Cruz, que participou do ato, dos “quinze mil usuários de Orkut presentes na comunidade do Movimento Pró-Democracia, apenas cinqüenta apareceram para o protesto no dia nacional de combate a corrupção.” É lamentável ver que nem mesmo a internet consegue mobilizar nossa população, ou pelo menos, nossa juventude. Quando muito, faz-se um confortável protesto dentro de casa, através do Twitter, com a tag #forasarney. A iniciativa seria louvável se, além de discutir a corrupção e criticar os políticos, incentivasse as mobilizações nas ruas, que teriam muito mais visibilidade e seriam mais efetivas. Foi isso o que os iranianos, mesmo sob uma ditadura fechada — que tem até controle sobre a internet do país —, foram capazes de fazer. E ainda usaram a internet para mostrar os protestos ao mundo quando os jornalistas estrangeiros foram expulsos do país. Até os argentinos protestam quando se sentem ofendidos pelo governo — e fazem muito barulho. Mas há um ditado no Brasil que diz que “política, futebol e religião não se discutem”. Essa opinião popular é muito útil a quem está no poder, seja ele político, esportivo ou religioso. Se somos capazes de nos indignar e questionar futebol de nossos clubes e seus dirigentes, de não seguir e não apoiar o retrógrado posicionamento da Igreja (como nos casos de divórcio, uso de camisinha ou até mesmo aborto), então por que ainda não reagimos diante dos desvios de verbas que matam crianças de fome no Nordeste e dificultam a preservação da Amazônia? Por que ficamos de braços cruzados diante de nomeações de parentes e apadrinhados políticos para cargos que deveriam recompensar os melhores brasileiros num concurso público? Por que ainda torcemos para um governo que nos enganou, que prometeu um futuro brilhante mas só nos trouxe decepções? Por que não pedimos a cabeça de um técnico que sempre usa metáforas ligadas ao futebol, mas que admite que “não sabe de nada” quando o time joga mal e em momentos de crise corre para socorrer ex-adversários e desafetos políticos, como Sarney e Collor? Precisamos de cidadãos que tenham a mesma atitude crítica e a postura ativa dos torcedores. Se todos os cidadãos de todas as nossas torcidas se unissem e se organizassem em torno da melhoria política e social do nosso país (será assim tão utópico?), poderíamos — de forma pacífica, é claro — mostrar aos nossos líderes quem é que manda no sistema democrático. Temos que nos unir porque, independentemente do clube para o qual torcemos, todos nós temos sido desprezados por nossos líderes e oprimidos por impostos injustos e pelo desemprego. Não há por que temer o governo, assim como não temos medo dos poderosos cartolas. Se somos capazes de mudar o técnico de nosso clube sem ter representação na diretoria, imaginem o que poderíamos fazer em relação ao governo, com o apoio dos parlamentares que realmente nos representam – sim, existem políticos honestos por aí!. Se tomássemos mais atitudes políticas quando necessário, aí sim nós poderíamos cantar para dizer ao mundo que somos verdadei-ramente “brasileiros, com muito orgulho e com muito amor”.
Ao menor sinal de crise num clube, os torcedores protestam, chamam a atenção da imprensa e conseguem o que querem: um novo técnico ou mais reforços. Por que não fazemos o mesmo em relação ao governo, que pode nos prejudicar muito mais do que um time de futebol perdedor?
Enquanto poucos brasileiros protestam mesmo vivendo num sistema livre e democrático, os iranianos, que vivem sob uma ditadura teocrática, usam a internet para coordenar um grande movimento e exibir ao mundo a indignação de milhares de pessoas com uma eleição fraudulenta.
domingo, 26 de julho de 2009
2009 – Ano da França no Brasil
Depois do Ano do Brasil na França, em 2008, chegou a nossa vez de homenagear os franceses. Mas parece que a primeira impressão do Presidente gaulês, Nikolas Sarkozy, não foi muito agradável: Após a visita, Sarkozy informou o presidente Lula que não voltará mais ao país durante os próximos eventos comemorativos do Ano da França no Brasil por que estará muito ocupado com uma agenda de intensas relações com a sua primeira-dama, a cantora italiana Carla Bruni – o que é perfeitamente O Itamaraty divulgou nota sobre o fato dizendo “que nunca antes na história deste país nós tivemos dois canhões dentro do Palácio do Planalto: Dona Marisa, a primeira-dama, e Dilma Rousseff, o primeiro-ministro”. Diante do caso, o Ministério da Cultura e o Ministério das Relações Exteriores estudam cancelar o Ano da França no Brasil por falta de interesse dos francos. O evento seria substituído pelo Ano do Irã no Brasil, pois o presidente Ahmadinejad estaria muito interessado em visitar o país e comprar material bélico nacional. O projeto conta com apoio do Ministério da Defesa e de todos os setores das Forças Armadas, que querem a modernização de nossos arsenais. Ainda não se sabe qual seria o impacto da venda dos canhões à
invejável compreensível. ditadura teocrática democracia de Teerã na imagem do Brasil junto à comunidade internacional. O presidente Lula apoia a ideia e acredita que a medida vai melhorar ainda mais a imagem que os estrangeiros têm do Brasil – principalmente aqueles que visitam Brasília.
domingo, 8 de março de 2009
Sem camisinha, sem pecado
Tirinha adaptada de atheistcartoons.com.
Por que, para a Igreja Católica, estuprar e engravidar uma criança de nove anos sem camisinha PODE! Se os padres podem fazer o mesmo com meninos, por que um “bom cristão” não poderia fazer com uma menina, desde que fosse sem camisinha? O arcebispo de Olinda e Recife – um título tão pomposo quanto inútil – só excomungou aqueles que salvaram a vida da pobre menina grávida por que ele não gosta de meninas e o que mais queria era um par de gêmeos bem novinhos e inocentes. Essa era a única fantasia pedófila que dom José Cardoso Sobrinho ainda não realizou. A posição oficial do Vaticano é a seguinte:
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Depois da Farra…
JC precisou ser carregado… Também, durante a farra ele começou a transformar garrafinhas de água mineral em vinho, cerveja e Red Bull.
Espera-se que ele saiba transformar pão em aspirina para lidar com a enorme dor de cabeça que ganhou. Além disso, a Madalena não gostou nem um pouco do Jesus que encontrou hoje. Parece que o sofá já está reservado pra ele esta noite.
sábado, 21 de fevereiro de 2009
Jesus, o fanfarrão
“E o Filho do Homem conheceu o Carnaval e viu que era bom…”
JC, esse fanfarrão! Aposto que a Maria Madalena não tá sabendo disso!
